Câmaras de Palmela, Sesimbra e Setúbal exigem “soluções rápidas” para Centro Hospitalar

Câmaras de Palmela, Sesimbra e Setúbal exigem “soluções rápidas” para Centro Hospitalar

Num comunicado conjunto, os três autarcas, André Martins (Setúbal), Álvaro Amaro (Palmela) e Francisco de Jesus (Sesimbra), defendem a necessidade de “soluções rápidas e permanentes” para “impedir o agravamento da qualidade dos serviços prestados” nos hospitais de São Bernardo e do Outão, que integram o CHS.

Na nota, os três autarcas da CDU começam por saudar os profissionais de saúde do CHS “por continuarem a prestar, com a necessária qualidade, os indispensáveis serviços essenciais às populações”, apesar do que consideram ser o “arrastamento das dificuldades registadas na prestação de cuidados de saúde às populações servidas pelo Centro Hospitalar de Setúbal”.

“Os profissionais de saúde destes hospitais, em especial os médicos dos serviços de obstetrícia e ortopedia, merecem a nossa total solidariedade e apoio por continuarem a trabalhar empenhadamente num quadro de reiterada falta de resposta de quem tem a responsabilidade de resolver os problemas do SNS [Serviço Nacional de Saúde]”, lê-se no comunicado.

As câmaras municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal manifestam, igualmente, “total solidariedade com as populações afetadas por estes problemas e exigem, uma vez mais, ao Governo soluções concretas e urgentes para resolver as dificuldades nos serviços de urgência que afetam a prestação de cuidados de saúde às populações da região”.

Nas últimas semanas, o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, tal como o Hospital Garcia de Orta, em Almada, têm tido dificuldades no preenchimento das escalas de serviço, particularmente nos serviços de Urgência de Obstetrícia e Ginecologia, devido à falta de médicos, obrigando algumas vezes ao reencaminhamento de doentes para outras unidades hospitalares.

LUSA/HN

Crise alimentar fará “milhões de vítimas” de doenças infecciosas

Crise alimentar fará “milhões de vítimas” de doenças infecciosas

Esta vulnerabilidade poderá desencadear uma nova crise sanitária, afirmou Peter Sands em entrevista à agência de notícias francesa AFP, à margem de uma reunião dos ministros da Saúde do G20 em Yogyakarta, Indonésia.

O bloqueio da Rússia aos portos ucranianos do Mar Negro interrompeu as exportações de cereais do quarto maior exportador mundial de trigo e milho, ameaçando o abastecimento de alimentos em muitos países.

Escassez de alimentos que, segundo o Sands, não levará apenas à fome, mas também ao enfraquecimento da resistência das populações expostas a doenças infecciosas por causa de uma nutrição deficiente.

“Acho que a próxima crise de saúde provavelmente já começou. Não com um vírus novo, mas sim pelo facto de muitas pessoas desnutridas estarem mais vulneráveis a vírus já existentes”, explicou, sublinhando que “o impacto combinado de doenças infecciosas, escassez de alimentos e crise de energia pode causar milhões de mortes”.

Os governos de todo o mundo “devem dar prioridade aos cuidados de saúde primários” em aldeias e comunidades mais frágeis para reduzir o impacto da crise alimentar nas populações mais pobres e vulneráveis, sublinhou o britânico que lidera o Fundo Global, entidade que gere cerca de quatro mil milhões de euros.

A batalha contra o coronavírus que causa a doença da covid-19 desviou recursos da luta contra a tuberculose, que matou 1,5 milhões de pessoas em 2020, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

“Foi um desastre para a [luta contra a] tuberculose”, lamentou Peter Sands, acrescentando que “em 2020, havia menos 1,5 milhões de pessoas em tratamento da tuberculose o que, infelizmente, significa que centenas de milhares de pessoas vão morrer [desta doença] e infetar outras”.

Para este especialista em saúde, resolver a crise alimentar é essencial para combater a tuberculose, a segunda doença infeciosa mais mortal do mundo.

