Linhagem mais recente da variante Ómicron já deverá ser dominante em Portugal

Linhagem mais recente da variante Ómicron já deverá ser dominante em Portugal

O investigador do INSA João Paulo Gomes disse aos jornalistas na sede da instituição que a linhagem BA5 da variante Ómicron “terá já ultrapassado os 50%” dos novos casos de infeção, especulando que será “a variante dominante”.

“Trata-se de uma linhagem mais transmissível e com algumas mutações que são associadas a uma maior capacidade do vírus para infetar e fugir ao sistema imunitário”, conseguindo ultrapassar os anticorpos gerados quer pelas vacinas quer pela infeção natural e assim expandir-se mais.

A linhagem está a aumentar em Portugal a par do que se passa na África do Sul, onde foi pela primeira vez identificada a variante Ómicron, mas os primeiros estudos “nada indicam” quanto a uma eventual maior gravidade.

“Não parece estar associada a um fenótipo de doença mais severo. Pensamos que será quase inevitável que [a covid-19] se transforme quase numa gripe. Vamos ter que viver com este coronavírus e pensa-se que o processo de vacinação vá ter que continuar, nem que seja para os grupos mais vulneráveis”, considerou.

João Paulo Gomes, que é responsável pela monitorização da diversidade genética do SARS-CoV-2 e outras doenças infeciosas em Portugal, declarou que “é um vírus com uma capacidade de adaptação incrível, que muito rapidamente se vai adaptando à própria evolução do sistema imunitário”.

Por conseguir passar pela imunidade das vacinas e natural, “as vacinas atualmente distribuídas, ainda desenvolvidas com a estirpe original [do novo coronavírus], são muito pouco eficazes contra a infeção, mas continuam a mostrar uma eficácia muito elevada quanto ao processo de hospitalização”.

“Todos conhecemos amigos, colegas que tiveram a infeção há poucos meses e estão agora novamente infetados, isso está a acontecer com estas linhagens”, apontou.

O INSA faz a monitorização de amostras do SARS-CoV-2 recolhidas semanalmente em todo o país, identificando os códigos genéticos.

“Todo o mundo tem beneficiado dos primeiros dados gerados”, referiu, acrescentando que ao conhecer a realidade de um país, os outros podem ter uma visão do que os espera e preparar-se melhor.

LUSA/HN

Nova ronda de testes em massa vai decidir reabertura de Xangai

Nova ronda de testes em massa vai decidir reabertura de Xangai

O vice-diretor da Comissão de Saúde de Xangai, Zhao Dandan, disse que irá arrancar em breve uma nova ronda de testes em massa aos moradores da cidade e que as áreas que alcançaram “transmissão comunitária zero” poderão ter mais alguma liberdade de movimentos.

“Transmissão comunitária zero” implica que o novo coronavírus não se esteja a espalhar na comunidade, com as novas infeções a serem detetadas apenas em pessoas já sob vigilância, como aquelas em instalações de quarentena centralizada ou contactos identificados de pacientes.

Um surto de Covid-19 em Xangai, no leste da China, levou as autoridades chinesas a impor um confinamento quase total da cidade, com cerca de 25 milhões de habitantes, há cerca de um mês.

Os moradores de Xangai ficaram sem acesso a comida e necessidades diárias, face ao encerramento de supermercados e farmácias, e dezenas de milhares de pessoas foram colocadas em centros de quarentena, onde as luzes estão sempre acesas, o lixo acumula-se e não existem chuveiros com água quente.

Qualquer pessoa com resultado positivo, mas que não tenha sintomas, deve passar uma semana numa destas instalações.

O fluxo de produtos industriais também foi interrompido pela suspensão do acesso a Xangai, onde fica o porto mais movimentado do mundo, e outras cidades industriais, incluindo Changchun e Jilin, no nordeste da China.

A Comissão Nacional de Saúde da China anunciou hoje a morte de 47 pessoas por Covid-19, nas últimas 24 horas.

