Partidos rejeitam comissão de inquérito à gestão da Covid-19 e acusam Chega de “banalização”

Partidos rejeitam comissão de inquérito à gestão da Covid-19 e acusam Chega de “banalização”

No debate na Assembleia da República sobre a proposta do Chega de constituição de uma comissão eventual de inquérito parlamentar para avaliar a gestão da pandemia de Covid-19, o líder do partido defendeu a “necessidade de o parlamento português lançar uma investigação profunda à forma como foi conduzido este processo”.

“De janeiro de 2021 a março de 2022 estivemos perante 22.134 contratos num total de 2 mil milhões de euros. De todos estes, 88,5% não tiveram qualquer fiscalização nem qualquer controlo do Tribunal de Contas”, assinalou, falando numa “aquisição desastrosa e suspeita de muitos bens” no âmbito da pandemia.

André Pinotes Batista, do PS, adiantou que a sua bancada “votará negativamente esta iniciativa na justa medida em que a sua aprovação apenas contribuirá para minar a credibilidade das instituições parlamentares” e salientou que o Governo gastou “o dinheiro que foi preciso para salvar vidas”.

O deputado socialista acusou o Chega de um “ato de mera banalização do inquérito parlamentar”.

“Sabemos que o Chega acenará uma vez mais com aparato, clamará vergonha, como é seu rotineiro apanágio […]. Clamar vergonha é quando temos de suportar a penúria humanista de uma deputada que defende que uma mulher que engravidou por força de uma violação deverá ser forçada à sua gestão até ao fim, vergonha é testemunhar a crueldade impante de um autarca que clama que a homossexualidade é um capricho que se pode tolerar desde que esteja enclausurado em quatro paredes”, criticou.

“Deixe-se de tretas da homossexualidade e do aborto e responda é à corrupção, que é isso que as pessoas querem saber”, respondeu André Ventura.

Pelo PSD, o deputado Guilherme Almeida apontou críticas à gestão feita pelo Governo e considerou que “a máquina de propaganda socialista convenceu muitos portugueses de que o trabalho que o Governo fez foi fantástico, algo de extraordinário”.

No entanto, ressalvou que “sem todos os elementos técnicos necessários”, não estão “ainda reunidas condições para a constituição de uma eventual comissão de inquérito que, neste momento e nas atuais condições, não contribuiria para substituir a mentira pela verdade”.

João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, afirmou que o Chega propõe inquéritos parlamentares “por tudo e por nada”, mas adiantou que o seu partido acompanha esta proposta porque, embora “seja contra esta banalização das comissões de inquérito, esta em concreto faz muito sentido porque é, de facto, fundamental avaliar e tornar público se a gestão do Governo da pandemia foi tão fantástica como a propaganda do PS quer fazer crer”.

Também o BE adiantou que o seu grupo parlamentar não inviabilizará esta comissão mas considerou que “não há seriedade” da parte do Chega no que toca a propor inquéritos parlamentares.

O líder parlamentar bloquista, Pedro Filipe Soares, lembrou que o Chega apoiou a recandidatura de Jair Bolsonaro e considerou que o Presidente brasileiro cessante teve uma “política genocida da gestão de todo o processo covid”, e apontou também “os almocinhos e jantares” do partido “sem máscara e distanciamento” numa altura em que “existia um pedido à população para se resguardar, para não passar o vírus entre si”.

“Não nos parece que a não existência de uma comissão eventual de inquérito seja um impedimento objetivo do escrutínio e fiscalização que devemos exercer, muito menos de encontrar e implementar medidas necessárias”, defendeu o deputado João Dias, do PCP.

Inês Sousa Real, deputada única do PAN, acusou o Chega de fazer “mais um dos seus números para fazer algum tipo de ‘show off’” e de “banalizar esta figura que é da maior relevância”, e defendeu que “o escrutínio pode e deve fazer-se nas comissões já existentes”.

