Proibição nacional do aborto colocaria em risco saúde das mulheres, diz Casa Branca

Proibição nacional do aborto colocaria em risco saúde das mulheres, diz Casa Branca

Também traria graves consequências para os médicos, avisam as entidades.

“Se aprovado e promulgado, este projeto-lei criaria uma crise de saúde nacional, colocando em risco a saúde e a vida das mulheres em todos os 50 estados”, segundo uma análise preliminar da presidente do Conselho de Política de Género da Casa Branca, Jennifer Klein.

A Casa Branca adiantou que a proposta republicana pode ter um efeito assustador, com médicos a recusarem-se a cuidar de pacientes.

“Isso transformaria a prática da medicina, abrindo a porta para os médicos serem detidos se cumprirem o seu dever de cuidar dos pacientes, segundo o seu melhor diagnóstico”, refere o estudo.

Os médicos correm o risco de enfrentar acusações criminais por realizar um aborto para proteger saúde da grávida, oferecer assistência ao aborto espontâneo, fornecer um aborto a uma mulher cujo bebé não tem hipóteses de sobrevivência ou tratar uma vítima de violação sexual que não preenche totalmente os requisitos de notificação.

A proposta apresentada na semana passada pelo senador republicano Lindsey Graham sugere uma proibição nacional que permitiria raras exceções.

No entanto, a moção não tem chance de se tornar lei no Congresso dos Estados Unidos, por ser controlado pelos democratas, que veem o texto como um sinal de alarme para as eleições intercalares de novembro.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, uma organização sem fins lucrativos que representa mais de 60.000 médicos em todo o país, enviou uma carta à Casa Branca na quinta-feira a descrever as suas preocupações sobre a proposta dos republicanos.

O grupo discordou do “limite arbitrário de idade gestacional”, porque “não é baseado em ciência e evidências médicas”, e “interferiria drasticamente na capacidade dos pacientes de receber atendimento médico apropriado, incluindo atendimento pré-natal, controlo de aborto espontâneo e assistência ao aborto”.

NR/HN/LUSA

Índice de transmissão do vírus ultrapassa o limiar de 1 em Portugal

Índice de transmissão do vírus ultrapassa o limiar de 1 em Portugal

Segundo o relatório semanal do INSA sobre a evolução da covid-19, o valor médio do Rt – que estima o número de casos secundários de infeção resultantes de cada pessoa portadora do vírus – aumentou dos 0,98 para os 1,02 a nível nacional, chegando aos 1,03 na última sexta-feira.

O INSA refere ainda que o número médio de casos diários a cinco dias passou dos 2.468 para os 2.642 a nível nacional (2.477 no continente), apesar de continuar a ser um dos valores mais baixos de contágios registados ao longo deste ano.

A média de contágios diários mais elevada ocorreu no final de janeiro, altura em que chegaram a ser notificados 49.795 casos na média a cinco dias.

A nível regional, os dados agora divulgados indicam que o Rt é de 0,98 no Centro, enquanto as restantes seis regiões estão com este indicador acima do limiar de 1, mais duas do que na semana anterior.

O Norte apresenta um Rt de 1,03, Lisboa e Vale do Tejo de 1,03, o Alentejo de 1,04, o Algarve de 1,07, os Açores de 1,18 e a Madeira de 1,33.

Na quinta-feira, a Direção-Geral da Saúde (DGS) atualizou a orientação sobre as medidas de saúde pública, recomendando o uso de máscara nas farmácias, nos transportes públicos e nos aeroportos, terminais marítimos e redes de metro e de comboio, tendo em conta a “atual situação epidemiológica e a melhor evidência científica”.

Esta recomendação surgiu cerca de três semanas após o Governo ter decretado o fim da obrigatoriedade do uso de máscara nos transportes públicos de passageiros, em táxis e TVDE e aviões.

Segundo a orientação, mantém-se o uso obrigatório de máscara em estabelecimentos de serviços de saúde, em estruturas residenciais ou de acolhimento ou serviços de apoio domiciliário para populações vulneráveis, pessoas idosas ou pessoas com deficiência, bem como unidades em unidades Rede Nacional de Cuidados.