As mortes foram todas registadas em Xangai, elevando o número total de óbitos desde o início da pandemia na China para 4.923.

Apesar do confinamento rigoroso em Xangai, quase 1.300 novos casos positivos e cerca de 9.300 casos assintomáticos foram registados nas últimas 24 horas.

A China tem enfrentado nos últimos meses o pior surto desde o início da pandemia, atribuído à variante Ómicron. A vaga também já afetou a capital, Pequim, onde foram registados 48 novos casos positivos nas últimas 24 horas.

Pequim está no meio de uma ronda de testes da maioria dos 21 milhões de habitantes da cidade.

Na quarta-feira, o distrito de Tongzhou suspendeu as aulas de todas as escolas, do jardim de infância ao ensino secundário.

Nos últimos dois dias, os moradores de Pequim começaram a acorrer os mercados e supermercados para adquirir alimentos e outros bens de primeira necessidade, por receio de um confinamento como o aplicado em Xangai.

“Acho que continuaremos a ver o uso destes confinamentos em todo o país”, disse a especialista em saúde pública da Universidade de Hong Kong, Karen Grepin, à agência Associated Press.

“A variante Ómicron tornou mais difícil controlar o vírus e, portanto, são necessárias medidas mais rigorosas”, acrescentou.

LUSA/HN

China continua a combater situação “grave e complexa”

China continua a combater situação “grave e complexa”

O país contabilizou mais de 56.000 casos desde o início de março, segundo a Comissão Nacional de Saúde.

Mais de metade dos casos foram registados na província de Jilin, no nordeste do país. Os números não incluem a região semiautónoma de Hong Kong, que rastreia os seus dados separadamente.

A China continua a esforçar-se para alcançar os zero casos no curto prazo, pois “continua a ser a estratégia de prevenção mais económica e eficaz contra a covid-19”, apontou Wu Zunyou, especialista em doenças infeciosas do Centro de Controlo de Doenças da China.

“Apenas com a aplicação da dinâmica zero-covid podemos eliminar os perigos ocultos da epidemia, evitar o esgotamento dos recursos médicos, que podem ser causados por infeções em larga escala, e evitar um grande número de possíveis mortes de idosos ou pacientes com doenças subjacentes”, acrescentou Wu.

A estratégia depende de bloqueios e testes em massa. Contactos próximos são colocados em quarentena, em casa ou numa instalação do governo.

A estratégia visa erradicar a transmissão comunitária do vírus o mais rápido possível, às vezes bloqueando cidades inteiras.

Na semana passada, o Presidente chinês, Xi Jinping, reconheceu o preço das medidas rigorosas.

Xi disse que a China deve atingir os melhores resultados com “custo mínimo”.

Desde então, as autoridades enfatizaram que vão garantir que a sua abordagem e restrições são direcionadas.

As autoridades ajustaram as medidas, para que a testagem e confinamentos não envolvam cidades inteiras, e sejam direcionadas antes para bairros ou áreas específicas, disse Jiao Yahui, alto funcionário da Comissão Nacional de Saúde, em conferência de imprensa.

As autoridades de saúde estão sobretudo preocupadas com os idosos com 60 anos e apelaram à sua vacinação.

Dados divulgados na semana passada revelaram que mais de 52 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no país ainda não foram vacinadas contra a Covid-19.

As taxas de reforço também são baixas: apenas 56,4% das pessoas com idade entre 60 e 69 anos receberam uma dose de reforço, e 48,4% das pessoas entre 70 e 79 anos.

A situação em Hong Kong destacou a importância de vacinar os idosos. O número diário de mortes na região permanece acima de 200, de acordo com Wu Zunyou.

A grande maioria das mortes por Covid-19 em Hong Kong ocorreu entre aqueles que não estão totalmente vacinados, sobretudo entre a população idosa.

LUSA/HN

Hong Kong pede a Pequim mais especialistas em medicina chinesa

Hong Kong pede a Pequim mais especialistas em medicina chinesa

Na conferência de imprensa diária sobre a pandemia, a chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, disse que o território deve fazer bom uso da medicina chinesa para tratar doentes de Covid-19.

