João Sequeira Carlos: Médicos de MGF “irão identificar-se imediatamente com os temas que vão ser abordados” no Encontro na Luz

João Sequeira Carlos: Médicos de MGF “irão identificar-se imediatamente com os temas que vão ser abordados” no Encontro na Luz

 

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O Encontro na Luz tem como público-alvo os médicos de Medicina Geral e Familiar, conta com um programa “organizado com um modelo inovador”, ao incluir formação em auditório e uma componente prática num centro de simulação, e espelha a organização de cuidados nas unidades da Luz Saúde, em que os cuidados de saúde primários fazem parte da rede hospitalar in loco. Por isso, no dia 12 de novembro, João Sequeira Carlos, médico de família e diretor do Serviço de MGF do Hospital da Luz Lisboa, quer ver a sua especialidade em peso no evento. Até porque “os colegas de MGF, ao verem o programa, irão identificar-se imediatamente com os temas que vão ser abordados”, com os quais lidam diariamente.

HealthNews (HN)- Duas ou três razoes pelas quais os médicos de família devem frequentar estas formações.

João Sequeira Carlos (JSC)- Desde logo, porque este evento tem como público-alvo os médicos de família. É dirigido a médicos que trabalhem no âmbito de cuidados de saúde primários. E porque foi um programa construído e organizado com um modelo inovador. Quando falamos de modelo inovador, não significa que não existam eventos similares, mas a grande novidade que este traz é ter uma componente prática, cujo palco será o centro de formação e simulação do Hospital da Luz. Vamos poder estar inseridos num centro pioneiro, mesmo em contexto internacional, por estar ligado a um centro médico académico baseado num hospital privado. Como tal, tem o equipamento mais avançado, mais inovador, com tecnologia de última geração, do qual vamos poder usufruir nas sessões práticas deste programa híbrido, com formação também em auditório.

O terceiro fator é o aspeto organizacional. O evento é um espelho da organização de cuidados no Hospital da Luz, em que há uma coordenação de cuidados entre a Medicina Geral e Familiar e as especialidades hospitalares, com a vantagem de estarmos na mesma estrutura física. O evento transparece este aspeto inovador, não apenas na componente formativa em equipa multidisciplinar, mas também no contacto direto com esta realidade organizativa: os cuidados de saúde primários fazem parte da rede hospitalar in loco, apoiados pelo pilar da formação e do ensino, num ambiente de última geração.

Vai ser transversal a todo o programa de formação esta proximidade, não só aos nossos doentes, como entre as equipas que constituem os grupos multidisciplinares de prestação de cuidados de saúde no Hospital da Luz.

HN- Olhando para o programa como médico de Medicina Geral e Familiar, é clara a pertinência dos temas escolhidos?

JSC- Estou convicto de que os colegas de MGF, ao verem o programa, irão identificar-se imediatamente com os temas que vão ser abordados. Quem faz consulta de Medicina Geral e Familiar percebe imediatamente que são problemas de saúde relevantes, que constituem motivos de consulta frequentes nos cuidados de saúde primários. São temas com que lidamos diariamente.

Está bem patente no programa o continuum de cuidados, desde a medicina preventiva e promoção da saúde ao tratamento e gestão de doença crónica, por vezes até avançada. É inevitável falar, por exemplo, da questão do risco cardiovascular. Nós sabemos o quão importante esta temática é na prática clínica da Medicina Geral e Familiar, em que não vemos apenas doentes, vemos também pessoas saudáveis, nas quais temos uma oportunidade única de atuar ao nível da prevenção e da identificação de risco – neste caso, risco cardiovascular.

Não há doentes a quem não tenhamos de incluir nas consultas de avaliação a abordagem do risco cardiovascular. Até em pessoas saudáveis e em idades muito jovens é preciso estratificar o risco, avaliar a predisposição para algumas doenças cardiovasculares, corrigir riscos identificados e tratar problemas que podem causar, potencialmente, uma doença ou um evento cardiovascular agudo. Diria que esta é uma sessão bandeira da Medicina Geral e Familiar e da forma como se concretiza a coordenação entre cuidados de saúde primários e cuidados de saúde hospitalares. Esta é claramente uma área de coincidência de esforços, de trabalho em equipa e de cuidados prestados numa perspetiva multidisciplinar. Queremos dar a conhecer como é feito este trabalho no Grupo Luz Saúde e no nosso hospital.

