Carta Aberta ao Presidente da Caixa Geral de Aposentações

Carta Aberta ao Presidente da Caixa Geral de Aposentações

Não costumo tratar publicamente os meus assuntos pessoais. Mas hoje abro uma exceção porque o assunto afeta muitos e muitos funcionários públicos, que são armadilhados pela CGA e veem o seu direito à aposentação no dia em que contemplam 66 e 7 meses de idade, atropelado pela burocracia e ineficiência dos serviços da Caixa Geral de Aposentações e da Caixa Nacional de Pensões e protelado por muitos meses. E a quem os serviços da CGA dizem que nada há a fazer e que têm que esperar pelo despacho de aposentação a emitir pela CGA , a acontecer quando o processo estiver concluído, o que não sabem quando) . E que a data deste despacho é que é válida e não a data em que se cumpre o direito legal à aposentação, ainda que este tenha sido atempadamente pedida.

No meu caso, apesar de reunir todas as condições em 5 de Agosto, e ter feito o pedido com a máxima antecedência legalmente possível, teria que esperar mais de 5 meses (161 dias) sobre a data em devido tempo pedida (66 anos e 7 meses)

Exmo. Presidente

da Caixa Geral de Aposentações

Sou António Maria Trigueiros de Sousa Alvim, subscritor da CGA nr 810168. Nascido em 1956 01 05

Médico no ACES Lisboa Norte

Em Outubro de 2021 perfiz 42 anos de descontos para a CGA; condição suficiente para me aposentar nessa data.

Em 8 de Abril entreguei nos Recursos Humanos do meu ACES o pedido de aposentação para a data de 5 de agosto de 2022, data em que perfiz 66 anos e 7 meses; a outra condição suficiente para conferir o direito à aposentação (e que é a data de referência em 2022 para a reforma de todos os portugueses)

Em 11 de Abril os Recursos Humanos do meu ACES fizeram seguir o pedido, dando-me conhecimento e à Direção do meu ACES.

De: RHumanos Lisboa Norte
Enviado: 11 de abril de 2022 10:46
Para: Lurdes Botelho | DRH
Cc: António Sousa Alvim | USF Rodrigues Miguéis  João Ramires | Pres. Conselho Clínico | ACES Lisboa Norte, José Baptista | Resp. UAG Lisboa Norte
Assunto: Pedido de aposentação – Dr. António Alvim

Bom dia,

vimos por este meio enviar os documentos para pedido de aposentação, referente ao Dr. António Maria Trigueiros de Sousa Alvim, nº mec. 23163.
Mais se informa que o profissional já está inscrito na CGA Direta.
Muito obrigado.

Com os melhores cumprimentos;

Maria Céu Marques
ACES Lisboa Norte
Recursos Humanos
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No dia 8 de Junho recebi, por mail da CGA, a confirmação do meu pedido de aposentação.

Confirmamos a receção do seu pedido de aposentação com o fundamento “Voluntária não antecipada – N.º 2 Art.º 37.º do E.A.”, ao qual foi atribuída a referência 4190029400.

Tendo me despedido dos meus utentes, e feito o luto de mais de 40 anos de médico no SNS, entrei de férias dia 2 de Julho até 4 de Agosto, contando no dia 5 de Agosto passar a uma nova fase da minha vida.

Foi com surpresa e espanto quando no dia 5 de Agosto os serviços do meu ACES me informaram que nada tinha vindo da CGA e que me teria que apresentar ao Serviço.

