Publicado novo anúncio para requalificação da Unidade de Saúde da Ilha do Corvo

Publicado novo anúncio para requalificação da Unidade de Saúde da Ilha do Corvo

“Este é o segundo concurso que lançamos para esta obra, depois do primeiro ter ficado deserto face à escalada de preços que se tem verificado nos últimos meses”, informa a secretária regional da tutela das Obras Públicas, Berta Cabral, numa nota divulgada.

Citada na mesma nota publicada na página da Internet do Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) a governante refere ainda que “os desafios são grandes e a incerteza é permanente neste momento”.

Mas, a Secretaria Regional continua “com determinação a trabalhar junto do mercado para responder às necessidades das populações das nove ilhas”, acrescenta.

“É fundamental estarmos todos conscientes de que precisamos procurar soluções de forma sistemática, para que investimentos tão importantes para as necessidades básicas do nosso regime autonómico, como este que vamos fazer no Corvo, continuem a ser uma realidade”, sublinhou ainda Berta Cabral.

O período de apresentação de propostas para a empreitada de requalificação da Unidade de Saúde do Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, está agora a decorrer, com um preço base de 370 mil euros e um prazo de execução de 270 dias.

A obra de requalificação e ampliação do edifício da Unidade de Saúde do Corvo, permitirá “melhorar as condições de utilização, reestruturação e reorganização funcional”, segundo o executivo açoriano.

NR/HN/LUSA

Especialistas debatem em Lisboa futuro do uso medicinal da canábis

Especialistas debatem em Lisboa futuro do uso medicinal da canábis

Decorreu nos dias 16 e 17 de junho, em Lisboa, a primeira parte da 3ª edição da conferência Internacional PTMC – Portugal Medical Cannabis. A esta conferência acorreram cerca de 200 profissionais de diversas áreas, nomeadamente medicina, ciências farmacêuticas, agronomia, investigação científica, direito e investimento. 

Pretendeu-se com esta iniciativa oferecer dois dias de aprendizagem e ‘networking’. Irá, ainda, decorrer uma segunda parte desta terceira edição na ilha da Madeira nos dias 26 e 27 de outubro.

Numa excelente iniciativa da organização do evento estão disponibilizadas as gravações de todas as sessões, resumidas neste artigo.

A sessão do primeiro dia, teve início com a abertura realizada por Vasco Bettencourt, Diretor da Unidade de Licenciamento do Infarmed, que fez um resumo do trabalho da instituição nolicenciamento de empresas que atuam na área da canábis medicinal. Na sua intervenção, Vasco Bettencourt sublinhou a importância do processo de licenciamento, continuamente melhorado, para o desenvolvimento do setor em Portugal, com a finalidade de tornar o país num dos mais interessantes da Europa, nesta área. Deixou, ainda, claro que também o Infarmed aprendeu com as empresas, limando arestas e melhorando os procedimentos de licenciamento, tendo como alvo a maior eficácia, sem afetar os resultados a nível de rigor e qualidade.

Vasco Bettencourt aponta parâmetros como o número de horas de sol, os baixos custos de terrenos, de mão-de-obra qualificada e, também, a existência de uma moldura regulatória favorável, como fatores que têm vindo a atrair muitas empresas a investir em Portugal. “Existem, neste momento, cerca de 200 empresas que pediram autorizações para exercer atividades na área da canábis medicinal”, afirmou.

A intervenção seguinte, ficou a cargo do Professor Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém, onde é professor desde 1972. A sua principal área de investigação científica é a da química e farmacologia dos canabinóides, na qual trabalha há mais de 50 anos. Em intervenção gravada, por impossibilidade de estar presente, o Professor Mechoulam desenvolveu o tema dos “Compostos Endógenos Semelhantes à Anandamida”.

Começou com a seguinte premissa: “a modulação da atividade endocanabinóide pode ter potencial terapêutico em quase todas as doenças que afetam os seres humanos”, justificando, assim, o interesse de muitos grupos na investigação dos canabinóides de origem vegetal. Desenvolveu, em seguida, as inúmeras possibilidades de tratamento, bem como os respetivos mecanismos de ação, associadas a estas substâncias, que poderão ser úteis em diversas patologias.

