Surto de cólera mata 490 pessoas no Haiti desde outubro

Surto de cólera mata 490 pessoas no Haiti desde outubro

Segundo o último balanço oficial, reportado a sábado, as autoridades de saúde pública do Haiti confirmaram 1.742 casos de cólera, estando por verificar 24.536 suspeitas.

O número de internados com sintomas associados à cólera ascendeu a 20.505, desde que foi confirmado o primeiro caso, em 03 de outubro.

Os internados têm, em média, 20 anos, verificando-se uma especial incidência entre as crianças com entre um e nove anos.

Esta crise sanitária decorre numa altura em que a fome e a insegurança têm vindo a aumentar no país.

O Governo do Canadá já anunciou que vai enviar veículos blindados para aumentar a segurança no Haiti, em resposta ao pedido que lhe tinha sido endereçado.

O primeiro-ministro, Ariel Henry, avançou que o país vai começar a receber apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) para responder à emergência alimentar.

NR/HN/LUSA

Manifestantes chineses admitem “remorsos” após mortes com fim das restrições

Manifestantes chineses admitem “remorsos” após mortes com fim das restrições

“Talvez estivesse errada”, disse uma das participantes nos protestos ocorridos na capital chinesa, no final de novembro. “Agora vejo tantos idosos a morrer, hospitais sobrelotados e, sobretudo quando ouço alguém dizer que o pai morreu de covid, não posso deixar de me sentir culpada”, acrescentou a ex-manifestante, que solicitou anonimato.

Os protestos contra a política de ‘zero casos’ de covid-19 irromperam em várias cidades da China no final de novembro. A estratégia chinesa incluía o isolamento de todos os casos positivos e contactos próximos, o bloqueio de bairros ou cidades inteiras e a realização constante de testes em massa.

O gatilho para as manifestações pacíficas foi a morte de dez pessoas num incêndio na cidade de Urumqi. Imagens difundidas nas redes sociais mostram que o camião dos bombeiros não conseguiu entrar inicialmente no bairro, já que o portão de acesso estava trancado, e que os moradores também não conseguiram escapar do prédio, cuja porta estava bloqueada, em resultado das medidas de prevenção epidémica então vigentes no país.

Face ao crescente descontentamento popular e colapso dos dados económicos, Pequim optou então pelo desmantelamento acelerado da estratégia.

Em entrevista à agência Lusa, Ben Cowling, epidemiologista e estatístico na área médica da Universidade de Hong Kong, explicou que as autoridades chinesas optaram por um “salto imediato” de uma fase de contenção para uma fase de recuperação, abdicando de estratégias de mitigação para abrandar a curva de infeções.

“Reduzir a altura do pico epidémico e distribuir os casos por um período de tempo mais longo podia ter salvado muitas vidas, enquanto os recursos de saúde estão sob forte pressão”, frisou.

A súbita retirada das restrições resultou numa vaga sem precedentes. Um estudo da Universidade de Pequim estimou que 900 milhões de pessoas contraíram covid-19 na China, ao longo das últimas semanas. O país asiático tem 1,4 mil milhões de habitantes.

De acordo com dados oficiais divulgados no domingo passado, a China registou quase 60 mil mortes nos hospitais ligadas à pandemia da covid-19, desde o levantamento das medidas de prevenção no início de dezembro.

Ben Cowling considerou que aquele número está “certamente aquém” da realidade. Diferentes estimativas apontam para cerca de um milhão de mortos na China, ao longo dos meses de inverno.

O impacto da doença pode ser agravado pelos deslocamentos internos que marcam o feriado do Ano Novo Lunar. Centenas de milhões de trabalhadores chineses migrados nas cidades regressam esta semana à terra natal.

“Exigi o fim dos bloqueios com entusiasmo, mas agora sinto-me receoso. É aterrador”, admitiu à Lusa outro manifestante, que também pediu para não ser identificado.

Após o levantamento das restrições, nacionalistas chineses culparam os manifestantes pelos mortos, acusando-os de serem “traidores” ao serviço de “forças estrangeiras”. Isto ilustra a politização da pandemia no país asiático, onde a estratégia de ‘zero casos’ de covid-19 foi assumida pelo líder chinês, Xi Jinping, como um trunfo político e prova da superioridade do modelo de governação chinês, após o país conter com sucesso os surtos iniciais da doença.

Face às acusações, uma das participantes nos protestos em Pequim admitiu ter por “um breve momento” sentido “dúvidas”.

“Senti-me triste e débil com a mortalidade e caí na armadilha de me sentir responsável”, admitiu. “No entanto, passado algum tempo, voltei a ponderar sobre as razões e, hoje, tenho a certeza de que fizemos a coisa certa”, apontou.

