Bolsas Mais Valor em Saúde: 4 projetos para melhorar os cuidados prestados no Serviço Nacional de Saúde

Bolsas Mais Valor em Saúde: 4 projetos para melhorar os cuidados prestados no Serviço Nacional de Saúde

Nesta segunda edição, o júri das Bolsas Mais Valor em Saúde – Vidas que Valem, presidido por Maria de Belém Roseira, decidiu distinguir a Unidade Local de Saúde do Alto Minho, o Centro Hospitalar Universitário do Algarve, o Hospital Santa Maria Maior e o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, por projetos com foco na transição digital da saúde.

A Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) venceu com o trabalho “Integração Vertical e Horizontal da Consulta de Demências na ULSAM com recurso à Telemedicina”, um esforço extra numa “patologia muito prevalente, em que, muitas vezes, os cuidados de saúde são realizados de forma fracionada, o que leva a que o doente muitas vezes não tenha facilidade em resolver o seu problema agudo quando existe uma descompensação e recorra a diversas consultas e ao serviço de urgência”, disse ao HealthNews a neurologista Sandra Perdigão, diretora do Serviço de Neurologia da ULSAM.

Este projeto permitirá também, “através de um plano individual de cuidados”, que as equipas dedicadas à demência nos hospitais interajam com os cuidados de saúde primários e da comunidade e sigam os doentes falando a mesma linguagem, sem “cuidados fracionados, nem duplicação de cuidados”.

Desta forma, familiares e doentes com demência podem recorrer a estas equipas nos cuidados de saúde primários e comunitários ou nos hospitais sempre que quiserem esclarecer dúvidas, ou para que possam ser ajustadas as medicações na fase aguda, “permitindo um maior suporte psicológico e médico para estes doentes” e “evitando a recorrência ao serviço de urgência”, esclareceu a especialista da ULSAM.

A sul, o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) desenvolveu o seu projeto vencedor: “PA_3D Confeção de Produtos de Apoio em 3D”. O recém-criado Núcleo Produtos de Apoio, “para além desta vertente da impressão em 3D e do desenvolvimento de produtos em 3D, também tem outra valência, a da reutilização, que assenta em pressupostos da economia circular e da sustentabilidade, de modo a poder dar resposta mais rápida a nível de internamento, diminuir dias de internamento, diminuir tempos de espera pelos produtos de apoio e diminuir custos, dando resposta a todas as unidades do Centro Hospitalar Universitário do Algarve”, elucidou a terapeuta ocupacional Clarisse Mendes, atualmente coordenadora do Núcleo Produtos de Apoio do CHUA.

A equipa vencedora pretende respostas imediatas, de modo a potenciar os programas de reabilitação e situações clínicas específicas com necessidade de produtos de apoio, melhorando a qualidade de vida dos doentes, potenciando o resultado em todas as áreas de saude e minimizando custos. E é ainda importante “a especificidade do produto considerando a necessidade de cada pessoa”, porque muitas vezes há a necessidade de algo mais específico que não está disponível no mercado, “sendo necessário desenvolver também essas especificidades nos produtos, para dar resposta à situação específica daquele doente”.

De novo a norte, mas em Barcelos, o Hospital Santa Maria Maior contribui com o projeto “Capacitação para automonitorização de utentes sujeitos a terapêutica anticoagulante”, descrito ao HealthNews pelo presidente do Conselho de Administração, Joaquim Barbosa: “O projeto tem essencialmente a vocação de apoiar os utentes e, sobretudo, ir além daquilo que são os modelos tradicionais da prestação de cuidados de saúde – que é a ida do doente ao hospital, a efetivação da consulta, a entrada no gabinete”.

Falávamos de um projeto que permite monitorizar os doentes sujeitos a terapêutica anticoagulante, que “precisam de um seguimento muito rigoroso”, e da atividade do serviço de imunohemoterapia. “Estamos a contribuir para a sua integração nos cuidados, fornecendo-lhes a possibilidade de não saírem de casa e de poderem ser monitorizados através da aplicação e do contacto dos próprios profissionais”, ou seja, com teleconsulta em tempo real, monitorização de indicadores de saúde e o doente a participar no processo de cuidados.

“Num hospital como o nosso, com um edifício muito antigo e problemas de espaço consideráveis, estes modelos permitem melhorar significativamente a vida dos utentes e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade dos serviços prestados”, concluiu Joaquim Barbosa.

No Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, com o “HD SignaL – Plataforma Inteligente de Sinalização de Doentes à Hospitalização Domiciliária”, vai-se contribuir, “através de inteligência artificial e machine learning”, para a “seleção de um maior número de doentes a serem integrados na hospitalização domiciliária – um modelo de cuidados em que os doentes são internados em casa, que é, sem dúvida, o melhor sítio para os tratar”, adiantou Lídia Rodrigues, enfermeira gestora da Unidade de Hospitalização Domiciliária.

Segundo a especialista, a sinalização destes doentes toma tempo aos profissionais que pode ser gasto no cuidar. “Esta plataforma vai ajudar no tempo e no tipo de doentes que vamos conseguir selecionar”, referiu. Ou seja, torna-se possível chegar a mais doentes, “mais facilmente e mais rapidamente”.

“Quem ganha é sempre o doente”, tratado “no conforto da sua família”, sem por isso deixarem de ser garantidos todos os cuidados de saúde, que não podem perder qualidade fora do hospital.

O HealthNews ouviu os vencedores depois da cerimónia de hoje, no edifício sede da Altice Portugal, em Picoas, que juntou também Delfim Rodrigues, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Júlio Oliveira, do IPO do Porto, Nelson Pereira, do Centro Hospitalar Universitário de São João, Sónia Dias, da Escola Nacional de Saúde Pública, e Teresa Luciano, do Hospital Garcia de Orta, para o debate “Mais SNS – Mudanças e Transformações na Saúde do Século XXI”.

O Programa Mais Valor em Saúde – Vidas que Valem é uma parceria APAH, Exigo, Gilead Sciences e IASIST, à qual se junta a Altice como parceiro tecnológico.

Nesta segunda edição das bolsas, 14 propostas estiverem em avaliação.

HN/Rita Antunes

Bolsas Mais Valor em Saúde: 4 projetos para melhorar os cuidados prestados no Serviço Nacional de Saúde

Bolsas Mais Valor em Saúde: 4 projetos para melhorar os cuidados prestados no Serviço Nacional de Saúde

Nesta segunda edição, o júri das Bolsas Mais Valor em Saúde – Vidas que Valem, presidido por Maria de Belém Roseira, decidiu distinguir a Unidade Local de Saúde do Alto Minho, o Centro Hospitalar Universitário do Algarve, o Hospital Santa Maria Maior e o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, por projetos com foco na transição digital da saúde.

A Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) venceu com o trabalho “Integração Vertical e Horizontal da Consulta de Demências na ULSAM com recurso à Telemedicina”, um esforço extra numa “patologia muito prevalente, em que, muitas vezes, os cuidados de saúde são realizados de forma fracionada, o que leva a que o doente muitas vezes não tenha facilidade em resolver o seu problema agudo quando existe uma descompensação e recorra a diversas consultas e ao serviço de urgência”, disse ao HealthNews a neurologista Sandra Perdigão, diretora do Serviço de Neurologia da ULSAM.

Este projeto permitirá também, “através de um plano individual de cuidados”, que as equipas dedicadas à demência nos hospitais interajam com os cuidados de saúde primários e da comunidade e sigam os doentes falando a mesma linguagem, sem “cuidados fracionados, nem duplicação de cuidados”.

Desta forma, familiares e doentes com demência podem recorrer a estas equipas nos cuidados de saúde primários e comunitários ou nos hospitais sempre que quiserem esclarecer dúvidas, ou para que possam ser ajustadas as medicações na fase aguda, “permitindo um maior suporte psicológico e médico para estes doentes” e “evitando a recorrência ao serviço de urgência”, esclareceu a especialista da ULSAM.

A sul, o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) desenvolveu o seu projeto vencedor: “PA_3D Confeção de Produtos de Apoio em 3D”. O recém-criado Núcleo Produtos de Apoio, “para além desta vertente da impressão em 3D e do desenvolvimento de produtos em 3D, também tem outra valência, a da reutilização, que assenta em pressupostos da economia circular e da sustentabilidade, de modo a poder dar resposta mais rápida a nível de internamento, diminuir dias de internamento, diminuir tempos de espera pelos produtos de apoio e diminuir custos, dando resposta a todas as unidades do Centro Hospitalar Universitário do Algarve”, elucidou a terapeuta ocupacional Clarisse Mendes, atualmente coordenadora do Núcleo Produtos de Apoio do CHUA.

A equipa vencedora pretende respostas imediatas, de modo a potenciar os programas de reabilitação e situações clínicas específicas com necessidade de produtos de apoio, melhorando a qualidade de vida dos doentes, potenciando o resultado em todas as áreas de saude e minimizando custos. E é ainda importante “a especificidade do produto considerando a necessidade de cada pessoa”, porque muitas vezes há a necessidade de algo mais específico que não está disponível no mercado, “sendo necessário desenvolver também essas especificidades nos produtos, para dar resposta à situação específica daquele doente”.

