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Agilidade, foco estratégico, Inteligência Artificial, propósito e impacto. São estas as cinco prioridades que, segundo os líderes empresariais presentes no encontro, vão marcar a liderança em 2026. Numa altura em que a instabilidade geopolítica e a pressão regulatória apertam, o tema escolhido para esta edição — “Navigating a world of changing priorities” — serviu de pano de fundo para discutir o que realmente distingue as organizações competitivas. O evento, que juntou mais de três centenas de participantes na Nova SBE, afirmou-se como um fórum intersectorial de reflexão, promovendo a ligação entre empresas, academia e sociedade.
Na abertura, os Co-Presidentes do Alumni Board, João Serrano e Mariana Coimbra, acompanhados pela Diretora Executiva do The Lisbon MBA Católica|Nova, Maria José Amich, sublinharam o papel do Alumni Club como plataforma ativa de pensamento estratégico. Disseram que o summit é o momento anual onde essa reflexão setorial ganha forma, assumindo a ambição e a responsabilidade de construir soluções para um contexto global em profunda mutação. A dado passo, Maria José Amich referiu que o país não pode ficar indiferente à velocidade das mudanças que atravessam as cadeias de valor.
José Maria Pimentel, host do podcast 45 Graus, fez a keynote de abertura e enquadrou o momento atual como uma mudança de ciclo histórico. Explicou que, depois de três décadas marcadas por globalização, crescimento e uma certa estabilidade, o mundo entrou numa rutura geopolítica que redefine equilíbrios de poder. As cadeias de valor, disse, estão a ser repensadas, e isso obriga a repensar prioridades. Neste novo cenário, defendeu, as empresas passam a assumir um papel ainda mais central como âncoras de estabilidade e criação de valor. Exigem-se, por isso, líderes capazes de navegar a ambiguidade com pensamento crítico e, acrescentou, visão de longo prazo.
Entre os participantes, houve quem recordasse que a liderança, nestes tempos, não se faz apenas de estratégia, mas também de capacidade de adaptação. A agilidade, aliás, foi apontada como condição de sobrevivência, sobretudo num contexto em que as decisões têm de ser tomadas com informação incompleta. O foco no “core” do negócio foi igualmente destacado como uma disciplina essencial para quem lidera. Não se trata, explicaram alguns dos oradores, de ignorar o que está à volta, mas de saber onde concentrar recursos e energia.
A integração da Inteligência Artificial nas organizações surgiu como um dos temas mais consensuais. Vários líderes empresariais consideraram que a adoção destas tecnologias é imperativa para manter competitividade. Mas houve também quem alertasse para a necessidade de o fazer com propósito, garantindo que o impacto — social e ambiental — não fica esquecido na equação. Propósito e impacto foram, de resto, apresentados como motores de legitimidade para as empresas do futuro.
Do encontro saíram ainda notas sobre Portugal. O país, disseram, tem vantagens estruturais inegáveis, sobretudo nas áreas dos Data Centers, da transição energética e do talento digital. Mas, alertaram, precisa de uma visão integrada que articule estas mais-valias num desígnio coletivo. A Secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico, marcou presença, bem como os Deans da Nova SBE e da CATÓLICA-LISBON. Líderes de empresas como a Delta Cafés, a Bain & Company, a Cisco, a Microsoft, a Deloitte, a Start Campus, a JLL e a Luz Saúde participaram nos painéis de discussão, onde se falou, entre outros assuntos, da pressão regulatória que vem de Bruxelas e da forma como as empresas portuguesas se podem posicionar num mercado global cada vez mais disputado.
Houve, ao longo do dia, quem recordasse que a instabilidade geopolítica não é um fenómeno passageiro, mas antes o novo normal. E que, por isso mesmo, as empresas têm de aprender a viver com ela. A dada altura, num dos intervalos, comentava-se entre participantes que o mais difícil, para quem lidera, não é tomar decisões em cenários de crise, mas sim manter a coerência quando tudo à volta parece mudar a cada instante. O tom, ao longo das várias sessões, foi sobretudo pragmático, com poucas concessões a otimismos fáceis, mas também sem dramatismos excessivos. Afinal, como alguém observou, liderar é também isto: gerir expectativas sem perder a capacidade de sonhar.
Os trabalhos dos Think Tanks setoriais, que reuniram ao longo do dia, permitiram retirar conclusões que foram depois partilhadas com os participantes. Além da agilidade e do foco no negócio, ficou claro que a Inteligência Artificial não é uma opção, mas uma necessidade competitiva. E que propósito e impacto, mais do que palavras da moda, são hoje fatores de legitimação social para as empresas. Quanto a Portugal, as vantagens estruturais existem, mas falta, segundo os participantes, uma visão integrada que as transforme em verdadeira vantagem competitiva.
PR/HN/MM



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