NR/HN/LUSA

Epidemiologista diz que 80% dos chineses já foram infetados

Epidemiologista diz que 80% dos chineses já foram infetados

Com a recente estimativa populacional das autoridades a apontar para cerca de 1.411,75 milhões de habitantes no final de 2022, a percentagem avançada por Wu Zunyou colocaria o número de casos em 1.129,4 milhões.

O número supera a estimativa avançada há pouco mais de uma semana por um estudo da Universidade de Pequim, que apontava para cerca de 900 milhões de infeções até 11 de janeiro.

Numa mensagem publicada na rede social Weibo, equivalente ao Twitter, Wu baseou-se nestes dados para prever que o risco de uma segunda onda de infeções nos próximos dois ou três meses é “muito pequeno”.

Sobre o risco das “cinco mil milhões de deslocações” esperadas para o primeiro novo ano lunar dos últimos anos sem restrições anti-covid, o epidemiologista reconheceu que o número de infeções pode aumentar em algumas áreas, mas descartou uma “repercussão de grande escala”.

Nas últimas semanas, tem sido questionada a veracidade dos números avançados pelas autoridades chinesas, que reconhecem a morte de cerca de 73 mil pessoas com covid em hospitais entre 08 de dezembro e 19 de janeiro.

Porém, este balanço contrasta com outras estimativas, nomeadamente da empresa britânica de análise da área da saúde Airfinity, que avançou que o número de mortes diárias por covid-19 na China poderia alcançar 36 mil durante as férias do novo ano.

No início de dezembro, as autoridades chinesas puseram fim a quase três anos da política de ‘covid zero’, que incluía testes em massa, quarentena em instalações designadas pelo Governo, a utilização de aplicações de rastreamento de contactos e o encerramento das fronteiras do país.

NR/HN/LUSA

Maláui esgota todas as vacinas que dispunha para combater surto de cólera

Maláui esgota todas as vacinas que dispunha para combater surto de cólera

“É verdade que já não temos vacinas contra a cólera. Utilizámos todas as vacinas que tínhamos. Estamos a falar com a OMS [Organização Mundial de Saúde] para receber outro carregamento”, disse o porta-voz do Ministério da Saúde do Maláui, Adrian Chikumbe, em declarações divulgadas hoje pelos meios de comunicação locais.

“Mas (…) não há garantia de que receberemos outro carregamento nos próximos dias”, lamentou Adrian Chikumbe.

A escassez mundial de vacinas orais contra a cólera, face aos 30 surtos declarados em 2022 no mundo, obrigou no passado mês de outubro o grupo de organizações que gerem as reservas internacionais (OMS, Médicos Sem Fronteiras, Federação Internacional da Cruz Vermelha e Unicef) a reduzir o número de doses administradas de duas para uma.

A razão do elevado número atual de infeções é a multiplicação de fenómenos climáticos extremos, tais como inundações, secas, bem como guerras e deslocamentos forçados de populações, que limitam o acesso à água potável.

Nos cinco anos anteriores, pelo contrário, menos de 20 países comunicaram situações de propagação de doenças.

Até agora, o surto de cólera no Maláui resultou em 28.132 infeções e 916 mortes, disseram as autoridades sanitárias do país africano na sexta-feira.

No final de novembro, o país lançou uma campanha de vacinação dirigida a 2,9 milhões de pessoas com mais de um ano de idade para travar o surto.

A cólera é uma doença diarreica aguda causada pela ingestão de alimentos ou água contaminada com o bacilo ‘vibrio cholerae’.

Segundo a OMS, esta doença continua a ser “uma ameaça global para a saúde pública e um indicador de desigualdade e de falta de desenvolvimento”.

NR/HN/LUSA

ONG venezuelana procura padrinhos portugueses para atender crianças em risco

ONG venezuelana procura padrinhos portugueses para atender crianças em risco

“Desde um pouco antes da pandemia (da covid-19), as coisas já se tinham complicado, ficando difíceis por causa da crise que estamos a atravessar (…) A Bambi é uma instituição que exige muito de nós, porque tentamos dar a estas crianças tudo o que elas precisam”, explicou a diretor de relações institucionais e angariação à Agência Lusa.

Maria Alexandra Muñoz-Tébar sublinhou que têm cinco lares em San Bernardino, Caracas, onde acolhem crianças que “estão vacinadas, têm educação privada” e outras coisas “que não teriam em casa se não fosse pela ajuda que lhes procuramos”.

