Supremo dos EUA anula direito constitucional ao aborto no país

Supremo dos EUA anula direito constitucional ao aborto no país

Os juízes da mais alta instância judicial norte-americana, atualmente com uma maioria conservadora, decidiram anular a decisão do processo “Roe vs. Wade”, que, desde 1973, protegia como constitucional o direito das mulheres ao aborto.

Esta decisão não torna ilegais as interrupções da gravidez, mas devolve ao país a situação vigente antes do emblemático julgamento, quando cada Estado era livre para autorizar ou para proibir tal procedimento.

LUSA/HN

Potencial da energia das ondas é “imenso”, mas faltam tecnologias “consolidadas”

Potencial da energia das ondas é “imenso”, mas faltam tecnologias “consolidadas”

“O potencial é imenso e infinito, mas porque é que não estamos a conseguir isso? Porque o mar é um meio caro, mas também é um meio muito agressivo”, disse à Lusa Francisco Taveira Pinto, professor catedrático e diretor do Laboratório de Hidráulica da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Durante uma visita ao laboratório, o especialista em hidráulica e recursos hídricos assegurou à Lusa que a exploração da energia das ondas depende essencialmente da “capacidade de sobrevivência” das tecnologias, uma vez que têm de estar preparadas para “resistir” a ondas de grandes dimensões, tempestades e, acima de tudo, à água salgada.

“Se os materiais forem metálicos, vamos ter problemas. Há que usar materiais compósitos que resistam melhor aos cloretos e efeitos do mar”, disse Francisco Taveira Pinto, que mesmo assim afirmou acreditar que “mais cedo ou mais tarde”, os investigadores vão encontrar respostas para o conjunto de desafios tecnológicos que enfrentam atualmente.

“Já fomos à lua, temos satélites a passear em Marte, temos turbinas eólicas flutuantes no mar. São tecnologias tão complexas que acredito que o homem vai conseguir. Agora, se vai ser daqui a cinco, dez ou quinze anos, não sei”, acrescentou.

Ao longo dos últimos anos, no Laboratório de Hidráulica foram já testados diferentes protótipos de sistemas de exploração da energia das ondas, mas “é diferente avaliar a solução em laboratório e no mar, onde os problemas são outros e é necessário um grande investimento”.

“Não é por falta de dispositivos, há dezenas e centenas de patentes, algumas já estiveram no mar, mas chega uma altura em que ou começa a produzir, ou não há mais dinheiro disponível e as coisas acabam por parar”, observou.

Um dos protótipos testado no tanque de ondas do laboratório, com 28 metros de cumprimento e 12 de largura, foi um sistema misto de extração de energia das ondas incluído numa estrutura portuária, num quebra-mar.

Aos investigadores do laboratório, cabe a função de estudar como é que o sistema interage com as ondas, se movimenta, mas também quantificar a energia produzida e a sua capacidade de produção.

Nesta “corrida contra os desafios tecnológicos”, Francisco Taveira Pinto acredita que haverá de surgir “um dispositivo vencedor” que consiga extrair energia com eficiência e quantidade para ser “rentável”.

O diretor do laboratório de hidráulica lembrou ainda que, em termos médios, o mundo gasta anualmente 25 mil terawatts por hora de eletricidade, o equivalente “mais ou menos” ao valor disponível nos oceanos.

“É impossível, mas se conseguíssemos aproveitar toda a energia que existe nas ondas do mar, conseguíamos satisfazer todo o consumo mundial”, destacou, acrescentando que a energia disponível na costa portuguesa é “acima da média”.

“Temos os recursos, temos o ‘know-how’, falta termos tecnologias maduras, consolidadas e bem estudadas que possam ser usadas para extrair a energia das ondas”, concluiu.

LUSA/HN

Cerca de 180 pessoas morreram em Espanha no último ano através da eutanásia

Cerca de 180 pessoas morreram em Espanha no último ano através da eutanásia

“180 pessoas que ajudámos a morrer de maneira digna, como elas decidiram”, disse a ministra da Saúde espanhola, Carolina Darías, numa conferência hoje em Madrid com que assinalou o primeiro ano desta legislação, que fez de Espanha um dos poucos países do mundo a permitir o acesso à eutanásia, a pessoas com “doença grave e incurável”.

Dessas 180 pessoas a quem foi aplicada a eutanásia em Espanha (país com cerca de 47 milhões de habitantes), 22 doaram os seus órgãos, com os quais se realizaram 68 transplantes, que “supõem uma melhoria de vida para muitas pessoas e lembram que morrer também é um ato de generosidade”, considerou a ministra.

“É a celebração do primeiro ano de vida de um direito que nos dignifica como seres humanos e como sociedade”, considerou Carolina Darías, para quem a legislação espanhola consagrou o acesso com mais garantias “a um dos bens mais valiosos da condição humana: a vontade e a dignidade”.