“Acredito profundamente que outra equipa de especialistas de medicina chinesa da China vai oferecer grande apoio ao nosso trabalho antiepidémico”, apontou Lam, citada pela emissora pública Rádio Televisão de Hong Kong (RTHK).

A chefe do Executivo notou que a situação local apresenta melhorias, mas o governo “não vai ser complacente”, até porque a cidade regista cerca de 200 mortes diárias e a taxa de hospitalização da população idosa mantém-se elevada, referiu a RTHK.

Na ocasião, o diretor da Autoridade Hospitalar de Hong Kong, Tony Ko, defendeu que a experiência dos especialistas enviados para a região tem demonstrado que a medicina chinesa pode ajudar a aliviar sintomas da doença, como a tosse e o cansaço.

Em menos de três meses, Hong Kong registou quase um milhão de casos e 4.600 mortes, muitas entre idosos não vacinados. Segundo diferentes estimativas, metade dos 7,4 milhões de habitantes já foi infetada.

O número de casos diários tem diminuído nos últimos dias, abaixo dos 20 mil.

A Covid-19 provocou mais de seis milhões de mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência de notícias France-Presse.

A doença é causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

Macau apresenta plano de emergência para responder a eventual surto de larga escala

Macau apresenta plano de emergência para responder a eventual surto de larga escala

O plano prevê a criação de um hospital de campanha e uma capacidade para responder a um cenário em que tenham sido diagnosticados 2.700 infetados, garantida também pela ativação dos centros comunitários de tratamento e recurso a hotéis onde são atualmente cumpridas as quarentenas obrigatórias.

Este cenário de surto comunitário de larga escala exigiria ainda meio milhar de profissionais de saúde e uma coordenação das autoridades apoiada por 15 grupos especializados.

No limite, o plano de emergência estipula o confinamento da cidade de mais de 680 mil habitantes, indicaram as autoridades em conferência de imprensa.

A taxa de vacinação em Macau é de 82,2%, mas apenas de 33,7% entre a população com mais de 80 anos, o que é “pouco satisfatória”, admitiram os serviços de saúde do território.

Macau está a intensificar a prevenção contra a Covid-19, entre a aposta na política de ‘zero casos’ e receios da propagação da variante Ómicron, que resultou no confinamento de milhões de pessoas na China.

Esta semana, as autoridades anunciaram que os trabalhadores de supermercados que lidam diariamente com mercadorias importadas são obrigados a efetuar um teste à Covid-19 a cada sete dias.

Nos hotéis onde quem chega ao território cumpre uma quarentena obrigatória que pode chegar aos 21 dias, mesmo sem estar infetado, lençóis e toalhas não serão substituídos. A recolha das refeições à porta do quarto só pode ser efetuada após autorização dada por telefone.

Em duas semanas, quase uma tonelada de leite foi destruída, depois de as autoridades encontrarem vestígios do novo coronavírus na película plástica que envolvia as embalagens, vindas da região vizinha de Hong Kong.

Esta semana, também, a segunda maior empresa de serviços de entrega expresso chinesa suspendeu todos os envios em Macau de e para a China.

Hoje, as autoridades, preocupadas com possíveis infeções por “contacto com objetos contaminados”, lançaram uma lista de medidas que devem ser adotadas pela população para conter qualquer risco, como a esterilização das embalagens de transporte do produto.

Macau registou, desde o início da pandemia, há dois anos, apenas 82 casos de Covid-19. O território fechou as fronteiras a não-residentes e impôs quarentenas à entrada a residentes oriundos de zonas de risco.

Na cidade vizinha de Hong Kong, a Ómicron sobrecarregou o sistema de saúde local, com a região administrativa especial chinesa a registar mais de 4.300 mortos e de 740.000 casos só nos últimos três meses.

A Covid-19 provocou mais de seis milhões de mortos em todo o mundo desde o início da pandemia.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN