Centro de Saúde do Cadaval encerrado até domingo

Centro de Saúde do Cadaval encerrado até domingo

Questionado pela agência Lusa, António Martins confirmou que os quatro médicos que desempenham funções no Centro de Saúde se encontram infetados, razão pela qual a unidade “vai estar fechada até domingo para as instalações serem desinfetadas e os restantes profissionais testados”.

O primeiro caso de infeção foi conhecido na quarta-feira, tendo os restantes três médicos sido sujeitos a teste à covid-19, cujo resultado deu positivo.

Por isso, cerca de duas dezenas de profissionais daquele centro vão ser testados na quinta-feira.

Entre domingo e segunda-feira, o ACES Oeste Sul vai reavaliar se há ou não condições de reabrir a unidade, em função dos resultados obtidos nos testes.

O surto no Centro de Saúde do Cadaval “preocupa” o presidente do município, José Bernardo Nunes, que, em declarações à agência Lusa, disse que “não fica descansado até perceber se houve transmissão” para a comunidade.

As extensões de saúde de Vilar e Figueiros mantêm-se abertas.

Desde o início da pandemia, o Cadaval contabiliza 150 casos confirmados, estando 45 ativos, 101 recuperaram e quatro morreram.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.275.113 mortos em mais de 51,5 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3.103 pessoas dos 192.172 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Iniciativa Liberal propõe que portugueses sem médico de família possam escolher no privado

Iniciativa Liberal propõe que portugueses sem médico de família possam escolher no privado

São 15 as primeiras propostas de alteração da Iniciativa Liberal ao Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) na fase da especialidade, sendo estas na área da saúde que, de acordo com o comunicado enviado à agência Lusa, se focam “na melhoria da gestão e capacidade do sistema, aumentam a liberdade de escolha dos cidadãos e promovem a proximidade entre cidadãos e os prestadores de cuidados de saúde”.

Um dos aditamentos do deputado único liberal, João Cotrim Figueiredo, à proposta do OE2021 aprovada na generalidade refere que “deve ser apresentado até 30 de março um cronograma com metas intermédias de cobertura de médico de família e recursos afetos”.

“A partir de 01 de julho de 2021, caso não tenha médico de família atribuído, o paciente pode, voluntariamente, encontrar um clínico no setor privado e social, ficando o Estado responsável por cobrir os custos, em valores não superiores aos dos cuidados de saúde primários e das Unidades de Saúde Familiar”, sugere.

Na justificação desta medida, os liberais referem que “cerca de 700 mil portugueses, ou quase 10% da população, ainda não tem médico de família”, considerando que reinscrever esta medida no orçamento “sem que haja um plano concreto, acoplado com objetivos, cronograma e indicadores mensuráveis” torna-a num “mero projeto de intenções”.

A Iniciativa Liberal insiste ainda na necessidade de alargar e flexibilizar o SIGA SNS (Sistema Integrado de Gestão do Acesso no Serviço Nacional de Saúde) ao setor social e privado, explicando o partido que funcionaria “como solução efetiva não só para recuperar o tempo de atraso nas consultas de especialidade que a Covid-19 criou, mas também como solução de futuro para ampliação de capacidade de resposta”.

Assim, os liberais pretendem que o OE2021 consagre que o Governo fica autorizado e delega na Administração Central do Sistema de Saúde “a competência para subcontratar consultas de especialidade ao setor privado e social para áreas identificadas como prioritárias”, assim como exames e meios complementares de diagnóstico e terapêutica conexos à consulta de especialidade.

A criação de um ‘call center’ especializado, “que substitua o serviço associado à plataforma Trace Covid-19, para acompanhamento destes casos é outra das ideias da Iniciativa Liberal, que defende que os profissionais que trabalhem neste ‘call center’ devem ser formados para o efeito, sendo o “objetivo aliviar médicos e enfermeiros de trabalho não assistencial, para que possam, deste modo estar mais libertos para seguirem adequadamente os seus utentes”.

