Quase 70% dos portugueses têm excesso de peso. Atlântica defende olhar além do prato

4 de Março 2026

No Dia Mundial da Obesidade, que se assinala a 4 de março, a Licenciatura em Ciências da Nutrição da Atlântica – Instituto Universitário alerta para a necessidade de uma abordagem sistémica à saúde metabólica, sublinhando que variáveis como o stresse e a privação de sono são frequentemente tão determinantes como a alimentação

Quase 30% da população adulta em Portugal vive com obesidade, uma doença crónica que, este ano, é assinalada pela Federação Mundial da Obesidade sob o tema ‘8 mil milhões de razões para agir’. A coordenadora da licenciatura em Ciências da Nutrição na Atlântica, Susana Arranhado, explica que a escolha do tema pretende lembrar que a doença não pode ser reduzida a uma questão de escolha individual. “É também um reflexo de desigualdades estruturais”, sustenta.

Os números nacionais são expressivos: o excesso de peso atinge 67,6% dos adultos, e os determinantes sociais de saúde — como o rendimento ou a estabilidade no emprego — funcionam, não raro, como barreiras invisíveis a quem tenta perder peso. “Não podemos continuar a apostar num discurso que só olha para as calorias”, defende a nutricionista, que alerta para o chamado ambiente obesogénico em que muitas famílias portuguesas estão inseridas. A docente sublinha ainda que fatores como o stresse ou a falta de descanso são atualmente reconhecidos como verdadeiros disruptores metabólicos, algo que o senso comum tende a ignorar.

O impacto destas variáveis no organismo é complexo. A privação de sono e a pressão psicológica, por exemplo, alteram o eixo hormonal. “Aumentam o cortisol e a grelina, o que potencia a fome emocional e reduz o gasto energético”, explica Susana Arranhado. O stresse crónico, fenómeno tão característico das sociedades contemporâneas, surge associado à acumulação de gordura visceral, considerada pelos clínicos como a mais perigosa para a saúde cardiovascular. Paralelamente, a falta de descanso agrava a resistência à insulina e favorece a procura por alimentos ultraprocessados.

Do lado socioeconómico, o cenário não é menos desafiador. As circunstâncias limitam, com frequência, a possibilidade de optar por produtos frescos e da época. Muitas vezes, a alimentação à base de ingredientes processados acaba por ser a saída mais barata e acessível.

Perante este panorama, a Atlântica diz querer posicionar a sua licenciatura como uma resposta direta, orientando a formação para a atuação em equipas multidisciplinares. O objetivo não é apenas a prescrição dietética, mas também a intervenção em comunidades vulneráveis e a promoção de políticas públicas capazes de enfrentar as causas estruturais da doença. Num país onde a obesidade infantil também preocupa, a instituição, instalada no complexo da Fábrica da Pólvora de Barcarena, em Oeiras, reforça a ideia de que agir sobre o sistema — e não apenas sobre o indivíduo — é essencial para garantir um futuro sustentável ao Serviço Nacional de Saúde e às próximas gerações. Mais informações em https://www.uatlantica.pt/.

PR/HN/MM

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