Um dá o que não tem…. O outro, o que ninguém quer

Um dá o que não tem…. O outro, o que ninguém quer

Como não poderia deixar de ser, a Medicina Geral e Familiar (Médicos de Família) entrou em força na liturgia da campanha eleitoral. Todos têm opinião formada, cada uma diferente da outra, todas fundamentadas em “ciência” tuga, do tipo “acha”. Dois ou três “acham” que sim e alcança-se um consenso que se imprime à pressa no “caderno de encargos”.

Oferecer um especialista em MGF a todos os portugueses que não o têm (neste momento serão cerca de um milhão, é a promessa invariável de uns e outros, formulada de diferentes formas, umas mais acessíveis à compreensão do que outras.

Já assim é desde que comecei, há mais de 30 anos, a escrever sobre o assunto, o que me deixa naturalmente assustado face ao futuro.

Legislatura após legislatura, à promessa de sanar o problema, ficam invariavelmente (mais coisa menos coisa) os cerca de milhão de utentes sem médico de família, que dele urgentemente necessitam. E a promessa por cumprir.

Desta feita, as principais apostas (do PS e do PSD) reproduzem promessas de outras vagas eleitorais que, como todos sabemos, não vieram resolver o problema. Em alguns casos até os vieram agravar.

Nem António Costa nem Rui Rio têm a mais pálida ideia sobre o que estão a falar.

O primeiro oferece o que não tem nem terá no espaço de uma legislatura (Médicos de Família). Já o segundo oferece o que ninguém quer (médicos plenipotenciários, sem especialização).

Com uma agravante, de que até agora ninguém falou. Este ano, de acordo com os últimos cálculos, vão-se reformar cerca de 900 médicos de família, que deixarão de assistir pelo menos mais 1,5 milhões de utentes. Ou seja, seja Costa ou Rio o futuro primeiro-ministro saído das eleições de domingo, o que vingar terá que lidar, não com o milhão de utentes sem médico de família, mas com 2,5 milhões. É obra!

A pergunta que os leitores neste momento estarão a formular é, certamente: por que não há mais médicos de família em Portugal?

Embora complexa, a resposta à questão assenta essencialmente em dois factos: a geração de médicos que a partir de 1975 (e até 1982) criou os centros de saúde muito por força do então obrigatório Serviço Médico à Periferia (SMP), vão-se todos reformar dentro de dois, três anos.

Se bem se lembram o dito SMP foi a estratégia que ajudou a cumprir o objetivo de melhorar os índices em saúde e garantir a generalização do direito à saúde, que é reconhecido na Constituição da República Portuguesa. E garantir, também, que os médicos formados nesses tempos quentes (até 1979) tinham o que fazer, já que não havia vagas nos hospitais que permitissem absorve-los a todos.

O segundo facto é mais melindroso, mas conhecido de todos os indígenas com dois dedos de testa: nenhum jovem no seu perfeito juízo quer ser médico de família em Portugal. Vejam-se os concursos, em boa parte desertos, de tentativa de colocação de novos especialistas. Muitos viram-se para outras especialidades mais atrativas; outros seguem o conselho, ainda bem presente na cabeça de todos, de dar o “salto” e irem ganhar mais do que o Senhor Presidente da República, em países como a Holanda, Alemanha ou Bélgica. Finalmente temos os que preferem ingressar no setor privado, onde a preço de ouro fazem umas consultas ou serviços de urgência. Agora, trabalhar nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), sem condições, com uma carga de trabalho extenuante e miserável remuneração, ninguém (ou apenas poucos) estão para isso.

Por outro lado, quem decide enveredar pela Medicina, não quer ser indiferenciado; sem especialização. Quer uma carreira que lhe permita progredir profissionalmente. Nem os utentes querem médicos assim, habituados que estão ao seu médico de família, que supre as necessidades de toda a família.

Da última vez que se propôs algo assim, deu “asneira da grossa”, com um levantamento profissional e social que fez tremer o Governo de Durão Barroso. Era ministro da Saúde Luís Filipe Pereira.

Pesem os maus exemplos, de um lado e do outro, parece que ninguém aprendeu nada.

Costa oferece o que não tem nem terá tão cedo. Rui Rio, oferece o que ninguém quer. Quantos votos valerá a contradição?

MMM

Um conflito em que 1/3 das vítimas mortais são crianças… É uma selvajaria!

Um conflito em que 1/3 das vítimas mortais são crianças… É uma selvajaria!

Dizem hoje as notícias que o Exército de Israel bombardeou intensamente durante a madrugada o território de Gaza onde, no domingo, morreram 42 civis, tendo o Hamas e a Jihad Islâmico lançado foguetes contra povoações israelitas perto da fronteira.

Durante a madrugada 54 caças da aviação de Israel atacaram nove residências de comandantes do movimento islâmico Hamas e 15 quilómetros de túneis conhecidos como “Metro” onde supostamente se escondem os altos cargos das milícias, principais objetivos das ofensivas militares israelitas.

A guerra está a atingir fortemente a população civil da Faixa de Gaza, território onde até ao momento perderam a vida 197 palestinianos, incluindo 58 menores e 34 mulheres.

