Nobel Denis Mukwege pede “vontade política” contra violência sexual em conflitos

Nobel Denis Mukwege pede “vontade política” contra violência sexual em conflitos

“A violação e a violência sexual são usadas em todos os conflitos contemporâneos ao redor do mundo – como a situação atual na Ucrânia”, escreve, num comunicado à imprensa, o ginecologista da República Democrática do Congo, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2018 pelo seu trabalho a favor das mulheres que são vítimas de violação como arma de guerra.

“Notamos com amargura que muitas vezes falta vontade política, que os meios financeiros são insuficientes”, lamenta o médico.

Mukwege considera também que “a cultura da impunidade de que beneficiam os autores e instigadores destes atos desprezíveis continua a ser mais a norma do que a exceção”.

“Por isso, mais uma vez, exortamos a comunidade de Estados e doadores a mobilizar recursos humanos e financeiros para enfrentar as consequências da violência sexual cometida em tempos de conflito e a redobrar os seus esforços para evitar a repetição desses crimes”, apela.

Segundo Denis Mukwege, “é também fundamental (…) assegurar a promoção da igualdade de género e a participação política ativa das mulheres”.

“Aqueles que toleram ou ordenam a transformação dos corpos de mulheres e de meninas, mas também de homens e de meninos, em campo de batalha, devem ser ostracizados da comunidade internacional, sujeitos à proibição de viagens e de vistos, e os seus bens e recursos financeiros devem ser congelados sem mais demora”, pede Denis Mukwege.

NR/HN/LUSA

Investigadoras da UAlg vencem prémio de Ortopedia Dr. Rui Antão

Investigadoras da UAlg vencem prémio de Ortopedia Dr. Rui Antão

Ana Marreiros, docente da Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas (FMCB) e investigadora do Algarve Biomedical Center Research Institute (ABC-RI), e Ana Paula Fontes, docente da Escola Superior de Saúde (ESS) da Universidade do Algarve, foram as vencedoras do prémio de Ortopedia Dr. Rui Antão, promovido pelo grupo HPA Saúde.

 

De acordo com o Hospital Particular do Algarve, e “tendo em conta que existem nas organizações um conjunto de atividades não produtivas que, não tendo, no imediato, um resultado económico mensurável, vêm posteriormente a revelar-se de uma importância primordial para a diferenciação das organizações”, o Grupo distinguiu Ana Marreiros pelo seu trabalho diferenciador na investigação levada a cabo na área das artroplastias do joelho e da anca, e Ana Paula Fontes pelo seu trabalho na produção da atividade científica do Grupo de Ortopedia ao longo dos últimos 9 anos, com relevância para a publicação de artigos científicos e comunicações em congressos nacionais e internacionais.

Recorde-se que Ana Marreiros tem trabalhado com tecnologia de ponta, em conjunto com ortopedistas e fisioterapeutas, promovendo, ao longo dos anos, um profícuo diálogo entre investigação e clínica, que tem permitido alavancar esta área de investigação e intervenção no Algarve. Ainda neste âmbito têm sido publicados um conjunto de importantes artigos científicos, em publicações de impacto, que contribuem para um melhor entendimento da problemática associada.

Já Ana Paula Fontes, além de diretora do recém-criado curso de licenciatura em Fisioterapia, é consultora do Núcleo de Formação do Grupo HPA Saúde, onde é responsável pelo processo formativo multidisciplinar e investigacional. É docente do ensino superior desde 2005 e tem desenvolvido investigação na área da funcionalidade dos idosos e de forma concreta também da funcionalidade após prótese total do joelho e anca. É também investigadora colaboradora do CISC Nova – Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa, desde 2012.

NR/HN

É da U.Porto a melhor tese de doutoramento do ano em Ecologia

É da U.Porto a melhor tese de doutoramento do ano em Ecologia

No trabalho agora premiado, Joana Bernardino estuou os fatores que explicam a colisão das aves com as linhas elétricas aéreas.

