Nova investigação para ajudar a resolver a escassez de sangue na Irlanda

Nova investigação para ajudar a resolver a escassez de sangue na Irlanda

Um estudo da RCSI University of Medicine and Health Sciences identificou barreiras e motivadores para a doação de sangue a pessoas de grupos étnicos minoritários na Irlanda.

Os resultados do estudo ajudarão a resolver a recente escassez de sangue na Irlanda e também aumentarão a diversidade do fornecimento de sangue. As atuais carências têm consequências potencialmente graves para os doentes que necessitam de transfusões de sangue, particularmente doentes com doença falciforme, uma doença sanguínea hereditária que afeta os glóbulos vermelhos. A doença falciforme é particularmente comum entre pessoas com antecedentes familiares africanos ou caribenhos.

Os resultados são publicados esta semana na revista “Blood Transfusion”, antes do Dia Mundial das Células Falciformes, que se assinala amanhã, 19 de Junho.

O estudo intitulado “Motivadores e barreiras à doação de sangue entre potenciais doadores de etnia africana e caucasiana” é o primeiro do seu género a explorar a questão das diferenças étnicas nas doações de sangue entre diferentes grupos étnicos na Irlanda. Os resultados ajudarão em futuras campanhas de recrutamento de dadores de diversas origens étnicas na Irlanda, aumentando o fornecimento de sangue para transfusão e melhorando os cuidados aos doentes.

A Investigadora Principal, Dra. Helen Fogarty, da Faculdade de Farmácia e Ciências Biomoleculares, RCSI, afirmou: “O timing desta investigação é crucial. A Irlanda sofreu recentemente uma grande escassez de sangue, com o resultado de que, pela primeira vez em mais de 30 anos, o sangue tem sido importado do Reino Unido. Existe agora uma necessidade urgente de aumentar as doações de sangue, incluindo de pessoas de grupos étnicos minoritários. Os resultados deste estudo ajudam-nos a compreender porque é que estes grupos estão sub-representados e irão ajudar-nos a incluir pessoas de diferentes origens étnicas na doação de sangue no futuro, fazendo uma enorme diferença para todos os doentes que necessitam de transfusões de sangue”.

O estudo foi desenvolvido como parte do RCSI Student Innovation Challenge durante a RCSI Research Summer School 2021, que dá aos estudantes a oportunidade de desenvolver soluções para necessidades médicas urgentes. Mais de 380 pessoas participaram no inquérito que visava identificar motivadores e barreiras à doação de sangue. Os estudantes do RCSI e os vencedores do RCSI Student Innovation Challenge Muskan Sardana, Luke Sheridan, Phoebe Chieng e Sarah Kelly são coautores no jornal.

Os resultados revelaram que as barreiras à doação de sangue entre os respondentes não caucasianos incluíam a falta de informação e uma história de vida numa região endémica de malária. Os fatores que foram encontrados para motivar pessoas de minorias étnicas a doar sangue incluíram razões religiosas e o desejo de ajudar outros nas suas próprias comunidades. As constatações fornecem aos investigadores um foco para intervenções, incluindo campanhas de recrutamento para aumentar a diversidade étnica e a inclusividade entre os dadores de sangue na Irlanda.

NR/HN/Alphagalileo

Monkeypox: DGS divulga cuidados a ter em eventos antes e após contactos sexuais

Monkeypox: DGS divulga cuidados a ter em eventos antes e após contactos sexuais

A forma de apresentação e disseminação da infeção sugere que a transmissão esteja a acontecer por contacto próximo, incluindo relações sexuais, refere a DGS, adiantando que os casos notificados no atual surto foram na sua maioria detetados em homens que têm sexo com homens, embora a transmissão também tenha sido documentada noutras pessoas.

Portugal registou mais 35 casos de infeção pelo vírus ‘Monkeypox’, elevando para 276 o total de pessoas infetadas, todos homens que se encontram clinicamente estáveis, referiu hoje a DGS.