O Ocidente tem acusado a Rússia de fazer pressão para obter concessões na Ucrânia através do bloqueio de exportações vitais de cereais, que ameaça de fome muitos países, mas Moscovo rejeita as críticas.

A Alemanha organiza na sexta-feira uma conferência internacional sobre a crise alimentar, com a presença, nomeadamente, do chefe da diplomacia norte-americana, Antony Blinken.

A tuberculose “é a pandemia dos pobres, razão pela qual não atraiu tanto investimento em investigação e desenvolvimento”, disse ainda Peter Sands.

“É uma tragédia porque é uma doença que sabemos prevenir, curar e que podemos extinguir”, declarou.

LUSA/HN

Médicos de família promovem vigília em Aveiro contra mapa de vagas no concurso

Médicos de família promovem vigília em Aveiro contra mapa de vagas no concurso

Em causa está o concurso aberto recentemente pelo SNS para a contração de 1.639 recém-especialistas, sendo 432 para a área de Medicina Geral e Familiar.

No entanto, cerca de metade das vagas são para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde tradicionalmente muitos dos lugares a concurso ficam por preencher, existindo várias regiões no Norte e Centro do país, onde as vagas previstas não são suficientes para colmatar as saídas devido ao elevado número de aposentações.

“Como há poucas vagas a Norte e Centro, e os médicos que terminam o internato são maioritariamente destas regiões, o que vai acontecer, e que já aconteceu no concurso passado, é que estes colegas até entram numa vaga no Sul, mas acabam por se desvincular do SNS”, disse à Lusa Eurico Silva, médico de família e um dos organizadores da vigília.

Este profissional diz que “há um erro de distribuição das vagas”, dando como o exemplo o caso do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) do Baixo Vouga, que “tem neste momento 18 ficheiros sem médico de família e só foram abertas cinco vagas”.

“Vamos ficar com 13 ficheiros a descoberto e 24 mil utentes que ficam sem médico de família à espera de um próximo concurso”, observou o médico, que trabalha na Unidade de Saúde Familiar João Semana, em Ovar.

O profissional referiu ainda que, dos 10 internos que se formaram este ano no ACeS do Baixo Vouga e que vivem nesta região, “vão ficar, quando muito, cinco”, adiantando que os colegas que não conseguirem ficar numa vaga, acabam por ingressar na Medicina privada.

Na opinião deste responsável, a situação ainda vai piorar no futuro, porque, de acordo com as previsões, “nos próximos três a quatro anos há mais 61 médicos que vão entrar na reforma neste ACeS”.

“Se já estamos em deficitário, pior será para a frente. Não estou a imaginar, no próximo concurso, a abrirem 20 vagas no nosso ACeS”, disse.

O médico defende que o número de vagas abertas para cada ACeS deve corresponder às aposentações nesses locais: “Porque não abrir sempre uma vaga a concurso por cada ficheiro a descoberto, quando o sistema está justo em termos do número de utentes?”, questiona.

A vigília que está marcada para o sábado à noite junto às instalações do Centro de Saúde de Aveiro tem em vista “esclarecer a população e deixar bem claro que a degradação dos cuidados de saúde primários que se perspetiva para o ACeS Baixo Vouga num futuro próximo – e que não será mitigada com a ajuda deste concurso, muito pelo contrário – não pode ser vista como responsabilidade dos profissionais de saúde”, refere uma nota publicada na página da internet da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar.

LUSA/HN

Associação apela para que se viabilize mais cursos de Medicina nas universidades privadas

Associação apela para que se viabilize mais cursos de Medicina nas universidades privadas

Em declarações à Lusa, o diretor-executivo da APESP, Miguel Copetto, diz que os argumentos apresentados para ‘chumbar’ as propostas das instituições privadas não têm sido qualitativos, pois “os requisitos legais são cumpridos”.

“Nunca é por razões qualitativas. Não é pela apreciação das propostas em si que não são aprovados, não é por faltarem docentes, não é por faltarem protocolos com as unidades hospitalares [que garantem a formação], não é por nenhum desses motivos”, lamenta o responsável, insistindo: “o que importa é se as propostas preenchem os requisitos legais e de qualidade para aprovação”.

