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O estudo, divulgado esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde, insere-se numa análise internacional que abrange 204 países e vem detalhar os fatores de risco que mais penalizam a saúde dos portugueses. O consumo excessivo de carne vermelha, processados e sal, a par da ingestão insuficiente de cereais integrais, hortícolas e frutos gordos, surge como o padrão mais crítico. Mas, isoladamente, são os cereais integrais em falta na dieta diária que mais pesam na carga da doença, tanto em mortes como em anos de vida sem qualidade.
Embora a alimentação inadequada surja no topo dos fatores de risco, os dados mostram que as disfunções metabólicas — como o açúcar elevado no sangue, a hipertensão ou o próprio excesso de peso — já representam um peso superior na equação da saúde pública. Isto indicia, segundo o documento, que os danos provocados por uma dieta desequilibrada já se manifestam de forma clara ao nível fisiológico, com consequências diretas na mortalidade e na morbilidade.
O excesso de peso, por si só, tem vindo a escalar no ranking do risco. Em 2023, foi o segundo fator que mais contribuiu para os anos de vida perdidos ou vividos com incapacidade (8,2%) e o terceiro no total de óbitos (8,6%). A tendência de crescimento, ainda que menos acelerada na última década, mantém-se: num período de vinte anos, o peso do IMC elevado na perda de anos saudáveis aumentou 23%.
A DGS aproveitou a data em que se assinala a obesidade para lançar um manual de mudança comportamental dirigido a profissionais de saúde. O documento, que integra estratégias para alterar rotinas alimentares e de atividade física, enquadra-se no percurso de cuidados integrados para a pessoa com obesidade publicado no ano anterior. A ideia é fornecer guias práticos e ferramentas de automonitorização que ajudem a traduzir as recomendações em gestos concretos, dentro e fora dos consultórios.
NR/HN/Lusa



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