Pelo Livre, o deputado Rui Tavares apontou que “nem a investigação sobre este tema se reveste de uma especial dificuldade, complexidade nem especialidade que precise de uma comissão para além daquelas que o parlamento já tem”.

Pelo Governo, a secretária de Estado da Promoção da Saúde, Margarida Tavares, manifestou “orgulho” pela resposta dada à Covid-19 em Portugal e defendeu que “foi possível assegurar a transparência” ao longo do processo.

Os deputados assinalaram também que vigorou na última legislatura a comissão eventual para o acompanhamento da aplicação das medias de resposta à pandemia e do processo de recuperação económica e social.

A rejeição da constituição de uma comissão eventual de inquérito parlamentar para avaliação da gestão da pandemia de Covid-19 foi confirmada na votação. Os deputados ‘chumbaram’ a proposta do Chega com voto contra de PS, PAN e Livre, abstenção de PSD, PCP e BE e o voto favorável do proponente e da IL.

LUSA/HN

Comissão Europeia e autoridades europeias e mundiais alertam para “ameaça” da gripe, covid e vírus respiratório

Comissão Europeia e autoridades europeias e mundiais alertam para “ameaça” da gripe, covid e vírus respiratório

“A epidemia da época da gripe de 2022-2023 está a começar precocemente na região europeia, numa altura em que as preocupações sobre o vírus sincicial respiratório aumentam e a covid-19 continua a ser uma ameaça”, avisaram a comissária europeia da Saúde, Stella Kyriakides, o diretor regional da Organização Mundial da Saúde para a Europa, Hans Kluge, e a diretora do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, Andrea Ammon.

Vincando que a Europa “está atualmente a registar uma circulação crescente da gripe e do vírus sincicial respiratório”, os responsáveis assinalaram que, juntamente com a covid-19, estes vírus “deverão levar a um impacto elevado nos serviços de saúde e nas populações este inverno”.

“Isto sublinha a importância de os grupos vulneráveis serem vacinados contra a gripe e a contra a covid-19, bem como de todos se protegerem a si próprios e aos outros contra infeções”, alertaram Stella Kyriakides, Hans Kluge e Andrea Ammon.

Os três responsáveis observaram que um número crescente de pessoas está a dar entrada nos hospitais europeus devido à gripe, com as admissões hospitalares a aumentar desde outubro, principalmente de pessoas com 55 anos ou mais, atualmente responsáveis por quase metade dos novos internamentos.

Também desde o mês passado se tem assistido a mais infeções com vírus sincicial respiratório, acrescentam.

De acordo com Stella Kyriakides, Hans Kluge e Andrea Ammon, verifica-se ao momento tempo circulação de diferentes tipos de gripe – A e B – “em diferentes partes da região”, nomeadamente em crianças em idade escolar.

No que toca à pandemia, “as taxas de casos covid-19, internamentos em hospitais e unidades de cuidados intensivos e as taxas de mortalidade são atualmente baixas em comparação com os últimos 12 meses, mas esta situação pode mudar à medida que surgirem novas variantes e a doença continua a pressionar os recursos dos cuidados de saúde”, adiantaram.

“Perante isto, não podemos dar-nos ao luxo de nos tornarmos complacentes”, exortaram os três responsáveis da tutela da saúde, pedindo um reforço dos programas de vacinação e das medidas de preparação em toda a região, que, além da vacinação, passam por proteção pessoal, com lavagem frequente das mãos, utilização de máscara e distanciamento.

“Só estando preparados, mantendo-nos vigilantes e continuando a fazer o que sabemos funcionar, conseguiremos superar o desafio deste inverno”, concluíram Stella Kyriakides, Hans Kluge e Andrea Ammon.

LUSA/HN

Transmissão do coronavírus diminui e média diária de casos estável

Transmissão do coronavírus diminui e média diária de casos estável

O relatório semanal do INSA sobre a evolução da covid-19 avança que a média do Rt – que estima o número de casos secundários de infeção resultantes de cada pessoa portadora do vírus – baixou dos 1,00 para os 0,94 nível nacional.