Em seguida, o palco foi entregue a Carl Hart, Professor da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Na sua intervenção, o especialista desenvolveu o tema “Canábis e Psicoses-mitos e factos”. Começou por uma resenha histórica das proibições ocorridas nos Estados Unidos, desde o início do século XX. Todas estas proibições tiveram fundamentos algo perversos, de índole racista, xenófoba ou económica. Foram, também, acompanhadas de campanhas destinadas a ganhar o apoio público, afirmou o Professor Carl Hart.

Continuou por analisar alguns estudos dedicados ao aparecimento de psicoses em consumidores de canábis, demonstrando erros de análise de dados, presentes em alguns destes estudos. Estas deficiências de análise poderão levar, na sua opinião, a uma sobrevalorização injustificada do problema.

Em seguida, Bonni Goldstein, Médica Pediatra e Diretora Médica da Canna-Centers Wellness & Education dos Estados Unidos, desenvolveu o tema “Canábis para Crianças: Lições de uma Pediatra”.

Goldstein é, também, autora de 2 livros sobre o tema, intitulados “Cannabis Revealed” (2016) e “Cannabis is Medicine” (2020). Revelou que mais de um terço dos pacientes que sofrem de epilepsia, continuam com a doença não controlada com a utilização dos medicamentos existentes. Sublinhou, então, os dados promissores no tratamento com a utilização de CBD (canabidiol). Também sublinhou as evoluções cognitivas e comportamentais decorrentes deste tipo de tratamento, em crianças. Desenvolveu o tema das perturbações do espectro do autismo, por vezes observadas simultaneamente com a epilepsia, sublinhando a sua grande experiência profissional com um enorme número de pacientes.

Acerca dos efeitos de longo prazo da utilização de CBD, a pediatra referiu dois estudos recentes que afirmam que o “CDB não afeta a estrutura cerebral em doentes com epilepsia” (Sharma et al 2019) e “a exposição a longo prazo ao CDB em ratos não mostra efeitos no comportamento” (Niehaus. 2022), ao contrário de medicamentos como os antipsicóticos.

Dani Gordon, médica canadiana a viver em Londres, membro da “The Medical Cannabis Clinicians Society”, falou sobre o sistema endocanabinóide, desenvolvendo a aplicação clínica de alguns canabinóides e terpenos, em diversas indicações terapêuticas. Comparou, ainda, o efeito de canabinóides sintéticos, com aqueles obtidos a partir de extratos da planta (também designadas ‘full spectrum’) e as diferentes formas de administração daqueles compostos.  Como especialista no tratamento de condições crónicas complexas, Dani Gordon partilhou com a audiência algumas da sua experiência em diversas patologias, como a ansiedade, fibromialgia, depressão, insónia e dor crónica.

Já na parte da tarde, foi Gregor Zorn, biólogo, especializado em educação médica sobre canábis, desenvolvimento de produtos fitocanabinóides e aplicações de terapia canabinóide quem cativou a plateia. Aprofundou o tema dos processos de síntese de diversos fitocanabinídes nas plantas, realçando o interesse clínico de alguns canabinóides menos conhecidos, como são os casos do canabigerol (CBG), do THCV ou do ∆8-THC. Gregor Zorn terminou realçando, também, a possibilidade de combinação dos fitocanabinóides no tratamento de diversas patologias.

A última palestra do dia, que antecedeu o debate, foi Luna Vargas, antropóloga radicada no Canadá e formadora sobre o tema da canábis na Inflore, onde fornece uma visão global da indústria da canábis, com base na ciência e na experiência. Falou da falta de informação para o público, num mercado em que os retalhistas de canábis (para uso recreativo, permitido no Canadá desde 2017) não oferecem um serviço suficientemente informado em termos de saúde e os profissionais de saúde estão ainda pouco informados sobre o tema, estando as farmácias ainda longe de ser um local de educação acerca da canábis. Com uma visão abrangente do tema, Luna Vargas considera que a educação sobre canábis deve consistir na “mediação entre diferentes partes da indústria (ciência, cultura) e o público em geral. Um nó que liga múltiplos caminhos, dando uma sensação mais completa e complexa da planta”.

Para o encerramento do primeiro dia estava reservado um debate sobre os “desafios da legislação da canábis”, moderado por Alfredo Pascual, analista de investimentos na indústria de canábis sediado na Alemanha. Os participantes foram Kai-Friedrich Niermann, advogado alemão, especialista na proteção dos consumidores, segurança dos produtos e novos provenientes da canábis, Jorge Teixeira, conselheiro político da Iniciativa Liberal e Ricardo Rocha, advogado da PLMJ. Foram comparados os caminhos seguidos na Alemanha e em Portugal, na direção da legalização da canábis para uso recreativo.

