Monkeypox: OMS declara surto como emergência de saúde pública internacional

Monkeypox: OMS declara surto como emergência de saúde pública internacional

“Temos um surto que se está a espalhar rapidamente à volta do mundo, do qual sabemos muito pouco e que cumpre os critérios dos regulamentos internacionais de saúde”, adiantou o diretor-geral da OMS em conferência de imprensa, após a reunião do Comité de Emergência para avaliar a evolução da doença no mundo.

Perante isso, Tedros Adhanom Ghebreyesus anunciou que “o surto global de Monkeypox representa uma emergência de saúde pública de preocupação internacional”, estabelecendo recomendações para quatro grupos de países.

O primeiro desses grupos inclui os países que ainda não reportaram casos de Monkeypox ou que não têm registo de contágios há mais de 21 dias, adiantou o diretor-geral da OMS, ao avançar que o segundo grupo abrange os países com casos recentes importados e com transmissão entre humanos.

O terceiro grupo de países são os que apresentam transmissão do vírus entre animais e humanos e o quarto inclui os países com capacidade de produção de testes, vacinas e tratamentos, explicou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Segundo disse, o Comité de Emergência para a Monkeypox, que se reuniu na quinta-feira pela segunda vez para avaliar da evolução do surto, não chegou a um consenso, mas a avaliação da OMS é de que o risco é moderado a nível global, exceto na Europa, onde é considerado como elevado.

O diretor-geral explicou que a sua decisão de declarar a emergência de saúde pública de preocupação internacional baseou-se nas informações que mostram que o vírus se espalhou rapidamente a nível global, mesmo em países sem registo prévio de infeções, assim como nas “muitas incógnitas” face aos dados ainda insuficientes sobre a Monkeypox.

“Sei que este não foi um processo fácil ou simples e que existem pontos de vista divergentes entre os membros”, referiu Tedros Adhanom Ghebreyesus, ao recordar que, atualmente, o surto concentra-se sobretudo em “homens que fazem sexo com homens, especialmente aqueles com múltiplos parceiros sexuais”.

Isso significa que se trata de um surto que “pode ser travado com as estratégias certas nos grupos certo”, salientou o responsável da OMS, alertando que o “estigma e discriminação podem ser tão perigosos como qualquer vírus”.

Na primeira reunião do Comité de Emergência, que decorreu há um mês, os peritos não chegaram a um consenso se a Monkeypox representava uma emergência de saúde pública de preocupação internacional (PHEIC, na sigla em inglês), numa altura em que estavam reportados 3.040 casos de 47 países.

A PHEIC é definida como “um evento extraordinário, grave, repentino, incomum ou inesperado”, com implicações para a saúde pública para além da fronteira nacional de um Estado afetado e que pode exigir uma ação internacional imediata.

Está é a sétima vez que a OMS declara a emergência internacional (mecanismo iniciado em 2005), depois de o ter feito para a Gripe A em 2009, para o Ébola em 2014 e 2018, para a Poliomielite em 2014, para o vírus Zika em 2017 e para o coronavírus que provoca a covid-19 em 2020, este último ainda em vigor.

De acordo com os últimos dados da Direção-Geral da Saúde DGS), Portugal totaliza 588 casos confirmados de infeção pelo vírus Monkeypox.

Segundo a DGS, uma pessoa que esteja doente deixa de estar infecciosa apenas após a cura completa e a queda de crostas das lesões dermatológicas, período que poderá, eventualmente, ultrapassar quatro semanas.

Os sintomas mais comuns da doença são febre, dor de cabeça intensa, dores musculares, dor nas costas, cansaço, aumento dos gânglios linfáticos com o aparecimento progressivo de erupções que atingem a pele e as mucosas.

NR/HN/LUSA

Sindicato de Emergência Pré-Hospitalar vai apresentar queixa no MP devido aos atrasos no socorro

Sindicato de Emergência Pré-Hospitalar vai apresentar queixa no MP devido aos atrasos no socorro

“Estamos a preparar uma denúncia para apresentar no MP dando nota destes atrasos e das consequências que isto tem na vida e na morte das pessoas”, disse à agência Lusa o presidente do sindicato, Rui Lázaro, precisando que a queixa será entregue nos próximos dias.

A queixa, que vai incluir todas as denúncias que chegam ao sindicato dos técnicos de emergência médica sobre os tempos de espera para o envio de ambulâncias do INEM para um serviço de emergência, está a ser preparada já há algum tempo, tendo o STEPH já dado conta desta situação aos grupos parlamentares, durante as reuniões que tiveram este mês.

