Especialistas debatem em Lisboa futuro do uso medicinal da canábis

Especialistas debatem em Lisboa futuro do uso medicinal da canábis

Decorreu nos dias 16 e 17 de junho, em Lisboa, a primeira parte da 3ª edição da conferência Internacional PTMC – Portugal Medical Cannabis. A esta conferência acorreram cerca de 200 profissionais de diversas áreas, nomeadamente medicina, ciências farmacêuticas, agronomia, investigação científica, direito e investimento. 

Pretendeu-se com esta iniciativa oferecer dois dias de aprendizagem e ‘networking’. Irá, ainda, decorrer uma segunda parte desta terceira edição na ilha da Madeira nos dias 26 e 27 de outubro.

Numa excelente iniciativa da organização do evento estão disponibilizadas as gravações de todas as sessões, resumidas neste artigo.

A sessão do primeiro dia, teve início com a abertura realizada por Vasco Bettencourt, Diretor da Unidade de Licenciamento do Infarmed, que fez um resumo do trabalho da instituição nolicenciamento de empresas que atuam na área da canábis medicinal. Na sua intervenção, Vasco Bettencourt sublinhou a importância do processo de licenciamento, continuamente melhorado, para o desenvolvimento do setor em Portugal, com a finalidade de tornar o país num dos mais interessantes da Europa, nesta área. Deixou, ainda, claro que também o Infarmed aprendeu com as empresas, limando arestas e melhorando os procedimentos de licenciamento, tendo como alvo a maior eficácia, sem afetar os resultados a nível de rigor e qualidade.

Vasco Bettencourt aponta parâmetros como o número de horas de sol, os baixos custos de terrenos, de mão-de-obra qualificada e, também, a existência de uma moldura regulatória favorável, como fatores que têm vindo a atrair muitas empresas a investir em Portugal. “Existem, neste momento, cerca de 200 empresas que pediram autorizações para exercer atividades na área da canábis medicinal”, afirmou.

A intervenção seguinte, ficou a cargo do Professor Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém, onde é professor desde 1972. A sua principal área de investigação científica é a da química e farmacologia dos canabinóides, na qual trabalha há mais de 50 anos. Em intervenção gravada, por impossibilidade de estar presente, o Professor Mechoulam desenvolveu o tema dos “Compostos Endógenos Semelhantes à Anandamida”.

Começou com a seguinte premissa: “a modulação da atividade endocanabinóide pode ter potencial terapêutico em quase todas as doenças que afetam os seres humanos”, justificando, assim, o interesse de muitos grupos na investigação dos canabinóides de origem vegetal. Desenvolveu, em seguida, as inúmeras possibilidades de tratamento, bem como os respetivos mecanismos de ação, associadas a estas substâncias, que poderão ser úteis em diversas patologias.

Em seguida, o palco foi entregue a Carl Hart, Professor da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Na sua intervenção, o especialista desenvolveu o tema “Canábis e Psicoses-mitos e factos”. Começou por uma resenha histórica das proibições ocorridas nos Estados Unidos, desde o início do século XX. Todas estas proibições tiveram fundamentos algo perversos, de índole racista, xenófoba ou económica. Foram, também, acompanhadas de campanhas destinadas a ganhar o apoio público, afirmou o Professor Carl Hart.

Continuou por analisar alguns estudos dedicados ao aparecimento de psicoses em consumidores de canábis, demonstrando erros de análise de dados, presentes em alguns destes estudos. Estas deficiências de análise poderão levar, na sua opinião, a uma sobrevalorização injustificada do problema.

Em seguida, Bonni Goldstein, Médica Pediatra e Diretora Médica da Canna-Centers Wellness & Education dos Estados Unidos, desenvolveu o tema “Canábis para Crianças: Lições de uma Pediatra”.

Goldstein é, também, autora de 2 livros sobre o tema, intitulados “Cannabis Revealed” (2016) e “Cannabis is Medicine” (2020). Revelou que mais de um terço dos pacientes que sofrem de epilepsia, continuam com a doença não controlada com a utilização dos medicamentos existentes. Sublinhou, então, os dados promissores no tratamento com a utilização de CBD (canabidiol). Também sublinhou as evoluções cognitivas e comportamentais decorrentes deste tipo de tratamento, em crianças. Desenvolveu o tema das perturbações do espectro do autismo, por vezes observadas simultaneamente com a epilepsia, sublinhando a sua grande experiência profissional com um enorme número de pacientes.