Ainda na área da medicina preventiva, falaremos dos rastreios – um tema forte e sempre atual. Realmente, o título da sessão diz tudo: “Rastreios oncológicos: quais, como e quando?”. Quando há tantas áreas cinzentas, quando há evidência do que tem uma boa relação custo-benefício, importa identificar as ações e os procedimentos que devem integrar programas de rastreios oncológicos – nos quais o médico de família está na primeira linha para acionar e executar – e quais são aqueles em que a evidência não é robusta ou é inexistente. Mais uma vez, vamos ter a perspetiva de equipas multidisciplinares. Especialistas de MGF e médicos de especialidades hospitalares, nomeadamente da Oncologia, vão-nos dar a conhecer a sua perspetiva sobre os rastreios oncológicos.

Mas, neste evento, não falamos somente da prevenção da doença e da promoção da saúde. Na sessão que vou moderar, entramos no âmbito da doença com a abordagem da tosse.  O tema é interessantíssimo, tendo sido já abordado neste tipo de reuniões que aproximam as especialidades hospitalares da especialidade de MGF. Pela sua importância, tinha de estar presente, porque é uma das queixas mais recorrentes em consulta médica e representa um verdadeiro desafio. A pergunta da sessão lança um repto: quem trata? Temos colegas de várias especialidades para responder, desde a Pneumologia à Gastroenterologia, à Alergologia e à Otorrinolaringologia.

Em todo o mundo, a tosse é dos sintomas que motivam mais idas ao médico, e nem falo apenas da era pandémica, em que estava imediatamente associada à doença Covid-19. Falo da tosse como um todo, como um sintoma que pode estar associado a problemas de várias origens. Isto é muito interessante, porque parece simples, mas tem uma complexidade tremenda, exigindo um trabalho de equipa, porque é nos cuidados de saúde prestados numa lógica multidisciplinar que se encontra a melhor resposta na abordagem destes doentes. Falo por experiência própria. Como médico de família no Hospital da Luz Lisboa há 16 anos, deparo-me frequentemente com este problema e já vivenciei a abordagem multidisciplinar nesta área, que permite chegar a um consenso, a uma resposta e a uma solução terapêutica para o doente.

Curiosamente, o mais difícil na abordagem deste problema é a etiologia estar por vezes fora do aparelho respiratório. Os doentes associam muito a tosse aos pulmões. Esse é o grande receio de um doente que vai à consulta com tosse – ter uma doença pulmonar. Quando abordamos estes doentes, explicando as bases fisiopatológicas do reflexo da tosse, mostrando inclusivamente como é que se desencadeia o sintoma, esclarecemos as suas dúvidas, ajudando a perceber que a origem pode ser outra. Falo de forma mais apaixonada deste tema e desta sessão não só porque estou a moderar, mas porque já acompanhei o processo e a marcha diagnóstica em muitos doentes, envolvendo as especialidades implicadas. É efetivamente interessante como algo aparentemente tão simples pode ser tão complexo.

Além disso, estará em discussão a questão da ansiedade e da depressão. Embora hoje se use muito o termo saúde mental, aqui falamos já de doença mental, como é o caso da perturbação de ansiedade e da depressão, em que se pergunta se serão mesmo as doenças do século e se as podemos evitar. Quando perguntamos se as podemos evitar, falamos da promoção da saúde mental e de como prevenir a doença mental. Quando falamos de doença estabelecida, discutimos a melhor forma de a abordar e a melhor solução para a tratar, ou como ter um plano de cuidados para contemplar a abordagem do doente com ansiedade e depressão. Vamos ter a participação ativa da Medicina Geral e Familiar, da Psiquiatria e da Psicologia Clínica. É nesta tríade que deve estar assente uma resposta sólida ao doente com estes problemas de saúde. Nesta sessão, vamos ter dois médicos de família: um moderador, especialmente ligado ao programa de médicos associados, e um preletor, com interesse e prática nesta área.

Este é um tema forte. A saúde mental e a doença mental ganharam um relevo especial com a pandemia, não só porque os doentes que já seguíamos nestas áreas viram agudizados os seus problemas crónicos, mas também porque quem não sofria de problemas nesta área passou a ter manifestações de ansiedade, depressão, humor deprimido e variações do humor relacionadas com todas as condicionantes que a pandemia veio impor à sociedade. Como tal, é uma temática pertinente, oportuna e que surge em tempo certo neste fórum de partilha de conhecimentos.