Liguei para a CGA (diga-se em abono da verdade que de todas as vezes que liguei sempre fui rapidamente atendido) e informaram-me de que eu tinha pedido para ficar à espera da informação da Caixa Nacional de Pensões. E que consultasse o meu processo no site da CGA

Consultei o site e lá estava: “a aguardar informação da CNP . Tempo estimado de 161 dias.” (mais de 5 meses)

Ora o que aconteceu foi o seguinte:

Pedi a Pensão unificada (CGA+CNP)  a que tenho direito. Perguntaram-me se eu queria ser informado do valor da pensão e eu naturalmente respondi que sim. Perguntaram-se se queria um pedido de reflexão e eu disse “5 dias”. Perguntaram-me se o processo devia ficar dependente da minha resposta e eu disse que não. Queria mesmo aposentar-me naquela data, independentemente do valor da pensão (tinha a estimativa dada pelo simulador da CGA para parte da CGA), e não queria correr o risco de não reparar no mail com aquela comunicação e em consequência o processo ficar parado

Na minha boa-fé, sempre supus que a informação sobre o valor da pensão a receber seria dada em tempo útil. Em momento algum alguém me informou que aquele simples pedido de informação poderia atrasar seis meses o meu direito a aposentação no dia em que perfaço 66 anos e 7 meses (ainda para mais quando eu já a poderia ter requerido para Outubro de 2021 por 42 anos de descontos). Transformando aquele inocente pedido numa perfeita armadilha para atrasar o direito à pensão dos funcionários públicos na data devida.

Mais , no mail recebido da CGA em 8 de junho acima aludido a confirmar o meu pedido, e que transcrevo abaixo, em momento algum se faz referência ao risco do pedido ficar suspenso à espera da informação do valor da pensão

geral@cga.pt

Para: Você

qua, 08/06/2022 15:47

Ex.mo/a Senhor(a) ANTÓNIO MARIA TRIGUEIROS DE SOUSA ALVIM,

Confirmamos a receção do seu pedido de aposentação com o fundamento “Voluntária não antecipada – N.º 2 Art.º 37.º do E.A.”, ao qual foi atribuída a referência 4190029400.

Para visualizar o pedido submetido à CGA deverá aceder à CGA Directa, autenticar-se com as suas credenciais de acesso e, seguidamente, escolher a opção de menu “Formulários”. Aceda à “Lista de pedidos” e escolha o pedido em causa.

Poderá também acompanhar a evolução da tramitação do procedimento na CGA Directa, em “O meu Pedido”.

Com os nossos cumprimentos,
Caixa Geral de Aposentações
CGA.PT

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Na sequência informei por mail no dia 9 de Agosto a CGA de que desistia do pedido de informação prévia do valor da pensão, que queria a minha aposentação no dia 5 de Agosto, conforme o requerido, com a pensão da CGA e com acerto posterior com efeitos retroativos quando chegasse a informação da CNP.

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Venho por este meio desistir da informação prévia do valor da pensão e solicitar a atribuição imediata da aposentação com efeitos a 5 de Agosto de 2022.

 

Solicito que me esclareçam se este mail está correto para o que pretendo : Aposentação em 5 de Agosto de 2022. Atribuição imediata da pensão da CGA e, quando possível, a pensão unificada, fazendo-se na altura a retificação com acerto retroativo

*************************************

Informei a Direção Executiva em exercício do ACES Lisboa Norte de que pretendia a aposentação a partir do dia 5 de Agosto conforme tinha previamente informado e que não tinha condições psicológicas para continuar ao serviço.

Tenho repetidamente questionado os serviços da atendimento aos subscritores da CGA , sobre a resposta a este mail e se me seria atribuída a aposentação na data em que completei os 66 anos e 7 meses e com atribuição, da correspondente  pensão desde aquela data (mesmo que retroativamente).

A resposta que repetidamente me tem sido dada é que não haverá efeitos retroativos e que só estarei aposentado e com direito à pensão depois do despacho da CGA. E que esse despacho só será proferido depois do meu processo tratado e não sabem quando o mesmo o será porque têm poucos funcionários.

Lembro que o “Estatuto da Aposentação da CGA”, que concentra as leis sobre este tema refere

Artigo 37.º

Condições de aposentação

  1. A aposentação pode verificar-se, independentemente de qualquer outro requisito, quando o subscritor contar 15 anos de serviço e a idade normal de acesso à pensão de velhice que sucessivamente estiver estabelecida no regime geral de segurança social.
  2. A aposentação pode ainda verificar-se quando o subscritor atingir a idade pessoal de acesso à pensão de velhice, sendo esta a que resulta da redução, por relação à idade normal de acesso à pensão de velhice em vigor, de quatro meses por cada ano civil que exceda os 40 anos de serviço efetivo à data da aposentação, não podendo a redução resultar no acesso à pensão antes dos 60 anos de idade.

 

Artigo 39.º

Aposentação voluntária

  1. A aposentação depende necessariamente de requerimento do interessado nos casos previstos nos n.os 1 e 2 do artigo 37.º e nos artigos 37.º-A, 37.º-B e 40.º. 20 49
  2. A aposentação pode ser requerida pelo subscritor nas hipóteses previstas na alínea a) do n.º 3 do artigo 37.º
  3. No caso do n.º 1 do presente artigo, o requerimento de aposentação não terá seguimento sem o prévio pagamento das quotas correspondentes ao tempo mínimo de 5 anos de serviço, quando este for indispensável para a aposentação.
  4. O pedido de aposentação pode ser apresentado com a antecedência máxima de três meses em relação à data em que o interessado reúna todos os requisitos para a aposentação.
  5. O requerente pode indicar, no pedido de aposentação, uma data posterior a considerar pela CGA para os efeitos do n.º 1 do artigo 43.º, sendo tal indicação obrigatória nos pedidos apresentados nos termos do número anterior.
  6. O requerente não pode desistir do pedido de aposentação depois de proferido despacho a reconhecer o direito a aposentação voluntária que não dependa de incapacidade, ou de verificados os factos a que se refere o n.º 2 do artigo 43.º.

 Artigo 43.º

 Regime da aposentação

  1. O regime da aposentação voluntária que não dependa de verificação de incapacidade fixa- -se com base na lei em vigor à data em que seja recebido o pedido de aposentação pela CGA, sem prejuízo do disposto no n.º 7 do artigo 39.º, e na situação existente à data em que o mesmo seja despachado.

Notas :

  1. Atingi as condições expressas no nr 2 do artigo 37º em Outubro de 2021 (como aliás a CGA o reconhece no mail enviado e no  simulador do seu site) e as expressas no nr. 1 em 5 de Agosto de 2022, ao perfazer os 66 anos e 7 meses- idade normal de acesso à pensão de velhice em 2022 (aliás a idade mais tardia de sempre)
  2. Pretendendo a aposentação em 5 de Agosto , quando completo 66 anos e 7 meses), fiz o pedido com essa indicação expressa e a máxima antecipação que a lei determina (cumprindo o postulado nos nrs. 5 e 4 do artigo 39) .
  3. Em nenhum lado do Estatuto da Aposentação encontro referência a “pedido de informação” e em decorrente “período de reflexão”, e muito menos com efeito suspensivo do pedido e fazendo depender dele o despacho da aposentação. Claro que esta informação e esta possibilidade são bem-vindas, mas desde que realizadas em tempo útil (uma obrigação dos Serviços da CGA e da CNP)
  4. A CGA reconheceu em mail o meu pedido de aposentação (ver acima)
  5. Nunca a CGA comunicou de que a informação poderia não vir em tempo útil e que o despacho de aposentação ficaria a aguardar indefinidamente até essa informação ser apurada e comunicada.
  6. Sendo inequívoco o meu pedido de aposentação para a data dos meus 66 anos e 7 meses e tendo feito o pedido em devido tempo, não pode esta data ser alterada a não ser a meu pedido expresso.
  7. Depois de me ter despedido dos meus utentes e feito o luto de mais de 40 anos de serviço no SNS não tenho condições psicológicas de continuar com Médico de Família no SNS. Preciso, e tenho direito, a continuar com a minha vida, agora numa nova etapa como tinha planeado. Por outro lado, o processo da minha substituição está suspenso, à espera do despacho da minha aposentação, com claro prejuízo para aqueles que por mais de 30 anos foram meus utentes

 

Assim , e considerando o referido no  acórdão  do Tribunal Constitucional n.º 303/90 (Diário da República, 1.ª série, de 26 de dezembro de 1990), que afirmou que o princípio do Estado de direito democrático ´´está, entre o mais, postulada uma ideia de proteção da confiança dos cidadãos e da comunidade na ordem jurídica e na atuação do Estado, o que implica um mínimo de certeza e de segurança no direito das pessoas e nas expectativas que a elas são juridicamente criadas´´ venho solicitar que seja proferido o despacho da minha aposentação com efeito à data pedida de 5 de Agosto de 2022, quando perfiz 66 anos e 7 meses,  conforme o meu direito explícito na lei e requerido pelos devidos meios e em devido tempo; sem prejuízo de posterior acerto retroativo dos valores da Pensão.