Apesar do consenso entre os membros da coligação que suporta o governo germânico, acerca do tema, foram apresentadas algumas das matérias ainda em discussão, na direção de um acordo que possa ser votado no Parlamento, o que só deverá acontecer no próximo ano. Já no caso português, o caminho será feito através da apresentação de diversos projetos de lei, como o apresentado recentemente pelo Bloco de Esquerda e, mais tarde, tentar-se-á chegar a um “consenso”, no qual desaparecerão certamente as sugestões mais ousadas.

Alfredo Pascual chamou, ainda, a atenção para o relativo “falhanço” da introdução da canábis medicinal em Portugal que, apesar de ter gerado uma indústria exportadora (tendo, como destino, países como a Alemanha e Israel) tem falhado na disponibilização de produtos ao público português. Esta aparente ambiguidade poderá ser explicada pela falta de investimento no fabrico de produtos acabados, ou seja, prontos para a venda em farmácias.

O dia 17 iniciou-se com a intervenção de Tej Virk, CEO da Acanda Corporation, empresa que, em abril deste ano, comprou a RPK Biopharma (subsidiária da Holigen em Portugal). A intervenção intitulada “Como apanhar a onda verde na Europa” aponta o valor de 2 860 milhões de euros ($3B) para o mercado europeu da canábis, em 2025, e desenvolveu a perspetiva das empresas que estão a entrar neste mercado. Virk apontou a fragmentação das regras vigentes nos diversos países europeus como o principal problema para o desenvolvimento do setor. A empresa, que centra o seu desenvolvimento nas áreas da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) encara Portugal como o “Centro Europeu de Excelência em Canábis” já que “desde a legalização da canábis medicinal em 2018, Portugal desenvolveu um quadro de importação/exportação que posicionou o país como um núcleo global para canábis medicinal”, “de onde só poderá vir crescimento”, acrescentou. Tej Virk mostrou a excelência das instalações adquiridas em Sintra e Aljustrel e sublinhou a importância das parcerias com outras marcas e dos projetos de investigação e desenvolvimento.

Alfredo Pascual, uruguaio radicado na Alemanha, voltou ao palco na manhã do dia 17 para falar sobre o tema “Implicações internacionais da legalização da canábis”. Desenvolveu a interpretação dos tratados internacionais acerca da proibição, nomeadamente a “Convenção Única sobre Estupefacientes” de 1961, cuja “interpretação proibicionista não conseguiu fazer avançar a saúde e o bem-estar da humanidade”, o que levou o Uruguai a reinterpretar o tratado para melhor cumprir os seus objetivos, em 2012.

Seguiu-se Steven George, americano do Michigan, oriundo do setor financeiro, que veio para Portugal em 2017 para fazer um MBA e tem trabalhado na indústria europeia de canábis desde 2018, nomeadamente na Tilray. Comparou as molduras regulamentares na Europa e nos Estados Unidos, realçando que, quer seja para fins recreativos ou fins medicinais, estamos, em última instância, a falar da mesma planta. Assim, na União Europeia, os pacientes têm acesso à canábis para fins medicinais, através de uma prescrição médica, os produtos são vendidos em farmácias e regulamentados pelo regulador nacional de saúde. Já nos Estados Unidos, os pacientes têm acesso aos produtos através de uma recomendação médica, os produtos são distribuídos em dispensários e regulados por um regulador ao nível do estado (não da FDA, o regulador Federal). O acesso à canábis para uso adulto (recreativo) nos Estados Unidos, é possível acima de uma certa idade (normalmente, 21 anos), os produtos são distribuídos em dispensários de retalho e regulados por reguladores estatais individuais.

Sublinhou, ainda, as vantagens a longo prazo, de o sistema europeu considerar a canábis para fins medicinais como um medicamento, com distribuição exclusiva em farmácias, envolvendo os profissionais de saúde no processo. Já na canábis para um futuro uso recreativo, defende a sua venda fora do espaço das farmácias. Acerca da qualidade dos produtos, poderão ser seguidas as normas EU-GMP, as mesmas utilizadas para o fabrico de medicamentos, para o fabrico dos produtos de canábis, em qualquer das finalidades, apesar dos custos associados.

