Investigadores italianos descobrem uma vacina contra o cancro

Investigadores italianos descobrem uma vacina contra o cancro

A descoberta foi feita por investigadores da Armenise-Harvard do Instituto Italiano de Medicina Genómica (IIGM) que explicaram que a vacina instrui o sistema imunológico a reconhecer as células cancerígenas.

A vacina revelou-se eficaz, em associação com um medicamento para a imunoterapia, em 12 doentes com um subtipo de cancro do cólon na fase metastática, refere a agência de notícias italiana.

“Considero que a técnica para a realização destas vacinas foi decididamente comprovada e que os dados obtidos nos primeiros ensaios clínicos são muito promissores”, afirmou a diretora do laboratório Armenise-Harvard, Luigia Pace.

Segundo Luigia Pace, “existe agora uma possibilidade concreta de criar novas vacinas que serão eficazes contra muitos outros tipos de cancro”.

A descoberta, que foi realizada em colaboração com a empresa suíça/italiana de biotecnologia Nouscom, foi descrita num artigo publicado na revista Science Translational Medicine.

A equipa de investigação está sediada na Fundação de Oncologia do Piedmont, em Candiolo, nos arredores de Turim.

LUSA/HN

Porto Comprehensive Cancer Center passa a incluir nome da investigadora Raquel Seruca

Porto Comprehensive Cancer Center passa a incluir nome da investigadora Raquel Seruca

As direções das duas instituições decidiram alterar o nome do consórcio para Porto Comprehensive Cancer Center Raquel Seruca, como “reconhecimento do empenho e dedicação” que a investigadora teve no desenvolvimento do projeto.

Este projeto, pioneiro em Portugal, pretende encurtar e aperfeiçoar o ciclo de descoberta científica em doenças neoplásicas e preneoplásicas, através do reforço da investigação de translação.

“Graças à Raquel, alma e corpo da iniciativa, testemunharemos o sucesso do P.CCC centrado nas pessoas com organização e competência”, sublinha, em comunicado, o diretor do Instituto de Patologia e Imunologia da Universidade do Porto (Ipatimup), Sobrinho Simões, que integra o i3S.

A investigadora, que coordenou a elaboração da candidatura do projeto “TeamUp4Cancer” aos fundos do Norte2020, tendo conquistado um financiamento superior a 15 milhões de euros para melhorar o diagnóstico e tratamento de doentes com cancro, morreu recentemente vítima de doença oncológica.

Para o diretor do i3S, Claudio Sunkel, o trabalho desenvolvido por Raquel Seruca “tornou possível a aquisição e implementação de novos equipamentos e infraestruturas, assim como a contratação de recursos humanos especializados que permitirão fazer investigação de ponta em cancro com a preocupação de conhecer melhor os mecanismos moleculares de cada tumor e transferir esse conhecimento para novas ferramentas de rastreio, diagnóstico precoce e tratamento de cancro”.

Este processo “permitirá desenvolver uma estratégia inovadora de acompanhamento e tratamento personalizado dos doentes”, acrescenta.

Segundo o presidente do Conselho de Administração do IPO Porto, Rui Henrique, “a Raquel depositava uma enorme esperança no P.CCC como iniciativa de mudança da forma de fazer Ciência. Ela funcionou como o elemento catalisador das vontades das duas instituições em unirem esforços para conseguirem chegar mais próximo do que realmente necessitam os doentes com cancro”.

“Ao juntar à designação do P.CCC o nome da Raquel, estamos, não apenas, a realizar homenagem a uma mulher e cientista excecional, mas também a assumir um compromisso coletivo, pessoal e institucional, de que trabalharemos para concretizar o seu sonho e a sua visão”, acrescentou.

Na altura em que foi anunciado o financiamento para o P.CCC, Raquel Seruca sublinhava que “pela primeira vez em Portugal vai poder-se cumprir todo o ciclo que vai desde a identificação dos mecanismos alterados nas células tumorais até aos ensaios clínicos, baseados no conhecimento profundo dos processos moleculares e celulares subjacentes à doença. O P.CCC é uma infraestrutura que prioritiza as necessidades dos doentes”.