Segundo a informação divulgada pela autoridade de saúde, eventos públicos, privados e viagens, facilitaram a transmissão de infeções, mas estes eventos “poderão ser oportunidades para sensibilizar os participantes e transmitir informação, ao mesmo tempo que se podem desenvolver medidas de prevenção e higienização para reduzir riscos nesses contextos”.

Para a DGS, “os parceiros comunitários são essenciais para garantir uma comunicação eficaz e atempada, adequada ao público a envolver, identificar as principais mensagens de prevenção e promoção da saúde e o alinhamento entre todos os envolvidos, para identificar rumores/desinformação e ajudar a melhorar o conhecimento sobre a infeção, e para facilitar a adesão às medidas de proteção”.

Entre o conteúdo das ‘mensagens chave’ a transmitir, a DGS refere que a infeção por Monkeypox caracteriza-se pelo aparecimento de lesões na pele ou mucosas, que podem ser localizadas numa determinada região do corpo ou generalizadas, atingindo habitualmente a face e boca, membros superiores e inferiores ou região ano-genital.

O surgimento de sintomas deve motivar a procura de aconselhamento e avaliação médica e deve evitar-se o contacto físico próximo, incluindo relações sexuais.

“O contacto físico próximo é a principal forma de transmissão. Uma relação sexual pode envolver risco. Relações sexuais com múltiplos parceiros/as aumentam o risco”, destaca a DGS.

A utilização do preservativo é importante para prevenir a transmissão do VIH e outras infeções sexualmente transmissíveis (IST), mas não oferece proteção eficaz para o vírus Monkeypox, alerta ainda na informação.

Entre as medidas a adotar “antes, durante e após” os eventos, a DGS recomenda que seja desincentivada a participação em caso da existência de sintomas e que os organizadores considerem o envio de informação prévia aos participantes, através das redes sociais ou no momento da inscrição.

A DGS aconselha também formar os trabalhadores e funcionários sobre os sinais e sintomas mais comuns de infeção e sobre o aconselhamento a dar a casos suspeitos, bem como dispensar os funcionários/voluntários que apresentem sintomas.

Entre as sugestões, a autoridade de saúde quer que os organizadores incentivem os participantes a “guardar os contactos das pessoas com quem mantiverem contacto físico próximo, incluindo relações sexuais, caso seja necessário identificá-los posteriormente”.

Entre as recomendações de higiene, a DGS aconselha que “se existir roupa de cama, deve ser mudada após utilização por um novo participante/cliente”.

“Essa roupa deve ser manipulada por funcionários de limpeza que utilizem luvas e máscaras e lavada a mais de 60 graus centígrados. Após manipulação da roupa, deve retirar-se as luvas e lavar/higienizar as mãos”, pode ler-se.

A informação da autoridade de saúde adverte também contra a estigmatização da doença, tendo em conta que “a maioria dos casos até agora foram reportados em homens que têm sexo com homens”.

“O estigma e o medo podem dificultar as respostas em matéria de saúde pública, pois podem fazer com que as pessoas escondam a sua doença e são barreiras de acesso aos cuidados de saúde”, alerta a DGS.

Entre os conselhos para mitigar a estigmatização, a autoridade de saúde pede que se utilize “uma linguagem respeitosa e inclusiva” e que se transmitam “os factos de forma clara e acessível”.

De acordo com as autoridades de saúde, a manifestação clínica da ‘Monkeypox’ é geralmente ligeira, com a maioria das pessoas infetadas a recuperar da doença em poucas semanas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, nódulos linfáticos inchados, calafrios, exaustão, evoluindo para erupção cutânea.

O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar aos 21 e, quando a crosta das erupções cutâneas cai, a pessoa infetada deixa de ser infecciosa.

Portugal vai receber 2.700 doses das vacinas contra o vírus ‘Monkeypox’ adquiridas pela Comissão Europeia, confirmou recentemente a DGS, que está a elaborar uma norma técnica que definirá a forma como serão utilizadas.

