Enfermeiros ingleses lançam apelo ao primeiro-ministro antes da greve

Enfermeiros ingleses lançam apelo ao primeiro-ministro antes da greve

Espera-se que na segunda-feira elementos do sindicato do Colégio de Enfermagem – composto por 90% de mulheres – adiram a uma paralisação em conjunto com outros trabalhadores do setor da saúde, como paramédicos ou pessoal de ambulância, afetos aos sindicatos GMB e Unite.

Na terça-feira, serão os membros do sindicato RCN, que representa dois terços dos enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) que aderem à greve.

Em carta enviada ao líder conservador, a que a cadeia britânica BBC teve acesso, Cullen faz “um apelo direto” a Sunak, pela primeira vez, e diz-lhe que uma oferta renovada “significativa” ou novas negociações poderiam suspender a ação.

“Peço-lhe que empregue este fim-de-semana para reajustar o Governo aos olhos dos cidadãos e demonstrar que está do lado dos contribuintes decentes e trabalhadores”, refere Cullen na missiva.

Segundo a líder sindical, não poderia haver “maneira mais sensata” de demonstrar este compromisso do que “acabar com a greve dos enfermeiros”.

Este renovado apelo ao executivo surge depois de o pessoal sanitário do NHS em Gales suspender a greve programada, após ter recebido uma proposta melhorada de 3% adicional, correspondente ao atual ano fiscal.

“Em consequência, cancelamos a nossa greve em Gales prevista para segunda-feira e terça-feira. Na Escócia, as negociações continuam sobre o pagamento adicional para o atual ano fiscal também e não se planearam greves”, acrescentou Cullen.

O executivo conservador de Rishi Sunak considera que as exigências destes trabalhadores para melhorarem as suas condições não podem ser atendidas e mantém que os aumentos salariais são decididos pelos organismos independentes de revisão salarial.

LUSA/HN

Bayer quer integrar o top 10 de empresas líderes em oncologia em 2023

Bayer quer integrar o top 10 de empresas líderes em oncologia em 2023

A Bayer tem em consideração que o cancro não é apenas uma doença, mas tem muitas manifestações diferentes, e continua a investir em áreas com potencial para responder a necessidades adicionais não atendidas no cancro, incluindo radiofármacos direcionados, terapias-alvo, imuno-oncologia de nova geração, terapia celular oncológica, bem como abordagens de oncologia de precisão.

A Imuno-oncologia trouxe uma grande mudança à forma como a Bayer aborda o tratamento do cancro. Os cientistas da Bayer estão a desenvolver novas formas de reativar as defesas imunitárias do organismo contra as células cancerígenas e estão empenhados em alargar os benefícios a mais doentes. E a Bayer tem vindo a aplicar hoje a energia de precisão das partículas alfa para destruir seletivamente células tumorais – enquanto é reduzida drasticamente a exposição à radiação de células saudáveis.

“Cada pessoa é única; cada tumor é distinto. E é por isso que impulsionamos a investigação inovadora através de uma vasta gama de alvos e modalidades de tratamento do cancro. Para nos ajudar a continuar a realizar todo o potencial da ciência e da tecnologia, reunimos os principais investigadores mundiais para libertar o poder da colaboração numa rede global. Estamos empenhados em encontrar os objetivos de amanhã – fazer uma diferença duradoura no mundo da investigação do cancro. E com novas capacidades, estamos a procurar soluções para doenças que se pensava não terem tratamento durante anos”, refere Marco Dietrich, diretor-geral da Bayer em Portugal.

Espera-se que, nos próximos anos, a prevalência de doenças crónicas como doenças cardiovasculares ou cancro aumente drasticamente devido ao envelhecimento da população e uma classe média crescente com estilos de vida sedentários.

A Bayer tem-se focado em novas opções tratamento para doenças com necessidades médicas não atendidas, tais como cancro e doenças cardiovasculares, nomeadamente o cancro da próstata, que é um problema mundial de saúde, representando cerca de 3,5% de todas as mortes e mais de 10% das mortes por cancro. Em Portugal, o cancro da próstata é o mais frequente em homens com mais de 50 anos, afetando cerca de seis mil portugueses por ano.

