Quase 98% dos adultos em Cabo Verde com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19

Quase 98% dos adultos em Cabo Verde com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19

Segundo o boletim de vacinação contra a Covid-19 divulgado hoje pelo Ministério da Saúde, até 23 de abril, com a incorporação dos dados do recenseamento realizado no ano passado, que concluíram que a população residente baixou para 491.233 (contra a expectativa de crescimento para mais de meio milhão), 318.495 adultos (97,7% da população adulta elegível) estavam vacinados com a primeira dose e 274.921 (84,4%) com as duas doses.

Antes da atualização da população estimada em função dos dados do Censo 2021, que foram conhecidos no início de abril, a taxa de cobertura da vacinação contra a Covid-19, com as duas doses, rondava os 75%.

A vacinação contra a Covid-19 em Cabo Verde arrancou em março de 2021, um ano após os primeiros casos da doença no arquipélago, e desde dezembro último que já decorre a administração da dose de reforço.

“Para uma maior proteção, é preciso que todos os que não tomaram ainda a terceira dose da vacina contra a Covid-19, o façam. Vacinas estão disponíveis. Não custa nada. Só tem ganhos para si e para a comunidade”, apelou no final de abril o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, para quem o país teve “sucesso” na gestão da pandemia, mesmo sendo um dos mais afetados economicamente, desde logo pela forte quebra na procura turística.

A nível nacional, Cabo Verde já aplicou 64.656 doses de reforço em adultos, equivalente a 19,8% do total, e também desde dezembro já vacinou com uma dose 45.736 dos adolescentes (85,1% da população estimada, de 12 a 17 anos), enquanto 37.712 (70%) estavam, em 23 de abril, complemente vacinados.

Até 23 de abril, Cabo Verde já tinha utilizado 704.698 das 1.045.850 (67,4%) doses de vacinas da Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Sinopharm recebidas através do mecanismo COVAX e doações de países parceiros.

Cabo Verde conta hoje com 16 casos ativos de Covid-19 em todo o país e não regista qualquer óbito por complicações associadas à doença desde 22 de fevereiro. Desde o início da pandemia, em março de 2020, o arquipélago já confirmou 56.031 casos da doença, que provocaram 401 óbitos.

LUSA/HN

Médicos Sem Fronteiras instam Moderna a partilhar tecnologia das vacinas mRNA

Médicos Sem Fronteiras instam Moderna a partilhar tecnologia das vacinas mRNA

O apelo surge na véspera da assembleia-geral de acionistas da farmacêutica norte-americana, prevista para quinta-feira e durante a qual se espera que a empresa apresente lucros milionários durante a pandemia graças à sua vacina, que em janeiro recebeu o apoio total da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês).

Até então, a vacina da Moderna contra a Covid-19 tinha apenas uma autorização para uso de emergência.

No comunicado hoje divulgado, a MSF lembra um estudo recente em que concluiu que mais de 100 fabricantes de medicamentos em países de baixo e médio rendimento poderiam produzir vacinas contra a Covid-19 e outras doenças, mas apenas se tiverem acesso à tecnologia.

A organização não-governamental internacional recorda que a Moderna recebeu um financiamento público de 10.000 milhões de dólares (9.500 milhões de euros), o que inclui quase todo o custo do desenvolvimento clínico e a compra de 500 milhões de doses – para desenvolver a vacina com recurso à tecnologia de RNA mensageiro.

“É inaceitável que a Moderna tenha beneficiado de dinheiro dos contribuintes para desenvolver essa vacina de grande êxito, mas se negue a partilhar a fórmula com os produtores do resto do mundo que têm capacidade para produzi-la”, disse Mihir Mankad, assessor de saúde global da MSF nos Estados Unidos, citado no comunicado.

A organização afirmou que a transferência dessa tecnologia poderia facilitar a produção de vacinas contra a Covid-19 e outras doenças e permitiria aos países preparar-se para futuras pandemias, o que salvaria vidas.