A investigadora Joana Bernardino, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO-InBIO/BIOPOLIS), e doutorada em Biodiversidade, Genética e Evolução pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), venceu a edição de 2022 do Prémio de Doutoramento em Ecologia – Fundação Amadeu Dias, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Ecologia (SPECO).

Desenvolvido no âmbito do doutoramento em Biodiversidade, Genética e Evolução da FCUP, o trabalho agora premiado – com 3 mil euros – focou-se nos fatores ecológicos, ambientais e relacionados com a própria infraestrutura que explicam a colisão das aves com as linhas elétricas aéreas.

Joana Bernardino realizou também uma compilação e meta-análise dos estudos, a nível mundial, que avaliaram a eficácia da sinalização dos cabos das linhas elétricas, enquanto forma de aumentar a sua visibilidade para as aves e reduzir o risco de colisão.

Além da avaliação global do desempenho dos dispositivos anticolisão, nesta meta-análise foram avaliados, pela primeira vez, os fatores que podem influenciar a sua eficácia, nomeadamente a tipologia de linha, o habitat atravessado pela mesma, e as características dos próprios dispositivos.

“Os resultados desta investigação têm aplicação imediata nas práticas das empresas de transporte e distribuição de eletricidade e na selecção das melhores soluções para mitigar e monitorizar os impactes dos projetos de rede eléctrica na avifauna”, destaca a SPECO, em comunicado.

Exemplo disso é a incorporação dos resultados obtidos no novo “Manual para a Monitorização de Impactes de Linhas de Muito Alta Tensão sobre a Avifauna e Avaliação da Eficácia das Medidas de Mitigação”.Este documento resultou de um trabalho colaborativo entre o CIBIO-InBIO/BIOPOLIS, a REN e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas

Para além de Joana Bernardino, a edição deste ano do Prémio de Doutoramento em Ecologia – Fundação Amadeu Dias distinguiu ainda os trabalhos dos investigadores Miriam Romagosa, investigadora no Okeanos (Instituto de Investigação em Ciências do Mar), da Universidade dos Açores e Gonçalo Curveira Santos, investigador no cE3c (Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, segundo e terceiros classificados, respetivamente.

Os três premiados irão receber o prémio e apresentar o seu trabalho no 21.º Encontro Nacional de Ecologia que, este ano, irá decorrer de 4 a 9 de julho, na Universidade de Aveiro, integrado no 2.º Congresso SIBECOL (Sociedade Ibérica de Ecologia).

NR/HN

Universidade de Coimbra: envelhecimento afeta a dinâmica cerebral, mas nem todas as mudanças têm impacto no funcionamento cognitivo

Universidade de Coimbra: envelhecimento afeta a dinâmica cerebral, mas nem todas as mudanças têm impacto no funcionamento cognitivo

Um estudo da Universidade de Coimbra (UC), publicado na prestigiada revista eLife, revela que nem todas as mudanças produzidas no cérebro, em resultado do envelhecimento, alteram o desempenho cognitivo. O cérebro muda de forma significativa com o envelhecimento, mas, pelo menos, parte dessas alterações poderão não ser relevantes do ponto de vista do seu funcionamento, anuncia a instituição em comunicado.

Conduzido por Maria Ribeiro e Miguel Castelo-Branco (na imagem) investigadores do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional (CIBIT), ICNAS, e da Faculdade de Medicina da UC (FMUC), o estudo demonstra «que o cérebro mais velho apresenta uma dinâmica de atividade cerebral marcadamente diferente do cérebro jovem com uma diminuição das flutuações espontâneas de atividade neuronal, mas esta diferença não está associada a uma perda cognitiva».

«O nosso cérebro nunca para. Mesmo quando estamos em repouso, a nossa atividade cerebral mostra grandes flutuações. Períodos de grande atividade cerebral são seguidos de períodos de atividade mais baixa, alternando de uma região ou rede neuronal para outra, em constante movimento. Chamamos a esta atividade cerebral, atividade espontânea», sublinham os dois autores do estudo.