Em comunicado, a APESP insiste que as avaliações feitas até agora às propostas de Mestrado Integrado em Medicina apresentadas pelas instituições universitárias do ensino superior particular e cooperativo “consideram as respetivas estruturas curriculares e planos de estudos ‘adequados’ e cumprindo ‘os requisitos legais’”

“No entanto, os cursos não foram viabilizados”, acrescenta.

Citado no comunicado, Miguel Copetto afirma: “A abertura ao setor não estatal permitirá, não só a formação de médicos altamente qualificados, do ponto de vista humano e técnico-científico, como também não aumentará a despesa pública. Simultaneamente, evitará que tantos jovens tenham de ir estudar para fora”.

“Por cada mil portugueses que se formam em Medicina no estrangeiro saem do país cerca de 250 milhões de euros”, acrescenta a APESP.

Em declarações à Lusa, o responsável diz ainda que se está a olhar para esta questão “de uma forma muito curta” e sempre do ponto de vista do Serviço Nacional de Saúde português, sublinhando: “Não se vê como uma formação para o serviço de saúde no qual está integrada também a oferta privada”.

“Podem vir também estudantes estrangeiros para Portugal fazer esses cursos e isto representa entrada de divisas, não se está a pensar também no estudante português que possa fazer cá um curso e exercer no estrangeiro. É sempre uma visão muito curta”, insiste.

Refere igualmente que a qualidade das candidaturas apresentadas pelas universidades privadas em Portugal “em nada fica a dever às que têm sido apresentadas, e aprovadas, noutros países europeus” e dá o exemplo de Espanha, onde dos 43 cursos de Medicina existentes, 11 funcionam em universidades privadas.

Miguel Copetto frisa ainda que na Constituição portuguesa “está consagrada a liberdade de aprender e de ensinar” e insiste: “Isso deve permitir que cada pessoa, de acordo com as suas capacidades e desejos, deve ter a possibilidade de fazer a sua formação na área que pretende”.

“Se existe esse direito (…) deve ser permitido ter forma de o poder concretizar. No caso português, apesar de estar previsto na constituição, são centena de alunos que todos os anos tem de ir exercer essa liberdade para o estrangeiro”, acrescentou.

O responsável defende que o que deve estar na base da análise das propostas apresentadas pelas instituições universitárias – que são analisadas pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) – “é garantir que as propostas são avaliadas de forma idónea e independente e de acordo com o que está previsto na legislação. Isso é que é importante: que do ponto de vista qualitativo preencham o rácio necessário para que a formação seja de qualidade”.

A APESP chama ainda a atenção para o “potencial exportador do ensino da Saúde em Portugal”, sublinhando: “Nas universidades e politécnicos do setor social, privado e cooperativo português estudam já um grande número de alunos estrangeiros, esgotando em muitas instituições o limite de 30% de estudantes internacionais imposto pela legislação em vigor”.

“Desses estudantes, muitos são europeus, contribuindo com o seu poder de compra para a animação das economias locais”, acrescenta a nota.

A Universidade Católica foi a primeira privada a ver aprovado o curso de Medicina, que começou a funcionar este ano letivo (2021/2022), com 50 alunos.

LUSA/HN

Monkeypox: DGS confirma mais 11 casos, total sobe para 328 pessoas infetadas

Monkeypox: DGS confirma mais 11 casos, total sobe para 328 pessoas infetadas

“Todas as infeções confirmadas são em homens entre os 19 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, refere a DGS em comunicado, acrescentando que os novos casos foram confirmados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

As pessoas doentes estão estáveis e estão a ser acompanhadas clinicamente.

A maioria das infeções foi reportada na zona de Lisboa e Vale do Tejo mas também houve casos no Norte e no Algarve.

A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido identificou como grupo de maior risco os homens que fazem sexo com outros homens e que têm múltiplos parceiros, participam em sexo em grupo ou frequentam locais onde o sexo ocorre nas instalações.