“Tendo em conta o apoio dos contribuintes e o facto de a Moderna ter faturado 17.700 milhões de dólares [16,7 milhões de euros] com a vacina até ao fim de 2021, a empresa tem a obrigação de deixar de bloquear a transferência de tecnologia mRNA”, insistiu a organização.

Segundo os médicos, a curto prazo esta tecnologia poderá ser adaptada com relativa rapidez para responder a novas variantes do SARS-CoV-2 e, a médio prazo, poderá ser uma opção prometedora para desenvolver vacinas contra outras doenças como o VIH, a tuberculose ou a malária.

“Devemos rejeitar permitir novamente uma situação em que metade do mundo se serve primeiro enquanto o resto do mundo fica a olhar de mãos vazias”, disse Alain Alsalhani, da campanha da MSF para o acesso a vacinas, citado no comunicado.

Embora reconheça que a Moderna assinou um memorando de entendimento com o Quénia para construir no país a sua primeira fábrica de vacinas mRNA em África – do qual diz haver pouca informação -, a MSF defende que há maneiras mais eficazes de tornar a tecnologia mais acessível no continente.

A Moderna deve partilhar a sua tecnologia com fabricantes que têm a capacidade de produzir e não impedir os esforços em andamento para desenvolver vacinas de mRNA no Centro de Transferência de Tecnologia de mRNA da Organização Mundial da Saúde na África do Sul, defende a organização, que apela também à empresa para que se comprometa a não aplicar patentes em países de baixo e médio rendimento.

A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de seis milhões de mortos e infetou quase 512 milhões de pessoas em todo o mundo.

LUSA/HN

Moderna quer desenvolver vacina contra 15 vírus negligenciados para evitar nova pandemia

Moderna quer desenvolver vacina contra 15 vírus negligenciados para evitar nova pandemia

Especialista na tecnologia inovadora de RNA mensageiro, a Moderna já está a trabalhar em vacinas de RNA contra outros vírus, como o HIV e Zika.

Agora, pretende ‘atacar’ os 15 patógenos identificados como os maiores riscos para a saúde pública pela Organização Mundial de Saúde e pela Coligação para a Inovação na Preparação para Epidemias (Cepi), revelou hoje a empresa norte-americana.

Em concreto, a Moderna pretende avançar até 2025 com o desenvolvimento de vacinas contra o vírus chikungunya, febre hemorrágica da Crimeia-Congo, dengue, ébola, malária ou até tuberculose.

A empresa pretende impulsionar o desenvolvimento destas potenciais vacinas até aos primeiros ensaios clínicos em humanos, especificou o diretor-geral da Moderna, Stéphane Bancel, em declarações à agência France Presse (AFP).

O objetivo é estabelecer uma espécie de biblioteca de vacinas que, no caso de uma pandemia emergente de um outro destes patógenos, está pronta para ser utilizada e entrar em ensaios clínicos de terceira fase, a última etapa antes de serem colocadas no mercado.

Como resultado, haverá uma economia de tempo de vários meses que permite “ir mais rápido”, sustenta Bancel.

Para isto, a Moderna conta com a cooperação entre laboratórios públicos e privados, através do programa “mRNA Access”, que permite a investigadores de todo o mundo utilizarem a sua plataforma tecnológica de RNA mensageiro para continuarem as suas investigações sobre doenças infeciosas emergentes em laboratórios próprios.

 “Gostaríamos de contar com os melhores especialistas do mundo. Esta é uma ferramenta de Internet que permite que qualquer cientista parceiro da Moderna ‘desenhe’ qualquer vacina no seu laboratório”, acrescentou Stéphane Bancel.

Mas a Moderna compromete-se a investigar com ou sem parceiros.

“Se em determinados vírus ninguém quiser uma parceria, faremos sozinhos. Estes vírus são conhecidos há muito tempo”, explica Stéphane Bancel, que defende “responsabilidade” por parte do setor farmacêutico.

A Moderna, até o surgimento da Covid-19 e o desenvolvimento de uma vacina, nunca tinha comercializado nenhum medicamento.

Os tempos mudaram e a empresa de biotecnologia faturou mais de 18 biliões no ano passado, tendo já sido alvo de críticas por parte de Organizações Não-Governamentais que defendem uma distribuição mais justa das vacinas em favor dos países pobres, bem como o levantamento de patentes.