O INSA estima que, desde 02 de março de 2020, quando foram notificados os primeiros casos, até 16 de setembro, Portugal tenha registado um total de 5.464.168 infeções pelo vírus que provoca a covid-19.

NR/HN/LUSA

Especialistas debatem vulnerabilidade dos doentes renais à COVID-19

Especialistas debatem vulnerabilidade dos doentes renais à COVID-19

Em nota à imprensa, o Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP) vem recordar que “Numa altura em que Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde, considera que, apesar de “ainda não termos chegado lá, o fim da pandemia está à vista”, os doentes nefrológicos continuam vulneráveis ao vírus responsável pela COVID-19. Uma  vulnerabilidade, informa o comunicado do CHUP, que vai estar em destaque num Simpósio de Nefrologia e Transplantação do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), que se irá realizar no próximo dia 23, entre as 9h00 e as 17h00, de forma remota ou presencial, neste caso no Salão Nobre do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.

‘Doença Renal e COVID-19: enfrentando os desafios para a proteção dos vulneráveis’ é o nome do evento, que conta com o apoio da AstraZeneca e está sujeito a inscrição, onde se irão falar, entre outros, do impacto das estratégias de contenção da pandemia nas pessoas com doença renal, do impacto da vacinação na infeção por COVID-19, da maior vulnerabilidade associada à imunossupressão ou ainda das novas estratégias para a proteção de doentes nefrológicos vulneráveis.

Mais informações, custos e inscrição através do link

PR/HN

IPO do Porto avaliou qualidade de vida dos dadores de medula óssea

IPO do Porto avaliou qualidade de vida dos dadores de medula óssea

O objetivo desta investigação, a que a Lusa teve hoje acesso, passa por avaliar resultados pós-dádiva, nomeadamente o tempo até a recuperação completa, a prevalência de eventos adversos ou complicações e a qualidade de vida do dador.

A diretora do Serviço de Terapia Celular do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, Susana Roncon, afirma em comunicado que “esta análise exploratória permite validar as campanhas de desmistificação junto da população e impulsionar a sociedade para a dádiva sem medos ou receios”.

“A dádiva é segura”, sustenta.

O presente estudo “pioneiro em Portugal”, que incidiu numa análise exploratória dos primeiros 32 doentes, entre janeiro e junho deste ano, será apresentado no sábado, Dia Mundial do Dador de Medula Óssea, na 4.ª edição do evento “Desmistificar a Dádiva de Células”, que este ano é subordinado ao tema “A importância do suporte familiar”.

O IPO do Porto pretende prosseguir com o estudo, uma vez que “este propósito está alinhado com a estratégia internacional do Conselho Europa e do Grupo Europeu de Transplantação de Medula Óssea (EBMT)”.

Com estas iniciativas de sensibilização, o instituto pretende homenagear os dadores, agradecer a dádiva voluntária e desmistificar receios e ideias erróneas.

“Este é um dia para consciencializar as entidades responsáveis e a comunidade sobre a importância da inscrição como dador voluntário de medula óssea e do impacto que o transplante tem no tratamento dos doentes, ajudando a salvar vidas”, explica Susana Roncon.

No IPO do Porto, em 2021, realizaram-se 50 doações que foram exportadas para 13 países diferentes.

Acrescem ainda 38 colheitas a dadores familiares e 142 colheitas autólogas, exclusivamente para transplante de doentes do IPO do Porto.

Neste momento, o Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (CEDACE) conta com mais de 400 mil dadores, mantendo o quarto lugar dos países com mais dadores inscritos por milhão de habitantes.

O Serviço de Terapia Celular do IPO-Porto realiza colheita de células e medula óssea a dadores voluntários inscritos no CEDACE.

Estes produtos celulares são enviados para centros de transplante nacionais e internacionais para tratarem doentes com patologia oncológica e não oncológica.

O serviço iniciou a atividade de exportação em 2000, tendo já enviado mais de 700 produtos para 36 países diferentes nos continentes da Europa, América, Ásia e Oceânia.