Seguiu-se o palestrante Shlomo Booklin, da Juicy Fields, licenciado no Instituto Técnico de Horticultura de Jerusalém e que exerce atualmente no Canadá. Na sua intervenção, dedicada ao Tema “GACP: como aplicar os padrões farmacêuticos a colheitas botânicas”, começou por referir que os dispensários se mantiveram abertos no Canadá, mesmo durante os ‘lockdown’ da COVID-19. No caso da cultura da canábis para fins medicinais, sublinhou que podemos obter dois tipos de produtos para uso medicinal: flores ou outros produtos à base de extratos. Este ciclo produtivo leva à exigência de normas como as Boas Práticas Agrícolas e de Colheita (GACP), às Boas Práticas de Fabrico (GMP) e a uma área de transição entre ambas.

O último palestrante individual, Jaime Gil-Robles, especialista em desenvolvimento empresarial em sectores regulados, trouxe ao palco, na companhia do CEO da Kannabeira, a experiência do projeto que construíram em conjunto.

O debate de encerramento foi realizado à volta do tema “O futuro das reformas das drogas: como regular o uso de substâncias no século 21” desenvolvido por um painel de convidados, moderado por Laura Ramos. Os membros do painel foram Carl Hart, Professor da Universidade de Columbia, Teresa Summavielle, investigadora da Universidade do Porto, Miguel Costa Matos, deputado pelo Partido Socialista e João Taborda da Gama advogado da Gama Glória. Foi sublinhado que nem todas as substâncias devem ser reguladas da mesma forma e foram abordados o estigma social associado ao consumo destas substâncias e a necessidade de mudança de mentalidades.

 

HN/EE

 

Urgências de Ginecologia/Obstetrícia de Braga encerradas na sexta-feira e no domingo

Urgências de Ginecologia/Obstetrícia de Braga encerradas na sexta-feira e no domingo

Em comunicado, o Conselho de Administração do Hospital de Braga explicou que o encerramento se deve à “impossibilidade de se completarem as escalas de trabalho necessárias”.

“O Conselho de Administração ressalva que envida diariamente todos os esforços com a finalidade de, sobretudo, manter assegurada a prestação de cuidados de saúde de forma regular às grávidas e parturientes da região”, refere ainda na nota, onde lamenta “o transtorno”.

O Hospital de Braga está também a trabalhar de forma articulada com outros hospitais da região, de forma a que a resposta aos utentes seja garantida pela rede de instituições do Serviço Nacional de Saúde, pode ler-se.

Desde outubro de 2021, o Hospital de Braga registou a saída, por aposentação ou rescisão, de cinco médicos obstetras, não tendo registado nenhuma entrada, referiu na quarta-feira à Lusa fonte da administração.

Segundo a fonte, o hospital tem “sinalizada a necessidade de contratação de médicos daquela especialidade, não tendo o número de recém-especialistas acompanhado esta necessidade”.

No domingo, o Hospital de Braga fechou, durante 24 horas, a urgência de obstetrícia, “pela impossibilidade de completar escalas”.

O Governo autorizou a abertura de 1.639 vagas para médicos especialistas, 432 na área de medicina geral e familiar, 25 de saúde pública e 1182 na área hospitalar, refere um despacho publicado esta quarta-feira em Diário da República.

A ministra da Saúde tinha anunciado antes a abertura de cerca de 1.600 vagas para colocação de médicos recém-especialistas, das quais 50 na especialidade de ginecologia/obstetrícia.

Marta Temido falava em conferência de imprensa no Ministério da Saúde, em Lisboa, que serviu para apresentar as medidas do Governo na sequência do encerramento de urgências de ginecologia e obstetrícia de hospitais de vários pontos do país nos últimos dias, por dificuldades em assegurar escalas de médicos.

De acordo com Marta Temido, as vagas agora publicadas permitirão a “solução de alguns problemas” ao nível dos médicos do SNS, mas também o “início de projetos profissionais que sejam interessantes para quem os integra e úteis para o país”.

A ministra da saúde garantiu ainda que o governo está “empenhado” em contrariar o “fenómeno da dependência” das unidades do SNS das empresas prestadoras de serviços na área médica, alegando que essa é “uma entorse que tem de ser corrigida”.

