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A iniciativa, que arrancou a 26 de fevereiro, envolve esta semana as insígnias Continente, El Corte Inglés e Lidl numa acção que a CVP repete várias vezes ao ano desde 2021. O objectivo é simples: compensar, com pequenos montantes somados no momento das compras, aquilo que muitas famílias já não conseguem suportar sozinhas. No fim-de-semana passado, voluntários estiveram em lojas de todo o país a receber directamente alimentos não perecíveis e produtos de higiene, mas a compra de vales continua disponível até ao último dia.
A verdade é que a procura não abranda. Pelo contrário. “A situação social do país exige uma mobilização coletiva”, diz António Saraiva, presidente nacional da CVP, num comunicado divulgado esta segunda-feira. “A campanha ‘Vale +’ permite transformar pequenos gestos em grande impacto, garantindo que continuamos a chegar a quem mais precisa. Num momento em que os pedidos de ajuda continuam a aumentar, este apoio da população é vital.” A frase, institucional, reflecte o que os números já tinham revelado em 2024: nesse ano, a ajuda alimentar da Cruz Vermelha cresceu quase 60%, passando a abranger 95 mil famílias. Muitas delas, sublinha a instituição, não estão desempregadas — simplesmente, o rendimento mensal deixou de chegar para despesas básicas.
Ao longo de 2025, a CVP realizou três edições da campanha, envolvendo seis cadeias de retalho no total. O resultado foram perto de 630 mil euros angariados, entre vales e recolha de produtos, que se traduziram em mais de 178 mil refeições entregues a famílias sinalizadas pelas estruturas locais da instituição. Números que, somados aos de anos anteriores, permitem à CVP falar num “pilar” no combate à insegurança alimentar — embora os responsáveis saibam que o problema está longe de ser resolvido apenas com iniciativas deste género.
Há quem chegue às lojas e estranhe a presença de voluntários junto às caixas, de colete vermelho e branco, a explicar que aqueles vales de 1, 2 ou 5 euros vão reverter em bens essenciais. Mas a adesão tem sido razoável, garantem fontes da organização. A campanha assenta no mote “A sua escolha VALE MAIS. Para que ninguém fique por ajudar!”, repetido em cartazes e nos ecrãs dos supermercados. O que os clientes talvez não vejam é o destino final: famílias que, em muitos casos, optam por usar os vales para comprar leite, azeite, atum ou produtos de higiene — os artigos mais procurados, segundo a CVP —, ou então produtos frescos, que os cabazes tradicionais nem sempre contemplam.
A edição que agora termina é a primeira de 2026. Se o padrão se mantiver, haverá outras ao longo do ano, noutras superfícies comerciais, noutras alturas. Até lá, quem quiser contribuir tem até quarta-feira para o fazer. Depois, os vales transformam-se em produtos, os produtos em refeições, e as refeições numa espécie de alívio temporário para quem vive no fio da navalha.
NR/HN/Lusa



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