Ou seja, esclarecem Maria Ribeiro e Miguel Castelo-Branco, citados na nota à imprensa: «com o envelhecimento, a nossa atividade cerebral espontânea tende a tornar-se mais estável. O padrão de atividade cerebral das pessoas mais velhas sugere flutuações de atividade neuronal de menor amplitude e uma redução da ativação espontânea das redes neuronais que abrangem regiões distantes do cérebro. Por outro lado, do ponto de vista comportamental, as pessoas mais velhas têm mais dificuldade em manter o desempenho constante, isto é, quando repetem a mesma tarefa ao longo do tempo as respostas são mais variáveis. Este aspeto parece estar associado a um pior desempenho cognitivo e é um preditor do declínio cognitivo e de patologia cerebral associada à demência».

Como é que a atividade cerebral mais estável nas pessoas mais velhas pode estar associada a um desempenho comportamental mais variável? Este foi o dilema abordado no estudo. Os cientistas da UC compararam os padrões de atividade cerebral de pessoas mais velhas com os padrões cerebrais de jovens adultos e estudaram a «associação entre a atividade cerebral espontânea e as respostas neuronais quando os participantes executavam tarefas cognitivas».

Foi então que observaram, explicam, «uma dissociação entre a atividade cerebral espontânea, que serve de pano de fundo para tudo o que acontece no cérebro, e a atividade cerebral que é induzida durante o desempenho cognitivo. Apesar de as pessoas mais velhas terem uma atividade cerebral espontânea menos variável, a sua atividade cerebral associada ao desempenho cognitivo mostra o mesmo nível de variabilidade dos jovens adultos».

O artigo científico pode ser consultado em: https://elifesciences.org/articles/75722.

NR/PR/HN

Grupos anti-aborto “otimistas” com possível decisão do Supremo dos EUA

Grupos anti-aborto “otimistas” com possível decisão do Supremo dos EUA

Em declarações à Lusa, a organização Students for Life of America (‘Estudantes Pró-Vida dos EUA’) admitiu que foi “emocionante” ler a notícia de que o Supremo se prepara para reverter a histórica decisão de 1973 conhecida como ‘Roe v. Wade’, que protege como constitucional o direito das mulheres ao aborto, frisando que permanece “cautelosamente otimista”, uma vez que o Tribunal ainda não divulgou sua decisão final.

Se anulada a decisão ‘Roe v. Wade’, os Estados Unidos voltarão à situação que existia antes de 1973, quando cada estado era livre de proibir ou autorizar a realização de abortos.

“A geração Pró-Vida vem defendendo há muito tempo que os estados tenham o direito de criar leis sobre o aborto – vemos o projeto como um documento muito positivo. A nossa nação está pronta para um regresso aos direitos dos estados. Esperamos e rezamos para que as nossas leis sejam restauradas e que os inocentes deixem de estar vulneráveis a uma sentença de morte porque residem no útero. Temos uma oportunidade histórica de corrigir a questão dos direitos humanos dos nossos dias: o aborto”, disse Dana Stancavage, editora e redatora da Students for Life of America.

De acordo com Stancavage, a capacidade dos estados de legislar sobre o aborto deve ser respeitada e apoiada, e as “mulheres são alvo da indústria predatória do aborto”, o que torna “vital que elas conheçam pessoas e organizações nas suas comunidades locais que estão capacitadas, prontas e dispostas a apoiá-las na jornada da gravidez e da parentalidade”.

Para apoio a futuras mães em situação de vulnerabilidade, como jovens estudantes, a organização criou o ‘Standing With You’ (‘Ao Teu Lado’), uma iniciava que visa garantir que nenhuma mulher fique sozinha durante ou após a gravidez.

No lado oposto, algumas das maiores organizações norte-americanas pró-aborto sairão às ruas no sábado em todo o país, em protesto contra a possível revogação do direito constitucional à interrupção voluntária da gravidez no país.

