Universidade de Évora lança projeto pioneiro para travar perda de massa muscular no Alentejo

2 de Março 2026

O envelhecimento acentuado da população alentejana e a dificuldade de acesso a cuidados especializados motivaram a criação do ALSarco, um projeto da Universidade de Évora que vai rastrear e intervir na sarcopenia, uma condição que rouba força e autonomia aos mais velhos. A apresentação pública está marcada para 4 de março, na Sala dos Docentes do Colégio do Espírito Santo

Foi na última década que a sarcopenia ganhou estatuto de doença, passando a integrar a Classificação Internacional de Doenças. Mas, no terreno, o diagnóstico e a intervenção continuam aquém do desejável, sobretudo em regiões de baixa densidade. É exatamente aí que o projeto ALSarco, liderado pela Universidade de Évora em parceria com a Nutricia e a Farmácia dos Álamos, pretende fazer a diferença. A iniciativa arranca oficialmente a 4 de março, às 12h00, e alia o rastreio a uma resposta concreta: quem for diagnosticado com a patologia não fica apenas com um relatório na mão. O objetivo, explica o coordenador Armando Raimundo, docente da Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano e investigador do Comprehensive Health Research Centre (CHRC), é que “os casos positivos serão reencaminhados, através de relatório ao médico assistente, para os serviços de saúde”. Haverá ainda lugar a uma avaliação funcional detalhada e ao planeamento personalizado de exercício físico e suporte nutricional.

A escolha do Alentejo para este estudo-piloto não é casual. A região acumula fatores de risco que a tornam particularmente vulnerável à perda de massa e força muscular. “Apresenta um dos índices de envelhecimento mais elevados a nível nacional, aliado à dispersão geográfica e à baixa densidade populacional”, sublinha o investigador, lembrando que estas condições “contribuem para o risco de perda de massa e força muscular que caracteriza a sarcopenia e, consequentemente, para o aumento do risco de quedas, fraturas e perda de autonomia”. O acesso escasso a programas de exercício estruturado e a acompanhamento nutricional agrava ainda mais o cenário, tornando urgente uma monitorização mais eficaz desta fatia da população.

Para quem vive no terreno, a chegada do ALSarco pode representar mais do que um estudo académico. Armando Raimundo destaca que a população sénior poderá beneficiar da “deteção precoce” e de recomendações feitas à medida, sobretudo no plano do exercício e da nutrição. O objetivo é travar a cascata de eventos que tantas vezes leva à institucionalização: a queda, a fratura, a perda de independência. O responsável aponta ainda ganhos colaterais, como a potencial “redução do risco de isolamento social, do número de internamentos por queda ou fratura e das taxas de institucionalização precoce”. Ao integrar epidemiologia, serviços de saúde e respostas comunitárias, o projeto quer produzir dados que ajudem a desenhar políticas mais ajustadas a uma região onde envelhecer tem custos acrescidos.

PR/HN/MM

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