Aumenta mortalidade e ocupação em cuidados intensivos por Covid-19

Aumenta mortalidade e ocupação em cuidados intensivos por Covid-19

De acordo com o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a mortalidade em 14 dias por um milhão de habitantes, que na semana anterior estava nas 26,1 mortes, apresenta agora uma “tendência crescente” e continua a ser superior ao limiar de 20 óbitos definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC).

Apesar deste aumento, o relatório refere que a “mortalidade por todas as causas encontra-se ainda dentro dos valores esperados para a época do ano, o que indica um reduzido impacto da pandemia na mortalidade” em Portugal.

Quanto à pressão sobre os serviços de saúde, os dados da DGS e do INSA indicam que os 84 doentes em cuidados intensivos na segunda-feira correspondiam a 32,9% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas, quando na semana anterior este indicador estava nos 23,1%.

“O número de doentes internados em unidades de cuidados intensivos apresentou uma tendência crescente (mais 42% em relação à semana anterior)”, refere o relatório sobre a evolução da pandemia, ao avançar ainda que os hospitais da região Norte são os que apresentam maior ocupação na medicina intensiva, estando a 53% do nível de alerta estipulado em 75 camas.

A autoridade de saúde adianta também que se registou uma tendência crescente da ocupação hospitalar por casos de covid-19, com um total 1.450 internados na segunda-feira, mais 20% em relação ao mesmo dia da semana anterior.

A DGS e o INSA indicam ainda que a percentagem de testes positivos, entre 10 e 16 de maio, foi de 50,4%, também com tendência crescente, tendo-se registado um aumento do número de despistes do coronavírus SARS-CoV-2 que passou de cerca de 265 mil para mais de 355 mil.

“Observou-se uma tendência crescente da incidência cumulativa a sete dias por 100 mil habitantes em todos os grupos etários”, refere o documento, que adianta que a faixa entre os 10 aos 19 anos de idade foi a que apresentou este indicador mais elevado, com 1.992 casos.

Para este aumento da incidência “poderão ter contribuído fatores que incluem a redução da adesão a medidas não farmacológicas, o período de festividades e o considerável aumento de circulação de variantes com maior potencial de transmissão”, considera o relatório.

Quanto às linhagens da variante Ómicron, o INSA e a DGS estimam que a BA.5, que tem mutações adicionais com impacto na entrada do vírus nas células humanas e ou na sua capacidade de evadir a resposta imunitária, seja dominante em Portugal, sendo responsável por 63,6% das infeções, devendo atingir uma frequência de cerca de 80% já no domingo.

“O aumento da incidência pode continuar a contribuir para uma maior procura de cuidados de saúde e o aumento da mortalidade, em especial nos grupos mais vulneráveis”, alertam a DGS e a INSA, que aconselham a ser mantida a vigilância da situação epidemiológica da covid-19 e recomendam “fortemente o reforço das medidas de proteção individual e a vacinação de reforço”.

Mortalidade está estável mas continua acima do limiar europeu

Mortalidade está estável mas continua acima do limiar europeu

Na segunda-feira, o país registava 28,8 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, um valor que continua a ser superior ao limiar de 20 óbitos definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), adianta o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Este indicador do ECDC de 20 mortes por um milhão de habitantes a 14 dias constitui uma das referências determinadas pelo Governo para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

Relativamente à pressão da pandemia sobre os serviços de saúde, os dados do INSA e da DGS indicam que o número de doentes com Covid-19 internados em cuidados intensivos corresponde a 23,5% do valor considerado crítico de 255 camas ocupadas nessas unidades, indicador que também apresenta uma tendência estável.

Segundo o relatório, os hospitais das regiões Centro e Norte são os que registam maior ocupação das unidades de cuidados intensivos, mas ainda com valores distantes dos respetivos níveis de alerta.

A DGS e o INSA referem também que a percentagem de testes positivos para o coronavírus SARS-CoV-2 foi de 21,8% entre 05 e 11 de abril, acima do limiar dos 4% e registando uma “inversão da tendência decrescente que se vinha a observar” neste indicador.