Segundo a governante, a melhoria da capacidade formativa do país é essencial para dar resposta à falta de médicos em especialidades como ginecologia e obstetrícia, mas recrutar e formar especialistas no estrangeiro também está em cima da mesa.

NR/HN/LUSA

Assembleia Municipal das Caldas da Rainha contesta estudo de localização do novo hospital

Assembleia Municipal das Caldas da Rainha contesta estudo de localização do novo hospital

A moção tem por base “uma apresentação resumo” do estudo encomendado pela Comunidade Intermunicipal do Oeste (OesteCIM) e apresentada aos 12 municípios no início do mês, apontando o Bombarral como a localização indicada, com base no” nos critérios de distância e acessibilidade de todos os utentes.

Mas para a Assembleia das Caldas da Rainha os resultados “são baseadas em métricas de contornos discutíveis”, que levantam dúvidas sobre quais os fatores que foram analisados “como principais determinantes para os ganhos em saúde para a população do Oeste”.

No texto os deputados questionam se no estudo, efetuado pela Universidade Nova, foram tidas em conta a estrutura etária e as patologias prevalentes da população, bem como, em termos de socorro de emergência, as distâncias até aos hospitais mais a Norte (Leiria) e a Sul (Loures), lembrando que quer o Hospital de Leiria, quer o do Santarém (a Leste) são estruturas “já saturadas”.

Considerando que o novo hospital terá que ser “uma estrutura suprarregional” a moção questiona se foi tida em conta a promoção turística e valorizada “a necessidade de assegurar cuidados de saúde hospitalar à população sazonal” que escolhe, além das Caldas da Rainha, concelhos como Óbidos, Peniche, Alcobaça e Nazaré, quer como destino turístico quer “para investir e viver”.

A escolha do Bombarral como melhor localização indica, segundo os deputados, que “foi esquecida a premissa de um que um novo grande hospital precisa de ter na vizinhança uma estrutura urbana adequadamente dimensionada”, vincando que para atrair e fixar profissionais de saúde qualificados “serão necessárias estruturas como creches, escolas e bons equipamentos desportivos”.

A localização é também posta em causa pela proximidade do Bombarral a Torres Vedras, onde existe mais oferta de cuidados de saúde públicos e privados”, questionando os deputados se o estudo considerou a possibilidade de “existirem clínicas de ambulatório associadas ao novo hospital, para consultas e exames complementares de diagnóstico, para resposta às franjas mais distantes do centro geográfico do Oeste”.

Os deputados levantam ainda dúvidas de que não tenha sido considerada a tradição assistencial das Caldas da Rainha, que tem na sua génese o primeiro hospital termal do mundo, e questionam se foi considerada a possibilidade de articulação dos cuidados de Medicina Física e Reabilitação, Reumatologia e Otorrinolaringologia com a potencialidade de tratamentos termais, que poderão ser associados ao novo hospital se a sua construção vier a ser neste concelho.

A moção, aprovada por unanimidade, vai ser enviada à Comunidade Intermunicipal do Oeste, à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, ao Centro Hospitalar do Oeste (CHO), ao Ministério da Saúde e à Comissão de Saúde da Assembleia da República.

A região Oeste é servida pelo CHO, que integra os hospitais das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, servindo cerca de 300 mil habitantes dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra.

O CHO foi criado em 2012, através da fusão dos centros hospitalares Oeste Norte – que abrangia os hospitais de Caldas da Rainha e Peniche e de Torres Vedras. Com a criação de um único centro hospitalar, os vários serviços hospitalares foram reestruturados, ficando Torres Vedras especializada na Ortopedia e Caldas da Rainha na Pediatria e Ginecologia/Obstetrícia.

Os municípios, que reclamam a construção de um novo hospital para-a região, vão enviar ao Governo os resultados do estudo, remetendo para tutela a localização da futura unidade.

Terapia celular inovadora para o tratamento do cancro do sangue apresentada no Brasil

Terapia celular inovadora para o tratamento do cancro do sangue apresentada no Brasil

O estudo, que também envolveu o Haocentro Riberao Preto e a Universidade Estadual de São Paulo (USP), mostrou que a terapia era “altamente eficaz no tratamento de alguns tipos de cancro do sangue, tais como linfoma e leucemia linfóide aguda”, indicou o Governo regional em comunicado.