Ainda na parte da manhã, teremos uma conferência proferida pela CEO do Grupo Luz Saúde, Engenheira Isabel Vaz, que nos vai falar sobre “A importância da MGF em ambiente hospitalar | Passado, Presente e Futuro”. É um momento a não perder. É fundamental, porque a pessoa que dirige e lidera o Hospital da Luz sempre acreditou na importância de ter a Medicina Geral e Familiar dentro de um hospital, que foi algo pioneiro e inovador em Portugal. Apesar de haver experiências episódicas e similares no setor privado, nunca se tinha constituído um Serviço de Medicina Geral e Familiar dentro de um hospital. Vai ser certamente uma conferência inspiradora.

A tarde também reserva temas muito pertinentes. Serão abordados problemas de saúde com que nos deparamos muitas vezes na nossa consulta, ou áreas nas quais o médico de família tem de ter conhecimento para poder coordenar o continuum de cuidados. Mesmo que os doentes sejam referenciados a uma especialidade hospitalar, é fundamental sabermos como decorre a abordagem de um doente na Gastroenterologia quando vai ser sujeito a um estudo endoscópico. No ambiente de formação e simulação, é importante saber como é que alguns problemas de saúde agudos ou crónicos são abordados em equipa multidisciplinar, como é também o caso da insuficiência cardíaca, da síncope, da enxaqueca ou da fibrilhação auricular. Vamos ter apresentação de casos clínicos, numa abordagem prática e inovadora, sempre combinados com cenários de simulação. Posso garantir que serão experiências formativas memoráveis.

HN- Quais são os principais problemas que enfrenta hoje a Medicina Geral e Familiar?

JSC- Primeiro que tudo, não posso isolar a minha especialidade. Esta resposta tem de incluir também as outras especialidades. O que aflige a Medicina Geral e Familiar aflige também outras especialidades, numa conjuntura de saúde sistémica que não é simples. Desde logo porque é crescente a prevalência de doenças crónicas complexas. Os nossos doentes são cada vez mais idosos e sobrevivem a doenças de maior complexidade, pelo que a multimorbilidade é um dos principais desafios para os sistemas de saúde.

A medicina não é uma prática individual, de uma pessoa só, mas de equipa, e de equipas multidisciplinares. E estas devem ser cada vez mais multiprofissionais. O envolvimento de diversas profissões de saúde pode dar um importante contributo na abordagem de doentes cada vez mais complexos, a que o sistema de saúde tem de responder. Diria que o problema principal é o atual cenário epidemiológico das doenças crónicas, a que se somou algo que nos surpreendeu, a pandemia Covid-19.

Os sistemas de saúde têm de estar melhor preparados em força de trabalho e em capacidade técnico-científica, com resposta eficaz e acessibilidade adequada em unidades de saúde de proximidade à população que tem necessidades cada vez mais complexas. E o desafio é enorme, resultante de uma conjuntura única: mais tecnologia médica, população a envelhecer, mais carga de doença crónica, num cenário em que a capacidade dos sistemas e os recursos são finitos. Nesse sentido, é na garantia de sustentabilidade do sistema de saúde que tem de estar assente a sua gestão e a prática clínica.

Nesta dimensão “macro”, há desafios com que se depara especialmente a Medicina Geral e Familiar. A dificuldade em fixar profissionais é um deles. É claro que não podemos esconder que o problema aflige principalmente o Serviço Nacional de Saúde, mas, numa perspetiva sistémica, não posso deixar de falar desse tema.

Por outro lado, se não houver bem-estar dos profissionais de saúde, estes não poderão estar em condições ideais para tratar os doentes. O problema foi bem evidenciado durante a pandemia. Não que o fenómeno da exaustão profissional, da exaustão emocional, o chamado burnout, não existisse já, mas foi nesta fase um elemento mais percetível e menos ocultado. Estamos a falar de um fator crítico para a resiliência do próprio sistema e para a capacidade de resposta dos sistemas de saúde, bem identificado a nível internacional. No dia em que os profissionais de saúde não estiverem bem, o sistema poderá ter um elo fraco nesta cadeia importante, que tem de estar fortalecida. Mais uma vez, não só na Medicina Geral e Familiar.