Acerca dos efeitos de longo prazo da utilização de CBD, a pediatra referiu dois estudos recentes que afirmam que o “CDB não afeta a estrutura cerebral em doentes com epilepsia” (Sharma et al 2019) e “a exposição a longo prazo ao CDB em ratos não mostra efeitos no comportamento” (Niehaus. 2022), ao contrário de medicamentos como os antipsicóticos.

Dani Gordon, médica canadiana a viver em Londres, membro da “The Medical Cannabis Clinicians Society”, falou sobre o sistema endocanabinóide, desenvolvendo a aplicação clínica de alguns canabinóides e terpenos, em diversas indicações terapêuticas. Comparou, ainda, o efeito de canabinóides sintéticos, com aqueles obtidos a partir de extratos da planta (também designadas ‘full spectrum’) e as diferentes formas de administração daqueles compostos.  Como especialista no tratamento de condições crónicas complexas, Dani Gordon partilhou com a audiência algumas da sua experiência em diversas patologias, como a ansiedade, fibromialgia, depressão, insónia e dor crónica.

Já na parte da tarde, foi Gregor Zorn, biólogo, especializado em educação médica sobre canábis, desenvolvimento de produtos fitocanabinóides e aplicações de terapia canabinóide quem cativou a plateia. Aprofundou o tema dos processos de síntese de diversos fitocanabinídes nas plantas, realçando o interesse clínico de alguns canabinóides menos conhecidos, como são os casos do canabigerol (CBG), do THCV ou do ∆8-THC. Gregor Zorn terminou realçando, também, a possibilidade de combinação dos fitocanabinóides no tratamento de diversas patologias.

A última palestra do dia, que antecedeu o debate, foi Luna Vargas, antropóloga radicada no Canadá e formadora sobre o tema da canábis na Inflore, onde fornece uma visão global da indústria da canábis, com base na ciência e na experiência. Falou da falta de informação para o público, num mercado em que os retalhistas de canábis (para uso recreativo, permitido no Canadá desde 2017) não oferecem um serviço suficientemente informado em termos de saúde e os profissionais de saúde estão ainda pouco informados sobre o tema, estando as farmácias ainda longe de ser um local de educação acerca da canábis. Com uma visão abrangente do tema, Luna Vargas considera que a educação sobre canábis deve consistir na “mediação entre diferentes partes da indústria (ciência, cultura) e o público em geral. Um nó que liga múltiplos caminhos, dando uma sensação mais completa e complexa da planta”.

Para o encerramento do primeiro dia estava reservado um debate sobre os “desafios da legislação da canábis”, moderado por Alfredo Pascual, analista de investimentos na indústria de canábis sediado na Alemanha. Os participantes foram Kai-Friedrich Niermann, advogado alemão, especialista na proteção dos consumidores, segurança dos produtos e novos provenientes da canábis, Jorge Teixeira, conselheiro político da Iniciativa Liberal e Ricardo Rocha, advogado da PLMJ. Foram comparados os caminhos seguidos na Alemanha e em Portugal, na direção da legalização da canábis para uso recreativo.

Apesar do consenso entre os membros da coligação que suporta o governo germânico, acerca do tema, foram apresentadas algumas das matérias ainda em discussão, na direção de um acordo que possa ser votado no Parlamento, o que só deverá acontecer no próximo ano. Já no caso português, o caminho será feito através da apresentação de diversos projetos de lei, como o apresentado recentemente pelo Bloco de Esquerda e, mais tarde, tentar-se-á chegar a um “consenso”, no qual desaparecerão certamente as sugestões mais ousadas.

Alfredo Pascual chamou, ainda, a atenção para o relativo “falhanço” da introdução da canábis medicinal em Portugal que, apesar de ter gerado uma indústria exportadora (tendo, como destino, países como a Alemanha e Israel) tem falhado na disponibilização de produtos ao público português. Esta aparente ambiguidade poderá ser explicada pela falta de investimento no fabrico de produtos acabados, ou seja, prontos para a venda em farmácias.