A transmissão do vírus não está associada especificamente a relações homossexuais, mas é favorecida pela proximidade resultante de qualquer tipo de relação sexual.

De acordo com as autoridades de saúde, a manifestação clínica da Monkeypox é geralmente ligeira, com a maioria das pessoas infetadas a recuperar da doença em poucas semanas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, nódulos linfáticos inchados, calafrios, exaustão, evoluindo para erupção cutânea.

O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar aos 21 e, quando a crosta das erupções cutâneas cai, a pessoa infetada deixa de poder contagiar.

LUSA/HN

Terapia contra cancro agressivo vence Prémio Bluepharma/Universidade de Coimbra

Terapia contra cancro agressivo vence Prémio Bluepharma/Universidade de Coimbra

O projeto, liderado por Marta Costa, da Escola de Medicina da Universidade do Minho, consiste em criar uma “nova solução para os doentes oncológicos, sendo um tratamento menos agressivo e com o potencial de aumentar a taxa de sobrevivência destes doentes”, afirmou a Universidade de Coimbra, durante a cerimónia de entrega do prémio, que decorreu quarta-feira na Sala do Senado.

A solução encontrada por aquela equipa baseia-se na “molécula SM001, segura e eficaz, com um modo de ação inovador, diferente dos outros medicamentos atualmente em uso no cancro”, tendo mostrado “uma atividade notável em cancros agressivos e com mau prognóstico, como o carcinoma de células renais”.

Este carcinoma é o cancro mais letal do sistema urológico, tendo uma mortalidade aos cinco anos após diagnóstico de 47% e de 92% para os estádios III e IV, respetivamente.

“Este é um prémio que muito nos honra”, afirmou a investigadora Marta Costa, explicando que o perfil da molécula SM001 “é único”, tendo um nível de toxicidade “seguro e promissor”, sem registo de efeitos adversos em modelos animais.

A equipa terá mais dois anos de desenvolvimento pré-clínico antes de entrar nos primeiros ensaios em humanos, e, apesar de o foco da investigação estar naquele carcinoma de células renais, a molécula apresenta “muito potencial noutros cancros agressivos”, frisou Marta Costa.

Da equipa premiada, fazem ainda parte Fátima Baltazar, Fernanda Proença e Teresa Dias Coelho.

Durante a cerimónia, o presidente do júri, Seabra Santos, antigo reitor da Universidade de Coimbra, realçou que o júri “rapidamente chegou a um consenso” sobre o projeto vencedor.

No seu discurso, Seabra Santos frisou a importância da aposta na transferência de conhecimento para as empresas, para se poder aproveitar o esforço dos últimos 20 anos na criação de um sistema científico no país “de qualidade internacional”.

Já o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, parabenizou a equipa premiada e congratulou-se pela existência do galardão, que é atribuído há 20 anos, com periodicidade bienal.

“Depois da pandemia, ficámos a ter a certeza do que dizíamos e anunciámos em 2006. Nenhum de nós tinha ouvido falar da Moderna ou da Biontech e a vacina [contra a covid-19] surge num grupo de investigação nas universidades. O mundo é dos pequenos se souberem fazer alianças inteligentes e estratégicas com os grandes. Sonho que o prémio venha a representar uma destas descobertas importantes para toda a humanidade”, disse o presidente da Bluepharma, Paulo Rebelo.

O projeto vencedor recebe um prémio monetário de 20 mil euros, que poderá traduzir-se ainda num investimento suplementar de 30 mil euros no futuro.

O júri do Prémio Inovação Bluepharma/Universidade de Coimbra, presidido por Seabra Santos, é constituído por Luís Pereira de Almeida (Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra), Luís Almeida (BlueClinical), Miguel Botto (Portugal Ventures) e Sérgio Simões (Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e Bluepharma).

O prémio visa distinguir projetos científicos de excelência ao nível internacional na área das ciências da saúde que apresentem elevado potencial de transformação em produtos ou serviços.

LUSA/HN