Turismo em Cabo Verde: ministro garante que não há surto de Shigella e nega crise no setor

1 de Março 2026

O ministro do Turismo e Transportes de Cabo Verde assegurou hoje que não há evidência de surtos de Shigella no arquipélago, desvalorizando notícias da imprensa britânica que avançavam com dezenas de infeções gastrointestinais entre turistas no Sal e na Boa Vista

Em entrevista à Lusa, à margem da 36.ª edição da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), José Luís Sá Nogueira garantiu que as autoridades locais estão a realizar uma investigação exaustiva a hotéis, fornecedores e à cadeia produtiva. “As informações que temos do nosso sistema de saúde é que não há ainda evidência de que haja surto de Shigella em Cabo Verde”, afirmou, reagindo aos relatos de turistas britânicos que associam quatro mortes ocorridas entre agosto e outubro de 2025 a infeções contraídas no Sal.

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, 2025 registou um aumento de 193 casos de infeções gastrointestinais, e algumas famílias de turistas preparam já ações judiciais contra a TUI e a RIU. Apesar da “imagem negativa” veiculada lá fora, o ministro sustenta que o destino mantém a credibilidade: “O turismo está vivo em Cabo Verde.” Prova disso, disse, são os números da operativa. O país recebe atualmente cerca de 400 voos por semana, o que representa a entrada de mais de 30 mil turistas a cada sete dias.

Os dados do setor mostram uma recuperação robusta. “De 2022 a 2025, Cabo Verde vem crescendo, em termos de fluxo de turismo, uma média anual de 16%. Já ultrapassámos em mais de 50% os números de 2019”, revelou o governante. O turismo representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e continua ancorado nos resorts do Sal e da Boa Vista, embora comecem a despontar projetos de descentralização para outras ilhas.

Portugal assume-se como um mercado estratégico – ocupa atualmente o terceiro ou quarto lugar no ranking de países emissores, atrás do Reino Unido e da Alemanha. A entrada de companhias low-cost no arquipélago veio baratear as tarifas e atrair não só veraneantes, mas também investidores lusos em áreas como a hotelaria e a agricultura. “Somos um país com estabilidade económica, política e financeira, o que gera confiança”, sublinhou Sá Nogueira.

O governante abordou ainda os desafios da mobilidade interna. Em abril arranca a operação da nova CV Sky, do grupo Linhas Aéreas de Cabo Verde, e estão em curso negociações para adquirir mais duas aeronaves. A meta é garantir pelo menos quatro aviões a operar no mercado doméstico para responder à procura crescente.

Questionado sobre incidentes recentes envolvendo turistas retidos por posse de canivetes ou problemas com vistos, o ministro foi direto: cada país tem as suas regras de segurança e migração, e elas devem ser cumpridas. Nada que belisque, no seu entender, a imagem do destino.

Na sexta-feira, a Vinci Aeroportos anunciou o arranque da segunda fase de modernização dos aeroportos cabo-verdianos, um investimento de 142 milhões de euros inserido na concessão atribuída em 2022. Sá Nogueira vê aí uma oportunidade para transformar o país numa plataforma aérea internacional no Atlântico Médio, alavancando também a chamada Economia Azul – pescas e transbordo de mercadorias.

A fechar, e já com um olho nos stands da BTL, deixou a certeza de que o país continua a trabalhar para diversificar a economia sem descurar o setor que mais emprego gera. “Portugal é um mercado muito atrativo para Cabo Verde”, rematou.

NR/HN/Lusa

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