O dia 17 iniciou-se com a intervenção de Tej Virk, CEO da Acanda Corporation, empresa que, em abril deste ano, comprou a RPK Biopharma (subsidiária da Holigen em Portugal). A intervenção intitulada “Como apanhar a onda verde na Europa” aponta o valor de 2 860 milhões de euros ($3B) para o mercado europeu da canábis, em 2025, e desenvolveu a perspetiva das empresas que estão a entrar neste mercado. Virk apontou a fragmentação das regras vigentes nos diversos países europeus como o principal problema para o desenvolvimento do setor. A empresa, que centra o seu desenvolvimento nas áreas da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) encara Portugal como o “Centro Europeu de Excelência em Canábis” já que “desde a legalização da canábis medicinal em 2018, Portugal desenvolveu um quadro de importação/exportação que posicionou o país como um núcleo global para canábis medicinal”, “de onde só poderá vir crescimento”, acrescentou. Tej Virk mostrou a excelência das instalações adquiridas em Sintra e Aljustrel e sublinhou a importância das parcerias com outras marcas e dos projetos de investigação e desenvolvimento.

Alfredo Pascual, uruguaio radicado na Alemanha, voltou ao palco na manhã do dia 17 para falar sobre o tema “Implicações internacionais da legalização da canábis”. Desenvolveu a interpretação dos tratados internacionais acerca da proibição, nomeadamente a “Convenção Única sobre Estupefacientes” de 1961, cuja “interpretação proibicionista não conseguiu fazer avançar a saúde e o bem-estar da humanidade”, o que levou o Uruguai a reinterpretar o tratado para melhor cumprir os seus objetivos, em 2012.

Seguiu-se Steven George, americano do Michigan, oriundo do setor financeiro, que veio para Portugal em 2017 para fazer um MBA e tem trabalhado na indústria europeia de canábis desde 2018, nomeadamente na Tilray. Comparou as molduras regulamentares na Europa e nos Estados Unidos, realçando que, quer seja para fins recreativos ou fins medicinais, estamos, em última instância, a falar da mesma planta. Assim, na União Europeia, os pacientes têm acesso à canábis para fins medicinais, através de uma prescrição médica, os produtos são vendidos em farmácias e regulamentados pelo regulador nacional de saúde. Já nos Estados Unidos, os pacientes têm acesso aos produtos através de uma recomendação médica, os produtos são distribuídos em dispensários e regulados por um regulador ao nível do estado (não da FDA, o regulador Federal). O acesso à canábis para uso adulto (recreativo) nos Estados Unidos, é possível acima de uma certa idade (normalmente, 21 anos), os produtos são distribuídos em dispensários de retalho e regulados por reguladores estatais individuais.

Sublinhou, ainda, as vantagens a longo prazo, de o sistema europeu considerar a canábis para fins medicinais como um medicamento, com distribuição exclusiva em farmácias, envolvendo os profissionais de saúde no processo. Já na canábis para um futuro uso recreativo, defende a sua venda fora do espaço das farmácias. Acerca da qualidade dos produtos, poderão ser seguidas as normas EU-GMP, as mesmas utilizadas para o fabrico de medicamentos, para o fabrico dos produtos de canábis, em qualquer das finalidades, apesar dos custos associados.

Seguiu-se o palestrante Shlomo Booklin, da Juicy Fields, licenciado no Instituto Técnico de Horticultura de Jerusalém e que exerce atualmente no Canadá. Na sua intervenção, dedicada ao Tema “GACP: como aplicar os padrões farmacêuticos a colheitas botânicas”, começou por referir que os dispensários se mantiveram abertos no Canadá, mesmo durante os ‘lockdown’ da COVID-19. No caso da cultura da canábis para fins medicinais, sublinhou que podemos obter dois tipos de produtos para uso medicinal: flores ou outros produtos à base de extratos. Este ciclo produtivo leva à exigência de normas como as Boas Práticas Agrícolas e de Colheita (GACP), às Boas Práticas de Fabrico (GMP) e a uma área de transição entre ambas.

O último palestrante individual, Jaime Gil-Robles, especialista em desenvolvimento empresarial em sectores regulados, trouxe ao palco, na companhia do CEO da Kannabeira, a experiência do projeto que construíram em conjunto.

O debate de encerramento foi realizado à volta do tema “O futuro das reformas das drogas: como regular o uso de substâncias no século 21” desenvolvido por um painel de convidados, moderado por Laura Ramos. Os membros do painel foram Carl Hart, Professor da Universidade de Columbia, Teresa Summavielle, investigadora da Universidade do Porto, Miguel Costa Matos, deputado pelo Partido Socialista e João Taborda da Gama advogado da Gama Glória. Foi sublinhado que nem todas as substâncias devem ser reguladas da mesma forma e foram abordados o estigma social associado ao consumo destas substâncias e a necessidade de mudança de mentalidades.