De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza ficaram feridas até ao momento 1.235 pessoas.

Israel estima que matou 75 elementos do Hamas e “dezenas” de membros da Jihad Islâmica desde a semana passada.

No domingo, em Israel não se registaram vítimas, sendo que até ao momento morreram 10 pessoas, oito das quais menores, e 300 israelitas ficaram feridos na sequência dos lançamentos de roquetes.

No domingo, sétimo dia da mais grave escalada bélica desde 2014, registou-se intensa troca de fogo entre as milícias e o Exército de Israel.

Por outro lado, não transparecem detalhes oficiais sobre uma eventual trégua que os Estados Unidos procuram impulsionar.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a prioridade é parar a violência o mais rápido possível.

Hady Amr, enviado do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deve encontrar-se com o presidente palestiniano Mahmud Abbas que apenas governa “de facto” em algumas partes da Cisjordânia ocupada.

Os Estados Unidos não têm contactos diretos com o movimento islâmico Hamas que governa Gaza por considerar que se trata de uma organização terrorista.

O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu disse no domingo que os ataques de represália vão continuar, contra o Hamas e a Jihad Islâmica que lançaram mais de 3.150 foguetes contra território israelita desde a passada segunda-feira.

De acordo com as forças de Defesa de Israel, 460 roquetes falharam ou caíram dentro do enclave palestinianos e a maioria que entrou em território israelita acabou por ser intercetada pelo sistema antimíssil “Cúpula de Ferro” com uma “eficácia de 90%”.

Netanyahu afirmou que o Hamas tem de pagar um “preço muito alto pela intolerável agressão” ameaçando que a atual campanha militar “ainda vai demorar”.

Durante os últimos oito dias, em Gaza, os bombardeamentos israelitas “destruíram 76 edifícios” e 725 residências “sofreram graves danos” além de estragos “menores” em 4.134 casas, de acordo com os dados do Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).

Escolas, estradas e outras infraestruturas também ficaram danificadas.

De acordo com a agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos, mais de 38 mil pessoas procuram refúgios nas escolas após terem fugido das casas onde residem por temerem os ataques aéreos.

O Egito abriu neste fim de semana a passagem de Rafah que liga Gaza ao Sinai egípcio para a saída de palestinianos feridos e alguns países europeus tentam retirar civis com dupla nacionalidade que vivem no enclave.

HN/NR/MM

O jogo do galo

O jogo do galo

Estamos na era do R(t) (índice de transmissibilidade do vírus SARS-CoV-2) e a liberdade de cada um e da comunidade como um todo, depende da evolução deste índice, que paralisou, há alguns dias, no valor de 0,97. O que significa que cada infetado ativo infeta menos do que uma pessoa.

Sabe-se pela evidência vasta que já possuímos que quanto maior a liberdade dada aos portugueses para irem desanuviar, maior o R(t).

Saliente-se, a propósito, que o R(t), antes de na semana passada ter ficado congelado, vinha a subir há mais de um mês. Num só dia (na véspera de congelar) subiu 3 centésimas, o mesmo que falta para se atingir o temido 1, que de acordo com o Governo, aqui há alguns dias, era o ponto em que se devia dar um passo atrás e reconfinar. Será?

Sabemos que o aumento da incidência de novos casos não surge do dia para a noite. Depois de asneira feita, demora aí uns quinze dias para se notar. Foi assim na reabertura das escolas em Setembro, e foi também assim quando o Presidente da República resolveu armar-se em adivinho e apoiou o alivar das medidas por alturas do Natal e Ano Novo.

Como será agora?

Confesso que esta decisão de mandar as pessoas para as esplanadas (em mesas de 4) e de abrir o comércio, me assusta. E assusta porque me lembro das últimas vezes em que se desconfinou “às pinguinhas”. Quando se deu pela coisa, estavam as esplanadas e mesmo os interiores de restaurantes a abarrotar de gente ansiosa para gastar ou que anda a poupar com as moratórias. Um mês depois, tínhamos cá os alemães (sem os seus canhões) a dar apoio a um SNS a rebentar pelas costuras.

Um modo de atenuar o potencial perigo, até defendido pelo próprio Governo, era o de massificar as testagens. Só que António Costa, ou Marta Temido, não sei qual dos dois, há-de ter achado que era “fruta a mais” e implementaram a medida lançando o ónus do custo à população. Aqui na farmácia perto de minha casa vendem os tais testes rápidos. Caixas com 25 kits. A cento e sessenta e tal euros. Tá-se mesmo a ver. Com a malta cheia de dinheiro, vai ser uma corrida aos testes. Diferente fez o Governo Britânico, que oferece testagem gratuita a toda a população duas vezes por semana. Outra realidade, dirão. Já os custos de não se testar são semelhantes.

Espero estar enganado, mas isto não me cheira nada bem. Vai dar chatice, é a minha aposta. Mais: desta vez a culpa vai ser dos irresponsáveis que encheram as esplanadas sem tomar medidas de precaução. E dos miúdos do 3º ciclo, que também resolveram aproveitar a liberdade para espairecer com os amigos.