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Anabela Raimundo: Sessões práticas do Encontro na Luz “promovem interação entre diferentes especialidades e maior aprofundamento do conhecimento”

Anabela Raimundo: Sessões práticas do Encontro na Luz “promovem interação entre diferentes especialidades e maior aprofundamento do conhecimento”

Anabela Raimundo é uma das formadoras do “Encontro na Luz”, evento dedicado aos cuidados de saúde primários, que o Hospital da Luz Lisboa acolhe a 12 de novembro. Em entrevista ao HealthNews, a médica internista desvenda parte dos planos desta sessão, na parte da tarde, que conduzirão os médicos de Medicina Geral e Familiar ao Centro de Formação e Simulação do Hospital da Luz Learning Health. E conclui: “Estamos cá para transmitir conhecimento e para ouvir, para interagir uns com os outros e passar um dia em que temos a ciência e o doente no centro da prestação de cuidados. Mas, acima de tudo, para fortalecermos as relações humanas entre todos nós.”

HealthNews (HN)- Qual a pertinência das sessões práticas do dia 12 de novembro?

Anabela Raimundo (AR)- As sessões práticas promovem uma interação entre as diferentes especialidades e um maior aprofundamento do conhecimento, que se torna mais sedimentado quando posto em prática.

HN- Porquê os temas insuficiência cardíaca, síncope e cefaleia?

AR- A síncope e as cefaleias são queixas muito comuns no serviço de urgência e na consulta ambulatória. É algo com que o médico generalista se depara com muita frequência. Como tal, dar ferramentas e atualizar conhecimentos pareceu-nos pertinente numa sessão de um dia dedicado à Medicina Geral e Familiar.

Em relação à insuficiência cardíaca, é um tema um pouco mais complexo, diria eu, mas é também muitas vezes diagnosticada no âmbito da Medicina Geral e Familiar. Além disso, o tema tem sofrido muitas atualizações nos últimos tempos, com novas guidelines, novos medicamentos e uma mudança de perspetiva importante nesta área, do ponto de vista terapêutico, o que tem também implicações em termos de prognóstico e de seguimento dos doentes.

HN- Será formadora na sessão “Síncope e cefaleia súbita: simulação de casos clínicos de urgência”. Também participará no momento “Insuficiência cardíaca, Clinical escape games, Hospital getaway”?

AR- Eu vou elaborar os casos clínicos da síncope e da cefaleia súbita e, depois, vou também fazer parte dos instrutores do clinical escape games, hospital getaway – um conceito completamente inovador, desenvolvido numa parceria entre o Hospital da Luz Learning Health e outras duas empresas, a Nobox e a Uphill, que vai trazer novidades do ponto de vista da formação.

Têm-se tornado populares os escape games feitos de forma lúdica por pessoas que se organizam em grupos e participam. Foi decidido adaptar este conceito à medicina, em que as riddles utilizadas são médicas. Ou seja, é preciso ter conhecimento médico para poder resolver os enigmas e avançar dentro da história contada no escape game. Isto associa dois conceitos distintos: a parte lúdica e a parte científica. Este conceito já foi colocado em prática com vários grupos de médicos das mais variadas áreas e tem sido extremamente popular e muito agradável e rewarding a maneira como as pessoas aderem e querem participar nestes jogos.

Além deste conceito mais de conhecimento e de aprendizagem, de ciência pura e dura, há uma aprendizagem, análise e desenvolvimento de soft skills. Nestes jogos, é muito importante a liderança, a interação entre as equipas, o comportamento em ambientes estranhos e exigentes, porque às vezes as pessoas não se conhecem entre si e não estão habituadas a trabalhar em equipa. Tudo isso é um desafio tremendo. Há várias vertentes que me parecem extremamente atrativas e aliciantes neste jogo.

HN- Que mais prepararam para a prática?

AR- Este clinical escape game será da área da insuficiência cardíaca, essencialmente. Haverá depois alguma simulação de casos clínicos da urgência, os da síncope e cefaleia. As pessoas poderão escolher dois grupos, sendo que haverá rotatividade entre sessões ao longo da tarde, para poderem participar em várias coisas diferentes. Há ainda um caso clínico de fibrilhação auricular, pela Arritmologia, uma parte de gastroscopias com os colegas da Gastroenterologia e um simpósio satélite. Portanto, as pessoas escolhem duas destas cinco possibilidades e vão rodando entre si para poderem participar em pelo menos duas atividades.