Porque de facto os direitos do cidadão não podem ser atropelados pelas incapacidades dos serviços. Os normativos e regulamentos não se podem sobrepor ao direito e aos direitos.

Se atrasos nas decisões e pagamentos ainda podem ser compreendidos, atrasos nas datas dos efeitos das mesmas não.

Ps. Se o Presidente da CGA não consegue garantir aos Funcionários Públicos a aposentação no dia a que legalmente têm direito (sem prejuízo de acerto do posterior e retroativo do valor da pensão), pondo em causa o Estado de direito, então não tem condições de continuar como Presidente da CGA

Com os melhores cumprimentos

António Alvim

 

 

Estudo alerta que uso medicinal de canábis aumenta risco de problemas cardíacos

Estudo alerta que uso medicinal de canábis aumenta risco de problemas cardíacos

A responsável pelo estudo, apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que se realiza em Barcelona, explicou que a dor crónica é “um problema crescente” e que desde o ano 2000 aumentou em 10% o número de pessoas maiores de 16 anos com a doença.

A médica recordou também que em 2018 foi aprovada na Dinamarca a utilização da canábis medicinal, a título experimental.

“Este estudo investigou os efeitos secundários cardiovasculares da canábis medicinal, e as arritmias em particular, já que se encontraram anteriormente transtornos cardíacos em utilizadores de canábis com fim recreativo”, disse Nouhravesh.

Os investigadores identificaram que 4.931 (0,31%) dos 1,6 milhões de pacientes diagnosticados com dor crónica na Dinamarca entre 2018 e 2021 pediram pelo menos uma receita de canábis.

Os participantes, que tiveram um acompanhamento de 180 dias, tinham em média 60 anos e 63% eram mulheres.

Dos que consumiam canábis medicinal, 17,8% tinha cancro, 17,1% artrites, 14,9% dor nas costas, 9,8% doenças neurológicas, 4,4% dores de cabeça e 3% outros problemas.

O risco de sofrer uma arritmia nova foi de 0,86% nos consumidores de canábis medicinal e de 0,49% nos não consumidores.

“O estudo demonstrou que os consumidores de canábis medicinal têm 74% mais rico de sofrer transtornos cardíacos em comparação com os não consumidores”, apesar de a diferença de risco absoluto ser modesta (de 1.74 pontos), referiu a responsável pelo estudo.

A especialista sublinhou que deve ter-se em conta que uma percentagem dos consumidores de canábis estava a tomar outros analgésicos, admitindo: “Não podemos descartar que isto possa explicar a maior probabilidade de arritmias”.

LUSA/HN

Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias lança pós-graduação em Competências de Comunicação em Saúde

Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias lança pós-graduação em Competências de Comunicação em Saúde

Destinada aos profissionais de saúde licenciados e com interesse pela área, esta formação pretende dotar os alunos de conhecimentos e competências no âmbito da comunicação em saúde que lhes permitam desenvolver as suas capacidades para uma intervenção mais segura e eficaz.

Com um total de 250 horas, a pós-graduação está dividida em dez módulos: Fundamentos da Comunicação para a Saúde; Gestão da Informação e Visualização de Dados; Estratégias de Marketing em Saúde; Influência e Persuasão; Marketing Pessoal, Imagem e Networking; Inteligência Emocional e Escrita Terapêutica; Mindfulness em Contextos de Saúde; Fontes de Informação em Saúde; Redes Sociais: Estratégias e Táticas em Saúde; e Campanhas de Comunicação para a Saúde.