 

HN/EE

 

Monkeypox: DGS divulga cuidados a ter em eventos antes e após contactos sexuais

Monkeypox: DGS divulga cuidados a ter em eventos antes e após contactos sexuais

A forma de apresentação e disseminação da infeção sugere que a transmissão esteja a acontecer por contacto próximo, incluindo relações sexuais, refere a DGS, adiantando que os casos notificados no atual surto foram na sua maioria detetados em homens que têm sexo com homens, embora a transmissão também tenha sido documentada noutras pessoas.

Portugal registou mais 35 casos de infeção pelo vírus ‘Monkeypox’, elevando para 276 o total de pessoas infetadas, todos homens que se encontram clinicamente estáveis, referiu hoje a DGS.

Segundo a informação divulgada pela autoridade de saúde, eventos públicos, privados e viagens, facilitaram a transmissão de infeções, mas estes eventos “poderão ser oportunidades para sensibilizar os participantes e transmitir informação, ao mesmo tempo que se podem desenvolver medidas de prevenção e higienização para reduzir riscos nesses contextos”.

Para a DGS, “os parceiros comunitários são essenciais para garantir uma comunicação eficaz e atempada, adequada ao público a envolver, identificar as principais mensagens de prevenção e promoção da saúde e o alinhamento entre todos os envolvidos, para identificar rumores/desinformação e ajudar a melhorar o conhecimento sobre a infeção, e para facilitar a adesão às medidas de proteção”.

Entre o conteúdo das ‘mensagens chave’ a transmitir, a DGS refere que a infeção por Monkeypox caracteriza-se pelo aparecimento de lesões na pele ou mucosas, que podem ser localizadas numa determinada região do corpo ou generalizadas, atingindo habitualmente a face e boca, membros superiores e inferiores ou região ano-genital.

O surgimento de sintomas deve motivar a procura de aconselhamento e avaliação médica e deve evitar-se o contacto físico próximo, incluindo relações sexuais.

“O contacto físico próximo é a principal forma de transmissão. Uma relação sexual pode envolver risco. Relações sexuais com múltiplos parceiros/as aumentam o risco”, destaca a DGS.

A utilização do preservativo é importante para prevenir a transmissão do VIH e outras infeções sexualmente transmissíveis (IST), mas não oferece proteção eficaz para o vírus Monkeypox, alerta ainda na informação.

Entre as medidas a adotar “antes, durante e após” os eventos, a DGS recomenda que seja desincentivada a participação em caso da existência de sintomas e que os organizadores considerem o envio de informação prévia aos participantes, através das redes sociais ou no momento da inscrição.

A DGS aconselha também formar os trabalhadores e funcionários sobre os sinais e sintomas mais comuns de infeção e sobre o aconselhamento a dar a casos suspeitos, bem como dispensar os funcionários/voluntários que apresentem sintomas.

Entre as sugestões, a autoridade de saúde quer que os organizadores incentivem os participantes a “guardar os contactos das pessoas com quem mantiverem contacto físico próximo, incluindo relações sexuais, caso seja necessário identificá-los posteriormente”.

Entre as recomendações de higiene, a DGS aconselha que “se existir roupa de cama, deve ser mudada após utilização por um novo participante/cliente”.

“Essa roupa deve ser manipulada por funcionários de limpeza que utilizem luvas e máscaras e lavada a mais de 60 graus centígrados. Após manipulação da roupa, deve retirar-se as luvas e lavar/higienizar as mãos”, pode ler-se.

A informação da autoridade de saúde adverte também contra a estigmatização da doença, tendo em conta que “a maioria dos casos até agora foram reportados em homens que têm sexo com homens”.

“O estigma e o medo podem dificultar as respostas em matéria de saúde pública, pois podem fazer com que as pessoas escondam a sua doença e são barreiras de acesso aos cuidados de saúde”, alerta a DGS.

Entre os conselhos para mitigar a estigmatização, a autoridade de saúde pede que se utilize “uma linguagem respeitosa e inclusiva” e que se transmitam “os factos de forma clara e acessível”.

De acordo com as autoridades de saúde, a manifestação clínica da ‘Monkeypox’ é geralmente ligeira, com a maioria das pessoas infetadas a recuperar da doença em poucas semanas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, nódulos linfáticos inchados, calafrios, exaustão, evoluindo para erupção cutânea.

O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar aos 21 e, quando a crosta das erupções cutâneas cai, a pessoa infetada deixa de ser infecciosa.