Os recursos estarão alocados estrategicamente em plataformas especializadas no IPO Porto e no i3S.

Para o efeito, foram já adquiridos pelo i3S equipamentos que permitirão isolar e caracterizar o perfil molecular de células tumorais individuais, e identificar biomarcadores para vigilância dos doentes e famílias em risco.

Especificamente, os novos equipamentos permitem uma análise detalhada de tecidos e biópsias líquidas de pacientes e a avaliação funcional de moléculas em modelos experimentais in vitro e in vivo.

Uma grande parte do investimento foi direcionado para a implementação de novas tecnologias de imagiologia, criando “uma oportunidade única para avançar em estudos pré-clínicos”, sublinham os responsáveis do IPO/Porto e do I3S.

LUSA/HN

Universidade de Coimbra recebe 750 mil euros para estudar diversas patologias

Universidade de Coimbra recebe 750 mil euros para estudar diversas patologias

“O montante global vai contribuir para investigações relacionadas com a doença de fígado gordo não alcoólico, com a doença de Machado-Joseph e com a utilização de exossomas (pequenas vesículas) para fins terapêuticos”, informa a UC em comunicado.

Os apoios financeiros concedidos foram aprovados pela autoridade de gestão do Programa Operacional Centro 2020.

“O projeto relacionado com a doença de fígado gordo não alcoólico vai ser conduzido por Paulo Oliveira, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNBC)”, adianta.

Denominada “MitoBOOST v2.0 – Prova de Conceito para o Uso de Polifenóis Dirigidos à Mitocôndria para Tratar a Doença do Fígado Gordo Não-Alcoólico”, a investigação visa realizar “uma prova de conceito relativa ao uso de uma nova molécula, AntiOXBEN2, ainda em fase de pré-clínica, para o tratamento desta doença, que tem vindo a crescer nas últimas décadas e que afeta cerca de um quarto da população mundial”.

Segundo a nota, o projeto é desenvolvido por um consórcio que reúne o CNBC, a empresa Mitotag e a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que desenvolveu a referida molécula.

Para o estudo de exossomas, Lino Ferreira, investigador do CNBC, vai coordenar o projeto “BIO-MED: Engenharia Biomolecular de Vesículas Extracelulares para Medicina Regenerativa”, centrado na utilização destas pequenas vesículas, “naturalmente existentes no organismo, como sistemas de libertação de fármacos para fins terapêuticos”.

Os restantes três projetos em comum o tratamento da Machado-Joseph, “doença neurodegenerativa rara com prevalência em Portugal, mas ainda sem cura”.

Luís Pereira de Almeida, professor da Faculdade de Farmácia da UC e presidente do CNBC, coordena o projeto “MJDedit – Sistemas de edição génica para o gene ATXN3: Uma terapia para a doença de Machado-Joseph”, destinado a descobrir uma terapia para a doença “através de ferramentas de edição genética”.

“Estratégias eficazes para esta doença são potencialmente aplicáveis a outras doenças do cérebro”, salienta a assessoria da Reitoria da Universidade de Coimbra.

Já o projeto “BDforMJD – Desenvolvimento de um biomarcador para a Doença de Machado-Joseph”, liderado pela investigadora do CNBC Magda Santana, visa “desenvolver um biomarcador para monitorização da progressão da doença Machado-Joseph e para avaliar a resposta a terapias em estudos intervencionais”.

O estudo “ModelPolyQ 2.0 – Modelos animais avançados para doenças de poliglutaminas”, coordenado por Rui Jorge Nobre, também investigador do CNBC, tem o propósito de desenvolver “modelos celulares e animais para doenças de poliglutaminas, como é o caso da doença de Machado-Joseph, recorrendo a um estojo de vetores virais” criado neste centro de investigação.

Cada um dos cinco projetos tem a duração aproximada de um ano.

LUSA/HN

Pfizer apoia iniciativas independentes na área da terapia genética

Pfizer apoia iniciativas independentes na área da terapia genética

Está prevista a atribuição de duas bolsas e apenas serão aceites as propostas submetidas até dia 20 de setembro.