Em paralelo com esta atividade, recebe dadores familiares e ainda doentes que realizam colheita de células para si próprios (as chamadas colheitas autólogas), sendo o único serviço do Norte e Centro de Portugal a realizar este procedimento a crianças e adolescentes.

NR/HN/LUSA

ACREDITAR diz que há “Falta de Estratégia para o Cancro Pediátrico”

ACREDITAR diz que há “Falta de Estratégia para o Cancro Pediátrico”

No Mês Internacional de Sensibilização para o Cancro Pediátrico, a Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro emitiu um comunicado onde reafirma a sua preocupação com a “falta de ambição na Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro (ENLCC) na área da oncologia pediátrica.”.

Na nota À imprensa, a associação aponta: “Afirmando-se como um instrumento de planeamento que integrará as recomendações do Plano Europeu de Luta Contra o Cancro (PELCC), o documento português fica aquém do que a comissão europeia definiu como uma prioridade – a oncologia pediátrica. Oportunidade perdida na definição de prioridades numa área que nunca tinha constado num plano nacional oncológico”.

Para a ACREDITAR São diversas as implicações da falta de importância da área na estratégia nacional:

“Não vemos estratégia para a actualização dos dados em pediatria, no que ao Registo Oncologico Pediátrico diz respeito. É especificamente dito no PELCC que o sistema de informação europeu em cancro deve ser emendado, no sentido de incluir uma nova secção especialmente modelada para ter em conta as especificidades do cancro pediátrico. Existem vários grupos de trabalho na Europa que estão a trabalhar a actualização de dados sendo a posição portuguesa uma das que não tem números globais nem actualizados no que respeita à Pediatria e em que não se sabe quando isso acontecerá. A estratégia deveria implicar a sua existência, dentro de um prazo razoável e explicitando os meios e o caminho a percorrer para lá chegar”, afirmam os responsáveis da acreditar que acrescentam:·”O mesmo acontece com a participação nacional na EU Network of Youth Cancer Survivores. O cancro nos adolescentes e nos jovens adultos é mais parecido com o cancro pediátrico do que com os cancros dos adultos. Em Portugal, é como se isto fosse uma realidade desconhecida, não havendo dados nem reconhecimento das várias problemáticas desta população. Como se pode participar numa rede europeia de jovens sobreviventes de cancro se estes – adolescentes e jovens adultos – são completamente ignorados?” questiona

Ainda sobre os dados, A ACREDITAR explica que “a Estratégia diz que o “Cancer Survivor Smartcard” será implementado em 2023. Desconhecemos qual o desenvolvimento que está a ser feito para que isto seja uma realidade relativamente ao cancro dos adultos. Também não há indicação de que esta importante ferramenta de gestão da doença por parte do próprio doente tome em conta as peculiaridades da pediatria, como faz exatamente o PELCC. Este diz que o Smart Card deve “tomar em conta as especificidades dos sobreviventes de cancro pediátrico, incluída a monitorização de longo prazo, a monotorização de efeitos, a reabilitação, o apoio psicossocial, os módulos educacionais a conectividade com os serviços de saúde e a informação sobre o passado”.

Segundo a Associação, ” O documento prevê o acesso aos seguros (dos sobreviventes de cancro) para 2025, ignorando totalmente a entrada em vigor da Lei do Esquecimento – muito por força dos sobreviventes de cancro pediátrico – a qual foi publicada em 2021 e entrou em vigor em 2022. O que deveria ser importante neste documento é determinar uma estratégia para a sua regulamentação – os sobreviventes continuam a ser discriminados quando tentam obter um seguro de vida, por exemplo – e não querer implementar uma lei que já está em vigor”.

E prossegue: “A investigação é fundamental para que desenvolvam novos tratamentos, menos tóxicos e como menos efeitos indesejados, agudos ou tardios, melhorando a qualidade de vida do doente e do sobrevivente. Salientamos a necessidade de existirem recursos protegidos e afectos à pediatria de forma a garantir que, por muito pequeno que seja o investimento que lhe é dedicado, este pelo menos existe. Esta tem sido a estratégia europeia para o desenvolvimento de medicamentos onco-pediátricos e tem dado alguns frutos embora ainda incipientes por haver a necessidade de ir mais longe no que está preconizado.”