“Para assegurar que a comunicação para a saúde cumpre com a finalidade a que se propõe, é necessário desenvolver as competências de comunicação dos profissionais de saúde, quer seja a nível da compreensão e aplicação das diferentes estratégias para abordar o doente, ou seja, em contexto clínico, quer seja também na comunicação mediada através dos jornalistas e redes sociais, dirigida ao público em geral, e ainda na interação com os pares e outros grupos de influência”, explica Andreia Garcia, coordenadora da pós-graduação e diretora-geral da empresa Miligrama Comunicação em Saúde.

E acrescenta: “Esta Pós-Graduação pretende dar resposta aos principais desafios de comunicação com que se deparam os profissionais de saúde, e capacitá-los a desenvolver e melhorar a sua atuação. Estamos certos de que este curso será um contributo importante, dada a escassez de formação graduada no campo da comunicação no setor da saúde.”

Coordenado por Andreia Garcia, Sandra Queiroz e Sónia Semião, o curso realizar-se-á às sextas-feiras, das 18h00 às 22h00 (semanalmente), e aos sábados, das 10h00 às 14h00 (quinzenalmente), em regime de b-learning (60% online e 40% presencial).

Saiba mais Aqui.

PR/HN/RA

Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias lança pós-graduação em Competências de Comunicação em Saúde

Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias lança pós-graduação em Competências de Comunicação em Saúde

Destinada aos profissionais de saúde licenciados e com interesse pela área, esta formação pretende dotar os alunos de conhecimentos e competências no âmbito da comunicação em saúde que lhes permitam desenvolver as suas capacidades para uma intervenção mais segura e eficaz.

Com um total de 250 horas, a pós-graduação está dividida em dez módulos: Fundamentos da Comunicação para a Saúde; Gestão da Informação e Visualização de Dados; Estratégias de Marketing em Saúde; Influência e Persuasão; Marketing Pessoal, Imagem e Networking; Inteligência Emocional e Escrita Terapêutica; Mindfulness em Contextos de Saúde; Fontes de Informação em Saúde; Redes Sociais: Estratégias e Táticas em Saúde; e Campanhas de Comunicação para a Saúde.

“Para assegurar que a comunicação para a saúde cumpre com a finalidade a que se propõe, é necessário desenvolver as competências de comunicação dos profissionais de saúde, quer seja a nível da compreensão e aplicação das diferentes estratégias para abordar o doente, ou seja, em contexto clínico, quer seja também na comunicação mediada através dos jornalistas e redes sociais, dirigida ao público em geral, e ainda na interação com os pares e outros grupos de influência”, explica Andreia Garcia, coordenadora da pós-graduação e diretora-geral da empresa Miligrama Comunicação em Saúde.

E acrescenta: “Esta Pós-Graduação pretende dar resposta aos principais desafios de comunicação com que se deparam os profissionais de saúde, e capacitá-los a desenvolver e melhorar a sua atuação. Estamos certos de que este curso será um contributo importante, dada a escassez de formação graduada no campo da comunicação no setor da saúde.”

Coordenado por Andreia Garcia, Sandra Queiroz e Sónia Semião, o curso realizar-se-á às sextas-feiras, das 18h00 às 22h00 (semanalmente), e aos sábados, das 10h00 às 14h00 (quinzenalmente), em regime de b-learning (60% online e 40% presencial).

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PR/HN/RA

Henrique Prata Ribeiro: “Portugal é um mau exemplo de investimento em saúde mental”

Henrique Prata Ribeiro: “Portugal é um mau exemplo de investimento em saúde mental”

HealthNews (HN)- Portugal é segundo país da Europa com maior prevalência de doenças psiquiátricas. Quais os desafios que identifica no acesso aos cuidados de saúde mental?

Henrique Prata Ribeiro (HPR)- A principal dificuldade prende-se com a articulação entre os cuidados de saúde primários e os centros especializados. É essencial ter médicos de família treinados e capacitados para resolver os casos mais simples de doença psiquiátrica, nomeadamente as depressões leves e moderadas. Nos casos mais graves, é preciso que estes doentes sejam encaminhados para os serviços de psiquiatria. 