Este Programa Competitivo de Bolsas pretende apoiar iniciativas de formação médica focadas em melhorar a compreensão médica e científica da terapia genética baseada em Vírus AdenoAssociado recombinante (rAAV), de modo a preparar as equipas multidisciplinares para a integração da terapia genética rAAV nas opções de tratamento de doentes elegíveis com uma doença rara, e/ou promover a preparação de centros de terapia genética constituídos por equipas institucionais e/ou multidisciplinares com formação para executar boas práticas clínicas e operacionais, com o intuito de otimizar a qualidade do tratamento de doentes elegíveis para terapia genética rAAV.

Estas bolsas estão inseridas no programa Pfizer Global Medical Grants, criado para apoiar iniciativas independentes, com o objetivo de melhorar os resultados em saúde e responder a necessidades médicas não satisfeitas, alinhadas com a estratégia científica da Pfizer.

Mais informações disponíveis aqui.

PR/HN/RA

Ex-aluna da UMinho cria pulseira que “engana” mosquitos e previne picadas

Ex-aluna da UMinho cria pulseira que “engana” mosquitos e previne picadas

Em comunicado, a UMinho refere que aquela tecnologia, chamada X-OCR e desenvolvida ao longo de cinco anos, está a ser alvo de patente e foi agora testada com 98% de sucesso em 300 pessoas no Brasil, prevendo-se para breve novo teste no Burkina Faso, com aval da Organização Mundial de Saúde.

A pulseira é produzida em Vila Verde, distrito de Braga, e começou a ser vendida este mês, em seis cores, em style-out.com e em farmácias do sul do país, mas o foco principal está nas regiões tropicais e subtropicais.

“Podemos ajudar a diminuir a mortalidade destas doenças e, quiçá, a erradicar a propagação, além de permitir poupanças aos sistemas nacionais de saúde”, admite, citada no documento, a investigadora Filipa Fernandes, autora da pulseira.

Citando estudos, notou que os mosquitos “custam” 410 milhões de euros por ano ao Governo do Brasil e a cada 30 segundos morre uma criança africana por malária.

“Mortes são casos extremos, mas importa contar ainda todos os doentes e os milhões de pessoas picadas”, sublinha.

Segundo a investigadora, cada pulseira tem um raio de ação de 60 centímetros e dura 30 dias.

“Só sentimos um leve aroma ao colocar a pulseira, ao contrário dos mosquitos, que até se podem aproximar e pousar em nós, mas não vão picar, pois desta vez julgam estar sobre uma planta e irão procurar alimento [sangue] noutros animais”, frisa.

Sublinha que a pulseira não danifica o ecossistema e também não é um repelente.

A pulseira é feita de silicone medicinal e, no interior, de cera com compostos e derivados de plantas, que, perante o calor corporal, liberta de forma controlada um odor que “confunde” os insetos.

As plantas utilizadas são citronela, neem e lavanda, a combinação que, segundo Filipa Fernandes, “se revelou mais eficaz para confundir” as espécies de mosquitos ‘Anopheles’ e ‘Aedes’, transmissoras de doenças como malária, zika, dengue, febre amarela e chikungunha.

Os ensaios em contexto real arrancaram no Ceará, nordeste do Brasil.

“Foi um sucesso e com inúmeros relatos de felicidade. Um jovem deu a sua pulseira à avó fragilizada para a proteger. Não é medicamento, mas claramente previne o contacto com mosquitos e doenças associadas e é uma esperança para quem vive nesses ambientes”, refere Filipa Fernandes.

Prevê-se novo ensaio na Unidade de Investigação Clínica de Nanoro, no Burkina Faso, com supervisão da Organização Mundial de Saúde, estando-se a aguardar financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates.

Outro desafio é o dispositivo poder camuflar também os humanos perante as espécies ‘Culex’, transmissoras da febre do Nilo, entre outras doenças.

“Cada espécie de mosquito tem repulsa por plantas específicas, como quando gostamos ou não de um perfume, e estamos a apurar a equação certa neste caso”, diz ainda a investigadora.

LUSA/HN