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Os números são claros: 10,2% da população com 16 ou mais anos não conseguiu assegurar cuidados de saúde oral. Destes, 7,7% apontaram diretamente a indisponibilidade financeira como a barreira. Um valor muito superior aos 3,8% que, por razões económicas ou não, viram fugir-lhes os exames ou tratamentos médicos gerais. Nestes, o campeão das faltas foram as listas de espera, com 1,5%.
O instituto sublinha o peso que a fatura do dentista tem no orçamento familiar. Quase metade dos agregados (47,2%) classificou os encargos com cuidados dentários como pesados em 2025. A percentagem supera a dos que se queixam do preço dos medicamentos (45,7%) e fica claramente acima da dos cuidados médicos (39,3%). São as famílias em risco de pobreza e as que têm idosos quem mais sente a mordida no bolso.
Apesar das dificuldades, 59,6% dos inquiridos disseram ter ido a uma consulta de medicina dentária nos doze meses anteriores. As mulheres vão mais ao dentista (62,4%) do que os homens (56,4%), uma tendência que se replica na geral e familiar e nas outras especialidades. Já a idade mexe com os hábitos: os mais velhos acumulam consultas de clínica geral e especialistas, mas são os jovens quem mais vezes abre a boca para o dentista. A escolaridade também dita o acesso: quem tem mais estudos e está empregado vigia melhor a saúde oral, enquanto a população em risco de pobreza fica para trás.
Curiosamente, a procura pelo médico de família é maior entre os menos escolarizados (83,3%) do que entre licenciados (77,9%). Mas quando o assunto é o especialista, a pirâmide vira-se: 65,3% dos que completaram o superior recorreram a um, contra 50,4% dos que têm o básico. O retrato que o INE deixa é o de um país onde ir ao médico de família ainda é para todos, mas ir ao dentista ou a uma consulta de especialidade depende cada vez mais do dinheiro que se tem ou do curso que se tirou.
NR/HN/Lusa



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