Por outro lado, a questão do estigma é um outro problema. Há pessoas que não sabem reconhecer alguns sinais e sintomas de algumas doenças e, quando reconhecem, nem sempre recorrem aos serviços de saúde devido ao estigma associados à saúde mental.

HN- Em Portugal a saúde mental tem apenas 5% do investimento do SNS. Quais as suas expectativas sobre a evolução destes valores numa altura em que a saúde mental ganhou protagonismo durante a pandemia?

HPR- Tenho esperança de que esses números venham a mudar. Esses cinco por cento são atribuídos a uma área que representa cerca de 16% da carga de doença. Isto demonstra que Portugal é um mau exemplo de investimento em saúde mental… A maior parte dos países do centro da Europa já atribui cerca de sete a oito por cento do orçamento para esta área. No caso do Reino Unido esta percentagem é maior e já é investido cerca de catorze por cento do orçamento. Olhando para estes valores percebemos que alguma coisa está desproporcionada. 

HN- Segundo dados do Infarmed, o consumo de antidepressivos em Portugal tem vindo a aumentar desde 2019, sendo que só no ano de 2021 foram vendidas, em média, mais de 28 mil embalagens por dia. Como olha para estes números e quais os riscos para a saúde?

HPR- Quando falamos nesta questão do consumo de medicamentos é preciso distinguirmos os antidepressivos dos ansiolíticos. E porquê? Porque os antidepressivos são fármacos que não servem apenas para a depressão, mas também para tratar outras perturbações, entre elas a ansiedade. 

Temos uma carga de doença muito elevada e a depressão é a segunda perturbação psiquiátrica mais comum em Portugal. No entanto, é preciso reconhecer que nos últimos anos tem sido feito um bom trabalho para retirar os ansiolíticos que eram prescritos em excesso. Essas pessoas começaram a ser tratadas com antidepressivos, sendo esta a medicação indicada para tratar a ansiedade a longo prazo.

HN- Significa que não olha com preocupação para este aumento?

HPR- Não fico propriamente preocupado porque o aumento da prescrição de antidepressivos nem sempre se pode traduzir num aumento do número de pessoas com depressão. 

HN- Existem riscos para a saúde?

HPR- Os antidepressivos são medicamentos bastante seguros. Ao contrário do que muitas vezes é dito, estes fármacos não causam dependência. São medicamentos que as pessoas devem fazer enquanto precisam deles e obviamente deixá-los por indicação médica. 

Se me perguntar: seria possível termos menos pessoas a tomar antidepressivos se tivéssemos uma abordagem diferente nos centros de saúde? Nesse caso, a minha resposta seria ‘sim’. É importante frisar que esse consumo de antidepressivos poderia ser reduzido com estratégias a nível dos cuidados de saúde primários.

HN- A depressão e a ansiedade, ainda que doenças distintas, podem andar de “mãos dadas”. Considera que a população está sensibilizada para o impacto deste tipo de perturbações mentais?

HPR- Acho que não está… Penso que a culpa é de vários agentes, entre os quais os próprios psiquiatras que durante anos apareceram pouco nos canais de comunicação. De qualquer forma, considero que durante a pandemia esse paradigma mudou e as pessoas ganharam interesse na área da saúde mental. As pessoas cada vez mais começam a procurar informação acerca da ansiedade e da depressão, mas o nível de literacia em saúde nesta área ainda é muito baixo. 

HN- E para essas pessoas que pouco ou nada sabem sobre as principais perturbações mentais, quais os sinais de alerta que considera relevantes mencionar?

HPR- Costumo dizer aos meus doentes para estarem atentos a tudo aquilo que interfira no dia-a-dia. É preciso que estejam alertas para: falta de ar, ataques de pânico, ritmo cardíaco acelerado ou uma tristeza marcada. No fundo, é preciso estar atentos para tudo aquilo que pode afetar a forma como nos sentimos e como interagimos com os outros. 

HN- Voltando à questão do estigma em torno às doenças mentais que ainda é muito prevalente. Considera que este problema é igual entre homens e mulheres?

