Biden assegura que vai prosseguir luta pelo direito ao aborto nos EUA

Biden assegura que vai prosseguir luta pelo direito ao aborto nos EUA

“A minha administração mantém o seu compromisso para defender os direitos reprodutivos e prosseguir o caminho de progresso para uma nação igualitária para todos”, afirmou Joe Biden, numa comunicação que pretendeu assinalar os 50 anos da decisão “Roe v. Wade”, que desde 1973 protegia federalmente o direito ao aborto até 23 semanas de gestação.

Em junho do ano passado o Supremo Tribunal dos EUA, que conta atualmente com uma ampla maioria conservadora, viria a anular esta decisão e a deixar nas mãos de cada Estado as políticas relativas ao aborto.

O país fragmentou-se de imediato em diferentes zonas, com 18 estados, principalmente no sul, a proibirem quase completamente o aborto, enquanto outros estados ainda estão a travar batalhas legais.

No discurso de hoje, Joe Biden disse temer que esta decisão do Supremo se torne numa espécie de “caixa de Pandora”, abrindo a porta a que num futuro “se ponham em causa nos tribunais outras liberdades fundamentais como o acesso a anticonceptivos ou a casar-se com quem se ama”.

Nesse sentido, o Presidente democrata defendeu que a única maneira de assegurar o direito à escolha é o Congresso inscrevê-lo na Constituição.

A revogação do direito ao aborto foi possível porque o ex-Presidente Donald Trump, que governou de 2017 a 2021, conseguiu colocar três magistrados conservadores na mais alta instância judicial dos EUA e reforçou a maioria de direita que já existia naquela instância.

Na quinta-feira o Supremo Tribunal dos EUA deu conta de que ainda não foi determinada a origem da fuga de informação sobre a a opinião da instituição em relação à anulação dos direitos relacionados com o aborto, mas que prossegue a investigação.

Prisão perpétua para médica italiana por tratar cancro com terapias alternativas

Prisão perpétua para médica italiana por tratar cancro com terapias alternativas

O tribunal criminal de primeira instância de Cagliari condenou Alba Veronica Puddu, de 52 anos, pelos crimes de homicídio intencional e fraude, agravados pela situação de incapacidade das suas vítimas, segundo a imprensa local.

O Ministério Público pedia uma sentença de 24 anos de prisão, mas o tribunal, presidido pela juíza Tiziana Marogna, foi mais além, considerando que as suas “terapias alternativas reduziram a esperança de vida dos doentes e nalguns casos aceleraram a morte”.

A médica, natural da cidade de Tertenia, na ilha italiana da Sardenha, declarou em sua defesa, durante o julgamento, que foi decisão dos seus pacientes recorrerem àquele tipo de tratamento.

“Nunca proibi ou desincentivei os meus pacientes de seguirem terapias tradicionais como radioterapia ou quimioterapia. Tudo o que fizeram foi uma escolha livre deles”, afirmou.

A médica respondeu por três situações em que os pacientes morreram, depois do caso ter sido denunciado num programa de investigação da televisão italiana.

LUSA/HN

Em seis anos associação ajudou quase 600 homens vítimas de abuso sexual

Em seis anos associação ajudou quase 600 homens vítimas de abuso sexual

Desde que foi criada, em 2017, a associação recebeu 594 pedidos de ajuda, quase cem por cada ano de existência.

Em 2022 a Quebrar o Silêncio “voltou a registar um aumento nos pedidos de ajuda”, tendo 127 homens ou rapazes vítimas de abusos sexuais procurado a associação, o que representa “uma média de 10,5 novos casos por mês”.

“Janeiro e setembro foram os meses com a maior procura, tendo a associação registado 18 novos pedidos em cada um destes meses”, revelou a associação, no dia do seu aniversário.

De acordo com o presidente da associação, Ângelo Fernandes, a Quebrar o Silêncio registou um aumento no número de casos de 20% entre 2020 e 2021 e de cerca de 15% entre 2021 e 2022.

