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A docente Joana Mendes, que coordena o Projeto Cuidados Paliativos Peri, Neonatais e Pediátricos (Pali4NPCare) no CIDNUR, esteve em fevereiro no campus de Belval, integrada nas atividades letivas da Faculdade de Ciência, Tecnologia e Medicina do Departamento de Saúde, Medicina e Ciências da Vida. O convite partiu de Marie Friedel (ambas na imagem), professora na instituição luxemburguesa e figura central na estruturação dos cuidados paliativos pediátricos num país onde esta resposta especializada ainda caminha.
Friedel tem desenvolvido trabalho junto das instâncias reguladoras e participou na elaboração do Plano Estratégico Nacional de Cuidados Paliativos do Luxemburgo. Recentemente, coordenou o primeiro estudo sobre a prevalência de crianças com necessidades paliativas no país, publicado na Springer, e lidera o projeto MOSAIK (Move to Open Shared Advanced Interventions for Kids with Life-limiting Conditions), que procura auscultar as crianças sobre os serviços que recebem. A ideia, sustenta, é que os mais novos não sejam vistos como meros recetores, mas como interlocutores capazes de dizer o que realmente importa.
No quadro do programa formativo inovador que Marie Friedel estruturou na universidade, Joana Mendes tem sido presença assídua. Desta vez, orientou sessões sobre cuidados paliativos perinatais e ética em enfermagem de saúde infantil, dirigidas a estudantes do bacharelato em ciências de enfermagem com especialização em saúde infantil. A turma, composta maioritariamente por luso-descendentes, revelou-se particularmente interessada nas temáticas e na realidade portuguesa, com intervenções participadas ao longo das aulas. Houve ainda oportunidade para gravar um podcast académico, com Mendes entrevistada por Friedel, numa conversa que procurou alargar a literacia da comunidade académica sobre estas matérias.
A colaboração entre as duas professoras não é recente, mas mantém uma dinâmica que ultrapassa a mera partilha de experiências. Do lado português, o que se leva é um percurso consolidado no ensino da enfermagem pediátrica e nos cuidados paliativos peri e neonatais. Do lado luxemburguês, colhe-se a abertura de quem está a construir respostas e procura referências sólidas. Quem esteve nas sessões nota que os estudantes, muitos deles com dupla pertença cultural, funcionaram como uma ponte silenciosa entre os dois países, talvez sem darem por isso.
A iniciativa repete-se e, com ela, a possibilidade de pensar os cuidados de enfermagem para lá das fronteiras. O que fica, para além do currículo, é a perceção de que o saber também se faz destes encontros menos mediáticos, onde se discute ética, se grava um podcast ou se tenta perceber como dar voz a uma criança no fim da vida. E, no meio disto tudo, há qualquer coisa que tem a ver com a dignidade dos pequenos gestos.
https://enfermagem.ulisboa.pt/node/8465
https://link.springer.com/article/10.1186/s12904-025-01813-3
https://www.uni.lu/fstm-en/news/giving-children-a-voice-in-pediatric-palliative-care/
PR/HN/MM



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