O programa, supervisionado pela Secretaria da Ciência, Investigação e Desenvolvimento em Saúde, funcionará em dois centros, um em São Paulo, a capital regional, e outro em Riberao Preto, com uma capacidade combinada para tratar 300 pacientes por ano.

A terapia celular CAR-T (recetor de antigénio quimérico) utiliza células T, que são linfócitos do sistema imunitário, para “reprogramá-las” para combater os “agentes patogénicos” do cancro do sangue.

A partir de São Paulo, o objetivo é que a terapia chegue ao Sistema de Saúde Unificado, a rede de saúde pública do país.

O primeiro voluntário do programa experimental formulado no Centro de Terapia Celular da Escola de Medicina da USP em Ribeirão Preto conseguiu “uma remissão total de um linfoma terminal” e, ao longo dos dois anos de ensaios, outros pacientes conseguiram inverter as suas condições oncológicas, lê-se na mesma nora.

“Esta é uma terapia revolucionária e individualizada que utiliza as células de defesa do próprio paciente para combater o cancro”, disse o secretário regional da saúde, David Uip.

Por se tratar de um programa experimental, os pacientes tratados estavam todos na fase terminal, pelo que o estudo será alargado a voluntários nas fases iniciais da doença, a fim de obter um aval definitivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, regular).

“Curar uma pessoa que estava quase doente terminal é uma emoção indescritível”, disse Dimas Covas, o diretor do Instituto Butantan e coordenador do estudo, que envolveu 50 profissionais da ciência médica.

NR/HN/LUSA

António Marinho (NEDAI): “Este vai ser um congresso transversal a várias patologias autoimunes”

António Marinho (NEDAI): “Este vai ser um congresso transversal a várias patologias autoimunes”

Healthnews (HN) – O que é que se pode esperar daquele que será o VIII Congresso Nacional de Autoimunidade?

António Marinho (AM) – O Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes tem vindo a fazer congressos anuais muito variáveis e heterogéneos. A nossa estratégia tem sido adaptar os congressos às necessidades de formação do próprio núcleo. Temos, por um lado, realizado congressos em várias zonas do país, onde tentamos integrar quem faz consultas de doenças autoimunes na organização dos mesmos, disseminando e descentralizando as organizações.

Devido aos dois anos de pandemia registou-se um grande atraso na disseminação dos up dates ao nível de conhecimento mais atualizado…existe um gap que é necessário recuperar rapidamente e, por isso, quisemos organizar um congresso numa cidade maior já com a intenção de receber um maior número de pessoas presencialmente.

Contamos receber um número significativo de participantes, vamos ter um programa bastante abrangente ao nível de up to dates, vamos reavaliar aquilo que são hot topics da fisiopatologia, terapêutica e do diagnóstico nas variadas patologias, ou seja, vai ser um congresso mais transversal a várias patologias autoimunes. Vamos abordar hot topics, não sendo um congresso mono temático como já sucedeu.

HN – O programa distingue-se pela abordagem de múltiplos temas. Existe algum que será preeminente?

A.M: Um dos temas preeminentes diz respeito à área da Esclerose Sistémica e do envolvimento pulmonar da Esclerose sistémica, que na grande maioria das vezes é grave e fatal. Será um ponto alto do congresso. Teremos pessoas a falar de anti fibróticos e de envolvimento pulmonar na Esclerose Sistémica. Depois teremos também conferências sendo uma, destaco, sobre formação em autoimunidade que é um tema também muito importante. Teremos a abordagem de vários temas sobre as perspetivas terapêuticas em várias patologias

HN – Uma das conferências que integram o programa intitula-se “Why We Must Think Beyond Autoimune Diseases?”. Quais as ideias que vão ser aqui debatidas?

A.M – Vamos aqui abordar a génese da doença autoimune. Isto é, o seu início e o fim, ou seja, sabemos atualmente que, no campo das doenças autoimunes, também existem doenças primariamente genéticas, distúrbios inatos da imunidade cujas formas de apresentação são doenças autoimunes. Temos de pensar um pouco mais além, não só na doença em si, mas também na sua génese – algumas não são simplesmente de contacto ambiental, mas também resultantes desses erros inatos da imunidade.

