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De acordo com dados divulgados pela Direção Regional de Estatística revelam uma inversão no padrão de mortalidade dos madeirenses. Durante anos lideradas pelas doenças cardiovasculares, as estatísticas de 2024 colocam as neoplasias malignas no topo, com 677 registos — um acréscimo de 4,3% face a 2023. As doenças do aparelho circulatório surgem agora em segundo lugar, com 642 óbitos, menos 10,8% que no período homólogo.
Dos 2.574 residentes falecidos no arquipélago, 1.368 eram mulheres e 1.206 homens. A relação de masculinidade ao óbito fixou-se nos 88,2, o que quer dizer que por cada 100 óbitos femininos ocorreram 88,2 masculinos. O contraste com a realidade nacional é evidente: em Portugal continental e ilhas, esse indicador atingiu os 99,8.
A taxa bruta de mortalidade na Madeira situou-se nos 997,5 óbitos por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 1.107,1. Olhando para a distribuição por género, as mulheres apresentaram uma taxa superior (1.006,3) comparativamente aos homens (987,7), um dado que os técnicos da DREM associam ao envelhecimento populacional mais acentuado no feminino.
Entre as neoplasias, as que mais vidas ceifaram foram as do cólon, reto e ânus, com 92 mortes (35,7 por 100 mil habitantes), seguidas de perto pelos tumores da traqueia, brônquios e pulmão, que totalizaram 86 óbitos (33,3 por 100 mil habitantes). Os valores refletem, segundo especialistas, tendências já observadas noutras regiões do país, onde o cancro do pulmão tem vindo a ganhar peso.
As doenças respiratórias mantiveram-se como terceira causa de morte, com 386 casos, menos 8,5% que em 2023. A taxa correspondente foi de 149,6 por 100 mil habitantes, também em queda face aos 165,3 do ano anterior.
Quanto à covid-19, a doença provocou 21 mortes em 2024, menos 20 que no ano transato. A taxa situou-se nos 8,1 óbitos por 100 mil habitantes, um valor residual quando comparado com os picos da pandemia, mas que ainda assim mantém o vírus nas estatísticas de mortalidade regional.
A DREM sublinha que os números agora publicados resultam do tratamento da informação proveniente dos registos de óbito, permitindo uma leitura mais fina das dinâmicas demográficas e sanitárias do arquipélago. A análise por concelhos e grupos etários poderá ser aprofundada em futuras divulgações, caso haja procura específica por esses desagregados.
Os investigadores locais aguardam agora os dados de 2025 para perceber se esta liderança dos tumores malignos é uma tendência ou apenas uma exceção num ano em que as doenças circulatórias desceram significativamente. O certo é que, por agora, a Madeira acompanha um movimento já observado noutros países desenvolvidos, onde o cancro ultrapassou as doenças cardiovasculares como principal causa de morte.
Link de acesso ao documento: https://estatistica.madeira.gov.pt/download-now/social/popcond/obitos/…
NR/HN/Lusa



Excelente análise estatística sobre a realidade sanitária na Madeira. É preocupante ver os tumores malignos ultrapassarem as doenças cardiovasculares, especialmente com o peso do envelhecimento populacional mencionado. Como o artigo foca na prevenção e no acompanhamento futuro, fiquei com uma dúvida prática: para quem reside ou planeia deslocar-se entre Portugal e Espanha para tratamentos ou exames específicos, sabem se o processo de obtenção de documentação fiscal e de residência, como o explicado em https://e-residence.com/de/nie-spain-online/marbella/ , é um passo necessário para aceder ao sistema de saúde público espanhol em caso de necessidade de cuidados oncológicos transfronteiriços? Seria interessante saber se a burocracia documental ainda é um entrave para a mobilidade de pacientes na Península Ibérica.