Ucranianos em Portugal lançam campanha para ajudar Hospital de Lviv

Ucranianos em Portugal lançam campanha para ajudar Hospital de Lviv

Em comunicado enviado à Lusa, aquela associação explica que a campanha pretende financiar a compra e instalação naquele hospital na Ucrânia de um gerador a diesel que garanta o fornecimento ininterrupto de energia à unidade de maternidade e departamento de cuidados intensivos e pós-intensivo de recém-nascidos, que custará 67 mil euros, de uma tubulação de oxigénio de maior diâmetro para a unidade de cuidados intensivos (29 mil euros) e de ventilação de alimentação e exaustão do sistema para a unidade de cuidados intensivos (83 mil euros).

A campanha foi lançada em ucraniaportugal.pt, estando já disponíveis vídeos, imagens e testemunhos sobre a situação atual do Hospital Regional de Lviv e os testemunhos de duas médicas.

As doações podem ser feitas através daquele sítio na internet, lembrando a associação a importância de todas as doações “por mais simbólicas que sejam”.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de quatro mil civis, segundo a ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior, e causou a fuga de mais de 16 milhões de pessoas, das quais mais de 5,9 milhões para fora do país.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

NR/HN/LUSA

ONU alerta que Seca, alterações climáticas e desflorestação têm efeitos graves na América Latina

ONU alerta que Seca, alterações climáticas e desflorestação têm efeitos graves na América Latina

O alerta foi dado ontem em Genebra, durante a apresentação do relatório o “O Estado do Clima na América Latina e Caraíbas 2021”, que chama a atenção para “os profundos impactos nos ecossistemas, na segurança alimentar e hídrica, na saúde humana e na luta (local) contra a pobreza”.

“As taxas de desflorestação foram as mais elevadas desde 2009, prejudicando o ambiente e dificultando os esforços de mitigação das alterações climáticas. Os glaciares andinos perderam mais de 30% da sua superfície em menos de 50 anos. E a mega-seca no centro do Chile é a mais persistente do último milénio”, explica.

Segundo o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, “os riscos hidrometeorológicos como secas, ondas de calor e frio, ciclones tropicais e inundações, causaram a perda de centenas de vidas, graves danos na produção agrícola e nas infraestruturas, e o deslocamento da população”.

“Se prevê que o aumento do nível do mar e o contínuo aquecimento dos oceanos continuem a afetar a subsistência, o turismo, a saúde, a alimentação, a energia e a segurança hídrica (…) Para muitas cidades andinas, o derretimento dos glaciares representa a perda de uma importante fonte de água doce que é agora utilizada para uso doméstico, irrigação e geração de energia hidroelétrica”, explicou.

Segundo Taalas “a contínua degradação da floresta tropical amazónica continua a ser uma grande preocupação para a região e para o clima global, dado o papel desta floresta no ciclo do carbono”.

Mário Cimoli, da Comissão Económica para a América Latina e Caraíbas (CEPAL) alertou que as alterações climáticas e “os efeitos combinados da pandemia da covid-19” afetaram “a biodiversidade da região”, fazendo “estagnar décadas de progresso contra a pobreza, a insegurança alimentar e a redução das desigualdades”.

Segundo o relatório a taxa média de aumento da temperatura foi de 0,2 °C por década entre 1991 e 2021, em comparação com 0,1 °C entre 1961 e 1990.

Os glaciares dos Andes tropicais perderam pelo menos 30% da sua superfície desde os anos 80 e alguns glaciares do Peru chegaram a perder mais de 50%. O recuo dos glaciares e a perda de massa de gelo agravaram o risco de escassez de água para a população andina e os ecossistemas.

O nível do mar subiu a um ritmo mais rápido do que à escala mundial, especialmente na costa atlântica da América do Sul, a sul do equador (3,52 ± 0,0 mm por ano de 1993 a 2021), no Atlântico Norte subtropical e no Golfo do México (3,48 ± 0,1 mm por ano de 1993 a 1991), ameaçando a população das zonas costeiras, contaminando os aquíferos de água doce, desgastando as costas, inundando as zonas baixas e aumentando o risco de tempestades.

A megasseca no Chile continuou por 13.º ano, tornando-se a mais longa no último milénio. Além disso, uma seca de vários anos na bacia Paraná-Plata, a pior desde 1944, afetou o Brasil e partes do Paraguai e da Bolívia.

Na bacia do Paraná-Plata, os danos à agricultura reduziram as colheitas de soja e milho, afetando os mercados agrícolas globais e, na América do Sul em geral, a seca causou um declínio de 2,6% na colheita de cereais em 2020/2021 em comparação com a época anterior.

