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A Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) veio a público esta terça-feira reconhecer o aumento de 2,3% no preço compreensivo da hemodiálise praticado no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas deixou claro que o valor fica aquém do necessário. Em comunicado, a entidade sublinha que a atualização, ainda que bem-vinda, não cobre o diferencial acumulado ao longo de quase duas décadas sem qualquer revisão.
O chamado preço compreensivo foi instituído em 2008 pelo Ministério da Saúde como modelo de financiamento às unidades privadas que prestam cuidados de diálise em complementaridade com o SNS. Durante 18 anos, o montante pago por doente e por sessão manteve-se inalterado, num período em que os custos operacionais – desde equipamentos a recursos humanos – não pararam de crescer.
Paulo Dinis, presidente da ANADIAL, admite que a decisão do Ministério representa uma mudança de rumo, mas insiste na necessidade de uma revisão mais profunda. “Ao longo destes 18 anos, as clínicas de diálise asseguraram um serviço de qualidade com cuidados de excelência, demonstrando resiliência e capacidade de resposta mesmo em situações críticas, como a pandemia de COVID-19, o apagão nacional de 2025 ou as recentes tempestades que assolaram o nosso país”, recorda. O responsável reforça que as unidades continuam empenhadas em garantir acessibilidade e dignidade no tratamento, mas alerta: sem um novo aumento, a sustentabilidade de muitas delas fica em risco, podendo comprometer a resposta assistencial a milhares de portugueses. “A perda durante 18 anos não foi recuperada”, sintetiza.
Atualmente, as clínicas privadas e do setor social asseguram tratamento a mais de 90% dos doentes renais crónicos em hemodiálise em Portugal. A doença renal crónica afeta cerca de um milhão de portugueses, de acordo com dados da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), representando um dos maiores desafios de saúde pública no país. O impacto traduz-se em mortalidade precoce, perda de qualidade de vida e custos elevados para o sistema de saúde.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem vindo a alertar para a tendência global da doença: sem estratégias eficazes de prevenção e diagnóstico precoce, a patologia poderá tornar-se, em 2040, a quinta principal causa de morte no mundo. Em Portugal, a prevalência da doença e a dependência das unidades de diálise tornam o debate sobre o financiamento ainda mais premente. As clínicas defendem que a qualidade do serviço prestado até agora não pode ser posta em causa por constrangimentos orçamentais, e insistem que o aumento agora aplicado deve ser encarado como um primeiro passo, não como uma solução definitiva.
PR/HN/MM



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