Pico: autarquias pressionadas a oferecer casas para atrair médicos

4 de Março 2026

A falta de médicos de família na ilha do Pico, que atinge cerca de 4.500 utentes, levou o executivo açoriano a propor uma solução que passa pelo envolvimento direto das câmaras municipais. A ideia é que as autarquias complementem os incentivos financeiros regionais com outro tipo de regalias

A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, revelou que o Governo dos Açores quer que as câmaras de São Roque do Pico, Madalena e Lajes do Pico criem medidas próprias para fixar clínicos na ilha. A intenção foi transmitida aos autarcas durante uma reunião no centro de saúde de São Roque, inserida na visita estatutária do executivo à “ilha montanha”.

A ideia, conforme explicou a governante, é robustecer um procedimento concursal para três novos médicos previsto para este ano. “Nós queremos implementar medidas diferenciadoras, não só do ponto de vista dos incentivos financeiros – ao abrigo do decreto regulamentar de que o Governo Regional dispõe e que irá propor uma majoração sobre aquela que já existe na atualidade -, mas também de as próprias autarquias criarem medidas, incentivos não financeiros, que possam conseguir atrair, até captar e até mesmo fixar”, declarou Mónica Seidi aos jornalistas.

Os incentivos não financeiros a cargo dos municípios poderão passar, segundo a secretária regional, por apoios ao nível da habitação, uma das principais dificuldades de quem se desloca para as ilhas. “Nós lançámos o desafio às três autarquias. Não vamos aqui isolar nenhuma, até porque queremos que esta medida [relacionada com a habitação] seja robustecida, mas que seja uma medida boa para a ilha e, naturalmente, para os concelhos”, adiantou, acrescentando que as presidências das câmaras se mostraram recetivas à parceria.

A necessidade de assegurar médico de família para cerca de 4.500 utentes da ilha do Pico tem sido uma bandeira do Conselho de Ilha, que entregou um memorando ao executivo regional antes do início da visita, que começou na segunda-feira e termina na quarta.

Outro tema em cima da mesa foi a contratação de médicos tarefeiros. Mónica Seidi sublinhou que o Serviço Regional de Saúde “precisa dessa colaboração” e revelou que a Unidade de Saúde da Ilha do Pico lançará em breve um concurso público internacional. O objetivo é alargar o leque de empresas de recrutamento de clínicos para além da que atualmente presta serviço.

Ainda no capítulo das acessibilidades, a governante abordou a melhoria do transporte de doentes entre o Pico e o hospital da Horta, no Faial. Adiantou que o Governo Regional, através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), vai adquirir uma viatura elétrica “com capacidade significativa”. A ideia é que os doentes que chegam ao cais na cidade da Horta tenham transporte garantido até à unidade hospitalar, colmatando assim “algumas das falhas que têm sido apontadas pelos utentes”.

NR/HN/Lusa

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