Mário, 56 anos, conheceu a associação através de um amigo, quando já nada o preenchia e só queria morrer. Vítima de abusos sexuais de forma continuada durante toda a vida, contou à Lusa que a “primeira recordação” que tem é de ter sido abusado por um grupo de jovens, quando tinha cinco anos.

“O apoio dado foi crucial para voltar a sorrir e abraçar a vida”, admitiu, revelando que hoje se sente uma pessoa capaz de dizer ‘não’, “mais assertiva e sem sentimentos de culpa”, depois das várias consultas na associação que o ajudaram a reerguer-se de “uma profunda depressão”.

Graças à Quebrar o Silêncio, Mário aprendeu a “aceitar o passado e a viver o presente”, a não silenciar a dor ou os medos e a enfrentar os problemas de frente.

“Acima de tudo, aprendi a não ter sentimentos de culpa. Já gosto de mim, já cuido de mim, já me olho ao espelho”, disse.

A história de Manuel, 33 anos, tem semelhanças com a de Mário, já que também sofreu violência sexual durante a infância por parte de “meninos mais velhos” e só em adulto, quando viveu “novamente uma situação muito próxima dos acontecimentos de infância”, decidiu “procurar ajuda para curar as feridas”.

Graças ao apoio psicológico e às reuniões de grupo diz ter conseguido recuperar a autoestima, aprendido a dizer ‘não’ e a compreender que a culpa não é sua.

“Consegui valorizar a minha história e principalmente compreender que tudo o que eu passei não define quem sou”, contou à Lusa, através de um depoimento por escrito.

Para Paulo, 35 anos, “não é só a experiência que é traumatizante, mas também a pós-experiência. Carregar em silêncio todas as crenças e questionamentos é também bastante pesado”, escreve, em resposta a perguntas da Lusa.

Não sabe precisar a idade que tinha quando foi abusado pela primeira vez, mas recorda-se que foi por parte de um adolescente mais velho, numas férias de verão, quando brincava todos os dias na rua com os amigos. Um dia foram todos brincar para casa do adolescente e Paulo acabou sozinho com ele.

“Ele começou a tocar-me e eu não consegui reagir. Muito me culpei pela minha não-reação, mas eu era apenas uma criança e estava com bastante medo”, recordou.

Encontrou a Quebrar o Silêncio através de pesquisas na Internet e só de ler os testemunhos no ‘site’ percebeu que não estava sozinho e com isso aceitar que “precisava de ajuda”.

“A solidão é algo devastador e não partilhar nada com ninguém é muito duro. Aqui encontrei alguém que não só me ouvisse, mas que me entendesse”, revelou, acrescentando que a ajuda da associação “foi super determinante”.

Com 47 anos, Miguel tem noção que o apoio psicológico que começou a ter ainda antes da pandemia, para lidar com uma ansiedade crescente e feridas profundas, não estava a ser suficiente e, quase por coincidência, deparou-se com a Quebrar o Silêncio através de uma rede social.

Durante muito tempo acreditou não que tivesse sido vítima de abusos sexuais, mas antes que tinha iniciado a sua vida sexual muito jovem, por volta dos oito anos, com pessoas do seu “convívio indireto”, como “maridos e professores, pais de amigos e amigas, vizinhos de coleguinhas com as quais brincava”, chegando a levar adultos para casa quando tinha 12 anos.

“As coisas passaram a ocorrer dentro da minha casa, dentro da casa onde eu vivia com a minha mãe, nos horários em que ela estava a trabalhar. A minha mãe era dessas que trabalhava todo o tempo”, recordou.

Só em adulto, e depois de confrontado por um colega, é que percebeu que o que lhe tinha acontecido não eram “aventuras de criança”, mas sim “experiências de abuso”.

Apesar de ainda não conseguir comensurar a ajuda dada pela associação, explicou que todo o apoio dado até agora teve como resultado que Miguel tivesse passado de vítima a sobrevivente, porque ser vítima era “fator de grande sofrimento”.

