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O presidente executivo da Bial, António Portela (na imagem), afirmou à Lusa que a integração dos novos medicamentos no portefólio da empresa em Portugal terá “naturalmente impacto” no volume de negócios no mercado nacional, podendo representar um acréscimo na ordem dos 15% da faturação total. O comunicado conjunto das farmacêuticas sublinha que se trata de “uma evolução de uma parceria histórica estabelecida entre as duas companhias”.
Estão abrangidos os medicamentos Elebrato Ellipta, Laventair Ellipta, Revinty Ellipta, Trelegy Ellipta, Anoro Ellipta e Relvar Ellipta. O acordo, que recebeu autorização da Autoridade da Concorrência (AdC) a 4 de fevereiro, alarga a representação da Bial, que já promovia, distribuía e vendia os três primeiros. A GSK mantém-se como titular da autorização de introdução no mercado, cabendo à Bial a representação local em Portugal.
Portela classificou o entendimento como “um grande sinal de confiança nas competências da Bial em Portugal”, ao mesmo tempo que “consolida uma parceria histórica de mais de 30 anos com a GSK”. Para o CEO, o acordo é estratégico por reforçar “de forma clara” a posição da empresa na área respiratória em Portugal, consolidando a oferta terapêutica para a DPOC e asma.
De acordo com dados da farmacêutica, a asma atinge cerca de 7% da população portuguesa, enquanto a DPOC afeta aproximadamente 14% das pessoas com mais de 40 anos, registando-se “elevado subdiagnóstico”. Os números traduzem-se em cerca de 700 mil e um milhão de portugueses, respetivamente.
A área respiratória representa atualmente cerca de 13% da faturação global da Bial. Com o reforço do portefólio através de “produtos inovadores e de elevada notoriedade no mercado”, a empresa acredita num novo impulso ao crescimento no mercado nacional. “Portugal e os doentes em Portugal são críticos para a Bial. Este é o nosso mercado base”, sublinhou António Portela, referindo que a internacionalização da empresa, assente na comercialização de medicamentos de investigação própria na neurologia, tem vindo a afirmar-se.
O diretor geral da GSK Portugal, Jeroen van der Lans, citado no comunicado, descreveu o acordo como “uma transição natural” e reflexo da estratégia da empresa “de consolidação enquanto biofarmacêutica, focada nas áreas de ‘specialty’, oncologia e vacinas”. Van der Lans garantiu a manutenção do compromisso na área respiratória, dando continuidade à parceria histórica com a Bial.
A Bial mantém-se como a única farmacêutica portuguesa com medicamentos de investigação própria e patente nacional comercializados, canalizando, em média, mais de 20% da faturação anual para Investigação & Desenvolvimento (I&D), com foco nas neurociências e doenças raras. Para além da sede em Portugal, onde possui unidades de produção e I&D, a empresa tem filiais em Espanha, Alemanha, Reino Unido, Itália e Suíça, estando também presente nos EUA e em mercados emergentes. Os produtos são comercializados em 50 países, frequentemente através de acordos de parceria. Questionado pela Lusa, António Portela adiantou, no entanto, que não há “nenhuma perspetiva de novos acordos com a GSK” neste momento.
NR/HN/Lusa



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