Surto de cólera mata 490 pessoas no Haiti desde outubro

Surto de cólera mata 490 pessoas no Haiti desde outubro

Segundo o último balanço oficial, reportado a sábado, as autoridades de saúde pública do Haiti confirmaram 1.742 casos de cólera, estando por verificar 24.536 suspeitas.

O número de internados com sintomas associados à cólera ascendeu a 20.505, desde que foi confirmado o primeiro caso, em 03 de outubro.

Os internados têm, em média, 20 anos, verificando-se uma especial incidência entre as crianças com entre um e nove anos.

Esta crise sanitária decorre numa altura em que a fome e a insegurança têm vindo a aumentar no país.

O Governo do Canadá já anunciou que vai enviar veículos blindados para aumentar a segurança no Haiti, em resposta ao pedido que lhe tinha sido endereçado.

O primeiro-ministro, Ariel Henry, avançou que o país vai começar a receber apoio financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) para responder à emergência alimentar.

NR/HN/LUSA

Projeto para a redução de 50% de quatro tipos de infeções hospitalares no Hospital de Braga

Projeto para a redução de 50% de quatro tipos de infeções hospitalares no Hospital de Braga

O Hospital de Braga participa novamente no Desafio Stop Infeção Hospitalar – Stop Infeção 2.0, uma iniciativa do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências a Antimicrobianos da Direção-Geral da Saúde (PPCIRA/DGS), em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) e com a orientação técnico-científica do Institute for Healthcare Improvement (IHI), cujo principal objetivo é a redução em 50% da incidência de quatro tipos de infeções hospitalares, até 2025. 

A Unidade Hospitalar Bracarense integra, assim, esta iniciativa, estando a constituir um grupo de trabalho, o qual será composto por um número alargado de profissionais de saúde de vários serviços, nomeadamente Medicina Intensiva, Medicina Interna, Ortopedia, Cirurgia Geral, Bloco Operatório.

Esta equipa irá utilizar uma metodologia baseada no modelo de melhoria contínua com o objetivo de reduzir para metade as infeções urinárias associadas a cateter vesical, as infeções relacionadas com cateter vascular central, as pneumonias associadas ao tubo endotraqueal e as infeções do local cirúrgico.

Importante referir que o “STOP Infeção 1.0” surgiu, em 2015, após Portugal ter sido considerado um dos países com maior incidência de infeções hospitalares, segundo o relatório “Um Futuro para a Saúde” (Fundação Calouste Gulbenkian), e obteve resultados notáveis em 3 anos, como a redução de mais de 50% da incidência nas quatro tipologias de infeções hospitalares, nas Instituições participantes, incluindo o Hospital de Braga.

Aproveitando o conhecimento e a experiência resultantes de ter integrado a anterior edição, o Hospital de Braga irá tentar maximizar e expandir os resultados positivos alcançados para, em conjunto com as restantes 21 Instituições, atingir este ambicioso objetivo.

PR/HN

Maláui esgota todas as vacinas que dispunha para combater surto de cólera

Maláui esgota todas as vacinas que dispunha para combater surto de cólera

“É verdade que já não temos vacinas contra a cólera. Utilizámos todas as vacinas que tínhamos. Estamos a falar com a OMS [Organização Mundial de Saúde] para receber outro carregamento”, disse o porta-voz do Ministério da Saúde do Maláui, Adrian Chikumbe, em declarações divulgadas hoje pelos meios de comunicação locais.

“Mas (…) não há garantia de que receberemos outro carregamento nos próximos dias”, lamentou Adrian Chikumbe.

A escassez mundial de vacinas orais contra a cólera, face aos 30 surtos declarados em 2022 no mundo, obrigou no passado mês de outubro o grupo de organizações que gerem as reservas internacionais (OMS, Médicos Sem Fronteiras, Federação Internacional da Cruz Vermelha e Unicef) a reduzir o número de doses administradas de duas para uma.

A razão do elevado número atual de infeções é a multiplicação de fenómenos climáticos extremos, tais como inundações, secas, bem como guerras e deslocamentos forçados de populações, que limitam o acesso à água potável.

Nos cinco anos anteriores, pelo contrário, menos de 20 países comunicaram situações de propagação de doenças.

Até agora, o surto de cólera no Maláui resultou em 28.132 infeções e 916 mortes, disseram as autoridades sanitárias do país africano na sexta-feira.

No final de novembro, o país lançou uma campanha de vacinação dirigida a 2,9 milhões de pessoas com mais de um ano de idade para travar o surto.

A cólera é uma doença diarreica aguda causada pela ingestão de alimentos ou água contaminada com o bacilo ‘vibrio cholerae’.

