Universidade do Porto leva 300 estudantes a tratar peluches no shopping

1 de Março 2026

Entre 2 e 6 de março, o centro comercial em Vila Nova de Gaia acolhe uma iniciativa onde crianças dos 3 aos 7 anos levam os seus peluches para uma simulação de ambiente clínico. Projeto é organizado pela Associação de Estudantes do ICBAS e conta com a colaboração das faculdades de Medicina Dentária e de Ciências da Nutrição

A XXIV edição do Hospital dos Pequeninos vai transformar o Arrábida Shopping num hospital em ponto pequeno durante os primeiros dias de março, com a participação de cerca de 300 estudantes da Universidade do Porto. A iniciativa, que decorre de 2 a 6 de março, é organizada pela Associação de Estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (AEICBAS) e tem como público-alvo crianças entre os 3 e os 7 anos de idade, que são convidadas a levar os seus peluches preferidos e a assumir o papel de cuidadoras.

No fundo, a ideia é simples: se o ursinho ou a boneca estão doentes, lá vão eles à consulta. Mas o que está em jogo é bem mais complexo. As crianças passam por várias bancas que recriam cenários hospitalares, abordando áreas tão distintas como a saúde humana, a medicina veterinária, a saúde ambiental, a nutrição e a medicina dentária. Os estudantes envolvidos — do ICBAS, da Faculdade de Medicina Dentária e da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da U.Porto — vão orientando os pequenos neste percurso, sempre com o objetivo de desmistificar aquilo que, para muitos, ainda assusta: o ambiente clínico, a figura do médico, o cheiro a álcool, o avental branco.

Carolina Neto, vice-presidente da AEICBAS, explica que a iniciativa pretende exatamente isso: “ser um primeiro passo na construção de uma relação de confiança entre as crianças e os cuidados de saúde. Ao transformar o desconhecido em algo familiar, ajudamos os mais novos a perder o medo da ‘bata branca’ e a encarar o ambiente clínico com maior serenidade”. E, de facto, ver um estetoscópio aplicado no peluche, em vez de em nós próprios, talvez ajude a baixar a ansiedade.

Há qualquer coisa de enternecedor na cena, mas também de pedagogicamente poderoso. Os miúdos projectam os seus próprios medos nos bonecos, e é ali, naquele espaço lúdico, que podem verbalizar o que sentem. Depois, os estudantes de Medicina, Veterinária ou Nutrição aproveitam para introduzir noções básicas de saúde, de forma descontraída. A presidente da AEICBAS, Carolina Domingues, sublinha que a experiência também ensina os futuros profissionais: “No Hospital dos Pequeninos, aprendemos que a medicina de topo não é a que usa as palavras mais difíceis, é a que consegue tornar o assustador em algo compreensível. É este exercício de humildade e de comunicação que nos torna melhores profissionais no futuro”.

A organização espera receber muitas centenas de crianças ao longo dos cinco dias, num evento que já vai na sua 24.ª edição e que se tornou uma referência na região. Os pequenos visitantes passam por diferentes bancas temáticas — consultórios de faz-de-conta, salas de espera adaptadas, espaços de triagem — e no final, claro, o peluche sai de lá clinicamente tratado. E a criança, também.

PR/HN/MM

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