A lei entrou em vigor há um ano em Espanha e a sua implementação coube às administrações de cada região autónoma, o que não aconteceu da mesma forma e ao mesmo ritmo em todas elas.

A ministra pediu hoje “a mesma velocidade” para “dar as mesmas garantias e para que todas as pessoas tenham os mesmos direitos, onde quer que vivam”, tendo porém agradecido o esforço das regiões, dos profissionais de saúde e da comunidade científica para pôr a lei em prática.

Segundo os dados hoje conhecidos, foi na região da Catalunha que houve mais pedidos de eutanásia, 137, e 60 já concluíram o processo.

Espanha foi o quarto país europeu a descriminalizar a eutanásia, depois de Países Baixos, Bélgica e Luxemburgo.

Em Portugal, a Assembleia da República já aprovou por duas vezes leis para a despenalização da eutanásia que tiveram vetos presidenciais.

Em 09 de junho, foram aprovadas, na generalidade, novas iniciativas do PS, BE, PAN e IL.

A legislação espanhola permite a eutanásia (morte do paciente, por sua vontade, através da administração de substâncias por profissionais de saúde) e o suicídio assistido por médicos (quando é a própria pessoa a ingerir as substâncias).

Os adultos que sofram de uma doença grave e incurável ou de uma condição grave, crónica e impossível, que cause “sofrimento físico ou psicológico intolerável” sem possibilidade de cura ou melhoria, podem solicitar ajuda médica para morrer, prestação que será incluída no Sistema Nacional de Saúde espanhol.

O paciente deve confirmar a sua vontade de morrer em pelo menos quatro ocasiões ao longo do processo, o que pode demorar pouco mais de um mês a partir do momento em que o solicita pela primeira vez, e em qualquer momento pode retirar ou adiar a eutanásia.

A lei também prevê o direito dos médicos à objeção de consciência e estabelece a criação de uma Comissão de Garantia e Avaliação em cada comunidade autónoma espanhola composta por médicos e juristas para acompanhar cada caso.

LUSA/HN

Estudo indica que vacinas evitaram 19,8 milhões de mortes das 31,4 milhões potenciais

Estudo indica que vacinas evitaram 19,8 milhões de mortes das 31,4 milhões potenciais

A maior parte das mortes (12,2 milhões das 19,8) evitou-se nos países de altos e médios rendimentos, uma contundente prova das desigualdades existentes no acesso às vacinas em todo o mundo.

O estudo, indica que se poderiam ter evitado outras 599.300 mortes se tivesse sido cumprido o objetivo da Organização Mundial da Saúde (OMS) de vacinar 40% da população de cada país no final de 2021.

Baseado em dados de 185 países, o estudo avalia as mortes evitadas direta e indiretamente pelas vacinas contra a Covid-19.

Os resultados foram publicados na sexta-feira na revista The Lancet Infectious Diseases.

Liderado por investigadores do Imperial College de Londres, o estudo foi financiado pelas organizações Schmidt Futures & Rhodes Trust, a OMS, o Medical Research Council do Reino Unido, a Fundação Bill and Melinda Gates, e a Community Jameel, entre outros.

O trabalho conclui que as vacinas reduziram em mais de metade o número potencial de mortes durante a pandemia no primeiro ano (63 %).

Das quase 20 milhões de mortes que se evitaram, quase 7,5 milhões eram nos países em que chegou a iniciativa COVAX, uma aliança subscrita por 190 países para garantizar o acesso equitativo a estes medicamentos.

Para Oliver Watson, autor principal do estudo e investigador do Imperial College, estes resultados demonstram que as vacinas “salvaram milhões de vidas. Mas poderia ter-se feito mais”.

“Se tivessem sido alcançados os objetivos fixados pela OMS, calculamos que poderiam ter-se salvado aproximadamente uma em cada 5 das vidas que se calcula que se tenham perdido por causa da covid nos países de baixos rendimentos”.

Até agora, vários estudos trataram de estimar o impacto da vacinação na pandemia, mas este é o primeiro que se faz a nível mundial.

Os investigadores usaram dados de mortes por covid notificadas entre 08 de dezembro de 2020 e 08 de dezembro de 2021 e tiveram em conta a subnotificação das mortes nos países com sistemas de vigilância mais débeis (a China não se incluiu devido à numerosa população e às medidas de bloqueio, que adulterariam os resultados).

A equipa descobriu que neste período, a vacinação evitou aproximadamente 19,8 milhões de mortes das 31,4 milhões de mortes potenciais.

A proteção indireta das vacinas evitou 4,3 milhões de mortes. As vacinas ajudaram a reduzir a transmissão do vírus e reduziram a carga nos sistemas de saúde.