De novo a norte, mas em Barcelos, o Hospital Santa Maria Maior contribui com o projeto “Capacitação para automonitorização de utentes sujeitos a terapêutica anticoagulante”, descrito ao HealthNews pelo presidente do Conselho de Administração, Joaquim Barbosa: “O projeto tem essencialmente a vocação de apoiar os utentes e, sobretudo, ir além daquilo que são os modelos tradicionais da prestação de cuidados de saúde – que é a ida do doente ao hospital, a efetivação da consulta, a entrada no gabinete”.

Falávamos de um projeto que permite monitorizar os doentes sujeitos a terapêutica anticoagulante, que “precisam de um seguimento muito rigoroso”, e da atividade do serviço de imunohemoterapia. “Estamos a contribuir para a sua integração nos cuidados, fornecendo-lhes a possibilidade de não saírem de casa e de poderem ser monitorizados através da aplicação e do contacto dos próprios profissionais”, ou seja, com teleconsulta em tempo real, monitorização de indicadores de saúde e o doente a participar no processo de cuidados.

“Num hospital como o nosso, com um edifício muito antigo e problemas de espaço consideráveis, estes modelos permitem melhorar significativamente a vida dos utentes e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade dos serviços prestados”, concluiu Joaquim Barbosa.

No Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, com o “HD SignaL – Plataforma Inteligente de Sinalização de Doentes à Hospitalização Domiciliária”, vai-se contribuir, “através de inteligência artificial e machine learning”, para a “seleção de um maior número de doentes a serem integrados na hospitalização domiciliária – um modelo de cuidados em que os doentes são internados em casa, que é, sem dúvida, o melhor sítio para os tratar”, adiantou Lídia Rodrigues, enfermeira gestora da Unidade de Hospitalização Domiciliária.

Segundo a especialista, a sinalização destes doentes toma tempo aos profissionais que pode ser gasto no cuidar. “Esta plataforma vai ajudar no tempo e no tipo de doentes que vamos conseguir selecionar”, referiu. Ou seja, torna-se possível chegar a mais doentes, “mais facilmente e mais rapidamente”.

“Quem ganha é sempre o doente”, tratado “no conforto da sua família”, sem por isso deixarem de ser garantidos todos os cuidados de saúde, que não podem perder qualidade fora do hospital.

O HealthNews ouviu os vencedores depois da cerimónia de hoje, no edifício sede da Altice Portugal, em Picoas, que juntou também Delfim Rodrigues, da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Júlio Oliveira, do IPO do Porto, Nelson Pereira, do Centro Hospitalar Universitário de São João, Sónia Dias, da Escola Nacional de Saúde Pública, e Teresa Luciano, do Hospital Garcia de Orta, para o debate “Mais SNS – Mudanças e Transformações na Saúde do Século XXI”.

O Programa Mais Valor em Saúde – Vidas que Valem é uma parceria APAH, Exigo, Gilead Sciences e IASIST, à qual se junta a Altice como parceiro tecnológico.

Nesta segunda edição das bolsas, 14 propostas estiverem em avaliação.

HN/Rita Antunes

Problema “crónico” das urgências melhorará com horários complementares dos centros de saúde

Problema “crónico” das urgências melhorará com horários complementares dos centros de saúde

“Há dificuldades, lamento essas dificuldades, temos de as superar. É um desafio, mas é um desafio sistémico. Temos em Portugal um problema crónico com as urgências. Temos afluxo excessivo às urgências. A culpa é das pessoas? Não acho que seja. Acho que a responsabilidade é a forma como organizamos o sistema. Temos poucas alternativas”, disse Manuel Pizarro.

O governante acrescentou que o plano de contingência para o inverno prevê a abertura de centros de saúde em horários complementares e avançou que há já 176 centros de saúde que abertos para além do horário normal.

O ministro da saúde falava aos jornalistas em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, tendo sido confrontado com problemas nas urgências em hospitais que geraram relatos de longos tempos de espera.

“Hoje a situação nos hospitais portugueses é muito melhor do que era na segunda-feira da semana passada. Reajo sempre com tristeza à informação de que em um outro hospital estamos com problemas de atendimento, mas não podemos confundir isso com a situação geral dos serviços”, disse o governante.

Manuel Pizarro afirmou que “hoje a situação dos hospitais da Grande Lisboa está a correr francamente melhor” e elogiou o esforço dos médicos, dos enfermeiros e outros profissionais de saúde.