PR/HN/RA

China regista mais de três mil mortes por covid-19 entre 27 de janeiro e 02 de fevereiro

China regista mais de três mil mortes por covid-19 entre 27 de janeiro e 02 de fevereiro

Entre as quase 6.500 mortes hospitalares, o CDC chinês indicou que 289 óbitos foram causados diretamente pela covid-19 e 3.147 indiretamente.

O número de mortes durante o período de sete dias representa uma queda de quase 50% em relação aos sete dias anteriores, entre 20 e 26 de janeiro, quando foram registados 6.364 óbitos, de acordo com os meios de comunicação social estatais.

Na última atualização, o CDC acrescentou que, cerca de 99 mil pessoas foram hospitalizadas devido à covid-19 em todo o país, desde 02 de fevereiro, incluindo 653 em estado grave.

Desde o final de dezembro, a China deixou os boletins diários sobre casos e óbitos devido ao SARS-CoV-2 e passou a divulgar boletins semanais, em parte porque o fim dos testes PCR de rotina para grande parte da população significava que a propagação do vírus não podia ser rastreada com precisão.

O último boletim semanal já não inclui o recentemente concluído período de férias do Ano Novo Lunar, entre 21 e 27 do mês passado, mas permanece dentro do chamado “chunyun”, o pico da migração humana sazonal para as férias desta época, que termina no dia 15 deste mês.

Especialistas chineses e internacionais alertaram que aquele período podia causar uma nova onda de infeções e pressão hospitalar nas zonas rurais, com recursos de saúde escassos, devido ao elevado número de deslocamentos.

A empresa britânica de análise de dados na área da saúde Airfinity previu que o país podia registar cerca de 36 mil mortes por dia, naquela semana de férias.

Depois de quase três anos de rigorosas medidas antipandemia, como confinamentos e encerramentos fronteiriços quase totais, a China começou a abandonar a política ‘zero covid’, no início de dezembro, e a 08 de janeiro baixou a gestão da doença da categoria A – o nível de perigo mais elevado – para a categoria B, marcando efetivamente o fim desta estratégia.

LUSA/HN

Austrália aprova uso de substâncias psicoativas para fins medicinais em duas doenças

Austrália aprova uso de substâncias psicoativas para fins medicinais em duas doenças

A medida entra em vigor a partir de 01 de julho, segundo um comunicado da Administração de Ativos Terapêuticos (TGA na sigla em inglês), emitido na sexta-feira e hoje divulgado pelos meios de comunicação australianos, onde é dito que se permite que ambas as substâncias sejam prescritas por “psiquiatras especificamente autorizados para o tratamento de algumas doenças mentais”.

A entidade reguladora do medicamento da Austrália permite, assim, a prescrição da droga sintética MDMA (3,4-metilendioximetanfetamina) para o tratamento do síndroma de stresse pós-traumático e da psilocibina para a depressão quando o paciente não melhora com outros medicamentos.

“Estas são as únicas duas doenças para as quais há evidências suficientes de benefício potencial para alguns pacientes”, refere-se no comunicado.

Para prescrever medicamentos com estas substâncias, os psiquiatras terão de obter a aprovação da TCA, que submeterá o pedido à apreciação de um comité de investigação ética.

A TGA reconheceu a “falta de opções” para pacientes com doenças mentais que resistem ao tratamento, mas assinala que será necessário controlar os possíveis efeitos adversos destas terapêuticas.

Sublinha além disso que a utilização destas substâncias fora destas duas doenças continua a ser proibida.

Embora no mercado australiano não existam produtos licenciados que contenham qualquer uma daquelas substâncias, a TGA vai permitir que os psiquiatras autorizados a prescrevê-las, adquiram legalmente os “medicamente não aprovados” que as contenham.

LUSA/HN

OMS divulga plano para evitar 2,5 milhões de casos de cancro da mama até 2040

OMS divulga plano para evitar 2,5 milhões de casos de cancro da mama até 2040

A nova estrutura da Iniciativa Global Contra o Cancro da Mama com o referido roteiro, divulgada em comunicado, foi lançada na véspera do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, que se assinala hoje.