A Iniciativa Liberal volta a propor a dispensa de medicamentos hospitalares nas farmácias comunitárias pela parte de todas as unidades hospitalares para facilitar o seu acesso às pessoas, bem como o aumento dos apoios às Unidades de Cuidados Continuados Integrados para compensar o aumento dos custos.

Os liberais querem ainda que sejam eliminadas a contribuição extraordinária sobre os fornecedores da indústria de dispositivos médicos do Serviço Nacional de Saúde e sobre a indústria farmacêutica.

LUSA/HN

Médicos alertam para importância de antecipar o inverno

Médicos alertam para importância de antecipar o inverno

Sob o tema “Esperar pelo inverno não é o melhor remédio” vários especialistas alertam para a necessidade da prevenção em saúde antes da chegada do inverno, realçando a importância do médico de família de uma forma global, transversal a todas as idades, seja em contexto saudável ou de doença.

A CUF garante que “será debatida a importância de uma vigilância mais atenta no caso das doenças crónicas ligadas às áreas da cardiologia, diabetes e doenças respiratórias.”

O evento gratuito e aberto ao público vai contar com a participação de Hélder Simões, Endocrinologista no Hospital CUF Descobertas; Mário Oliveira, Cardiologista no Hospital CUF Tejo e no Hospital CUF Porto; Nuno Capela, especialista de Medicina Geral e Familiar no Hospital CUF Porto e Sofia Ventura, especialista de Medicina Interna no Hospital CUF Sintra.

Os interessados podem assistir o evento através da página de Facebook da CUF.

PR/HN

SNS barra acesso aos email dos Médicos de Família

SNS barra acesso aos email dos Médicos de Família

Milhares de médicos de família de todo o país acordaram esta manhã para a impossibilidade de receber novos e-mails através do endereço profissional. Por motivos técnicos, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) cortaram a capacidade das caixas de e-mail dos profissionais de saúde de 50Gb para apenas 2Gb.

Os efeitos fizeram-se sentir pelo menos nas Administrações Regionais de Saúde do Centro, na região de Lisboa e Vale do Tejo e também no Norte, de acordo com fontes próximas da HealthNews. Ao final desta quinta-feira, alguns médicos começaram a recuperar acesso à sua conta de email, embora os emails antigos tenham todos sido movidos para uma pasta de “arquivo morto”.

Os médicos que já ocupavam 2Gb na sua conta de email viram-se impossibilitados de receber novas mensagens. Muitos estavam mesmo a ocupar mais espaço do que o permitido.

Numa nota oficial enviada à HealthNews, o SPMS esclarece que estabeleceu um novo acordo com a Microsoft para alargar a capacidade das caixas de correio destes profissionais de saúde. “O novo contrato com a Microsoft prevê um aumento da capacidade das caixas de correio eletrónico dos profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), bem como o alargamento dos serviços prestados”, pode ler-se no email.

“Com o novo contrato, as caixas de correio eletrónico com um armazenamento com capacidade de 2Gb e de 50 Gb, respetivamente, passaram a ter a capacidade de armazenamento online de 52 Gb (2Gb na caixa de entrada e os restantes 50Gb na caixa de arquivo online)”, acrescenta o SPMS.

Ainda assim, a entidade responsável pelos serviços informáticos do SNS não reconhece qualquer tipo de problema com as caixas de email dos médicos de família que tenha ocorrido durante esta quinta-feira.

De acordo com emails a que a HealthNews teve acesso, os médicos da ARS Centro foram avisados do sucedido a 1 de outubro. O mesmo não aconteceu para os médicos da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, que foram esta manhã surpreendidos.

“De acordo com as orientações provenientes da SPMS em anexo e da informação do GSIC ao Conselho Diretivo da ARS Centro, houve necessidade de efetuar downgrades do tipo de licenciamento do Office 365 com a consequente redução do tamanho da caixa do correio de alguns dos colaboradores da ARS Centro (Ex: redução de 50 Gb para 2 Gb da caixa de correio do email institucional). Caso detete alguma anomalia no acesso ao seu e-mail institucional, por favor, contacte o GSIC”, pode ler-se na notificação enviada aos médicos da ARS Centro.