Face a essas manifestações, a Students for Life of America fez questão de reforçar o seu contra-protesto e desencorajar esses movimentos, argumentando que levantarão as suas vozes “pelos mais de 63 milhões de mortos provocados ao longo dos quase 50 anos em que foi legal ​​​​​​​esta atrocidade do aborto e que deve acabar”.

Já a ativista Destiny De La Rosa, presidente e fundadora da organização anti-aborto New Wave Feminists (‘Feministas Nova Vaga’), disse à Lusa que apesar de esperar que o direito ao aborto seja revogado, o seu principal interesse é que sejam dados recursos às mulheres que se sentem desesperadas ao ponto de interromper uma gravidez.

“Embora eu concorde plenamente que as crianças não nascidas merecem proteção no útero porque são uma população vulnerável e marginalizada, (…) ninguém está preocupado em abordar o desespero que as mulheres sentem. Estão apenas a tirar opções às mulheres, sem lhes dar recursos verdadeiros”, afirmou Destiny.

“As minhas principais esperanças com esta possível decisão do Supremo é que isso faça com que as pessoas pró-vida parem de depender apenas de leis e políticos para resolver este problema. Porque uma vez que o aborto é retirado como uma opção, então essas mulheres vão precisar de recursos reais e práticos”, disse à Lusa.

A fundadora do New Wave Feminists destacou que, com uma eventual decisão do Supremo que revogue o direito ao aborto, muitos estados aplicarão restrições muito fortes, mas que vários outros estados não terão restrições algumas e “permitirão que se interrompa a gravidez até às 40 semanas de gestação”.

“Estamos a trabalhar para tornar o aborto desnecessário e impensável. E fazemos isso fornecendo recursos às mulheres e garantindo que elas tenham tudo o que precisam para sustentar as suas vidas e a vida dos seus filhos, desde habitação até creche, transporte e assistência médica de qualidade”, defendeu a ativista.

“Infelizmente, grande parte do movimento pró-vida concentrou-se apenas em cortar a oferta, mas não em atender às reais necessidades”, acrescentou.

Em relação às manifestações anti-aborto deste sábado, Destiny disse “entender os corações das mulheres que estão com medo agora”, mas advogou que os protestos não são a melhor opção, porque há “muitos gritos, e pouca conversa real”.

NR/HN/LUSA

Convento de Cristo em Tomar encerrado de 23 a 27 de maio devido a rodagem de filme da Netflix

Convento de Cristo em Tomar encerrado de 23 a 27 de maio devido a rodagem de filme da Netflix

Em comunicado, a Direção Geral do Património Cultural refere que os trabalhos de preparação condicionam, nomeadamente, as visitas ao Refeitório, Cozinha dos Frades e Sala das Talhas deste monumento Património da Humanidade.

Além da rodagem no Convento de Cristo, em Tomar (distrito de Santarém), as filmagens decorrerão, igualmente, no Mosteiro da Batalha (distrito de Leiria), nos próximos dias 19 e 20, no Claustro Real e nas Capelas Imperfeitas, podendo ser visitadas a Igreja e a Capela do Fundador, é acrescentado na nota.

Realizado por Juan Carlos Fresnadillo a partir de argumento de Dan Mazeau, “Damsel” envolve uma equipa técnica com cerca de 250 pessoas. O elenco integra Millie Bobby Brown, da série “Stranger things”, Shohreh Aghdashloo, Robin Wright, Nick Robinson, Angela Bassett, Ray Winstone e Brooke Carter. Participam ainda cerca de 35 figurantes portugueses.

“Damsel” (em português, “Donzela”) tem estreia prevista para o primeiro semestre de 2023, no serviço de ‘streaming’ da Netflix.

Na sinopse, a longa-metragem é apresentada como um conto de fadas em torno de Elodie, papel interpretado por Millie Bobby Brown, que casa com o impetuoso príncipe Henry, herdeiro do reino de Áurea. Depois do enlace, Elodie é aprisionada numa caverna como sacrifício para manter um dragão satisfeito. Elodie terá de usar a força e a inteligência para sobreviver e encontrar forma de escapar.

LUSA/HN