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Em entrevista à Lusa, à margem da 36.ª edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), José Luís Sá Nogueira garantiu que as autoridades locais estão a realizar uma investigação exaustiva a hotéis, fornecedores e à cadeia produtiva. “As informações que temos do nosso sistema de saúde é que não há ainda evidência de que haja surto de Shigella em Cabo Verde”, afirmou, reagindo aos relatos de turistas britânicos que associam quatro mortes ocorridas entre agosto e outubro de 2025 a infeções contraídas no Sal.
De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, 2025 registou um aumento de 193 casos de infeções gastrointestinais, e algumas famílias de turistas preparam já ações judiciais contra a TUI e a RIU. Apesar da “imagem negativa” veiculada lá fora, o ministro sustenta que o destino mantém a credibilidade: “O turismo está vivo em Cabo Verde.” Prova disso, disse, são os números da operativa. O país recebe atualmente cerca de 400 voos por semana, o que representa a entrada de mais de 30 mil turistas a cada sete dias.
Os dados do setor mostram uma recuperação robusta. “De 2022 a 2025, Cabo Verde vem crescendo, em termos de fluxo de turismo, uma média anual de 16%. Já ultrapassámos em mais de 50% os números de 2019”, revelou o governante. O turismo representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e continua ancorado nos resorts do Sal e da Boa Vista, embora comecem a despontar projetos de descentralização para outras ilhas.
Portugal assume-se como um mercado estratégico – ocupa atualmente o terceiro ou quarto lugar no ranking de países emissores, atrás do Reino Unido e da Alemanha. A entrada de companhias low-cost no arquipélago veio baratear as tarifas e atrair não só veraneantes, mas também investidores lusos em áreas como a hotelaria e a agricultura. “Somos um país com estabilidade económica, política e financeira, o que gera confiança”, sublinhou Sá Nogueira.
O governante abordou ainda os desafios da mobilidade interna. Em abril arranca a operação da nova CV Sky, do grupo Linhas Aéreas de Cabo Verde, e estão em curso negociações para adquirir mais duas aeronaves. A meta é garantir pelo menos quatro aviões a operar no mercado doméstico para responder à procura crescente.
Questionado sobre incidentes recentes envolvendo turistas retidos por posse de canivetes ou problemas com vistos, o ministro foi direto: cada país tem as suas regras de segurança e migração, e elas devem ser cumpridas. Nada que belisque, no seu entender, a imagem do destino.
Na sexta-feira, a Vinci Aeroportos anunciou o arranque da segunda fase de modernização dos aeroportos cabo-verdianos, um investimento de 142 milhões de euros inserido na concessão atribuída em 2022. Sá Nogueira vê aí uma oportunidade para transformar o país numa plataforma aérea internacional no Atlântico Médio, alavancando também a chamada Economia Azul – pescas e transbordo de mercadorias.
A fechar, e já com um olho nos stands da BTL, deixou a certeza de que o país continua a trabalhar para diversificar a economia sem descurar o setor que mais emprego gera. “Portugal é um mercado muito atrativo para Cabo Verde”, rematou.
NR/HN/Lusa



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