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A Organização Mundial da Saúde (OMS) veio a público denunciar uma série de incidentes que atingiram infraestruturas de saúde em território iraniano e libanês. Através de uma publicação nas redes sociais, o diretor-geral da agência da ONU, Tedros Adhanom Ghebreyesus (na imagem), detalhou os episódios ocorridos nos últimos dias, alertando para o perigo crescente que enfrentam médicos, enfermeiros e paramédicos em cenário de conflito.
Na capital do Irão, Teerão, as instalações do Hospital Motahari terão sido afetadas por bombardeamentos levados a cabo por forças dos Estados Unidos e de Israel no domingo passado. De acordo com a OMS, o ataque danificou o edifício e resultou na evacuação forçada de doentes e da equipa médica que ali prestava serviço. A situação repetiu-se no noroeste do país, onde dois centros de emergência nas cidades de Sarab e Hamedan foram também atingidos, causando ferimentos em pelo menos dois profissionais de saúde.
A frente libanesa também registou perdas. Tedros Adhanom Ghebreyesus lamentou a morte de três paramédicos na terça-feira, no distrito de Tiro, junto à fronteira sul do Líbano. Outros seis socorristas ficaram feridos enquanto tentavam auxiliar vítimas dos bombardeamentos que atingem a região, alvo de incursões israelitas contra posições do Hezbollah, grupo apoiado por Teerão.
O responsável máximo da OMS instou as partes envolvidas a observarem os preceitos do direito internacional humanitário, que impõe a proteção de instalações de saúde, doentes e profissionais em cenário de guerra. “Isto deve ser evitado a todo o custo, para que os paramédicos, médicos e enfermeiros possam continuar a realizar o trabalho de salvar vidas”, sublinhou, num apelo à contenção. Numa nota mais pessoal, que foge ao habitual registo diplomático, afirmou desejar que “as vozes da sabedoria e da paz se elevem acima do som das bombas”.
Os bombardeamentos ocorrem num contexto de escalada militar na região. No sábado, forças dos EUA e de Israel lançaram uma operação contra o Irão, justificada por Washington e Telavive como uma ação necessária para “eliminar ameaças iminentes”. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, chegou a classificar a ameaça como “existencial”. Teerão ripostou com o lançamento de mísseis e drones contra alvos israelitas e bases norte-americanas na região. O conflito já provocou um número significativo de baixas: segundo o Crescente Vermelho iraniano, os ataques desde sábado mataram 787 pessoas no Irão, enquanto o Exército norte-americano confirmou a morte de seis militares seus. As autoridades iranianas anunciaram também a morte do líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, que liderava o país desde 1989, tendo sido decretado um luto de 40 dias.
NR/HN/Lusa



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