O Algarve, com um Rt de 1,02, os Açores (1,22) e a Madeira (1,12) são as únicas regiões que apresentam este indicador acima do limiar de 1,00, avançam os dados agora divulgados.

Segundo o relatório, o Norte regista um Rt de 0,91, o Centro de 0,93, Lisboa e Vale do Tejo de 0,95 e o Alentejo de 0,93.

O documento refere também que a média de casos a cinco dias se manteve sem grandes alterações em relação ao período anterior, passando das 749 para as 753 infeções diárias em Portugal.

O INSA recorda que, com o fim da situação de alerta em 30 de setembro em Portugal continental, e com a consequente redução da testagem à covid-19, “se verificou uma descida acentuada do Rt até aos 0,63 em 06 de outubro”, um valor que reconheceu que podia não corresponder a um decréscimo real.

Desde 02 de março de 2020, quando foram notificados os primeiros casos, até 25 de novembro, Portugal registou um total de 5.545.266 casos de infeção pelo coronavírus SARS-CoV-2 que provoca a doença covid-19.

LUSA/HN

“Casa aberta” disponível para vacinação de pessoas acima dos 60 anos

“Casa aberta” disponível para vacinação de pessoas acima dos 60 anos

Com a “casa aberta” para maiores de 60 anos, desceu-se mais uma vez a faixa etária, “para que mais utentes possam deslocar-se aos locais de vacinação sem ser necessário marcação”, anunciaram os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) em comunicado.

A modalidade continua também disponível para grupos profissionais prioritários (com recurso a senhas digitais) e para a vacinação e reforço de pessoas entre os 18 e 59 anos e vacinação primária acima dos 12 anos.

Segundo os SPMS, já foram vacinados mais de 2,4 milhões de utentes contra a covid-19 e mais de 2,1 milhões contra a gripe, em Portugal Continental, dos quais mais de 1,6 milhões receberam as duas vacinas em simultâneo entre o dia 07 de setembro e terça-feira, no âmbito da campanha de vacinação outono/inverno.

O reforço da vacina da covid-19 estabelece como grupos prioritários pessoas com 60 ou mais anos, grávidas com 18 ou mais anos, doenças definidas pela norma publicada pela Direção-Geral da Saúde, maiores de 12 anos com patologias de risco, estudantes em estágio clínico, bombeiros envolvidos no transporte de doentes e profissionais de Estabelecimentos Prisionais.

Para os residentes ou profissionais de Estabelecimentos Residenciais Para Idosos (ERPI), na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e para profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados estão indicadas ambas as vacinas.

“Nas próximas semanas a campanha de reforço sazonal contra a covid-19 será estendida a maiores de 50 anos”, salientam os SPMS.

A vacinação contra a gripe é também recomendável para quem tem idade igual ou acima dos 65 anos, crianças com seis ou mais meses que apresentem patologias crónicas associadas, doentes crónicos e imunodeprimidos e grávidas.

Desde o dia 7 de setembro que decorre a campanha de reforço sazonal em vários centros de vacinação do país, e irá prolongar-se até dezembro, tendo como prioridade proteger as pessoas mais vulneráveis, prevenindo a doença grave, a hospitalização e a morte.

“O objetivo é vacinar este ano 3 milhões de pessoas elegíveis e por isso reforça-se a importância da adesão à vacinação, em particular dos mais vulneráveis, para ficarem mais protegidos para os próximos meses”, apelam no comunicado.

LUSA/HN

DGS estende reforço vacinal a crianças entre 5 e 11 anos com doença de risco

DGS estende reforço vacinal a crianças entre 5 e 11 anos com doença de risco

A norma que define a campanha de vacinação sazonal contra a covid-19 para o outono-inverno 2022-2023 foi ontem atualizada para esta faixa etária, com uma doença de risco associada, com base numa indicação da Agência Europeia do Medicamento, apoiada por um parecer da Comissão Técnica de Vacinação Contra a covid-19 e pelo Grupo de Peritos Independente da Área da Pediatria e Saúde Infantil.