HN- O que é que gostaria de transmitir aos médicos de Medicina Geral e Familiar que participarem?

AR- Acho que há aqui duas vertentes muito importantes. Uma é a aproximação entre as diferentes especialidades: especialidades generalistas, mais de ambulatório, com as especialidades mais hospitalares. A boa comunicação entre estas especialidades é muito importante e facilita muito o tratamento e o seguimento dos doentes. O importante são as pessoas. E a maneira como as pessoas interagem, se ligam e conseguem dialogar sobre os doentes e a ciência é fundamental à boa prática médica.

Importa também a transmissão de conhecimentos e a atualização de algumas coisas que são mais ou menos habituais na prática clínica, mas que, obviamente, podem sempre ser aperfeiçoadas e melhoradas ao longo do tempo e com a aquisição de novos conhecimentos. Especialmente nesta área da insuficiência cardíaca, como já referi, há algumas novidades importantes. E a atualização científica é algo que um médico persegue e deve manter ao longo de toda a sua vida.

Por outro lado, é também mostrar o Hospital da Luz e todas as suas capacidades formativas, a sua capacidade de interação com estes colegas e a disponibilidade para os receber e fazer um seguimento adequado e correto dos doentes em parceria.

HN- Qual é o papel do médico de família no acompanhamento da síncope, da cefaleia e da insuficiência cardíaca?

AR- A síncope e a cefaleia súbita são duas patologias que muitas vezes surgem no serviço de urgência e onde o médico generalista está, e este é o primeiro médico a fazer a sua abordagem. A valorização das queixas do doente deve levar a um adequado seguimento do doente.

São sintomas que podem ser altamente enganadores. Uma adequada triagem e abordagem inicial permite aliviar uma série de complicações e prevenir a morbimortalidade muito significativa.

Estes diagnósticos vão da gravidade zero ao risco de morte, por isso é fundamental um adequado seguimento destas patologias, para evitar problemas. Seguimento, triagem e uma alta ou internamento adequados, isso é fundamental. Há pequenos sintomas iniciais que, se forem adequadamente avaliados e pedidos os exames certos, permitem fazer um diagnóstico mais precoce e o seguimento mais adequado, com a instituição de terapêuticas adequadas, evitando o agravamento da patologia e uma evolução mais rápida da doença.

A insuficiência cardíaca é muitas vezes diagnosticada numa fase avançada por serem desvalorizados os sintomas iniciais, que são razoavelmente comuns, como o cansaço e o edema dos membros inferiores. Um alerta para esta patologia, que pelo envelhecimento da nossa população se tem vindo a tornar cada vez mais frequente, é muito importante e permitirá um diagnóstico mais precoce.

HN- O que é que destacaria no centro de formação e simulação do Hospital da Luz Learning Health?

AR- É difícil salientar algo porque o centro, além de ser um dos maiores da Península Ibérica, tem uma enorme variedade de equipamentos. É um centro de excelência, com uma variedade brutal de cenários, modelos e possibilidades de formação, e tem um material humano também muito significativo, com formadores de todas as áreas, desde a pediatria à ginecologia/obstetrícia, passando pela cirurgia geral, cuidados intensivos, etc., que o torna muito diferenciado, permitindo simulação imersiva ao mais alto nível.

Em resumo, acho que o que se destaca mesmo é a qualidade e a inovação. Essas são as palavras essenciais.

HN- Quer deixar uma nota final?

AR- Gostaria muito que as pessoas viessem com espírito aberto para aprender, para partilhar experiências e para se divertirem. Estamos cá para transmitir conhecimento e para ouvir, para interagir uns com os outros e passar um dia em que temos a ciência e o doente no centro da prestação de cuidados. Mas, acima de tudo, para fortalecermos as relações humanas entre todos nós.