O relatório avança que as pessoas com um esquema vacinal completo contra a Covid-19 tiveram um risco de internamento duas a quatro vezes inferior do que as não vacinadas entre o total de infetados com o SARS-CoV-2 em fevereiro.

“Em março de 2022, na população com 80 e mais anos, a dose de reforço reduziu o risco de morte por Covid-19 em três vezes em relação a quem tem o esquema vacinal primário completo”, adianta ainda a autoridade de saúde.

A análise dos diferentes indicadores indica que Portugal regista uma “transmissibilidade muito elevada” do coronavírus SARS-CoV-2, mantendo a tendência decrescente.

“O sistema de saúde apresenta capacidade de acomodar um aumento de procura por doentes com Covid-19”, refere o documento, que aconselha a ser mantida a vigilância da situação epidemiológica no país, assim como as medidas de proteção individual nos grupos de maior risco e a vacinação de reforço.

A Covid-19 é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

Investigador defende “análise mais aprofundada” da elevada mortalidade por Covid-19

Investigador defende “análise mais aprofundada” da elevada mortalidade por Covid-19

“Este seria o tempo ideal para uma análise mais aprofundada dos dados e tentar entender o que, especificamente, está a determinar uma mortalidade muito elevada” no país, disse à agência Lusa o especialista do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa.

Os últimos dados da Direção-Geral da Saúde, divulgados na sexta-feira, indicam que a mortalidade específica por Covid-19 atinge os 28,6 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes, revelando uma “tendência ligeiramente crescente” deste indicador.

Este valor continua a ser superior ao limiar de 20 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) e que constitui uma das referências determinadas pelo Governo para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

Segundo Miguel Castanho, é sabido que o maior número de vítimas mortais são pessoas idosas, mas é necessário aprofundar os dados para apurar se estão ou não vacinadas, se têm outras doenças debilitantes quando cruzadas com a Covid-19 e onde se infetaram, se em ambiente familiar ou nos transportes públicos, por exemplo.

 “A resposta a estas perguntas permitiria tomar medidas cirúrgicas dirigidas com precisão às situações de contágio de maior risco”, salientou o professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa.

Na ausência desta estratégia específica, “resta manter as estratégias generalistas assentes em evitar contágios nos locais onde podem ser mais frequentes”, como espaços fechados com muita gente em proximidade, transportes públicos, eventos e salas de aula e de espetáculos, adiantou.

“No contexto atual de medidas generalistas, é coerente o uso da máscara nas salas de aula”, referiu o investigador, que disse concordar com a decisão do Governo de prolongar a situação de alerta até ao dia 22 de abril, o que significa que ficam inalteradas as medidas atualmente em vigor.

“A situação epidemiológica mantém-se inalterada há cerca de um mês no que diz respeito a número de vítimas mortais. Não existem razões objetivas para aliviar medidas”, disse à Lusa o especialista do Instituto de Medicina Molecular.

Para Miguel Castanho, aliviar as medidas nessa altura “traria o ónus do descrédito”, alegando que o plano de ação contra a pandemia prevê que só se aliviam medidas quando todos os indicadores estiverem em níveis aceitáveis.

“É necessário ser coerente com o plano traçado, mesmo que isso implique prolongar medidas”, sustentou Miguel Castanho, para quem, ao nível da mortalidade, Portugal ainda está longe da meta definida internacionalmente.

De acordo com o especialista, essa meta corresponde a cerca de um máximo de 15 óbitos por dia, mas Portugal ainda regista cerca de 20 mortes diárias por Covid-19.

“Em finais de abril e maio do ano passado tínhamos uma ou duas, o que nos dá a ideia do quanto estamos acima dos valores possíveis em tempo de primavera. Não podemos decretar por finda a corrida antes do cortarmos a meta. Isso seria desistir, um atirar da toalha ao chão”, alertou.

Segundo disse, a situação da pandemia de Covid-19 “pouco mudou” em Portugal, sendo que a “única alteração importante na situação pandémica no último mês foi o eclipse do seu mediatismo” perante a guerra na Ucrânia.