Stéphane Bancel defende-se destas observações e aponta que “25% das doses produzidas pela Moderna saíram no ano passado para países de baixo rendimento”, lembrando ainda que a empresa esteve proibida, pelos Estados Unidos, de exportar até o verão de 2021.

LUSA/HN

Moderna vai construir no Quénia a sua primeira fábrica em África

Moderna vai construir no Quénia a sua primeira fábrica em África

A empresa pretende investir 500 milhões de dólares (460 milhões de euros) nesta fábrica, que produzirá vacinas de RNA mensageiro para todo o continente africano, onde faltam ainda muitas doses para combater a Covid-19.

“O combate contra a pandemia de Covid-19 nos dois últimos anos relembrou o trabalho necessário para assegurar um acesso equilibrado à saúde. A Moderna está determinada a fazer parte da solução”, declarou em comunicado o diretor geral da empresa, Stephane Bancel.

A Moderna diz esperar que a fábrica comece no próximo ano a distribuir a sua vacina contra a Covid-19 em África, com o objetivo de aumentar a cobertura vacinal dos países menos protegidos contra o coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença Covid-19.

“O investimento da Moderna no Quénia ajudará a avançar para um acesso mundial equitativo às vacinas e é emblemático dos desenvolvimentos estruturais que permitirão à África tornar-se um motor de crescimento sustentável mundial”, disse o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, citado no comunicado.

Mais de um ano após a administração da primeira dose de vacina anti-covid-19 no mundo, apenas 12,7% dos 1,3 mil milhões de africanos estão totalmente vacinados.

A pandemia revelou a enorme dependência africana de vacinas importadas.

No ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a criação de um centro de produção de vacinas na África do Sul, que terá como missão transferir tecnologias para outros países, nomeadamente o Quénia.

O diretor-geral da OMS, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou várias vezes a um acesso equitativo às vacinas para pôr fim à pandemia e criticou os países ricos por reterem doses de vacinas anti-covid-19.

Atualmente, apenas 1% das vacinas usadas em África são produzidas no continente.

Os países africanos, juntamente com outros países em desenvolvimento, reclamam junto da Organização Mundial do Comércio o levantamento dos direitos de propriedade sobre vacinas e tratamentos contra a Covid-19, para permitir a produção de genéricos.

A Europa tem-se oposto a este pedido, afirmando que a prioridade é construir capacidade de produção nos países pobres.

A Covid-19 provocou pelo menos 5.978.400 mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse, divulgado no sábado.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

LUSA/HN

Agência Europeia do Medicamento autoriza vacina da Moderna e reforço Pfizer para crianças

Agência Europeia do Medicamento autoriza vacina da Moderna e reforço Pfizer para crianças

O diretor da agência sediada em Amsterdão, Marco Cavaleri, disse em conferência de imprensa que, no caso de crianças até aos 11, será dada metade da dose da Moderna administrada a adolescentes e adultos.

A vacina da Moderna também está autorizada para servir como dose de reforço para pessoas que foram injetadas com outras vacinas.

Cavaleri indicou também que “não foi identificado nenhum novo sinal” relativamente à segurança da Pfizer-BioNTech como terceira dose para crianças a partir dos 12 anos, remetendo para dados relativos a mais de 400.000 crianças inoculadas pela terceira vez em países como Israel ou Estados Unidos.

Na análise desses dados, procurou-se especialmente casos de inflamações do coração ou peitorais, efeitos secundários que foram associados à vacina da Pfizer.

O diretor da agência referiu que embora alguns países europeus tenham começado a administrar uma segunda dose de reforço à população mais idosa com receio de que a sua imunidade enfraqueça, a agência não o recomenda, porque “nesta altura, não há provas suficientes que determinem a necessidade de uma segunda dose de reforço na população em geral”.

Os contágios por SARS-CoV-2 têm caído em grande parte da Europa, depois do pico atingido em janeiro, mas os novos casos continuam a subir em países como a Rússia e a Turquia.

LUSA/HN