HPR- Penso que há uma dificuldade maior por parte dos homens de assumirem que sofrem de uma doença psiquiátrica. Isso é notório sempre que há inquéritos em relação à saúde mental. De facto, num dos estudos que publiquei recentemente sobre o impacto da Covid-19 na saúde mental, a percentagem de mulheres que respondeu é muito superior à percentagem de homens… Este é um dos pequenos indicadores em que me baseio para dizer que apesar de tudo, o estigma é maior dentro da comunidade masculina. 

HN- Faz parte da campanha “Viva! Para lá da depressão”. Qual a importância deste tipo de iniciativas para a promoção da saúde mental?

HPR- A única forma de quebrarmos o estigma é levando informação às pessoas. Portanto, esta campanha tem essa missão, juntando vários especialistas que explicam, de forma simples, informação relevante sobre a saúde mental. No fundo, vejo a campanha “Viva! Para lá da depressão” como uma forma de serviço público. 

Entrevista de Vaishaly Camões

Ana Pina: “A transição digital na saúde permite trazer mais eficiência e acesso aos serviços”

Ana Pina: “A transição digital na saúde permite trazer mais eficiência e acesso aos serviços”

HealthNews (HN)- Os dispositivos médicos, de apoio à decisão clínica, são cada vez mais sofisticados e tecnológicos. Considera que estamos perante o início de uma nova era na área da saúde?

Ana Pina (AP)- Sim. Embora alguns dispositivos médicos de apoio à decisão clínica já existissem há bastante tempo, temos vindo a assistir ao aparecimento de novos aparelhos de apoio à distância.

 HN- Quais os principais benefícios que identifica da transição digital na saúde? 

AP- Os benefícios são imensos. A transição digital na saúde permite trazer mais eficiência e acesso aos serviços. Como já é sabido não temos serviços de saúde em todo lado e, neste sentido, a transição digital permite aumentar o acesso dos doentes aos cuidados de saúde.

Por outro lado, conseguirmos trazer as pessoas à participação na gestão da sua saúde é muito importante. Acredito que os canais digitais e as ferramentas tecnológicas podem ter um forte contributo na literacia em saúde.

HN- Considera que, em Portugal, os profissionais de saúde estão capacitados para a utilização destes novos equipamentos tecnológicos?

AP- Como qualquer tecnologia, é sempre necessário haver uma formação, mas acredito que todos os médicos estão capacitados para utilizar estes dispositivos. É uma questão de vontade.

HN- Considera que há falta de investimento no que toca ao aproveitamento do desenvolvimento tecnológico no setor da saúde?

AP- Não, pelo contrário. Tem havido nos últimos anos um forte investimento no desenvolvimento tecnológico na saúde. Se me perguntar se precisamos de mais investimento e se há muito para fazer, a resposta é ‘sim’. É preciso que as pessoas percebam o valor da digitalização na saúde.

HN- Com a chegada da pandemia, a tecnologia desempenhou um papel essencial no acompanhamento remoto dos doentes. Qual o impacto das tele e videoconsultas na saúde do doente?

AP- A telemedicina é algo que fazemos desde sempre. É claro que durante a pandemia as teleconsultas foram muito utilizadas devido à dificuldade de garantir os cuidados de saúde de forma presencial.

Com o fim da pandemia, não surgem dúvidas de que a saúde digital serve para pensarmos novos modelos e caminhos de prestação e acompanhamento do cuidado dos nossos doentes.

HN- A Future Healthcare trouxe ao mercado um novo dispositivo médico de vídeo-consulta. O que é que este dispositivo traz de novo?

AP- Lançamos uma solução que permite realizar exames à distância e inclui um dispositivo médico inovador. Este dispositivo permite a auscultação de sons cardíacos, auscultação pulmonar e a auscultação abdominal. Por outro lado, permite a observação do canal auditivo e a observação da garganta. Tem uma câmara com alta qualidade que permite a avaliação da pele, das mucosas, etc.

Entrevista de Vaishaly Camões