HN/RA

Encontro na Luz: José Roquette convida médicos de MGF a aprofundar conhecimentos no Centro de Simulação

Encontro na Luz: José Roquette convida médicos de MGF a aprofundar conhecimentos no Centro de Simulação

“Do ponto de vista clínico, é um Encontro muito rico e em que procuramos estar sempre em diálogo com os nossos colegas que venham assistir e participar. Debater opções terapêuticas, referenciação, vigilância e tratamentos em cada uma dessas áreas e em patologias específicas é o nosso principal objetivo nestas sessões”, disse ao HealthNews o Presidente do Conselho Clínico Superior da Luz Saúde, José Roquette.

HealthNews (HN)- Como é que surgiu a ideia deste Encontro na Luz?
José Roquette (JR)- A ideia surgiu na sequência de um programa que nós desenvolvemos praticamente desde a abertura do hospital, dirigido aos médicos associados, aos colegas que não trabalham no Hospital, mas que referenciam para o Hospital da Luz, para diagnóstico ou terapêutica. Muitos deles são médicos de Medicina Geral e Familiar, com quem, durante muito tempo, fizemos reuniões mensais. Com a pandemia, tivemos de suspender as reuniões presenciais. Passámos aos encontros à distância, online e em streaming, e o sucesso não foi grande. Portanto, a certa altura, decidimos que, em vez de voltarmos às reuniões mensais, deveríamos recomeçar estes nossos encontros com uma grande reunião anual.

Organizamos agora este encontro com esse fim: juntar os colegas que são nossos médicos associados, chamar para o hospital os MGF da zona de Lisboa e da zona Sul, e debater com eles os problemas que normalmente lhes surgem, quais são as maneiras de resolver os problemas clínicos mais frequentes e em que medida é que o Hospital da Luz tem a possibilidade de interagir com eles, no sentido de os ajudar a resolver esses problemas. Em simultâneo, mostrar-lhes quais são as últimas inovações que o Hospital tem e que lhes podem permitir tratar com melhor qualidade os seus pacientes.

HN- Porque é que decidem dirigir-se essencialmente à Medicina Geral e Familiar?
JR- Porque a estrutura da Medicina Geral e Familiar, muitas vezes, precisa de apoios complementares além da área clínica. Esses apoios complementares, por vezes, são difíceis de obter em ambiente público, porque demoram, porque é difícil a relação, porque há muita burocracia. Os colegas da Medicina Geral e Familiar, assim, sabem que há um sítio onde podem solicitar o tratamento para os seus doentes e acompanhar de perto todo o percurso que eles fazem connosco, contactando com os seus colegas especialistas hospitalares com facilidade e acedendo aos resultados de exames e relatórios.

HN- O que vai acontecer exatamente neste Encontro de 12 de novembro próximo?
JR- Vamos ter sessões clínicas para discutir casos concretos de Neurologia, Gastrenterologia e Cardiologia, entre outros, com especialistas Hospital da Luz. Do ponto de vista clínico, é um Encontro muito rico e em que procuramos estar sempre em diálogo com os nossos colegas que venham assistir e participar. Debater opções terapêuticas, referenciação, vigilância e tratamentos em cada uma dessas áreas e em patologias específicas é o nosso principal objetivo nestas sessões.

Por outro lado, teremos ainda oportunidade de oferecer aos nossos participantes sessões de formação em ambiente de simulação, no Centro de Simulação do Hospital da Luz Learning Health. Temos um centro de formação altamente equipado, que permite o treino de aptidões e procedimentos clínicos, bem como o desenvolvimento de formação em áreas muito concretas. Têm de vir conhecer o nosso Centro de Simulação. É muito disruptivo e estimulante na prática médica.

HN- Pode ser mais concreto? O que tem, de facto, de mais inovador este centro de formação e simulação do Hospital da Luz?
JP- São 1200 m² de um hospital (de simulação) dentro do Hospital da Luz, que nos dão uma visão global do que é a formação e como é que ela deve ser feita. Já não se pode martirizar os doentes, como acontecia quando eu estava em formação, em que entravam 30 alunos numa sala e todos iam palpar a barriga de um doente. Sempre que possível, temos de substituir tudo o que é a formação clínica, a observação do doente, o exame objetivo e determinados procedimentos que já referi por processos de simulação, que criam um ambiente muito realista e permitem uma imersão completa no ambiente da prestação de cuidados, tal como se ela estivesse a acontecer com doentes reais.

No nosso Hospital, esses processos de simulação estão complemente padronizados. Temos equipas que fazem essa formação, que estruturam todo o processo previamente, para se definir o que é necessário, em que áreas é que devemos investir mais, etc. Depois, estabelecemos uma articulação muito forte com a Academia.