O presidente do sindicato afirmou que a situação hoje tornada pública pelo Jornal de Notícias, em que uma mulher de mais de 80 anos esperou, esta semana, em Lisboa, mais de uma hora por uma ambulância do INEM, não é um caso isolado.

Segundo Rui Lázaro, o sindicato tem recebido várias denúncias nas últimas semanas que dão conta de dezenas de chamadas em espera para envio de ambulâncias.

Como exemplos, referiu que, na sexta-feira, um jovem de uma aldeia do interior do país com uma fratura numa perna teve de esperar mais de uma hora por uma ambulância, bem como o que aconteceu num dia da última semana em que a cidade do Porto teve cerca de 80% das ambulâncias paradas por falta de técnicos e as ocorrências tiveram de ser asseguradas com meios dos concelhos vizinhos.

Numa listagem a que a Lusa teve acesso, os técnicos de emergência médica dão conta dos tempos de espera, nas últimas semanas, para se encontrar uma ambulância do INEM disponível para prestar socorro a uma situação já triada pelo próprio INEM.

Segundo essa lista, há situações em que se está mais de uma ou duas horas à espera do envio de uma ambulância, chegando a estar nesta situação várias ocorrências.

Rui Lázaro afirmou que esta situação está relacionada com a falta de ambulâncias e técnicos, mas também com “a necessidade de revisão dos fluxos do INEM”, que já tinha sido denunciado no pico da pandemia, uma vez que o Instituto Nacional de Emergência Médica está a transportar vários doentes não urgentes para as urgências hospitalares, que além de saturar também esgota as valências do dispositivo.

O sindicalista sustenta que o tempo de espera para o envio de uma ambulância, que é transversal em todo o país, apesar de nas últimas semana ter ocorrido mais na região de Lisboa, “devia ser pontual, mas neste momento é usual” devido à “escassez de meios no país e do consumo excessivo de ambulâncias para situações menos emergentes”.

O presidente do sindicato afirmou ainda que a queixa no MP vai incidir “nos atrasos do socorro, no compromisso para a vida e para socorro aos portugueses e da inação do INEM”, que “não tem feito nada” para corrigir este problema.

Num comunicado hoje enviado, o INEM anunciou que abriu um processo de inquérito para apurar as circunstâncias que motivaram o atraso na assistência pré-hospitalar à mulher que esteve mais de uma hora na rua à espera de uma ambulância.

O INEM sustenta que “continua a registar um aumento muito acentuado da sua atividade”.

Segundo aquele instituto, na segunda-feira, dia em que a mulher ficou à espera de ambulância, foram recebidas 4.715 chamadas de emergência no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, mais 952 chamadas que em igual período de 2021.

“Concretamente em relação à cidade de Lisboa, nos primeiros seis meses de 2022 há registo de 48.410 ocorrências, um acréscimo de 23% comparativamente a 2021”, precisa o INEM.

O INEM indica ainda que, desde o início de junho, reforçou o dispositivo de meios para o verão, operados pelos parceiros do INEM, com um acréscimo de 23 meios no país, com mais quatro ambulâncias a reforçar a área metropolitana de Lisboa.

 

NR/HN/LUSA

INEM abre processo de inquérito para apurar atraso na assistência a mulher em Lisboa

INEM abre processo de inquérito para apurar atraso na assistência a mulher em Lisboa

“Instituto Nacional de Emergência Médica lamenta profundamente o desfecho que a situação ocorrida no passado dia 18 de julho, em Campolide, veio a conhecer. O INEM já determinou a abertura de um processo de inquérito para apurar em pormenor todas as circunstâncias que motivaram o atraso na assistência pré-hospitalar a esta utente”, refere o INEM, em comunicado.

Uma mulher de 83 anos caiu num passeio em Campolide, Lisboa, na passada segunda-feira e esperou cerca de hora e meia pelo INEM, que não tinha ambulâncias disponíveis, tendo depois a idosa acabado por morrer no hospital.

Num esclarecimento sobre atraso na assistência a esta utente, o INEM sustenta que “continua a registar um aumento muito acentuado da sua atividade”.

Segundo aquele instituto, na segunda-feira, dia em que a mulher ficou à espera de ambulância, foram recebidas 4.715 chamadas de emergência no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, mais 952 chamadas que em igual período de 2021.

“Concretamente em relação à cidade de Lisboa, nos primeiros seis meses de 2022 há registo de 48.410 ocorrências, um acréscimo de 23% comparativamente a 2021”, precisa o INEM.

