Cuidados primários passam a referenciar diretamente para Unidade de Diagnóstico Precoce da ULS do Nordeste

3 de Março 2026

A Unidade de Diagnóstico Precoce (UDP) da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, em funcionamento no Hospital de Bragança desde 17 de novembro de 2025, vai passar a aceitar referenciações diretas dos Cuidados de Saúde Primários e alargar o leque de situações clínicas elegíveis, incluindo agora casos que, não sendo emergentes, carecem de uma resposta diagnóstica célere

O alargamento da UDP, confirmado esta quarta-feira por fonte oficial da ULS do Nordeste, traduz uma alteração significativa no modelo de acesso à unidade. Até agora, a UDP funcionava essencialmente como uma alternativa ao serviço de urgência para situações agudas, com um circuito próprio que envolvia instituições sociais e uma equipa médica dedicada, entre as 9h e as 16h30. Com as novas regras, os médicos de família dos centros de saúde passam a poder referenciar diretamente utentes que, no seu entendimento clínico, beneficiem de uma investigação diagnóstica mais rápida do que a que conseguiriam obter pela via convencional de consultas externas.

A decisão, integrada numa estratégia de reorganização assistencial, procura dar resposta a uma franja de doentes que muitas vezes cai numa espécie de limbo: não têm critérios para urgência hospitalar, mas esperar semanas ou meses por uma consulta de especialidade ou exame pode significar um agravamento do quadro clínico ou sofrimento prolongado. A ideia, explicam os responsáveis, é agilizar o percurso destes utentes, com tempos de resposta entre as 24 e as 72 horas.

Desde a sua abertura, a unidade permitiu reduzir a pressão sobre o serviço de urgência do Hospital de Bragança, assegurando uma triagem mais fina e um encaminhamento adequado para doentes com sintomas agudos ou que necessitavam de reavaliação clínica. Mas o balanço feito pela administração apontou para a possibilidade de rentabilizar a estrutura, alargando o seu âmbito de atuação sem comprometer a missão original.

Os concelhos abrangidos mantêm-se os mesmos – Bragança, Vinhais, Vimioso, Mogadouro e Miranda do Douro –, tal como o horário de funcionamento. A grande novidade reside nos critérios clínicos de admissão e na origem das referenciações. “Esta Unidade possibilitou uma diminuição significativa de episódios de urgência e agilizou a assistência aos doentes através de uma maior rapidez no atendimento”, lê-se na informação prestada pela ULS, sublinhando que o agendamento de consultas entre as 24 e as 72 horas para utentes com sintomas agudos ou em fase de reavaliação clínica após observação se tem traduzido “numa qualidade acrescida dos cuidados prestados”.

A nota informativa enviada pela ULS do Nordeste, entretanto divulgada pela HealthNews, adianta que a UDP acompanhou, ao longo de três meses, 235 doentes – com uma média de idades de 78 anos – em 346 consultas. São ainda discriminadas as patologias mais observadas nesse contexto, o que permite perceber o perfil dos utentes que têm recorrido à unidade: maioritariamente idosos, com múltiplas comorbilidades e necessidade de vigilância apertada.

Há ainda um dado que convém reter: o alargamento agora anunciado não representa uma rutura com o modelo anterior, antes um aprofundamento. A UDP continua a funcionar no mesmo espaço, com a mesma equipa e no mesmo horário. O que muda é a possibilidade de os médicos de família poderem acionar este recurso sempre que entendam que o doente que têm à frente não pode esperar por uma consulta de especialidade hospitalar nos tempos normais, mas também não justifica uma ida às urgências.

Em regiões do interior, onde as distâncias e a desertificação condicionam o acesso aos cuidados de saúde, a diferença entre uma espera de 72 horas e uma espera de vários meses pode ser tudo menos trivial. Resta saber se a capacidade instalada – uma equipa médica que assegura o serviço em horário laboral – vai conseguir absorver o acréscimo de procura sem criar novos estrangulamentos.

A ULS do Nordeste tem vindo a registar um aumento da atividade assistencial nos cuidados de saúde primários ao longo do último ano, com particular expressão nas consultas médicas presenciais e nos domicílios. A articulação entre os diferentes níveis de cuidados é apontada como uma prioridade, e este alargamento da UDP insere-se nessa lógica de continuidade assistencial.

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