“Eles recebem as suas refeições (diárias), têm sido formados, mas tem ficado muito difícil para nós, para as pessoas e instituições que nos ajudam, na Venezuela, por causa da crise. Por isso, nos últimos voltamo-nos para as pessoas do estrangeiro, é com a ajuda delas estamos hoje a sobreviver e a dar a estas pequenas crianças tudo o que elas merecem”, disse.

Por outro lado, “estamos à procura da comunidade portuguesa para que nos possam ajudar”.

“Que venham, que nos conheçam, que vejam o que fazemos, como o fazemos, e vão partir apaixonados e com vontade de nos ajudar, com o coração ‘inchado’ (sensibilizado), sabendo como é fácil ajudar”, disse.

Muñoz-Tébar sublinhou que têm “um belo programa” que se chama “Padrinho” e que consiste em “apadrinhar uma criança como afilhado, ajudar no seu sustento e visitá-la periodicamente”.

“Muitas das nossas crianças o que precisam é de amor, que o seu padrinho venha e lhes dê um abraço, que lhes chame no seu aniversário, e isso é tão valioso para nós como a contribuição económica que esse padrinho possa lhes dar”, explicou.

O apelo de Muñoz-Tébar vai também para a Embaixada de Portugal na Venezuela. “Quando as pessoas sabem de nós, do que fazemos, nos ajudam porque veem a qualidade do que fazemos (…) Bambi tem uma mais-valia que é a transparência. Sempre que quiserem podem vir e ver onde está a ajuda que nos dão, seja em bens (alimentares) ou em dinheiro”, disse.

“Temos tido bebés que chegaram com 24 horas de nascidos, que foram abandonados nos hospitais, deixados na rua, à porta de uma igreja, ou mesmo às portas da nossa instituição”, disse, precisando que acolhem 130 crianças nos cinco lares.

Segundo Dayany Sanchez os lares contam com “uma equipa multidisciplinar composta por assistentes sociais, educadores, médicos e psicopedagogos, que se dedicam a restaurar estes direitos abrangentes, principalmente baseados no amor e no afeto”.

As crianças, disse, chegam referidas pelos organismos competentes, conselhos de proteção, conselhos municipais e tribunais de proteção e são atendidas para que possam voltar a integrar-se às suas famílias, que recebem também atenção e são canalizadas para distintos programas.

“Temos um programa de colocação familiar e também oferecemos orientação em temas de adoção”, frisou, sublinhando que as crianças recebem formação em “ferramentas para a vida, formação académica, universitária, técnica e profissional”.

Da direção da Bambi faz parte também Federica Vinaccia, desde há mais de 20 anos. Começou como voluntária quando tinham apenas um lar e está cada vez mais “enamorada” do que fazem.

“São tempos complicados para conseguir recursos. Muitas coisas mudaram e as crianças hoje chegam em situações ainda mais difíceis, necessitando de operações (médicas), hospitalizações, e nós cobrimos todas essas necessidades”, disse à Lusa.

Orgulhosa, Federica diz que é também “avó Bambi”, de raparigas que cresceram naqueles lares e que agora têm filhos, e que continuam a telefonar-lhe no Dia da Mãe e de aniversário.

NR/HN/LUSA

Covid-19: Austrália vai exigir testes negativos a viajantes chineses

Covid-19: Austrália vai exigir testes negativos a viajantes chineses

A medida, que entra em vigor na quinta-feira, foi concebida para “proteger a Austrália do risco de potenciais novas variantes” e “a consequência da rápida evolução da situação na China”, disse o Ministro da Saúde australiano, Mark Butler.

Três anos depois de terem surgido os primeiros casos de coronavírus, em Wuhan (centro), a China pôs fim à política “zero covid”, sem aviso prévio, a 07 de dezembro.

Desde que as restrições foram levantadas, os hospitais chineses têm registado um afluxo de doentes.

“Esta medida é uma resposta à onda significativa de infeções de covid-19 na China e ao potencial para o aparecimento de variantes do vírus nesse país”, disse Butler.

“Felizmente, na Austrália temos acesso a vacinas e tratamentos e temos uma forte imunidade populacional”, acrescentou.

Mais de 97% dos adultos australianos receberam pelo menos uma dose de vacina contra a covid-19.

A Austrália junta-se assim a vários países europeus, incluindo França e Itália, bem como aos Estados Unidos, ao Japão, ao Canadá e Marrocos, na sequência de anúncios de que vão exigir testes negativos aos passageiros oriundos da China.

Por seu lado, os Estados-membros da União Europeia vão debater uma resposta comum na quarta-feira, anunciou no sábado a Suécia, que detém a presidência semestral da UE a partir de hoje.

NR/HN/LUSA