O Instituto Nacional de Emergência Médica sublinha que “a indisponibilidade momentânea de meios no sistema é uma situação pontual, alheia à vontade de todos os intervenientes”.

No caso em concreto da situação de Lisboa, o INEM refere que juntamente com os parceiros do sistema “não se pouparam a esforços para concretizar o envio de uma ambulância o mais rapidamente possível, não conseguindo, infelizmente, fazê-lo num menor espaço de tempo”.

O INEM indica ainda que “todas as ambulâncias do INEM e dos parceiros do sistema que foram contactadas, num total de 29 entidades, estavam ocupadas noutras missões de emergência a decorrer em simultâneo”, tendo sido acionada a ambulância que “mais rapidamente ficou disponível”.

De acordo com o INEM, o Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) é um sistema complementar, e é constituído não só pelos meios próprios do INEM, mas também pelos meios dos parceiros bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa, tendo, desde o início de junho, reforçado o dispositivo de meios para o verão, operados pelos parceiros do INEM, com um acréscimo de 23 meios no país, com mais quatro ambulâncias a reforçar a área metropolitana de Lisboa.

NR/HN/LUSA

Urgência de Ortopedia de Santarém normalizada, mas com novas limitações a partir de domingo

Urgência de Ortopedia de Santarém normalizada, mas com novas limitações a partir de domingo

A Urgência de Ortopedia do Hospital Distrital de Santarém (HDS) não estava a receber doentes encaminhados pelo Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) desde as 08:30 de sexta-feira, estando a situação normalizada desde as 08:30 de hoje, segundo uma resposta da unidade de saúde enviada à Lusa.

O HDS avança que o serviço de urgência de ortopedia vai “apresentar limitações” entre as 20:30 de domingo e as 20:30 de segunda-feira, “apesar dos esforços desenvolvidos”.

Ness sentido, explica o hospital, o HDS vai solicitar ao CODU o encaminhamento de situações urgentes e emergentes.

O hospital precisa que este mecanismo, baseado no funcionamento em rede do Serviço Nacional de Saúde (SNS), “garante a capacidade de resposta do Serviço e assegura os melhores cuidados de saúde aos seus utentes”.

NR/HN/LUSA

Associação de Emergência Médica considera “intolerável” que alguém fique mais de uma hora à espera do INEM

Associação de Emergência Médica considera “intolerável” que alguém fique mais de uma hora à espera do INEM

“É intolerável que alguém fique deitado no chão durante 1 hora e 15 minutos sem qualquer cuidado de emergência médica, violando todas as boas práticas. É intolerável que estes eventos adversos sejam constantes e, que não sejam assacadas qualquer tipo de responsabilidades”, refere a ANTEM, em comunicado.

Esta associação sublinha que o caso da “senhora que esteve 1 hora e 15 minutos estendida no chão a aguardar por uma ambulância na cidade de Lisboa” não é o único, sendo uma situação que ocorre “repetidamente”.

O comunicado da ANTEM surge após o Jornal de Noticias ter hoje noticiado que uma mulher de 83 anos caiu num passeio em Campolide, Lisboa, e esperou cerca de hora e meia pelo INEM, que não tinha ambulâncias disponíveis, tendo depois a idosa acabado por morrer no hospital.

Segundo o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), todas as ambulâncias que foram contactadas, num total de 29 entidades, estavam ocupadas noutras missões de emergência.

A ANTEM manifesta a “mais elevada inquietação” e considera que aquilo que se vivencia nos serviços médicos de emergência “deverá ser objeto de investigação por parte das entidades competentes”.

“É incompreensível que com os constantes episódios sórdidos não tenha ainda havido lugar a alterações no conselho de direção do INEM, que não detém as condições mínimas para o exercício das funções”, frisa.

Segundo a associação, os serviços médicos de emergência em Portugal prestam um serviço “desigual, sobretudo nas regiões mais desfavorecidas” e os modelos de formação estão ultrapassados.

NR/HN/LUSA

Miguel Castanho: “Passagem a endemia terá de esperar pelo próximo inverno”

Miguel Castanho: “Passagem a endemia terá de esperar pelo próximo inverno”

“É precipitado dizermos que entrámos numa fase endémica”, adiantou à agência Lusa o especialista do Instituto de Medicina Molecular (iMM) da Universidade de Lisboa, para quem o país pode “ter a esperança” de que a pandemia evolua para endemia a partir de 2023, um cenário que não é, porém, garantido.

Será o próximo inverno “a ditar se estaremos próximos da fase de endemia ou não”, referiu Miguel Castanho.