2021 registou a terceira temporada de furação mais ativa do Atlântico e as chuvas extremas causaram inundações e deslizamentos de terras, ocasionando perdas significativas, centenas de mortos, dezenas de milhares de casas destruídas ou danificadas e centenas de milhares de pessoas deslocadas.

A desflorestação na floresta amazónica brasileira duplicou e atingiu o nível mais alto desde 2009. Em 2021, perdeu-se mais 22% de área florestal do que em 2020, explica o relatório.

Por outro lado, 7,7 milhões de pessoas na Guatemala, El Salvador e Nicarágua registaram níveis elevados de insegurança alimentar em 2021.

Segundo o relatório afirma é preciso reforçar os sistemas de alerta de perigos e os dois oceanos locais (Pacífico e Atlântico) estão a aquecer e a acidificar como resultado do dióxido de carbono.

 NR/HN/LUSA

Doze mortos em ataque russo contra cidade da região de Kiev

Doze mortos em ataque russo contra cidade da região de Kiev

Para Volodymyr Zelensky, chefe de Estado ucraniano, o ataque teve como alvo a população civil que se encontrava numa zona sem qualquer significado militar.

Segundo a polícia da Ucrânia, três mísseis atingiram um edifício de escritórios e afetaram também um prédio residencial na cidade localizada a sudoeste de Kiev.

O ataque provocou um incêndio que destruiu 50 automóveis que se encontravam num parque de estacionamento.

O Presidente da Ucrânia disse que morreram 12 pessoas, entre as quais uma criança, e que o ataque pretendeu “deliberadamente” aterrorizar os civis.

“A Rússia destrói todos os dias a população, matando crianças, dirigindo os mísseis contra alvos civis. Não são objetivos (militares). O que é isto se não um ato de terrorismo?”, questionou Zelensky num texto difundo hoje através do sistema de mensagens Telegram.

O ataque contra Vinnytsia ocorre depois da presidência ucraniana ter afirmado que os ataques da Rússia na quarta-feira provocaram a morte a cinco civis e ferimentos em oito pessoas.

LUSA/HN

Número de entradas na União Europeia está ao nível do pré-guerra

Número de entradas na União Europeia está ao nível do pré-guerra

“No que diz respeito aos fluxos de refugiados, a situação agora é estável. O número de passagens na fronteira entre a UE e a Ucrânia está ao mesmo nível que antes da guerra e da (pandemia da) covid-19”, disse Johansson à chegada a capital checa, onde se realiza hoje uma reunião informal dos ministros do Interior dos 27.

A comissária explicou que, neste momento, o número de entradas e saídas entre a UE e a Ucrânia é quase o mesmo.

“Acho que muitas pessoas (ucranianas) tomarão uma decisão (sobre voltar) antes do início das aulas (no outono)”, disse Johansson aos jornalistas.

Por outro lado, o ministro do Interior da República Checa, Vit Rakusan, cujo governo preside à União Europeia (UE) este semestre, disse hoje que ainda não está claro se o número de refugiados de guerra voltará a aumentar nas próximas semanas.

“Todos esperamos que a situação melhore, mas ainda não vemos o fim da guerra. Temos que estar preparados para novas ondas”, disse o ministro do Interior checo.

Rakusan sublinhou, a propósito, que alguns países da UE acolheram tantos refugiados que já estão no limite das suas capacidades, o que exige conversações a nível europeu sobre mais solidariedade e ajuda financeira.

De acordo com a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex), entre o início da guerra – em 24 de fevereiro – e o final de junho, mais de seis milhões de pessoas da Ucrânia, principalmente mulheres e menores, mudaram-se para a UE, enquanto cerca de 3,1 milhões retornaram ao seu país.

A maioria dos refugiados foi acolhida pela Polónia (1,2 milhões), Alemanha (670.000) e República Checa (388.000), segundo dados recentes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

LUSA/HN

Nobel Denis Mukwege pede “vontade política” contra violência sexual em conflitos

Nobel Denis Mukwege pede “vontade política” contra violência sexual em conflitos

“A violação e a violência sexual são usadas em todos os conflitos contemporâneos ao redor do mundo – como a situação atual na Ucrânia”, escreve, num comunicado à imprensa, o ginecologista da República Democrática do Congo, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2018 pelo seu trabalho a favor das mulheres que são vítimas de violação como arma de guerra.

