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O corpo humano funciona com base numa orquestra hormonal finamente regulada. Quando um destes elementos se descompensa — a insulina, o cortisol, a leptina ou as hormonas tiroideias —, o organismo tende a reagir de formas que escapam ao controlo consciente. A fome pode aumentar, o gasto energético pode diminuir e a gordura acumula-se com maior facilidade. Não se trata de falta de empenho, mas de um desvio bioquímico que interfere diretamente na capacidade de emagrecer. A médica Marta Padilha sublinha que, em consulta, é frequente encontrar doentes que já percorreram múltiplas tentativas sem sucesso, convencidos de que o problema residia na sua disciplina. “A dificuldade em perder peso nem sempre está relacionada com falta de disciplina ou de motivação. Em muitos casos, existem desequilíbrios hormonais que precisam de ser identificados e tratados”, explica.
A ideia de que duas pessoas com o mesmo estilo de vida possam ter resultados opostos na balança é, afinal, a expressão mais visível desta complexidade. Ignorar a avaliação metabólica e hormonal significa, muitas vezes, condenar os doentes a ciclos repetidos de dietas restritivas, seguidas de recuperação rápida do peso, num processo desgastante que afeta tanto o corpo como a saúde mental. A abordagem clínica da obesidade, defende agora a evidência científica, não pode continuar a resumir-se ao simplismo do “coma menos e mexa-se mais”.
No dia dedicado à doença, a Clínica Drª Marta Padilha aproveita para lembrar que o caminho passa por abandonar estigmas. A obesidade precisa de ser vista como o que é: uma condição que exige diagnóstico, acompanhamento e, acima de tudo, uma visão informada. Reconhecer o papel das hormonas não é um pormenor técnico — é o primeiro passo para que as respostas clínicas sejam realmente eficazes e para que quem vive com esta realidade deixe de carregar sozinho o peso da culpa.
PR/HN/MM



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