“Têm feito um grande esforço e no geral os portugueses estão a ser muito bem atendidos nos hospitais públicos”, disse.

À margem da iniciativa “A Saúde Mental no Pós-Pandemia – Estigma e Combate”, promovida em parceria pela Rádio Renascença e a Câmara de Vila Nova de Gaia, Manuel Pizarro disse que “situações pontuais de dificuldade existirão sempre em todo o mundo”. O governante admitiu que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não tem o número de profissionais e que necessita, embora desde 2015 tenham entrado mais 25 mil.

“Claro que precisamos de mais. Estamos a trabalhar para conseguir ter”, resumiu.

Convidado a comentar a entrevista do ex-ministro da Saúde Correia de Campos, ao Jornal de Negócios e Antena 1, na qual este considerou que “o Ministério da Saúde foi transformado em secretaria de Estado das Finanças” e que “é preciso alargar os cordões à bolsa”, Manuel Pizarro reiterou que o orçamento para a Saúde tem o maior aumento de sempre.

“Acho que este é um orçamento muito positivo para o SNS. Vai ser um orçamento de execução muito exigente”, disse.

Salvaguardando que ouve “sempre com muito respeito as declarações de pessoas com tanta experiência”, Pizarro escusou-se a comentar as palavras do antigo ministro, mas arescentou: “Não tenho dúvidas nenhumas que vamos fazer um exercício orçamental muito exigente”.

Já questionado sobre o recurso a horas extra para preencher escalas no SNS, o ministro da Saúde referiu que “não é fácil” encontrar um sistema que não dependa tanto de horas extra, algo que “tanto quanto possível” gostaria de evitar.

“Há uma demografia médica adversa: há muitos médicos acima dos 50 anos que estão dispensados de prestar serviço noturno ou até acima dos 55 estão dispensados de fazer urgência. Veremos se a reorganização das urgências nos vai permitir depender menos das horas extra”, apontou.

Manuel Pizarro apontou, por fim, que Portugal tem uma rede “muito poderosa com mais de 80 postos de urgência abertos 24 sobre 24 horas todos os dias”, algo que é, frisou, “muito consumidor de recursos humanos especializados”.

LUSA/HN

Sindicatos dos médicos e Ministério da Saúde voltam hoje às negociações

Sindicatos dos médicos e Ministério da Saúde voltam hoje às negociações

Nestas negociações estão em causa matérias como a revisão da grelha salarial dos clínicos, a definição do regime de dedicação plena e a reorganização das urgências e do trabalho médico.

Após a primeira reunião, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, salientou o “início positivo” das negociações e adiantou que o encontro de hoje servirá para analisar a proposta concreta do Ministério da Saúde.

Já o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Noel Carrilho, referiu que as duas partes já acordaram que “haveria uma tentativa de antecipar” os prazos que estavam estabelecidos inicialmente nas negociações.

Estas negociações tiveram o seu início formal já com a equipa do ministro Manuel Pizarro, mas a definição das matérias a negociar foram acordadas ainda com a anterior ministra, Marta Temido, que aceitou incluir a grelha salarial dos médicos do Serviço Nacional de Saúde no protocolo negocial.

Depois da demissão de Marta Temido, no final de agosto, os sindicatos representativos dos médicos solicitaram ao Governo a abertura das negociações, criticando o “total silêncio” do Ministério da Saúde sobre o processo.

LUSA/HN

Governo parte com “espírito aberto” para negociações com médicos

Governo parte com “espírito aberto” para negociações com médicos

“Tenho a certeza de que não vamos poder agradar aos sindicatos em tudo o que pedirem. Tenho a expectativa de que algumas das nossas ideias serão acolhidas”, disse Manuel Pizarro.

Em Vila Nova de Gaia, no distrito o Porto, onde participou na conferência “A Saúde Mental no Pós-Pandemia – Estigma e Combate”, quando questionado sobre o início das negociações com os sindicatos dos médicos, o governante frisou a necessidade de diálogo.

“Vamos de espírito aberto e de boa-fé para essas negociações”, resumiu, lembrando que as negociações estão numa fase “muito embrionária”.

“Temos muitos assuntos em cima a mesa. Temos uma agenda negocial muito vasta. O nosso objetivo é valorizar as carreiras profissionais”, acrescentou.

Manuel Pizarro recordou que hoje foi apresentado um conjunto de propostas aos sindicatos e elogiou a entrega dos profissionais de saúde, afirmando que estes “são o melhor que o Serviço Nacional de Saúde tem”.

“Temos mesmo de investir na valorização das carreiras e não estou só a falar dos aspetos remuneratórios”, concluiu.