Portugal vai receber 2.700 doses das vacinas contra o vírus ‘Monkeypox’ adquiridas pela Comissão Europeia, confirmou recentemente a DGS, que está a elaborar uma norma técnica que definirá a forma como serão utilizadas.

NR/HN/LUSA

Covid-19: EUA autorizam vacinas da Pfizer e Moderna para crianças a partir dos 6 meses

Covid-19: EUA autorizam vacinas da Pfizer e Moderna para crianças a partir dos 6 meses

A vacina de duas doses da Moderna é aprovada para crianças entre os seis meses e os cinco anos de idade e a da Pfizer, de três doses, pode ser administrada a crianças entre os seis meses e quatro anos de idade, anunciou hoje o regulador norte-americano.

A FDA também aprovou a vacina da Moderna para crianças dos 6 aos 17 anos de idade.

A vacina da Pfizer já tinha sido aprovada para crianças a partir dos 5 anos de idade nos Estados Unidos da América.

“Estas vacinas para as crianças mais pequenas proporcionarão proteção contra os casos mais graves de covid-19, tais como hospitalizações e mortes”, disse o chefe da FDA, Robert Califf, em conferência de imprensa, citado pela agência France-Presse (AFP).

Um comité consultivo dos Estados Unidos tinha emitido na quarta-feira uma recomendação favorável à autorização das vacinas contra a covid-19 da Moderna e da Pfizer em crianças a partir dos seis meses.

Após a aprovação do regulador, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças deverá agora recomendar a administração das vacinas, o que poderá ocorrer já na próxima semana.

Após o anúncio da FDA, segundo a AFP, a Pfizer afirmou que pretende solicitar a aprovação para este grupo etário à Agência Europeia de Medicamentos (EMA) no início de julho.

NR/N/LUSA

Pescadores do Norte garantem sardinha “abundante e de qualidade” para o S. João

Pescadores do Norte garantem sardinha “abundante e de qualidade” para o S. João

“Tem havido sardinha de qualidade, e com sinais claros de abundância. O tamanho nesta altura do ano ainda não é o ideal, mas já tem muito sabor e gordura suficiente para ‘pingar’ no pão. Ainda hoje as comi e estavam ótimas”, garantiu à agência Lusa Agostinho Mata, presidente da Propeixe.

O líder desta cooperativa de produtores de peixe do Norte, que engloba dezenas de embarcações na região, prometeu “sardinha suficiente para umas grandes festas de S. João à boa maneira do norte” e notou uma maior procura por este pescado em comparação com os últimos anos, marcados pela pandemia de covid-19.

“Tem havido mais procura, não só para o consumo normal como para as conserveiras. Isso tem pressionado o mercado o que é bom para nós. As lotas têm estado bem movimentadas e o preço pago tem sido justo em relação à qualidade do peixe”, partilhou.

Ainda assim, e reconhecendo que as vendas “têm sido melhores que anos anteriores com a covid-19”, Agostinho Mata lembra as dificuldades por que passa o setor devido ao aumento do preço dos combustíveis.

“Tem sido horrível para nós, e com um impacto enorme nas nossas contas. Estamos a vender o produto ao preço normal, que não cobre a despesa extra com o aumento do gasóleo”, lamentou.

O líder da Propeixe espera que a situação dos aumentos do combustível “não se mantenha por muito mais tempo”, vincando que está a “ser muito prejudicial para pesca”, e deixando um apelo aos governantes.

“Se não disponibilizarem mais ajuda, vai ser muito complicado manter a atividade rentável. Têm de ter mais atenção para este setor primário, que é base de tudo”, alertou Agostinho Mata.

O embalo das vendas para as festas dos santos populares e a perspetiva de um verão com mais consumo têm ajudado a minimizar o aumento dos custos de produção, que, ainda assim, se continuarem, podem tornar a situação “rapidamente insustentável”.

NR/HN/LUSA

Ryanair superará no verão capacidade com que voava antes da pandemia

Ryanair superará no verão capacidade com que voava antes da pandemia

O responsável disse à agência espanhola Efe que a Ryanair “tem feito melhor do que outras companhias aéreas” e tem as suas tripulações preparadas desde o ano passado, pelo que não está a ter problemas com falta de pessoal para o verão de 2022.

Segundo Hugues, algumas companhias aéreas foram obrigadas a reduzir a sua capacidade não só por problemas nos aeroportos, devido à falta de mão de obra em áreas como os controlos de segurança, mas sobretudo por dificuldades em fazer regressar os seus trabalhadores, após dois anos de pandemia.