A agência da ONU recomenda aos países que apliquem os três níveis de promoção da saúde – deteção precoce, diagnóstico atempado e tratamento completo – e estabelece objetivos para atingir a referida meta.

Em relação aos programas de deteção precoce, o objetivo é diagnosticar e tratar 60% dos tumores numa fase inicial, assinalando-se que diagnosticar o cancro nos 60 dias após a deteção pode melhorar os resultados do tratamento e que este deve começar três meses após se ter conhecimento da doença.

De acordo com o plano, o outro objetivo é que pelo menos 80% das pacientes completem o tratamento recomendado.

Segundo a agência de saúde das Nações Unidas, o cancro da mama é o mais comum entre os adultos, com mais de 2,3 milhões de novos casos anualmente.

“Em 95% dos países, o cancro da mama é a primeira ou a segunda causa de morte por cancro das mulheres”, refere o comunicado.

A OMS chama a atenção para a grande diferença na taxa de sobrevivência entre países e regiões do mesmo país, assinalando que quase 80% das mortes por cancro da mama e cervical (colo do útero) ocorrem em países de rendimento médio-baixo.

Segundo a organização, nos países mais ricos nove em cada 10 doentes sobrevive pelo menos cinco anos, enquanto na Índia sobrevivem seis em 10 e na África do Sul apenas quatro.

Com a nova estrutura, a OMS pretende reduzir a taxa de mortalidade global devido ao cancro da mama em 2,5% anualmente até 2040.

“Os países com sistemas de saúde mais fracos são menos capazes de gerir o fardo crescente do cancro da mama. Isto coloca uma enorme pressão sobre indivíduos, famílias, comunidades, sistemas de saúde e economias, por isso deve ser uma prioridade para os ministérios da saúde e governos em todos os lugares”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado no comunicado.

O responsável indicou que existem saber e ferramentas para prevenir este tumor maligno, adiantando que “a OMS apoia mais de 70 países, sobretudo de rendimento médio-baixo, para que o cancro da mama seja detetado mais cedo, diagnosticado mais rapidamente e mais bem tratado, e todos os pacientes possam ter a esperança de um futuro sem a doença”.

A OMS alerta ainda para o facto de o cancro nas mulheres, incluindo o da mama, ter um “impacto devastador” na geração seguinte.

Refere a propósito um estudo de 2020 da Agência Internacional para a Investigação do Cancro que calcula, com base numa estimativa de 4,4 milhões de mulheres a morrerem de cancro nesse ano, que quase um milhão de crianças ficaram órfãs, “25% das quais devido ao cancro da mama”.

Bente Mikkelsen, diretora da Divisão de Doenças Não Transmissíveis da OMS, defendeu que os países precisam de integrar a nova estrutura nos cuidados de saúde primários.

“Este esforço não só facilitará a promoção da saúde, mas também ajudará as mulheres a procurar e a ter cuidados de saúde durante toda a vida”, disse, citada no comunicado.

LUSA/HN

Na China rural o “pior passou” mas mágoa persiste após fim da política ‘zero covid’

Na China rural o “pior passou” mas mágoa persiste após fim da política ‘zero covid’

“Os médicos e enfermeiros choravam todos os dias”, contou Su Xiaoxiang, enfermeira no Hospital do Povo de Santai, condado com mais de 940 mil habitantes, a cerca de 120 quilómetros de Chengdu, a capital da província de Sichuan. “Agora, estamos felizes”, disse.

Face ao crescente descontentamento popular e colapso dos dados económicos, as autoridades chinesas optaram por um desmantelamento acelerado da estratégia ‘zero covid’, que vigorou no país ao longo de quase três anos e incluía o bloqueio de cidades inteiras, durante semanas ou meses, e a realização constante de testes em massa, entre outras medidas.

A súbita retirada das restrições, no início de dezembro passado, sem estratégias de mitigação ou aviso prévio, resultou numa vaga de infeções que terá abrangido até 90% da população, em algumas províncias, no espaço de pouco mais de um mês, segundo estimativas de diferentes governos locais.

