Nicósia quer garantias de que bases britânicas terão uso exclusivamente humanitário

2 de Março 2026

O Governo de Chipre exigiu hoje garantias de que as bases britânicas na ilha serão utilizadas apenas para fins humanitários, depois de um drone ter atingido o centro militar em Akrotiri e dois outros terem sido intercetados quando seguiam na direção daquela infraestrutura e do aeroporto internacional de Pafos

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do governo cipriota, Konstantinos Letymbiotis, afirmou que Nicósia exige “garantias explícitas” de que a base “não será, em caso algum, utilizada para outros fins que não humanitários”. A posição foi tornada pública depois de, na noite de domingo, um drone ‘Shahed’, de fabrico iraniano, ter atingido a base britânica de Akrotiri, provocando danos materiais ligeiros, conforme revelou hoje o Presidente cipriota, Nikos Christodoulides, numa mensagem em vídeo.

Na mesma noite, foram neutralizados dois drones de origem desconhecida que se dirigiam para esta base britânica e, eventualmente, para o aeroporto de Pafos, referiu Letymbiotis, adiantando que aqueles “veículos aéreos não tripulados foram intercetados a tempo”. O aeroporto internacional de Pafos e a base militar britânica de Akrotiri acabaram por ser evacuados depois da ameaça de ataque, entretanto destruída, indicaram hoje várias fontes. O site do jornal Phileleftheros adiantou que o aeroporto, na costa ocidental de Chipre, foi evacuado hoje de manhã devido à presença daqueles aparelhos, ao mesmo tempo que os alarmes voltaram a soar na base britânica.

Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), a base britânica, que acolhe militares e civis, estava a ser evacuada na sequência do lançamento de dois caças F-35. Cerca de 70 carros foram vistos a deixar a zona da base de Akrotiri, na costa sul da ilha mediterrânica, precisou a AFP. O Ministério da Defesa britânico já tinha indicado ter tomado “como medida de precaução” a decisão de “transferir os familiares [de militares] que vivem na RAF [Força Aérea Real] Akrotiri para alojamentos alternativos nas proximidades, na ilha de Chipre”. “A nossa base e os nossos funcionários continuam a operar normalmente, protegendo a segurança do Reino Unido e os nossos interesses”, salientou a tutela.

As autoridades britânicas confirmaram que um drone de ataque atingiu a pista da base aérea de Akrotiri, no domingo, mas não foram registados feridos e os danos foram mínimos. Não é claro se o aparelho foi lançado do Irão ou por um grupo militante apoiado por Teerão. Akrotiri é a principal base aérea do Reino Unido para operações no Médio Oriente e, nos últimos anos, tem sido usada por aviões militares britânicos em missões contra o grupo extremista Estado Islâmico na Síria e no Iraque e para atacar alvos dos huthis no Iémen. O Reino Unido manteve duas bases aéreas em Chipre depois da independência da ilha do domínio colonial britânico em 1960.

Entretanto, o Governo grego anunciou hoje o envio de duas fragatas de guerra e dois caças F-16 para Chipre, para “contribuir de todas as formas possíveis” para a defesa da ilha. “Após os ataques injustificados em território cipriota, a Grécia contribuirá de todas as formas possíveis para a defesa de Chipre durante a atual crise, com o objetivo de fazer face às ameaças e às ações ilegais no seu território”, declarou o ministro da Defesa grego, Nikos Dendias. O governante indicou ainda que se reunirá terça-feira em Chipre com o Presidente Christodoulides e com o ministro da Defesa do país, Vasilis Palmas, para alcançar “uma melhor coordenação entre os dois países” durante a atual crise.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas. O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”. O Irão já confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989, e decretou um período de luto de 40 dias. Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de três militares norte-americanos.

NR/HN/Lusa

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