“Como sobrevivente, eu agora olho para essa criança não como a criança ousada que procurava o abusador, mas sim como a criança que tinha imensas carências, imensas demandas em termos afetivos e que não era nem nunca foi correspondida”, admitiu, revelando que quer muito conseguir escrever um livro sobre tudo o que se passou.

O presidente da Quebrar o Silêncio, também ele vítima de abusos sexuais em criança, acredita que a associação, apesar da sua curta existência, tem conseguido fazer trabalho de sensibilização sobre uma questão tabu e levar cada vez mais homens a procurar ajuda especializada, entre apoio psicológico, gestão de trauma e grupos de ajuda mútua.

Segundo Ângelo Fernandes, o perfil de quem procura ajuda tem vindo a mudar, referindo que têm aparecido homens mais jovens, ao mesmo tempo que se mantêm os pedidos de ajuda por parte de homens com 60 ou 70 anos. Em comum têm o facto de pedirem ajuda pela primeira vez.

Adiantou que a associação irá continuar o seu trabalho de sensibilização e formação, defendendo nesta matéria que deveria haver uma aposta na formação dos profissionais de saúde em trauma ou violência sexual.

A associação planeia também em 2023 publicar um guia para a comunicação social com orientações sobre escrita de notícias sobre violência sexual.

LUSA/HN

Médico italiano que tratou chefe da Costa Nostra investigado por cumplicidade

Médico italiano que tratou chefe da Costa Nostra investigado por cumplicidade

Segundo a agência de notícia italiana Ansa, o chefe da Cosa Nostra, máfia da Sicília, fugido à Justiça desde os anos 1990, usava a identidade de Andrea Bonafede, o nome real de um paciente do médico Alfonso Tumbarello.

O médico de 70 anos que chegou a manter um consultório em Campobello di Mazaro, perto de Messina, cidade natal de Denaro, reformou-se no passado mês de dezembro mas continuava a exercer a profissão na clínica privada.

Tumbarello é suspeito de ter trocado as identidades dos dois pacientes para proteger o chefe da cúpula da máfia da Sicília que precisava de receber tratamento médico.

Denaro foi preso na segunda-feira na clínica onde estava a ser tratado, sob identidade falsa.

As autoridades policiais realizaram, logo após a captura do chefe mafioso, buscas em casa no antigo consultório de Tumbarello.

Messina Denaro, conhecido pela alcunha “Diabolik”, nome de um vilão das histórias de banda desenhada, era o homem mais procurado de Itália.

A captura do chefe mafioso, condenado (‘in absentia’) a várias sentenças perpétuas pelos atentados da Cosa Nostra em 1993 e vários homicídios, ocorre após a intensificação das investigações levadas a cabo pelos procuradores de Palermo, Maurizio de Lucia e pelo procurador-adjunto Paolo Guido, refere a imprensa italiana.

Messina Denaro, 60 anos, deve cumprir as várias condenações pelos atentados de 1993 em Florença, Roma e Milão em que morreram, no total, 10 pessoas.

Denaro é também apontado pela justiça italiana como o “cérebro” do atentado à bomba que provocou a morte dos magistrados antimáfia em 1992 Paolo Borsellino e Giovani Falcone e a mulher, Francesca Morvillo, e ainda dos oito agentes que compunham a escolta.

A última sentença refere o papel de Messina Denaro na “estratégia dos atentados da Cosa Nostra” para pressionar o Estado, nos anos 1990 e provou a participação direta do mafioso nos atentados de 1992, reivindicados por Totò Riina, e nos ataques de 1993 ordenados por Bernado Provenzano, um outro chefe da máfia siciliana.

Após os atentados de 1993, Messina Denaro desapareceu e, após a prisão de Riina e Provenzano, considerou-se que passou a comandar a Cosa Nostra a partir de um paradeiro desconhecido.