Pegando numa recomendação usada no Plano Europeu, a ACREDITAR pede que se analisem bem as omissões relativas á pediatria e aos jovens e se emende a Estratégia para a Oncologia em Portugal.

PR/HN

Número de pedidos de ajuda alimentar em Espanha aumenta

Número de pedidos de ajuda alimentar em Espanha aumenta

Em Espanha, produtos como o azeite, ovos, leite ou carne de frango podem atingir ou ultrapassar aumentos de 20%.

De acordo com os organismos humanitários, a situação está a agravar-se porque ao mesmo tempo verifica-se, desde o início do ano, uma descida no número de doações de alimentos.

Em Madrid, o Banco Alimentar notou, antes do verão, a diminuição do número de doações que correspondem, atualmente, a menos 40% em relação aos meses antes do início da guerra na Ucrânia (fevereiro), disse à Efe uma porta-voz do organismo da capital espanhola.

O número de refeições diárias também aumentou desde o começo do verão, segundo os registos do Banco Alimentar, passando de 186 mil para 187 mil na Comunidade de Madrid.

As entidades que colaboram com o Banco Alimentar madrileno referem também o aumento progressivo de pessoas que pedem refeições todos os dias, porque os ordenados “não chegam ao final do mês”.

Em Barcelona também aumentaram as filas nos 17 refeitórios sociais da cidade que em 2021 distribuíram 536 mil refeições a 13.158 pessoas necessitadas ou sem-abrigo.

Durante o verão chegou a verificar-se uma rutura no abastecimento de produtos alimentares, apesar de ter aumentado o número de voluntários nos refeitórios sociais da capital da Catalunha.

No hospital de campanha da paróquia de Santa Anna, Barcelona, foram distribuídas sete mil refeições nos meses de julho e agosto de 2021 sendo que o número aumentou para dez mil em igual período em 2022.

De acordo com os responsáveis, com a situação da crise sanitária (covid-19) normalizada e depois do fim das restrições a previsão era que o número de pessoas que recorrem aos serviços de ajuda pudessem diminuir para os níveis de 2019 mas aumentaram por causa das consequências sociais e económicas da pandemia e da guerra na Ucrânia.

As entidades sociais de Barcelona preveem que em 2022 vão ser servidas mais refeições nos refeitórios sociais porque se verifica um aumento de pessoas sem-abrigo e por causa do aumento dos preços dos alimentos.

No caso de Múrcia, o aumento dos preços dos produtos alimentares do cabaz de compras básico modificou o “perfil” das pessoas que pedem ajuda pela primeira vez, disse à agência Efe, Daniel López, da Fundação Jesus Abandonado que fornece alimentos e refeições a quem precisa.

Segundo López, aumenta o número de famílias, e não de pessoas sem-abrigo, que procura ajuda da organização na obtenção de alimentos em Múrcia.

Em Córdova, o Banco Alimentar que distribui em média 350 toneladas de alimentos por mês a entidades na cidade da Andaluzia refere que os próximos meses vão ser “complicados”.

A inflação está a provocar um aumento significativo da procura e, por isso, a entidade de Córdova acumulou alimentos em julho e agosto estimando que no outono e no inverno vai aumentar o número de pessoas “mais vulneráveis”.

A mesma situação verifica-se também em Granada onde o Banco Alimentar enfrenta atualmente um aumento da procura que já atinge valores semelhantes aos que se verificaram durante o pico mais elevado da pandemia de SARS CoV-2.

Paralelamente, o número de doações – em produtos e dinheiro – diminuiu.

“Antes, o dinheiro que recebíamos permitia encher um cabaz com dez produtos, agora só conseguimos seis”, disse à Efe um funcionário do Banco Alimentar de Córdova.

Na cidade da Andaluzia, em 2021 foram atendidas 39.680 pessoas mas este ano o número já atingiu as 45 mil pessoas necessitadas sendo que os aumentos nos preços da eletricidade e do gás também estão a afetar a situação, acrescentou o mesmo responsável.