O responsável espera que, nas próximas semanas, as restantes companhias aéreas possam estar a 100% da sua capacidade e, também, que haja cada vez menos problemas nos aeroportos europeus.

A companhia aérea irlandesa de baixo custo mantém a previsão de transportar 165 milhões de passageiros em toda a sua rede no atual ano fiscal (de abril de 2022 a março de 2023), 18% acima dos 140 milhões de 2019.

A empresa prevê uma ligeira subida de preços durante o verão, entre os meses de julho e setembro, devido ao aumento dos preços dos combustíveis, embora, como lembrou Hugues, o seu impacto seja menor no caso da Ryanair, que tem assegurado cerca de 80% do combustível a um preço mais baixo até março de 2023.

O gestor criticou o novo imposto extraordinário que o governo húngaro introduziu em maio e que afeta, entre outras empresas, as companhias aéreas, e que a Ryanair está a repercutir nos bilhetes, incluindo os vendidos anteriormente, cobrando um valor adicional.

“É um erro, pois nesta altura pós-covid o que temos de fazer é tornar as viagens atrativas para todos os clientes e não colocar-lhes obstáculos”, acrescentou.

NR/HN/LUSA

Covid-19: Especialistas recomendam vacinas da Moderna e Pfizer para bebés nos EUA

Covid-19: Especialistas recomendam vacinas da Moderna e Pfizer para bebés nos EUA

Os membros do comité analisaram todos os dados dos ensaios clínicos disponíveis, realizados em crianças entre os seis meses e quatro anos no caso da Pfizer e entre os seis meses e os cinco anos com a vacina da Moderna.

Esta análise e discussão foi transmitida ao vivo pela Internet, noticiou a agência France-Presse (AFP).

Como em muitos países, esta é a última faixa etária que ainda não tem acesso à proteção via vacina contra a covid-19.

Nas duas votações, os 21 especialistas decidiram unanimemente que os benefícios de vacinar crianças com as fórmulas da Moderna e Pfizer superam os riscos.

“Sei que muitos pais estão aliviados e a ouvir-nos hoje [quarta-feira]”, referiu Jay Portnoy, um dos membros do comité.

Com base nestas recomendações, cabe agora à agência norte-americana do Medicamento (FDA) dar a sua autorização oficial.

Após a “luz verde” ser emitida, cerca de 10 milhões de doses serão enviadas imediatamente para os quatro cantos do país, referiu o governo norte-americano.

De resto, as injeções podem começar a ser administradas já na terça-feira, assim que os Centros para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) também deem autorização, sendo que é o painel desta entidade, que se reúne esta sexta-feira e sábado, que tem a palavra final.

A dosagem destas vacinas foi adaptada, sendo um quarto da quantidade aplicada em adultos no caso da Moderna (25 microgramas, face aos 100 para adultos) e um décimo para a Pfizer (03 microgramas, contra 30).

A principal diferença entre as duas vacinas é o número de injeções necessárias, visto que a vacina da Moderna será administrada em duas doses com um intervalo de um mês.

Um representante da Moderna referiu, no entanto, que já está a ser planeado um estudo para uma dose de reforço.

Já a vacina da Pfizer terá imediatamente três injeções, após as duas doses não terem provocado uma resposta imune suficiente, devido à baixa dosagem.

As duas primeiras injeções da Pfizer serão administradas com três semanas de intervalo, e a terceira administrada oito semanas após a segunda.

Ambas as vacinas são seguras e eficazes, de acordo com a FDA, que divulgou a sua própria análise de ensaios clínicos no final da semana passada para fornecer uma base de discussão para os especialistas.

Em relação a possíveis efeitos secundários, cerca de um quarto das crianças pequenas que receberam Moderna desenvolveram febre, especialmente após a segunda dose, sendo que este sintoma desaparece após um dia.

Enquanto alguns pais aguardam ansiosamente a possibilidade de vacinar os seus filhos, outro, no entanto, continuam céticos.

Segundo uma investigação realizada em maio, apenas uma família de uma criança menor de 5 anos, em cada cinco (18%), queria vaciná-la o mais rápido possível.

Mesmo que os mais jovens sejam menos vulneráveis à covid-19 e o risco para estes seja reduzido, cerca de 480 crianças menores de 4 anos morreram nos Estados Unidos.

As taxas de hospitalização também aumentaram acentuadamente para esta faixa etária durante a vaga associada à variante Ómicron.

NR/HN/LUSA