Desde as primeiras infeções pelo coronavírus SARS-CoV-2 em março de 2020, Portugal já registou mais de 5,3 milhões de casos e ultrapassou seis vagas pandémicas, a mais recente das quais em maio e junho, potenciada pela linhagem BA.5 da variante Ómicron, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) já considerou como a “mais contagiosa”.

Nas últimas semanas, a mortalidade específica por covid-19 e a ocupação hospitalar apresentaram uma tendência decrescente, com a média de casos a cinco dias a baixar do máximo de 29.101 infeções diárias registadas no final de maio para as 5.479.

Durante esta sexta vaga, que teve um impacto menor na pressão da resposta dos serviços de saúde do que em ondas anteriores, Portugal chegou a registar mais de 38 mil casos confirmados num só dia, em 16 de maio, e um máximo de 51 mortes registadas em 05 de junho.

Apesar de o país estar a evoluir para uma situação pandémica mais favorável, Miguel Castanho alertou que, em termos de epidemiologia, Portugal ainda vai a “meio caminho”.

“Admitindo que metade da população portuguesa já teve covid-19 pelo menos uma vez, podemos afirmar que cerca de 50% dos portugueses ainda não foram infetados”, estimou o especialista do iMM, ao salientar que, sem vacinas atualizadas contra o SARS-CoV-2, “não há perspetiva de uma mudança radical na proteção contra o vírus até ao outono/inverno”.

Esta semana, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) avançou que as vacinas adaptadas à Ómicron serão provavelmente autorizadas para utilização na União Europeia em setembro, prevendo que estejam disponíveis durante o último trimestre deste ano. No entanto, o calendário de distribuição e o seu fornecimento estão ainda a ser definidos com os fabricantes.

De acordo com o professor da Faculdade de Medicina de Lisboa, o que mais caracteriza uma endemia é a estabilidade no número de infeções, com flutuações sazonais contidas dentro de intervalos antecipáveis.

“É o que se passa com a gripe e está longe de acontecer com a covid-19”, salientou o especialista, que admitiu como possível que, no final deste ano, Portugal enfrente “um novo aumento da taxa de infeções”, embora não seja previsível o que vai acontecer nessa altura.

Para já, Miguel Castanho refere que o pior da sexta vaga já passou, o que “não é o mesmo que dizer que já estamos bem”, tendo em conta que ainda existem cerca de 250 mil casos ativos em Portugal, que regista também uma incidência de novas infeções superior à do último verão, além de que o impacto social e económico da covid-19 “em geral continua a ser enorme”.

Além disso, o número mortes por covid-19 “deve continuar a ser um fator de preocupação”, alertou o especialista, que defende a necessidade de se “aprofundar o conhecimento da razão pela qual o número de vítimas mortais não decresce continuamente até valores muito mais baixos dos que se têm registado em 2022”.

No contexto internacional, Portugal viu chegar mais cedo a linhagem BA.5 do que outros países europeus, que começam agora a enfrentar os contágios resultantes dessa evolução da variante Ómicron.

Essa situação levou o ECDC a recorrer ao exemplo de Portugal para prever que outros países da Europa podem assistir a um aumento de casos de covid-19 devido às linhagens BA.4 e BA.5, enquanto a OMS adiantou que a BA.5 foi a linhagem que mais aumentou a nível global, ultrapassando já os 53%.

“É muito curioso que Portugal tenha sido praticamente o estreante da entrada da variante do Reino Unido [Alpha] na Europa continental e o estreante da variante Delta na Europa, um pouco à semelhança do que vivemos agora com a BA.5”, referiu Miguel Castanho, para quem “conviria entender as razões deste fenómeno”.

O investigador admite que isso poderá estar relacionado com hábitos culturais ligados à mobilidade do período de Natal e do verão, às condições do inverno e a uma imigração e emigração intensas e em simultâneo, com “pontes” em África, nas Américas, na Ásia e na Europa central.

A tendência é que a severidade da doença associada a novas variantes ou subvariantes não se agrave, disse ainda Miguel Castanho, ao salientar que as variantes que mais se transmitem sem debilitar o hospedeiro são as que mais se multiplicam e, portanto, as que dominarão sobre as restantes.

No entanto, podem surgir, dentro desse processo de evolução, fugas a essa tendência natural, com variantes que podem ser mais severas por mudarem a fisiologia da interação com os humanos, explicou o especialista.

“As redes de vigilância epidemiológica permanecem ativas e lançarão alertas se for caso disso”, disse ainda Miguel Castanho.

NR/HN/LUSA