A pandemia “continua a merecer os mesmos cuidados”, apesar de os “horrores da guerra se terem sobreposto aos horrores do vírus” nas últimas semanas, referiu.

A Covid-19 é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

SARS-CoV-2 com transmissão elevada e mortalidade com tendência crescente desde março

SARS-CoV-2 com transmissão elevada e mortalidade com tendência crescente desde março

“Da análise dos diferentes indicadores, a epidemia de covid-19 mantém uma transmissibilidade muito elevada, embora com ligeiro decréscimo”, adianta o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Segundo o relatório, a incidência cumulativa a sete dias foi de 602 casos por 100 mil habitantes em Portugal, “salientando-se a tendência crescente nos Açores, enquanto as restantes regiões apresentam uma tendência decrescente”.

Na segunda-feira, a mortalidade específica por Covid-19 estava nos 28,6 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a um aumento de 2% relativamente ao período anterior, o que revela uma “tendência ligeiramente crescente”, indicam a DGS e o INSA.

Este valor continua a ser superior ao limiar de 20 óbitos a 14 dias por um milhão de habitantes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) e que constitui uma das referências determinadas pelo Governo para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

“A mortalidade por todas as causas encontra-se dentro dos valores esperados para a época do ano, o que indica um reduzido impacto da pandemia na mortalidade”, adianta ainda o relatório da autoridade de saúde.

Quanto à pressão da Covid-19 sobre os serviços de saúde, o documento refere que o número de doentes em cuidados intensivos correspondia, na passada segunda-feira, a 23,5% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas, ligeiramente mais reduzido do que os 23,9% do que na semana anterior.

 Os hospitais das regiões Norte e Centro são os que apresentam maior ocupação das unidades de cuidados intensivos, “mas ainda distante do seu nível de alerta”, adianta o relatório, ao considerar que o sistema de saúde “apresenta capacidade de acomodar um aumento de procura por doentes com covid-19”.

O documento avança ainda que a percentagem de testes positivos entre 29 de março e 04 de abril foi de 21%, valor que se encontra acima do limiar dos 4% e com tendência ligeiramente decrescente.

A frequência da linhagem BA.2 da variante Ómicron, considerada mais transmissível do que a BA.1, é de 98% em Portugal, enquanto a BA.1 é agora apenas responsável pelos restantes 2% das infeções no país.

“Deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica da covid-19 e recomenda-se a manutenção das medidas de proteção individual nos grupos de maior risco e a vacinação de reforço”, aconselham a DGS e o INSA.

A Covid-19 é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

SPAVC volta a assinalar Dia Nacional do Doente com AVC com atividades presenciais em todo o país

SPAVC volta a assinalar Dia Nacional do Doente com AVC com atividades presenciais em todo o país

Impedidos pela pandemia é dois anos depois que a Sociedade Portuguesa do AVC volta a implementar as atividades presenciais. Para o presidente da Direção da SPAVC, José Castro Lopes,  estas atividades são essenciais “para vencermos o combate em que estamos empenhados desde a fundação da SPAVC.”.

O responsável deixa um apelo à população para que participe nas atividades. “Utilizem os conhecimentos adquiridos para poder atingir uma velhice saudável”, refere. Segundo Castro Lopes “”estamos perante uma doença gravíssima, mas que se pode prevenir e tratar”.

Na mesma linha de pensamento, a médica neurologista Liliana Pereira alerta que “um em cada quatro adultos acima dos 25 anos vai sofrer um AVC ao longo da sua vida. Se não nos afetar diretamente, afetará seguramente alguém que conhecemos e de quem gostamos”.

“Há ainda espaço para melhorar e tirar o AVC do topo das causas de morte em Portugal, pelo que há que divulgar esta mensagem, não só neste dia, mas todos os dias”, conclui.

As atividades previstas deverão decorrer em Lisboa, Loures, Mecedo de Cavaleiros, Vila Real e Coimbra.

PR/HN/Vaishaly Camões