HN- As possibilidades de formação e treino dos médicos aumentam e tornam-se mais interessantes. Mas será que aqueles que estão todos os dias nos centros de saúde e nos hospitais, a trabalhar noite e dia, têm mesmo tempo para se atualizarem? E que ganhos podem daí resultar para os doentes?
JR- Impedir os médicos de fazerem uma formação adequada e terem conhecimentos mais atuais, para nós, é uma coisa que desvirtua o conceito hipocrático da formação dos médicos. Os médicos devem estar atualizados com o maior número de conhecimentos possível, porque há circunstâncias em que essa atualização lhes permite ter uma perspetiva mais adequada.

Vou-lhe dar um exemplo. Nós temos um grupo muito significativo de doentes em ensaios clínicos. Desde o início, já participámos em mais de 500 ensaios clínicos. Estes são particularmente relevantes porque estamos a pôr em prática, sem custo – porque quem suporta os custos é a indústria farmacêutica –, a utilização de novos produtos, nomeadamente na área da oncologia, onde quase todos os dias estão a aparecer novidades que fazem uma diferença substancial em termos de sobrevida e qualidade de vida.

Por isso, facultarmos este conhecimento aos médicos, sem custos para os doentes, facilita e pode ser muito útil à sociedade, em geral, e ao doente, em particular.

HN- Que meios de diagnóstico essenciais deveriam estar sempre à disposição dos médicos de família?
JR- Não se pode generalizar tudo, mas, provavelmente, alguns exames complementares como o electrocardiograma ou a radiografia simples do tórax poderiam estar disponíveis nos cuidados de saúde primários.

De qualquer modo, a ponderação sobre essa questão deve ter em conta várias variáveis, como a distância ao hospital central mais próximo, a possibilidade da telemedicina, etc.

HN- Espera que o novo estatuto e o diretor executivo do SNS tragam mudanças positivas?
JP- Eu desejo que corra bem, sinceramente. O conceito ainda me parece confuso, sobretudo pela aparente duplicação de funções.

Conheço o ministro e o diretor executivo e reconheço-lhes as condições e as qualidades para o exercício destes cargos. Só não sei se a interação vai ser profícua como desejado, porque vejo com alguma dificuldade a separação das águas.

Mas espero que corra tudo bem, porque só temos a ganhar com isto. São duas escolhas muito válidas, têm feito um trabalho notável. Não são colegas ‘virgens’ neste campo, têm experiência de administração. Logo, não há razão nenhuma para que isto não corra bem, a não ser, às vezes, esta fricção que pode existir entre situações que estão muito próximas.

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Entrevista de RA

Formação e simulação no Hospital da Luz Lisboa

Formação e simulação no Hospital da Luz Lisboa

Durante a manhã, estarão em discussão temas que ocupam recorrentemente os cuidados de saúde primários. “A intenção é debater com os colegas da Medicina Geral e Familiar e com os nossos especialistas das várias áreas quais são, neste momento, os melhores meios terapêuticos e diagnósticos para poder enfrentar os problemas que mais surgem em consulta de MGF”, explicou José Roquette, presidente do Conselho Clínico Superior da Luz Saúde.

Já a tarde será passada no centro de formação e simulação, para que os clínicos possam conhecer melhor a realidade do Hospital da Luz Lisboa e passar da teoria à prática.

Para tal, os participantes serão divididos em grupos mais pequenos, sendo que cada um poderá escolher duas sessões práticas.

Para o cirurgião cardíaco, esta formação tem a vantagem de permitir: “a atualização de conhecimentos; aprofundamento da relação com o Hospital da Luz; conhecimento do que está a ser feito nesta unidade e que não é feito em mais nenhum local em Portugal e networking entre colegas”.

A apresentação de novas terapêuticas e a oportunidade de “trazer mais para dentro do hospital” os médicos de Medicina Geral e Familiar que referenciam os doentes foram também realçadas pelo médico.

O Hospital da Luz pretende que esta seja uma reunião anual com “temas interessantes” para os médicos de Medicina Geral e Familiar. Até porque “todas as ‘novidades’ que possam surgir na prática clínica e na área da formação e simulação podem ser cruciais para eles”, referiu Roquette.

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HN/Rita Antunes