Farmacêutica norte-americana limita venda de pílula do dia seguinte

Farmacêutica norte-americana limita venda de pílula do dia seguinte

O grupo afirma, no entanto, ter nas suas lojas “grandes stocks” de Plan B e Aftera, dois produtos destinados a serem tomados até três dias após a relação sexual desprotegida e que visam prevenir a fecundação.

A pílula do dia seguinte é diferente das drogas abortivas, que terminam uma gravidez.

No entanto, “para assegurar um acesso justo e disponibilização permanente nas lojas, limitamos temporariamente a três” o número de caixas que podem ser compradas numa só transação, disse um porta-voz da cadeia numa mensagem enviada à agência France-Presse.

A Wallgreens, outra grande rede de farmácias nos EU disse que não tem, “por enquanto”, planos para impor restrições à venda de pílulas do dia seguinte.

Segundo o Wall Street Journal, a cadeia de supermercados Walmart também estará a limitar a venda de pílulas do dia seguinte a quatro ou seis caixas para pedidos com entrega até ao final do mês, mas não para os expedidos a partir do início de julho.

LUSA/HN

Médicos vão poder continuar a passar receitas à mão

Médicos vão poder continuar a passar receitas à mão

Numa resposta enviada à Lusa a propósito do pedido que tinha sido feito pela Ordem dos Médicos (OM) para que a tutela alargasse para lá de 30 de junho a portaria que permite aos médicos passarem receitas à mão, o Ministério da Saúde assume que “está a ser ultimada uma alteração à portaria”.

“Reconhecidos, por todos, os méritos de um sistema de prescrição eletrónica, o objetivo do Ministério da Saúde é criar condições para que nos aproximemos cada vez mais desse sistema de forma plena, sem que seja excluída, no entanto, a possibilidade de prescrição a qualquer profissional habilitado pela sua ordem profissional”, refere o Ministério, acrescentando que, neste sentido, “está a ser ultimada uma alteração à Portaria n.º 390/2019, de 29 de outubro”.

No início do mês, a OM tinha insistido no pedido para que a tutela alargasse o prazo, dizendo que estava a receber vários apelos de médicos preocupados com o fim da prescrição de receitas por via manual, sublinhando que a “iliteracia informática contribui para que médicos mais velhos continuem a optar pelas receitas escritas à mão, sendo essa a única forma que têm de dar consultas e assistir os doentes”.

A OM lembrava que esta circunstância ocorre frequentemente “em zonas do país mais isoladas, onde há escassez de acesso a cuidados de saúde”.

Numa nota divulgada na altura às redações, a Ordem dos Médicos dizia que tinha promovido diversas ações de formação para estes profissionais, mas reconhecia que “um número residual de médicos” continuam “inadaptados informaticamente” e que esta situação era “bastante difícil de ultrapassar”.

Além da questão da inaptidão informática, lembrava a OM, a possibilidade da prescrição manual continua a ser essencial perante a inoperabilidade dos sistemas.

A nota adiantava igualmente que o bastonário tinha solicitado ao Ministério da Saúde que fosse prorrogada a manutenção das exceções contempladas na portaria, para que os médicos pudessem continuar a fazer prescrições manuais após 30 de junho.

Entre as exceções contempladas na portaria estão as situações de falência do sistema informático, de indisponibilidade da prescrição através de dispositivos móveis ou nas situações de prescrição em que o utente “não tenha a possibilidade de receber a prescrição desmaterializada ou de a materializar”.

LUSA/HN

BAD cria fundação para maior acesso a tecnologias de saúde em África

BAD cria fundação para maior acesso a tecnologias de saúde em África

Para o presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, trata-se de “um grande desenvolvimento para África”.

“África deve ter um sistema de defesa da saúde, que deve incluir três áreas principais: renovação da indústria farmacêutica africana, construção da capacidade de fabrico de vacinas em África e construção de infraestruturas de saúde de qualidade em África”, disse.

Durante a Cimeira da União Africana em Adis Abeba, em fevereiro de 2022, os líderes do continente apelaram ao BAD para facilitar a criação da Fundação Africana de Tecnologia Farmacêutica.

Adesina, que apresentou os argumentos para a criação da instituição à União Africana, afirmou: “África já não pode subcontratar a segurança dos seus 1,3 mil milhões de cidadãos à benevolência de outros”.

Segundo a instituição, a decisão é “um grande impulso” para as perspetivas de saúde de um continente que tem sido agredido durante décadas pelo fardo de várias doenças e pandemias, como a covid-19, mas tendo uma capacidade muito limitada de produzir os seus próprios medicamentos e vacinas.

África importa mais de 70% de todos os medicamentos de que necessita, gastando 14 mil milhões de dólares (13,2 mil milhões de euros) por ano.

Os esforços globais para expandir rapidamente o fabrico de produtos farmacêuticos essenciais, incluindo vacinas nos países em desenvolvimento, particularmente em África, para assegurar um maior acesso, têm sido dificultados pela proteção dos direitos de propriedade intelectual e patentes sobre tecnologias, conhecimento, processos de fabrico e segredos comerciais.

De acordo com o BAD, as empresas farmacêuticas africanas não dispõem de capacidade de prospeção e negociação, nem amplitude para se envolverem com empresas farmacêuticas globais.

“Têm sido marginalizadas e deixadas para trás em complexas inovações farmacêuticas globais. Recentemente, 35 empresas assinaram uma licença com a Merck americana para produzir Nirmatrelvir, um medicamento para a covid-19, e nenhuma delas era africana”, prosseguiu a organização.

Quando a Fundação Africana de Tecnologia Farmacêutica estiver plenamente estabelecida, será dotada de pessoal com peritos de classe mundial em inovação e desenvolvimento farmacêuticos, direitos de propriedade intelectual e política de saúde.

Esta fundação vai atuar como um intermediário transparente, avançando e intermediando os interesses do setor farmacêutico africano com empresas farmacêuticas globais e outras empresas do Sul para partilhar tecnologias, conhecimento e processos patenteados protegidos pela propriedade intelectual.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) saudaram e elogiaram esta decisão do BAD.

Para a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, a fundação “é um pensamento e uma ação inovadores do BAD que fornece parte das infraestruturas necessárias para assegurar uma indústria farmacêutica emergente em África”.

A Fundação, que funcionará no Ruanda, reforçará o compromisso do BAD de investir pelo menos 3 mil milhões de dólares (2,8 mil milhões de euros) durante os próximos 10 anos para apoiar o setor farmacêutico e de fabrico de vacinas, no âmbito do seu Plano de Ação Farmacêutico “Vision 2030”.

LUSA/HN