NR/HN/LUSA

Café de Ciência sobre segurança no uso de medicamentos

Café de Ciência sobre segurança no uso de medicamentos

Os medicamentos são essenciais para tratamento e prevenção de doenças e sintomas; no entanto, quando não são usados de forma segura, podem ser prejudiciais.

Maria Teresa Herdeiro, investigadora do Instituto de Biomedicina (iBiMED) e docente do Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro, irá aprofundar esta questão e mostrar como todos podem contribuir para o sistema de farmacovigilância.

A conversa acontece em formato online e tem participação livre.

Esta é uma iniciativa da Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, da Escola Superior de Saúde e do Departamento de Ciências Médicas da Universidade de Aveiro, no âmbito do projeto “Comunidades Saudáveis”, financiado pela Ciência Viva.

Mais informações disponíveis aqui.

PR/HN/RA

Investigadores do i3S descobrem novo subtipo de células do timo

Investigadores do i3S descobrem novo subtipo de células do timo

Nuno Alves, Rúben Pinheiro e Pedro Ferreirinha são os investigadores envolvidos na descoberta.

 

Uma equipa de investigadores liderada por Nuno Alves, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), identificou uma nova população de células progenitoras dos fibroblastos que contribuem para a formação e atividade do timo, um órgão fundamental do sistema imunológico onde são geradas as designadas células T.

Neste estudo, publicado na revista Development, os autores mostram também que este novo subtipo de fibroblastos progenitores esgota-se com o avançar da idade. Estes resultados são importantes para o desenvolvimento de terapias capazes de reconstruir o timo ou regenerar a função tímica nos idosos e nos indivíduos imunossuprimidos.

O timo perde muito cedo a sua capacidade de produzir células T, as quais são fundamentais na resposta a patogénios e tumores ou na prevenção de doenças autoimunes. Existe, por isso, um grande interesse terapêutico em conseguir reativar a produção de células T em indivíduos com o sistema imunitário debilitado. Para que isso aconteça, é fulcral compreender a origem das diferentes células que compõem o complexo microambiente do timo: células epiteliais, fibroblastos e células endoteliais.

Neste estudo, a equipa do i3S identificou pela primeira vez os progenitores que dão origem aos fibroblastos tímicos, e que funcionam como uma rede de suporte essencial onde as células T ‘navegam’ e ‘crescem’.

“Descobrimos que, no timo fetal, predomina uma população com caraterísticas estaminais, e, em fases posteriores do desenvolvimento embrionário do modelo animal (murganho) que utilizámos, esta população de fibroblastos é progressivamente substituída por uma outra mais madura e funcional, processo este que nunca tinha sido descrito”, explica Pedro Ferreirinha, um dos primeiros autores do artigo.

“Percebemos também que estas populações partilham uma relação de proximidade em termos do seu desenvolvimento, ou seja, os fibroblastos progenitores desaparecem e dão origem a fibroblastos mais diferenciados. E isto acontece precisamente quando a função tímica começa a atingir o seu máximo de produção de células T», sublinha Rúben Pinheiro, outro dos primeiros autores.

Estes resultados, que também mereceram destaque por parte da equipa editorial da revista, “reforçam a ideia de que, ao longo da vida, a produção de células T esgota a funcionalidade do microambiente tímico”, acrescenta o investigador.

Novos passos para a regeneração e reconstrução do timo
Os autores mostram também que quando a diferenciação das células T no timo é perturbada, a população de fibroblastos progenitoras é mantida, sugerindo que os sinais das células T em desenvolvimento promovem a maturação dos fibroblastos. Estes dados contribuem para um quadro crescente em que a sinalização bidirecional entre as populações do microambiente tímico e das células T é essencial para o desenvolvimento e função deste órgão.

“Agora que conhecemos estes dois subtipos de fibroblastos”, sublinham Pedro Ferreirinha e Rúben Pinheiro, “o próximo passo é perceber se em pessoas imunodeprimidas estes subtipos estão alterados ou não funcionais”.