No Hospital do Povo de Santai, quase todas as 800 camas foram ocupadas por pacientes com sintomas graves de covid-19, contou Su à Lusa. Camas dobráveis foram ainda dispostas pelos corredores, visando criar espaço para o fluxo de pacientes, sobretudo idosos, que acorreram à unidade de saúde.

Seis ambulâncias surgem agora estacionadas junto à porta oeste do hospital, um edifício de dez andares. Apenas um paciente está sentado nas dez cadeiras dispostas no departamento de infeções respiratórias.

As imagens de macas com pacientes, amontoadas em corredores onde ecoava o som de tosses persistentes, é uma “memória distante”, assegurou à Lusa o vice-secretário do Partido Comunista no hospital, Zhu Shiying. “O vírus tão depressa veio, como foi”, frisou.

Sem detalhar quantos pacientes morreram pela doença no hospital, Zhu revelou que foram sobretudo idosos, na casa dos oitenta ou noventa anos.

A avalanche de infeções, no entanto, deixou marcas que subsistem. Na aldeia de Baishu, a cerca de 50 quilómetros de Santai, uma residente, que solicitou anonimato, contou à Lusa que alguns dos seus familiares e vizinhos ficaram em estado grave e que outros morreram.

“Os seus corpos estão ainda em fila de espera para serem cremados em Deyang”, explicou. “Não há capacidade suficiente”, afirmou a mesma residente, acrescentando que alguns dos locais acabaram por recorrer a camponeses da vila, com formação básica, para fazerem a cremação. Situada a mais de 50 quilómetros, Deyang é a cidade mais próxima de Baishu.

Outros foram enterrados nos terrenos da respetiva família, uma prática habitual no interior do país. Os camponeses continuam então a plantar e a criar gado em torno das campas dos seus antepassados.

Face à ausência de medicação, alguns dos moradores tiveram que recorrer a remédios caseiros tradicionais – xaropes derivados de extractos de plantas ou água quente com raízes de peónia, alcaçuz, gengibre e alho -, contou a residente.

O impacto da doença aqui é, porém, difícil de avaliar: nenhum dos familiares ou vizinhos da residente ouvida pela Lusa foi testado para o vírus, devido à ausência de testes laboratoriais ou de antigénio.

O centro de saúde de Baishu – um edifício de três pisos, todo pintado em branco – deixou de aceitar pacientes na segunda semana após o surto chegar à aldeia. As salas de internamento somam cerca de 60 camas, dispostas lado a lado. A aldeia tem 28.660 residentes, entre os quais mais de 11.000 estão migrados noutros locais do país, de acordo com dados do último censo da China, realizado em 2018.

No sistema de saúde chinês, os hospitais de condado são instalações de segundo ou terceiro nível – o último nível das unidades com equipamento avançado, incluindo camas de cuidados intensivos e ventiladores. No entanto, continuam a não ter número suficiente de especialistas e equipamento para lidar com casos complexos e graves, em comparação com hospitais urbanos de nível semelhante, segundo o governo chinês, que apontou estas insuficiências como o principal motivo para manter a política de ‘zero casos’ ao longo de quase três anos.

Mas, em aldeias como Baishu, o sistema de saúde depende ainda de camponeses com treino médico e paramédico básico, conhecidos como “médicos de pés descalços”, uma herança das campanhas lançadas após a fundação da República Popular, em 1949, para fornecer serviços básicos de saúde nas zonas rurais. O centro de saúde local carece também de ventiladores e outro equipamento utilizado em cuidados intensivos.

“As famílias urbanas vão ao hospital à procura de tratamento e podem apurar se estão positivas”, explicou à Lusa o epidemiologista Yanzhong Huang, natural de uma aldeia no nordeste da China e que dirige atualmente a pesquisa em assuntos de saúde global no Conselho de Relações Externas, um centro de reflexão (‘think tank’) com sede em Nova Iorque. “Nas áreas rurais, porém, para muitas pessoas é apenas um processo natural: são infetadas e acabam por morrer em casa”, acrescentou.

LUSA/HN