A situação é particularmente grave no contexto da atual pandemia de Covid-19, em que os médicos dependem do email para receber documentos como análises e resultados de exames, mas também para dialogar com os pacientes e até realizar consultas remotas.

Em causa está também a segurança dos dados removidos das caixas de mail dos médicos de família e outros profissionais dos CSP. Não se sabe quem os retirou e transferiu sem informação prévia e consentimento dos médicos. Foram transferidos para as pastas de “Arquivo Morto”, ou para a tal plataforma a que os SPMS se referem na sua nota?

Ordem dos Médicos quer rápida explicação do que se passou

A Ordem dos Médicos enviou esta manhã uma nota ao Ministério da Saúde em que pede rápidos esclarecimentos quanto ao que se passou ao longo do dia de quinta-feira, quando durante todo o dia centenas de médicos de família se viram impossibilitados de receber ou enviar emails através dos seus endereços institucionais devido a uma diminuição na capacidade das suas caixas de correio.

Na nota a que a HealhtNews teve acesso, fala-se numa “decisão unilateral e sem aviso prévio que constitui mais uma barreira inadmissível ao contacto dos doentes com os seus centros de saúde e torna-se especialmente grave no contexto
de pandemia que vivemos”.

Segue assim:

A Ordem quer rápida explicação sobre redução da caixa de email dos médicos de família

A Ordem dos Médicos tomou conhecimento, através das notícias e do relato de vários colegas, de que a capacidade das contas profissionais de email dos médicos de família foi drasticamente reduzida. Esta decisão unilateral e sem aviso prévio constitui mais uma barreira inadmissível ao contacto dos doentes com os seus centros de saúde e torna-se especialmente grave no contexto de pandemia que vivemos.

“A Ordem dos Médicos tem vindo a alertar para os grandes constrangimentos que se vivem nos centros de saúde e que são resultado da opção do Ministério da Saúde de manter os médicos de família desviados e focados no combate à pandemia, sem poderem continuar o atendimento aos seus doentes de sempre. A isto acresce a dificuldade antiga com as centrais telefónicas dos centros de saúde, que estão obsoletas e não permitem fazer um atendimento telefónico eficaz”, começa por explicar o bastonário da Ordem dos Médicos.

“Torna-se, portanto, incompreensível, inaceitável e até mesmo intolerável esta decisão de vedar aos médicos, aos outros profissionais e aos doentes o email enquanto ferramenta de trabalho e de contacto. Numa altura em que cresce a necessidade de troca de informação clínica por via digital, reduzir de 50Gb para apenas 2Gb uma caixa de correio é um sinal de falta de conhecimento e de falta de estratégia. Se os motivos financeiros estiverem de facto na origem desta decisão prova-se, uma vez mais, o desnorte com que a saúde de todos nós está a ser gerida, ignorando-se que o dinheiro que é hoje retirado sairá mais caro no futuro”, acrescenta Miguel Guimarães, que apela a uma “rápida explicação deste erro e reposição da capacidade de resposta”.

Lisboa 09 de outubro de 2020

USF-AN pede “recuo na decisão tomada”

Ainda ontem, também a USF-AN se manifestou junto do Ministério da Saúde quanto ao sucedido, pedindo um “recuo na decisão tomada” quanto à redução das caixas de email para “menos 25x do que o normal”.

“Tendo em conta que, infelizmente, continuamos com um cenário pandémico no país, surpreende-nos a última comunicação de algumas Administrações Regionais de Saúde (ARS), desencadeada pelos SPMS, EPE, que informa sobre a redução de armazenamento do email dos profissionais em 48 GB, ou seja, menos 25x que a capacidade inicial. Agravando esta situação, destacamos que falhou o aviso prévio em algumas ARS, apanhando assim os profissionais desprevenidos, tendo graves implicações nos contactos feitos via email por parte dos seus utentes”, queixa-se a USF-AN.