Os sindicatos dos médicos e o Ministério da Saúde voltam hoje a reunir-se para uma segunda ronda de negociações, depois do encontro realizado em 09 de novembro que deu início formal a este processo.

Nestas negociações estão em causa matérias como a revisão da grelha salarial dos clínicos, a definição do regime de dedicação plena e a reorganização das urgências e do trabalho médico.

Após a primeira reunião, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, salientou o “início positivo” das negociações e adiantou que o encontro de hoje servirá para analisar a proposta concreta do Ministério da Saúde.

Já o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), Noel Carrilho, referiu que as duas partes já acordaram que “haveria uma tentativa de antecipar” os prazos que estavam estabelecidos inicialmente nas negociações.

Estas negociações tiveram o seu início formal já com a equipa do ministro Manuel Pizarro, mas a definição das matérias a negociar foram acordadas ainda com a anterior ministra, Marta Temido, que aceitou incluir a grelha salarial dos médicos do Serviço Nacional de Saúde no protocolo negocial.

Depois da demissão de Marta Temido, no final de agosto, os sindicatos representativos dos médicos solicitaram ao Governo a abertura das negociações, criticando o “total silêncio” do Ministério da Saúde sobre o processo.

LUSA/HN

PR diz que é tempo de atualizar o SNS e oportunidade “não pode ser desperdiçada”

PR diz que é tempo de atualizar o SNS e oportunidade “não pode ser desperdiçada”

Discursando na cerimónia de Juramento de Hipócrates da região Sul, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que o Serviço Nacional de Saúde “é um bem inestimável”, pelo que se espera que “seja possível atualizar o SNS, porque ele tem uma longa história e rica história mas o mundo mudou, a Europa mudou e Portugal mudou”.

“E é preciso ajustá-lo à nova realidade e há aqui uma oportunidade única, única, que não foi possível durante a pandemia, que antes da pandemia foi sendo parcialmente encarada, que é olhar para esse SNS e perceber que este é o tempo de proceder a esse ajustamento em recursos humanos, financeiros, logísticos e técnicos, em organização, em gestão, em ensaio do novo modelo de gestão em que quem define política, define política, quem tem que gerir de acordo com competências, olhando para o terreno, deve agir com espaço de manobra, separando uma coisa de outra”, salientou.

Considerando que a “oportunidade está criada”, o chefe de Estado afirmou que espera que “não seja desperdiçada”.

“Foi tão difícil chegar ao ponto de, superada a pandemia, em conversão em endemia, haver o mínimo de condições para fazer essa separação e proporcionar meios e recursos para aquilo que deve ser uma nova fase de gestão do SNS, que não pode ser desperdiçada” pelos “milhares e milhares e milhares que são profissionais de saúde e estão em atividade”.

“É o que devemos desejar todos nós, independentemente de sermos de um setor, de um quadrante, de uma orientação, estarmos no poder ou fora do poder, que é a coisa mais transitória do mundo. Não é transitório é verdadeiramente encontrar uma fórmula que olhe para essas prioridades, a vida e a saúde, e recrie as condições que foram criadas noutros tempos e foram sendo reformuladas durante décadas, mas que hoje enfrentam desafios como nunca houve cá dentro e lá fora, noutras sociedades, e são desafios cruciais”, apontou.

Quando cumprimentou os representantes de outras ordens profissionais presentes na cerimónia, Marcelo Rebelo de Sousa disse que está “atento à garantia da autonomia das ordens, nomeadamente atento à legislação que sobre essa matéria venha a ser aprovada na Assembleia da República”.

Perante uma plateia repleta de jovens médicos que tinham acabado de fazer o Juramento de Hipócrates, o Presidente da República confessou ter “uma ponta de inveja” e “pena que não haja esta tradição praticamente em nenhuma outra formação”.

O ministro da Educação, em representação do Governo, apontou que “Portugal vai contar em 2023 com um total de 2054 vagas para formação médica especializada, o maior mapa de vagas de sempre, que representa um crescimento de 115 vagas, mais 6% face a 2022”.

João Costa indicou que “este crescimento traduz um compromisso do Governo e das instituições parceiras na formação dos médicos especialistas para com o reforço de recursos humanos no SNS, com impactos diretos no acesso dos cidadãos a cuidados de qualidade e diferenciados” e deixou um “agradecimento ao empenho da Ordem dos Médicos”.

Precisamente sobre este tema, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, tinha referido antes que em 2017 existiam “cerca de 1550 vagas” para especialidade e hoje são mais de 2050, e “vão sobrar”, apontando que “provavelmente vão ficar vagas para a especialidade por ocupar”.

LUSA/HN