Segundo a OMS, esta doença continua a ser “uma ameaça global para a saúde pública e um indicador de desigualdade e de falta de desenvolvimento”.

NR/HN/LUSA

Teste do pezinho chega a quatro milhões de bebés e deteta 2.400 casos de doenças raras

Teste do pezinho chega a quatro milhões de bebés e deteta 2.400 casos de doenças raras

Os dados constam do relatório de 2021 do Programa Nacional de Rastreio Neonatal (PNRN), criado em 1979 e que rastreia atualmente 27 doenças, como o hipotiroidismo congénito, a fibrose quística, a drepanocitose (através de um estudo-piloto) e outras 24 hereditárias do metabolismo.

Segundo os dados agora divulgados, em 2021, essas patologias foram rastreadas em 79.217 recém-nascidos e diagnosticados 82 casos positivos, 42 casos de doenças hereditárias do metabolismo, 35 de hipotiroidismo congénito e cinco de fibrose quística.

Comparativamente com o ano anterior (2020), foram “rastreados menos 6.239 recém-nascidos e no total diagnosticados menos 10 casos”, adianta o documento da autoria da comissão executiva do PNRN.

Entre 2011 e 2021, o número de casos positivos detetados tem oscilado entre o máximo de 92 em 2020 e os 55 em 2015.

“Um indicador importante de um programa de rastreio neonatal é a sua taxa de cobertura, que deve ser universal e estar o mais próximo de 100%. O PNRN aproximou-se muito rapidamente deste objetivo, sendo de salientar que, desde 1993, rastreia mais de 99% dos recém-nascidos em Portugal”, sublinham os responsáveis do programa.

O relatório refere ainda que as colheitas do “teste do pezinho” são efetuadas na sua grande maioria (87,6%) nos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde, “mas tem-se verificado um ligeiro aumento do seu número nos hospitais privados”, que passaram das 6.931 em 2013 para 9.797 em 2021.

Os dados indicam também que o tempo médio do início do tratamento, após o nascimento, baixou dos 11,1 dias em 2011 para os 9,3 dias em 2021, “o mais baixo de sempre”, e que a percentagem de amostras recolhidas ao terceiro dia de vida passou dos 20% para os 23% nesse período.

Para ampliar o PNRN, em 2021 iniciou-se um estudo-piloto para o rastreio da drepanocitose, uma doença genética que afeta a produção de hemoglobina e cuja deteção precoce permite adotar medidas terapêuticas que reduzem a morbilidade e mortalidade.

“Em Portugal, o fluxo migratório fez com que o peso da doença tenha vindo a aumentar e, além dos imigrantes provenientes de África e América Latina, também o Sudoeste asiático tem contribuído para o aumento de imigrantes em Portugal e consequentemente para a disseminação de hemoglobinopatias, como é o caso da drepanocitose”, refere o relatório.

Em março de 2021, iniciou-se o rastreio da drepanocitose no Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) e, de maio a dezembro desse ano, nos distritos de Lisboa e Setúbal, foram rastreados 21.731 recém-nascidos e identificados 22 casos da doença.

“Todos os casos positivos do rastreio foram devidamente reportados a um dos quatro centros de tratamento definidos para avaliação clínica, confirmação do resultado do rastreio e acompanhamento do doente em causa”, salienta ainda o relatório.

Este estudo pretende rastrear 100 mil recém-nascidos no espaço temporal de um a dois anos para determinar a prevalência ao nascimento da drepanocitose em Portugal.

“O “teste do pezinho” oferece à população o rastreio neonatal de patologias, cujo diagnóstico precoce permite mudar a história natural da doença rastreada, transformando uma doença grave e comprometedora da qualidade de vida da criança e sua família de um modo positivo”, salienta a comissão executiva do programa.

Após a quebra histórica da natalidade em 2021, Portugal voltou a ultrapassar a barreira dos 80.000 nascimentos em 2022, ano em que foram estudados 83.436 recém-nascidos no âmbito do PNRN, adiantou o INSA recentemente.

NR/HN/LUSA

Subida de caudal de rio no sul de Moçambique destrói 800 hectares de culturas

Subida de caudal de rio no sul de Moçambique destrói 800 hectares de culturas

Entre as culturas destruídas, segundo a administradora do distrito da Manhiça, está o milho, mandioca, feijão e batata, prejuízos que vão afetar diretamente pelo menos 95 famílias camponesas daquele distrito da província de Maputo.

“Temos estado a orientar as populações para que façam a colheita daquelas culturas que possam ainda estar em condições e também temos orientado as pessoas para que saiam das zonas consideradas de risco”, declarou a administradora do distrito da Manhiça, Maria Fernanda, citada hoje pela Rádio Moçambique.