Certo é que até hoje nunca ganhei nada ao jogo, pelo que se se mantiver a tendência, vamos todos ficar bem e não haverá desgraça a acrescentar à já existente.

Oxalá!!!

HN/NR/MM

De calinada em calinada…

De calinada em calinada…

“O que me preocupa é que as consequências nem sempre são levadas a sério como deviam”. “Lacunas graves” podem surgir “em termos de aquisição de competências” e em algumas disciplinas, pode haver “consequências muito graves” e “comprometer a escolaridade perigosamente”. A afirmação é do Psiquiatra Eduardo Sá em entrevista ao Publico, estávamos em meados de fevereiro último.

No mesmo sentido, ia também o psiquiatra Diogo Guerreiro, doutorado na área da saúde mental na adolescência, que ao mesmo diário afirmava que “estes períodos de confinamento também afetam “a vertente psicossocial” – “a maturação, a maturidade”, a forma “como lidam com o stress, a rotina” – e a “socialização”. Como? “O nosso desenvolvimento enquanto seres humanos é feito através da forma como socializamos uns com os outros, nos adolescentes é fundamental a relação com professores e outros colegas. Estes confinamentos põem uma série de crianças e jovens em risco.

Em resposta às preocupações de médicos, professores (e também dos pais), o Governo decidiu começar a desconfinar, começando pelo ensino básico. “as crianças não aguentam ficar mais tempo fechadas em casa”, apontou o primeiro ministro. Estávamos a 15 de março. Menos de duas semanas depois, as mesmas crianças que andaram nove meses a tentar aprender alguma coisa – sem grande sucesso, garantem os peritos –  através do sistema telescola, foram enviadas para casa, para gozarem as férias da Páscoa. Se não fosse dramática, a situação prestava-se facilmente a anedota.

Ao invés de aproveitar o momento e ajudar pais, professores – e mais do que estes – os próprio alunos a tentarem recuperar algum conhecimento perdido durante o confinamento, o Governo de Costa decide confiná-los mais uma vez, deitando por terra, certamente, o que estava a ser feito.

Sei que é mal visto criticar as medidas de confinamento e as decisões contrárias, mas há limites. Com esta decisão de enviar ou putos para casa para umas pseudoférias, o Governo ultrapassou alguns desses limites. Do razoável, da estupidez, da falta de racionalidade.

E mais uma vez veio mostrar que a decisão política bebe cada vez menos da evidência científica. Dir-se-ia mesmo que vai beber à tasca.

E assim andamos, erro após erro, da suspensão da vacina da AstraZeneca para seguir a manada, aos encerramentos focalizados, sem qualquer evidência de eficácia.

Enfim. É o que temos, Se calhar, digo eu, merecemos.

O esfregaço que está a dar que falar

O esfregaço que está a dar que falar

As autoridades chinesas estão a impor testes anais aos habitantes, alegando que a sua eficácia é maior do que os esfregaços nasofaríngeos. Aqui há dias, a imprensa oficial chinesa havia avançado com a possibilidade depois de uma experiência numa escola de Pequim que abrangeu mil professores, funcionários e alunos.
Os testes, que estão a causar controvérsia entre os chineses, começaram a ser realizados numa altura em que as autoridades estão a braços com vários surtos regionais de novos casos de covid e relatos de filas gigantescas para realização de testes.
A nova técnica de testagem que as autoridades chinesas garantem ser mais eficaz, está também a ser utilizada em moradores de vários bairros de Pequim onde foram descobertos casos recentemente. Todos foram submetidos a testes por via anal e a medida também está a ser imposta a pessoas em quarentena obrigatória em hotéis, incluindo viajantes vindos do exterior.
O Governo inglês e japonês já protestaram, depois de queixas de cidadãos que passaram pela experiência, obrigatória enquanto viajavam pela China.
Segundo os peritos chineses, o método dos esfregaços anais “pode aumentar a taxa de deteção de pessoas infetadas”, pois os vestígios do vírus permanecem mais tempo no ânus do paciente. As pessoas já sujeitas ao teste e outras que não estão interessadas em sê-lo começaram entretanto a desabafar no Weibo, a popular rede social chinesa semelhante ao Twitter.
“Baixo sofrimento, mas humilhação extrema”, comentou um utilizador. “É uma sorte eu ter regressado mais cedo à China”, escreveu outro, citado pelo Diário de Notícias.
Outros usaram o humor: “Fiz dois esfregaços anais, cada vez que fiz um, tive de fazer um esfregaço na garganta depois. Tinha medo que a enfermeira se esquecesse de usar um novo esfregaço.
Mas mesmo entre os especialistas chineses, a opinião sobre a maior eficácia do esfregaço anal não é consensual.
Yang Zhanqiu, vice-diretor do departamento de biologia patogénica da Universidade de Wuhan, afirmou ao Global Times que os testes mais eficientes continuam a ser os esfregaços nasais e na garganta, uma vez que o vírus é contraído através do aparelho respiratório superior e não no sistema digestivo.
MMM