A nível de estratégias terapêuticas, adianta Nuno Alves, que liderou a investigação, “uma das soluções para corrigir a função tímica passa por regenerar o timo envelhecido e a outra passa por reconstruir artificialmente este órgão. Para se avançar para a segunda opção é fundamental compreender a origem das diferentes células que compõe o complexo e intrigante microambiente tímico”.

NR/HN

Distribuição Farmacêutica pede medidas urgentes para lidar com o aumento dos preços da energia

Distribuição Farmacêutica pede medidas urgentes para lidar com o aumento dos preços da energia

Entre as medidas propostas incluem-se o acesso a gasóleo profissional, a majoração na dedução dos gastos com combustíveis, o reembolso parcial sobre o ISP, a dedutibilidade do IVA no gasóleo e a isenção do pagamento do imposto único de circulação das viaturas afetas à atividade da distribuição farmacêutica.

Desde o início do ano, as empresas de distribuição farmacêutica de serviço completo registaram um aumento de 20% em custos energéticos. “Acresce que a distribuição de medicamentos consiste num setor extremamente regulado pelo Estado, que fixa administrativamente o preço e a margem destes bens essenciais, limitando a remuneração das empresas de distribuição que se veem forçadas a acomodar os custos crescentes de energia e combustíveis”, lê-se no comunicado enviado aos jornalistas.

“Nesse sentido, os distribuidores farmacêuticos têm realizado um inequívoco esforço para continuar a assegurar diariamente o fornecimento atempado e adequado de medicamentos e outras tecnologias de saúde em qualquer região do território nacional. Contudo, os impactos económico-financeiros que resultam destes aumentos estão a agravar-se em função da evolução do atual contexto de crise energética”, alerta a associação.

“Esta situação, a manter-se, traduz-se numa ameaça real ao normal funcionamento do circuito de abastecimento de medicamentos em Portugal e, consequentemente, da acessibilidade das populações a produtos de saúde essenciais ao seu bem-estar e recuperação de doença.”

Como tal, entende a ADIFA que estas medidas devem ser aplicadas “de forma imediata”, para que os distribuidores consigam manter o nível de serviço das suas operações de armazenamento e distribuição de medicamentos.

PR/HN/RA

Biofarmacêutica GSK compra Affinivax por 3.094 ME

Biofarmacêutica GSK compra Affinivax por 3.094 ME

Num comunicado hoje divulgado, a GSK precisa que “nos termos do acordo, a GSK adquirirá 100% das ações da Affinivax” e que “a contrapartida da aquisição compreende um pagamento antecipado de 2.100 milhões de dólares e dois potenciais pagamentos de 600 milhões de dólares a serem pagos após a realização de determinados marcos no desenvolvimento clínico na pediatria”.

A transação deverá fechar no terceiro trimestre de 2022 e a GSK contabilizará a transação como uma combinação de negócios.

“A nova GSK reafirma a sua orientação para o ano completo de 2022 e as perspetivas de médio prazo para 2021-2026 de mais de 5% de vendas e 10% de lucro operacional ajustado”, indica o comunicado.

No comunicado, a GSK refere ainda que “a Affinivax é pioneira no desenvolvimento de uma nova classe de vacinas, das quais as mais avançadas são as vacinas pneumocócicas de próxima geração”.

“A proposta de aquisição fortalece ainda mais o nosso ‘pipeline’ de I&D em vacinas, fornece acesso a uma nova e potencialmente disruptiva tecnologia e amplia a pegada científica da GSK. Estamos entusiasmados por começar a trabalhar com as pessoas talentosas da Affinivax e combinar as nossas capacidades de desenvolvimento, produção e comercialização para disponibilizar esta nova tecnologia a quem dela necessita”, afirmou Hal Barron, diretor científico e presidente de I&D da GSK, refere o comunicado.

LUSA/HN