Cabo Verde reforça diagnóstico de tuberculose com tecnologia molecular

4 de Março 2026

Cabo Verde vai receber três novos equipamentos de diagnóstico molecular para deteção de tuberculose, com apoio do Fundo Global, permitindo alargar o rastreio, torná-lo mais rápido e preciso, anunciou hoje o Governo

O arquipélago vai passar a contar com três sistemas de diagnóstico molecular (GeneXpert) que prometem encurtar o tempo entre a suspeita clínica e a confirmação laboratorial da doença. A informação foi avançada pelo Ministério da Saúde, em comunicado, sublinhando que o objetivo é justamente esse: “redução do tempo entre suspeita clínica e confirmação laboratorial”. A tuberculose, lê-se ainda na nota, “continua a representar um desafio relevante de saúde pública, exigindo diagnóstico rápido e preciso”.

Os novos equipamentos chegam por via do Fundo Global, tendo como recetor principal o Comité de Coordenação do Combate à SIDA, que fará a entrega formal ao Ministério da Saúde ainda hoje. Para além da tuberculose, a tecnologia permite também detetar “outras patologias prioritárias com base em testes moleculares rápidos”, segundo a mesma fonte governamental. A vantagem, explicam os responsáveis, está na “maior sensibilidade comparativamente a métodos convencionais”, o que deverá facilitar a identificação de formas resistentes da doença.

Os números da Organização Mundial de Saúde, relativos a 2023, indicam que a taxa de mortalidade por tuberculose em Cabo Verde se mantém estável desde 2015, rondando os 4,3 por cada 100 mil habitantes. Um valor considerado relativamente baixo, mas que as autoridades não querem ver subir. Daí que a aposta na descentralização dos meios de diagnóstico faça sentido: os novos sistemas permitem exatamente essa “integração em redes laboratoriais descentralizadas”, algo que até agora era mais complicado.

Olhando para outros contextos, um relatório da Direção-Geral da Saúde português, divulgado em 2022, chamava a atenção para o aumento de casos de tuberculose na população imigrante em Portugal. Entre os casos identificados, 38 tinham origem cabo-verdiana. O dado, embora não diretamente relacionado com a realidade interna do arquipélago, acaba por lembrar a circulação da doença e a importância de um controlo eficaz também nos países de origem.

Com este reforço, a ideia é que o rastreio se torne mais alargado e, sobretudo, mais fiável. O Governo não adiantou prazos para a entrada em funcionamento dos equipamentos, nem detalhou que regiões serão prioritárias na distribuição. A tuberculose, como lembra o ministério, exige respostas céleres. E a demora no diagnóstico nunca foi boa conselheira.

NR/HN/Lusa

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