Em geral, o número estimado de mortes evitadas foi maior nos países de elevados rendimentos, o que reflete o desenvolvimento mais antecipado e mais amplo das campanhas de vacinação nestas áreas.

Os 83 países incluídos na análise e que recorreram à ajuda da COVAX, evitaram 7,4 milhões de mortes de um potencial de 17,9 milhões (41%).

Calcula-se que o incumprimento do objetivo da COVAX de vacinar 20% da população de cada país tenha provocado 156.900 mortes adicionais (132.700 das quais apenas em África).

LUSA/HN

Condenado a internamento psiquiátrico dinamarquês que matou cinco pessoas na Noruega

Condenado a internamento psiquiátrico dinamarquês que matou cinco pessoas na Noruega

De 38 anos, Espen Andersen Bråthen, aterrorizou a pacata cidade de Kongsberg, no sudeste da Noruega, a 13 de outubro, quando atacou várias pessoas com um arco e flechas dentro e fora de um supermercado e de seguida esfaqueou outras cinco pessoas até à morte.

O arguido, que sofre de uma doença mental há vários anos, confessou-se culpado dos cinco homicídios e das 11 tentativas de homicídio no início do seu julgamento na cidade de Hokksund, a 18 de maio.

De acordo com os juízes, “o arguido aparentava claramente problemas de compreensão e de funcionamento devido à sua condição” no momento do ataque.

“O tribunal considera, portanto, que o arguido não pode ser responsabilizado criminalmente por nenhuma das acusações”, continuaram.

A decisão de submeter Bråthen a tratamento psiquiátrico era o resultado mais esperado do julgamento, já que tanto a acusação como a defesa tinham concordado em internar o condenado numa instituição especializada em vez de lhe atribuir uma pena de prisão.

Preso 35 minutos depois dos primeiros relatos sobre os ataques, Bråthen, que estava armado com um arco, 62 flechas e facas, foi rapidamente colocado numa instituição médica.

A polícia também suspeitava que o homem tinha ligações a movimentos radicais islâmicos, mas a doença acabou por ser a justificação mais plausível para a causa do crime, depois de três peritos terem concluído que ele sofria de esquizofrenia desde 2007.

As cinco vítimas do ataque correspondem a quatro mulheres e um homem, com idades entre os 52 e os 78 anos.

LUSA/HN

Brasil confirma primeiros casos “autóctones” de Monkeypox

Brasil confirma primeiros casos “autóctones” de Monkeypox

Com o novo relatório, o gigante sul-americano passa a ter no total 14 casos e é a nação com casos mais confirmados da doença na América Latina.

Segundo o ministério brasileiro da Saúde, os casos autóctones correspondem a três homens entre 24 e 37 anos de idade “sem historial de viagens a países com casos confirmados”.

Os restantes 11 casos foram diagnosticados em pessoas que visitaram recentemente Espanha, Portugal e Inglaterra, países onde a doença está a expandir-se.

A maioria dos diagnósticos foi relatada no estado de São Paulo, com 10 casos, todos na capital paulista. Os outros quatro foram relatados nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, com dois pacientes cada.

Ainda segundo o Governo brasileiro, todos os casos e todos os pacientes diagnosticados, incluindo os que estão sob suspeita, estão isolados e sob a supervisão de equipas de vigilância sanitária.

Os casos multiplicaram-se no país em apenas duas semanas. As autoridades sanitárias comunicaram o primeiro caso no Brasil em 8 de Junho.

Os últimos números da Organização Mundial de Saúde (OMS) elevam o número total de infeções por monkeypox para 3.300 em 40 países.

A organização considera que, embora este registo não represente um aumento massivo, em comparação com outros surtos como a Covid-19 ou o ébola, justificação a preocupação de que a propagação da doença não esteja a ser contida.

Os laboratórios confirmaram a circulação do vírus da monkeypox em, pelo menos, 36 países fora das regiões endémicas da África Central e Ocidental, sendo o Reino Unido o país com mais infeções (793), seguido pela Espanha (497) e Portugal (317).

A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido identificou como grupo de maior risco os homens que fazem sexo com outros homens e que têm múltiplos parceiros, participam em sexo em grupo ou frequentam locais onde o sexo ocorre nas instalações.

A transmissão do vírus não está associada especificamente a relações homossexuais, mas é favorecida pela proximidade resultante de qualquer tipo de relação sexual.

De acordo com as autoridades de saúde, a manifestação clínica da Monkeypox é geralmente ligeira, com a maioria das pessoas infetadas a recuperar da doença em poucas semanas.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e nas costas, nódulos linfáticos inchados, calafrios, exaustão, evoluindo para erupção cutânea.

O período de incubação é tipicamente de seis a 16 dias, mas pode chegar aos 21 e, quando a crosta das erupções cutâneas cai, a pessoa infetada deixa de poder contagiar.

LUSA/HN