LUSA/HN

Criança de 6 anos dispara contra professora em sala de aula nos EUA

Criança de 6 anos dispara contra professora em sala de aula nos EUA

“Acredita-se que a vida da professora esteja em perigo. A investigação está em andamento”, destacou o gabinete da polícia local de Newport News, em comunicado.

O chefe de polícia de Newport News, Steve Drew, adiantou aos jornalistas que o estado da professora, de 30 anos, melhorou ao final do dia, noticiou a agência Associated Press (AP).

A mesma fonte indicou que a criança tinha uma arma na sala de aula e que o disparo não foi acidental.

De acordo com os ‘media’ norte-americanos, como o The Washington Post, um grande número de pais dirigiram-se à escola, para terem informações sobre o incidente.

As autoridades garantiram rapidamente que nenhum aluno ficou ferido e que o incidente se limitou a uma única sala de aula.

Mais tarde, permitiram aos pais entrarem na escola para irem buscar os filhos.

A polícia local não divulgou imediatamente mais detalhes sobre o incidente.

O menino que efetuou o disparo está detido.

Newport News é uma cidade com cerca de 185.000 habitantes no sudeste da Virgínia, conhecida pelo seu estaleiro, que constrói os porta-aviões do país e outras embarcações da Marinha dos EUA.

LUSA/HN

MP acusa quatro médicos do homicídio de recém-nascido em Vila Nova de Gaia

MP acusa quatro médicos do homicídio de recém-nascido em Vila Nova de Gaia

Em nota publicada na sua página da Internet, a Procuradoria-Geral Regional do Porto (PGRP) diz que “os arguidos, todos da especialidade de genecologia/obstetrícia no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, compunham as equipas médicas de turno, quando se encontravam em funções no serviço de urgência, no acompanhamento do trabalho de parto de uma parturiente”, entre as 08:09 e as 09:11 (hora do nascimento), de 12 de setembro de 2019.

“Ao invés de determinarem a realização de cesariana em tempo útil, decidiram prosseguir com a ideia inicial de parto vaginal quando tal opção se mostrava desadequada em face dos dados que vinham sendo fornecidos pelo CTG e a insistir na realização de manobras de reposicionamento da parturiente, aumentando de modo significativo a possibilidade de um desfecho desfavorável para o feto”, refere a PGRP, que cita a acusação.

Segundo o MP, “em consequência de tais práticas, e apesar das manobras de reanimação a que foi sujeito, o recém-nascido acabou por falecer” pelas 13:45 desse dia “devido a encefalopatia hipóxica-isquémica”.

“O que poderia ter sido evitado ou pelos menos o risco potencial disso acontecer ser reduzido significativamente, caso as duas equipas de médicos que acompanharam o trabalho de parto tivessem tido outro tipo de comportamento”, concluiu a investigação.

O MP considerou “que os arguidos agiram com falta do dever de cuidado que lhes era exigível e pelos erros de diagnóstico cometidos, não identificaram ao longo do trabalho de parto o período crítico em que a sua intervenção médica obstétrica poderia ter evitado a morte do recém-nascido, agindo de forma contrária às ‘leges artis’ [boas práticas clínicas]”.

Os arguidos estão acusados da prática de um crime de homicídio por negligência, na forma grosseira.

A acusação, proferida em 21 de dezembro de 2022, é do Ministério Público no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Procuradoria da República do Porto (Gaia, 2.ª secção).

A 24 de setembro de 2019, em resposta enviada à agência Lusa, a Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou ter instaurado um inquérito à morte de um recém-nascido no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, ocorrida a 12 de setembro.

Também a unidade hospitalar, situada em Gaia, no distrito do Porto, adiantou, nessa ocasião, ter aberto um processo interno para apurar os acontecimentos.

A 12 de setembro de 2019 o bebé em causa morreu cinco horas após o parto na Unidade de Cuidados Maternoinfantis desta unidade de saúde.

LUSA/HN