Na última semana, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) alertou para a subida do caudal dos rios Incomáti, Maputo e Umbeluzi (no sul) devido a descargas na África do Sul e Essuatíni, países que estão a “100% do nível de armazenamento nas grandes barragens”.

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) de Moçambique posicionou 10 embarcações na província de Maputo para fazer face a uma eventual subida do caudal dos três rios.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

Em novembro deste ano, o INGD anunciou que precisava de 7,4 mil milhões de meticais (112 milhões de euros) para a época das chuvas 2022/2023, período em que se prevê que pelo menos 2,2 milhões de pessoas sejam afetadas.

O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas do Idai e Kenneth, dois dos maiores ciclones de sempre a atingir o país.

NR/HN/LUSA

ONG venezuelana procura padrinhos portugueses para atender crianças em risco

ONG venezuelana procura padrinhos portugueses para atender crianças em risco

“Desde um pouco antes da pandemia (da covid-19), as coisas já se tinham complicado, ficando difíceis por causa da crise que estamos a atravessar (…) A Bambi é uma instituição que exige muito de nós, porque tentamos dar a estas crianças tudo o que elas precisam”, explicou a diretor de relações institucionais e angariação à Agência Lusa.

Maria Alexandra Muñoz-Tébar sublinhou que têm cinco lares em San Bernardino, Caracas, onde acolhem crianças que “estão vacinadas, têm educação privada” e outras coisas “que não teriam em casa se não fosse pela ajuda que lhes procuramos”.

“Eles recebem as suas refeições (diárias), têm sido formados, mas tem ficado muito difícil para nós, para as pessoas e instituições que nos ajudam, na Venezuela, por causa da crise. Por isso, nos últimos voltamo-nos para as pessoas do estrangeiro, é com a ajuda delas estamos hoje a sobreviver e a dar a estas pequenas crianças tudo o que elas merecem”, disse.

Por outro lado, “estamos à procura da comunidade portuguesa para que nos possam ajudar”.

“Que venham, que nos conheçam, que vejam o que fazemos, como o fazemos, e vão partir apaixonados e com vontade de nos ajudar, com o coração ‘inchado’ (sensibilizado), sabendo como é fácil ajudar”, disse.

Muñoz-Tébar sublinhou que têm “um belo programa” que se chama “Padrinho” e que consiste em “apadrinhar uma criança como afilhado, ajudar no seu sustento e visitá-la periodicamente”.

“Muitas das nossas crianças o que precisam é de amor, que o seu padrinho venha e lhes dê um abraço, que lhes chame no seu aniversário, e isso é tão valioso para nós como a contribuição económica que esse padrinho possa lhes dar”, explicou.

O apelo de Muñoz-Tébar vai também para a Embaixada de Portugal na Venezuela. “Quando as pessoas sabem de nós, do que fazemos, nos ajudam porque veem a qualidade do que fazemos (…) Bambi tem uma mais-valia que é a transparência. Sempre que quiserem podem vir e ver onde está a ajuda que nos dão, seja em bens (alimentares) ou em dinheiro”, disse.

“Temos tido bebés que chegaram com 24 horas de nascidos, que foram abandonados nos hospitais, deixados na rua, à porta de uma igreja, ou mesmo às portas da nossa instituição”, disse, precisando que acolhem 130 crianças nos cinco lares.

Segundo Dayany Sanchez os lares contam com “uma equipa multidisciplinar composta por assistentes sociais, educadores, médicos e psicopedagogos, que se dedicam a restaurar estes direitos abrangentes, principalmente baseados no amor e no afeto”.

As crianças, disse, chegam referidas pelos organismos competentes, conselhos de proteção, conselhos municipais e tribunais de proteção e são atendidas para que possam voltar a integrar-se às suas famílias, que recebem também atenção e são canalizadas para distintos programas.

“Temos um programa de colocação familiar e também oferecemos orientação em temas de adoção”, frisou, sublinhando que as crianças recebem formação em “ferramentas para a vida, formação académica, universitária, técnica e profissional”.

Da direção da Bambi faz parte também Federica Vinaccia, desde há mais de 20 anos. Começou como voluntária quando tinham apenas um lar e está cada vez mais “enamorada” do que fazem.

“São tempos complicados para conseguir recursos. Muitas coisas mudaram e as crianças hoje chegam em situações ainda mais difíceis, necessitando de operações (médicas), hospitalizações, e nós cobrimos todas essas necessidades”, disse à Lusa.

Orgulhosa, Federica diz que é também “avó Bambi”, de raparigas que cresceram naqueles lares e que agora têm filhos, e que continuam a telefonar-lhe no Dia da Mãe e de aniversário.

NR/HN/LUSA