Um outro ponto relacionado, e que será também abordado, são os imitadores das doenças autoimunes que sabemos que, na sua maioria, são auto inflamatórios e que não têm mecanismos de autoimunidade clássicos. Perante estes novos conceitos devemos, de facto, pensar mais além, estamos, no fundo, a começar a catalogar o “saco de doenças autoimunes” e a colocá-las em sub gavetas identificando que umas são erros inatos da imunidade e outras são doenças autoimunes sistémicas.

HN – Para além da artrite reumatoide, as doenças autoimunes mais frequentes são a esclerose múltipla, a lúpus. Os portugueses estão devidamente sensibilizados no que respeita às doenças autoimunes?

A.M – Estão e bastante. A pandemia de COVID-19 e as manifestações autoimunes associadas à COVID ou ao risco da COVID levantou como que “um embate” levando a que a população esteja agora muito atenta. Em consequência, nos últimos dois anos, tivemos um aumento significativo de pedidos de consultas por suspeita de doença autoimune, há uma sensibilização bastante aumentada e ainda bem pois, isso, vai fazer repensar as estratégias de abordagem e de receção destes doentes.

HN – Qual o atual retrato da prevalência das doenças autoimunes em Portugal?

A.M – O panorama epidemiológico não mudou, há muito mais mulheres do que homens fruto do que são as próprias doenças autoimunes mais comuns em mulheres em idade fértil pois o seu ambiente estrogénio favorece. Há de facto um aumento significativo de identificação não diria só de doenças, mas de manifestações autoimunes. Por um lado, as pessoas estão mais atentas ao início das doenças, portanto são referenciadas mais precocemente.

O COVID-19 induziu doenças autoimunes de órgãos específicas e sistémicas, o que conduziu a um número aumentado de novos diagnósticos pela sensibilização, mas também por novas patologias, algumas até induzidas por medicamentos. Há, também, um aumento das necessidades de pessoas que conheçam e que consigam gerir estas doenças.

O NEDAI está ligado a 42 consultas a nível nacional e, portanto, temos conseguido ter em cada região pelo menos uma consulta que consegue acompanhar todas estas vertentes novas e que vão aumentar nos próximos anos. Não temos ainda ideia do impacto da pandemia, isto ainda é, para já, uma ponta do icebergue.

HN – Qual a sua opinião quanto ao recurso a fármacos biossimilares para o tratamento de doenças autoimunes?

A.M – Os fármacos biossimilares foram uma resolução absolutamente fundamental nas nossas patologias. Apesar de eles não terem o mesmo processo de licenciamento, tornando às vezes injusto em relação ao fármaco original porque não têm de fazer estudos em todas as patologias em que o fármaco original está aprovado, efetivamente trouxeram um novo paradigma aos nossos doentes.

A redução de custo do fármaco foi de tal forma significativa que reduziu significativamente limitações económicas, ou seja, aumentamos de forma drástica o acesso. Neste momento, o uso de biossimilares permite tratar em média mais cinco doentes do que o uso de um outro fármaco que não biossimilar.

Nós tínhamos, por exemplo, na Artrite Reumatoide uma percentagem de doentes a nível nacional à volta dos 15% a fazer biotecnológicos e, atualmente, deveremos andar à volta dos 25%, ou, diria, acima de 25%, o que se aproxima muito do que já sucedia há uns anos atrás na Europa Ocidental.

HN – Vai decorrer, também, em paralelo, a XXVII Reunião Anual do NEDAI. A que objetivos se propõe o núcleo para este ano?

A.M – Este é um ano de transição. Enquanto coordenador nacional do núcleo cumpro o meu último mandato, serei substituído durante este congresso. Este é um momento em que vamos fazer um ponto de situação: por um lado, vamos proceder aos trabalhos relativos ao congresso e que passam por se fazer um up to date e recuperar, assim, dois anos de alguma perda de informação advinda das circunstâncias pandémicas. Vamos repor as atividades do NEDAI nomeadamente registos, publicações, estudos que estão em curso.

O NEDAI não é uma estrutura política, é uma estrutura científica e, portanto, é muito importante que, mesmo mudando o secretariado, que a linha orientadora científica se mantenha. Tal passa por continuar a identificar muito precocemente as doenças autoimunes e tratá-las, tratar os doentes como um todo e manter estudos clínicos melhorando as boas práticas – esse é o papel fulcral de atividade do NEDAI.

 

MMM