Mas a associação vai mais longe e acusa mesmo os responsáveis de contrariarem o Despacho nº 5314/2020, de 7 de maio.

“De acordo com a informação apurada, esta retirada de armazenamento baseia-se numa suposta não utilização do armazenamento do email por uma pequena parte de profissionais, o que no nosso entender perde qualquer poder justificativo da ação tomada na generalidade. Primeiro porque vai no sentido oposto do plasmado no Despacho n.o 5314/2020, de 7 de maio, e segundo porque continuamos a não ter um discurso dos nossos dirigentes alinhado com as ações e medidas adotadas. Continua-se a adotar medidas de regressão, no caso de serviços, em vez de se apostar na formação e apoio aos profissionais, de forma a que estes possam apropriar-se e utilizar, em benefício próprio e dos seus utentes, todas as potencialidades das ferramentas que dispõem”, continua a USF-AN.

“Por esse motivo, solicitamos um recuo na decisão tomada e uma rápida normalização dos recursos existentes, já por si, cronicamente, insuficientes reiterando a necessidade de uma aposta efetiva na formação e apoio às equipas e profissionais que, dia após dia, em condições adversas, dão o melhor de si pelo acompanhamento e saúde dos seus utentes”, conclui a associação defensora dos interesses das Unidades de Saúde Familiar.

Atualizado

João Marques/HN/MMM

 

Açores com nove mil utentes sem médico de família

Açores com nove mil utentes sem médico de família

Teresa Luciano declarou que “o grande número de utentes sem médico de família está localizado na ilha Terceira”, onde “foi aberto um concurso para cinco médicos de família, que está a decorrer”.

A titular da pasta da Saúde falava aos jornalistas na Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, onde participou na assinatura de acordos entre hospitais da região e as Unidades de Saúde de Ilha dos Açores, o Sindicato Independente dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos.

Em 23 de julho de 2019, Teresa Luciano anunciou que, “a partir de setembro, todos os utentes da Ilha de São Miguel” teriam médico de família, sendo que o Governo dos Açores está a fazer “todos os esforços para garantir que, num curto espaço de tempo, cada cidadão açoriano tem acesso a um médico de família”.

A governante falava então à margem de uma audiência da Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.

Teresa Luciano explicou que, antes da sua contratação, os médicos têm a sua formação de internato de medicina geral e familiar que, “normalmente, termina em março ou abril”, de quatro em quatro anos.

“Este ano há uma situação excecional e, no caso concreto dos médicos de família, o exame foi feito dentro dos limites, mas, se falarmos nas especialidades hospitalares, os exames de saída da especialidade foram em julho e agosto. Depois dos exames realizados, é preciso abrir concurso, daí que este esteja a decorrer na Terceira”, declarou a governante.

A secretária regional adiantou ainda que decorre também um concurso para duas vagas em Santa Maria e na Graciosa, indo abrir mais quatro vagas para a Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel, tendo salvaguardado que “na região há mais médicos a serem formados – 50 em medicina geral e familiar – do que o número de profissionais com idade de reforma”.

Referindo-se especificamente aos acordos celebrados com os sindicatos, a responsável pela Saúde declarou estes visam “proporcionar as melhores condições de exercício aos profissionais e, desta forma, garantir melhores condições de saúde a todos os açorianos”.

Com estes acordos, os médicos de medicina geral e familiar que “têm a sua lista completa passam a prestar cuidados aos utentes sem médico de família, temporariamente, por exemplo, devido a uma baixa ou gravidez, num período semanal único, como trabalho suplementar”.

O limite do trabalho suplementar é reduzido de 200 para 150 horas, sendo que “os trabalhadores abrangidos pelos acordos com contrato individual de trabalho passam a usufruir do mesmo regime de férias que os trabalhadores com vinculo jurídico de emprego público”.

Estas alterações irão beneficiar cerca de 500 médicos dos Açores com contrato de trabalho em funções públicas e com contrato individual de trabalho filiados nos sindicatos.

LUSA/HN