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A decisão das autoridades de Manamá surge num contexto de crescente tensão regional, depois de Teerão ter prometido responder à operação militar conduzida no sábado por Washington e Telavive. Num comunicado oficial divulgado durante a manhã, o executivo bahreinita detalhou que as vagas de voluntariado se concentram sobretudo em setores como a saúde, engenharia, logística, administração e supervisão. Trata-se de áreas consideradas críticas para sustentar a capacidade de resposta do país, que partilha com os norte-americanos a base naval de Manamá, quartel-general da Quinta Frota dos Estados Unidos.
O apelo, dirigido formalmente à totalidade da população residente – estimada em cerca de 1,5 milhões de pessoas, das quais aproximadamente metade são estrangeiros –, reflete o grau de alerta em que mergulhou o pequeno arquipélago do Golfo. Nos últimos dias, o Bahrein tem sido um dos países atingidos pela vaga de mísseis e drones lançados pelo Irão, que visa não só instalações militares norte-americanas destacadas na região, mas também alvos considerados estratégicos em nações vizinhas. A Arábia Saudita, o Kuwait e o Qatar surgem repetidamente na lista de alvos, a par dos Emirados Árabes Unidos.
Precisamente Abu Dhabi veio hoje a público defender aquilo que classifica como um direito inalienável. O Ministério dos Negócios Estrangeiros dos Emirados emitiu uma nota na qual afirma o direito do país à “legítima defesa”, invocando para tal o direito internacional e a Carta das Nações Unidas. A posição foi assumida depois de as autoridades emiradenses denunciarem uma escalada sem precedentes: “mais de mil ataques” originários de território iraniano, segundo a contabilidade oficial divulgada esta quarta-feira.
O atual ciclo de violência conheceu o seu último momento crítico no sábado, quando forças dos Estados Unidos e de Israel lançaram uma operação militar de grande envergadura contra o Irão. O objetivo declarado, nas palavras do Presidente norte-americano, Donald Trump, era “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”. Já o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, enquadrou a ação conjunta como uma resposta necessária àquilo que designou como uma “ameaça existencial” para o seu país. Em Teerão, o regime confirmou a morte do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, que detinha o cargo de líder supremo desde 1989. Os números de baixas, entretanto avançados por fontes oficiais iranianas, apontam para mais de mil mortos desde o início da ofensiva no sábado. Do lado norte-americano, o Pentágono já confirmou a morte de seis militares.
No terreno, a retaliação iraniana tem assumido contornos de uma campanha difusa, atingindo múltiplos países. Para além dos estados do Golfo, já foram registados impactos no Iraque, no Líbano, na Jordânia, em Omã, no Chipre e até na Turquia. É neste quadro de alastramento do conflito que o Bahrein decide agora mobilizar a sociedade civil, num esforço que procura envolver tanto cidadãos como residentes estrangeiros dispostos a contribuir para fazer face às consequências de uma guerra que parece longe de encontrar um ponto de trégua.
NR/HN/Lusa



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