Segundo a DGS, a Comissão Técnica recomendou que deve ser cumprido um intervalo mínimo de pelo menos seis meses desde a última dose da vacina administrada ou o diagnóstico de infeção com o coronavírus que causa a covid-19, o SARS-CoV-2.

Às crianças entre os 5 e os 11 anos é dada a vacina do laboratório Pfizer.

A norma determina que os grupos elegíveis para a dose de reforço sazonal no outono-inverno 2022-2023 “são definidos em função do risco para doença grave, hospitalização e morte por covid-19, de acordo com uma estratégia de vacinação de proteção de vulneráveis, e para mitigar o impacto da incidência de SARS-CoV-2 no sistema de saúde”.

São elegíveis para o reforço da vacinação os profissionais e residentes de lares de idosos, instituições similares, unidades de cuidados continuados integrados e estabelecimentos prisionais, pessoas com 50 ou mais anos e com 5 a 49 anos com doenças de risco.

A lista inclui, ainda, grávidas com pelo menos uma doença de risco e profissionais de serviços de saúde, estudantes em estágio clínico, bombeiros que transportam doentes e prestadores de cuidados a dependentes.

LUSA/HN

Norma da DGS sobre visitas a idosos infetados em lares divide responsáveis

Norma da DGS sobre visitas a idosos infetados em lares divide responsáveis

Na opinião do padre Lino Maia, presidente da Confederação das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), a norma é “oportuna” e trata-se de uma “orientação esperada e consistente”.

“Na generalidade dos lares havia visitas a pessoas infetadas, com os devidos cuidados porque o vírus numa pessoa num lar pode com facilidade propagar-se a outras pessoas. Mas não podemos ter as pessoas indefinidamente enclausuradas e já sabemos que, com a vacinação completa, o vírus não tem a força que teria com todo este processo de vacinação”, defendeu.

Na opinião do presidente da CNIS, os lares já estão “devidamente apetrechados” para cumprir a recomendação e, tendo em conta que “já não há surtos” como os registados no início da pandemia, “há mais condições para proteger as pessoas, evitando propagações”.

A DGS publicou na segunda-feira uma nova norma sobre os casos de suspeita ou confirmação de covid-19, que salienta que a elevada cobertura vacinal e a evolução epidemiológica favorável permitem “progredir para um modelo de resposta focado na prevenção e no tratamento da doença grave, atento ao padrão de circulação e ao aparecimento de novas variantes de SARS-CoV-2”.

Nessa norma, fica definido que as visitas aos doentes com covid-19 que estejam em lares ou estruturas similares devem ser asseguradas, desde que garantido o cumprimento do plano de contingência, incluindo utilização adequada de equipamento de proteção individual.

O presidente da Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos apontou que a norma da DGS “é confusa, pouco orientadora, [e] com regras um bocado vagas”.

João Ferreira de Almeida defendeu que a DGS deveria ter atualizado a orientação específica sobre os procedimentos a adotar nos lares relativamente à covid-19 em vez de publicar esta norma “que mistura situações hospitalares com situações em lares”.

“Esta dualidade de atuação da DGS não consigo compreender porque só baralha, só complica, só desorienta e nós precisamos é de orientação”, criticou.

O responsável defendeu mesmo que a norma “não faz sentido”, questionando o que se andou a fazer durante dois anos.

“Se a situação agora é assim, porquê tantas restrições e tão severas algumas durante quase dois anos. Isto faz-me confusão”, criticou.

Acrescentou que “seria bom” que esta norma determinasse que as visitas possam ser retomadas com a normalidade existente antes da pandemia, “em que as visitas eram feitas na sala, com visitas para mais do que um idoso em simultâneo”.

“Acho que é uma flexibilização exagerada. Estão a fazer confiança com a dose de reforço a vacina. Não sei se não estão a confiar demais”, apontou João Ferreira de Almeida.

LUSA/HN