“Notamos com amargura que muitas vezes falta vontade política, que os meios financeiros são insuficientes”, lamenta o médico.

Mukwege considera também que “a cultura da impunidade de que beneficiam os autores e instigadores destes atos desprezíveis continua a ser mais a norma do que a exceção”.

“Por isso, mais uma vez, exortamos a comunidade de Estados e doadores a mobilizar recursos humanos e financeiros para enfrentar as consequências da violência sexual cometida em tempos de conflito e a redobrar os seus esforços para evitar a repetição desses crimes”, apela.

Segundo Denis Mukwege, “é também fundamental (…) assegurar a promoção da igualdade de género e a participação política ativa das mulheres”.

“Aqueles que toleram ou ordenam a transformação dos corpos de mulheres e de meninas, mas também de homens e de meninos, em campo de batalha, devem ser ostracizados da comunidade internacional, sujeitos à proibição de viagens e de vistos, e os seus bens e recursos financeiros devem ser congelados sem mais demora”, pede Denis Mukwege.

NR/HN/LUSA

UE procura evitar impacto das sanções contra a Rússia na segurança alimentar

UE procura evitar impacto das sanções contra a Rússia na segurança alimentar

“Devemos permitir urgentemente que a Ucrânia exporte os seus cereais através do Mar Negro”, escreveu Josep Borrell (na imagem)  no seu blogue, aludindo à existência de “uma ‘batalha narrativa’ em torno das exportações russas de cereais e fertilizantes”.

Embora as sanções da UE “não sejam direcionadas contra essas exportações”, disse, garantiu que a UE está “pronta para trabalhar com a ONU e parceiros para evitar qualquer impacto indesejado na segurança alimentar mundial”, afirmou Borrell, ressalvando que as medidas restritivas dos 27 Estados-Membros não se aplicam aos alimentos.

A Rússia acusou o Ocidente de causar a atual crise de segurança alimentar, embora as sanções destes países não afetem os alimentos.

“Quando a máquina de propaganda russa afirma que somos responsáveis pela crise alimentar, não passam de mentiras cínicas, como tantas outras que essa máquina vem espalhando há muitos anos”, disse Borrell, considerando que esse cinismo “foi evidente quando a Rússia bombardeou o segundo maior silo de cereais da Ucrânia em Mykolaiv.”

“Todos aqueles que querem limitar a crise alimentar mundial devem, acima de tudo, ajudar-nos a aumentar a pressão sobre a Rússia para interromper a sua guerra de agressão”, afirmou, citado pela Agência EFE.

Borell defendeu que para evitar “uma calamidade alimentar global, a principal prioridade continua a ser interromper a guerra e tirar as tropas russas da Ucrânia”, assumindo ser esse o objetivo do apoio “maciço da UE à Ucrânia” e das medidas restritivas contra o regime de Putin.

No entanto, a Europa “nunca visou as exportações agrícolas e de fertilizantes russas” e não proíbe a Rússia de “exportar produtos agrícolas, o pagamento das referidas exportações russas ou o fornecimento de sementes, desde que as pessoas ou entidades sancionadas não estejam envolvidas”, disse o ex-ministro espanhol, lembrando que as medidas restritivas dos 27 não se aplicam fora da comunidade e não criam obrigações para operadores de fora da UE “salvo se o negócio seja levado a cabo, pelo menos, parcialmente, dentro da União Europeia”.

Borell disse estar em “contacto próximo com a ONU para estudar questões como a evasão de mercado e o excesso de conformidade, que podem afetar a compra de fertilizantes cereais russos” e que a Europa está pronta para discutir esses temas através de especialistas “para identificar obstáculos concretos, incluindo possíveis dificuldades em pagamentos, e trabalhar para encontrar soluções”.

O alto representante da UE sublinhou que as tropas russas “bombardeiam, exploram e ocupam terras aráveis na Ucrânia, atacam equipamentos agrícolas, armazéns, mercados, estradas, pontes e bloqueiam portos ucranianos, impedindo a exportação de milhões de toneladas de cereais para os mercados mundiais”.

“A Rússia transformou o Mar Negro numa zona de guerra, bloqueando os embarques de cereais e fertilizantes da Ucrânia, mas também afetando os navios mercantes russos”, lembrando que o país “também está a aplicar quotas e impostos às suas exportações de cereais”.

A escolha política “consciente da Rússia é transformar essas exportações em armas e usá-las como uma ferramenta para chantagear qualquer um que se oponha à sua agressão”, concluiu Josep Borrell.

NR/HN/LUSA