Linhagem BA.2 “claramente dominante” e responsável por 76,2% das infeções

Linhagem BA.2 “claramente dominante” e responsável por 76,2% das infeções

“Estima-se que a linhagem BA.2 já seja claramente dominante em Portugal, representando 76,2% das amostras positivas ao dia 7 de março”, adianta o relatório do INSA sobre a diversidade genética do coronavírus que provoca a doença Covid-19.

Segundo o INSA, esta linhagem foi detetada pela primeira vez em Portugal nas amostragens aleatórias por sequenciação na semana entre 27 de dezembro de 2021 e 2 de janeiro e, desde então, a sua “frequência tem aumentado paulatinamente”.

A variante Ómicron, classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de preocupação, engloba várias linhagens identificadas pelo prefixo `BA´, entre as quais a BA.1 e a BA.2, que descendem da mesma linhagem ancestral (B.1.1.529) e apresentam um “excesso” de mutações na proteína `spike´, muitas das quais partilhadas.

De acordo com os dados de sequenciação, a linhagem BA.1 atingiu uma prevalência máxima de 95,6% na semana de 10 a 16 de janeiro, altura em que iniciou uma tendência decrescente, com o INSA a estimar que na segunda-feira seja responsável apenas por 23,8% das infeções.

Recentemente, a OMS avançou que “estudos preliminares sugerem que a BA.2 parece ser mais transmissível do que a BA.1”, mas a organização salienta que os dados do `mundo real´ sobre a gravidade clínica na África do Sul, Reino Unido e Dinamarca, onde a imunidade da vacinação e de infeção natural é alta, indicam que “não houve diferença relatada na gravidade entre BA.2 e BA.1”.

“A reinfecção com a BA.2, após a infeção pela BA.1 foi documentada, mas dados iniciais de estudos de nível populacional sugerem que a infeção com a BA.1 fornece forte proteção contra reinfecção com BA.2”, indicou ainda a OMS.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA está a desenvolver, têm sido analisadas uma média de 523 sequências por semana desde o início de junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 139 concelhos por semana.

LUSA/HN

Linhagem BA.2 já é dominante e responsável por 58,2% das infeções

Linhagem BA.2 já é dominante e responsável por 58,2% das infeções

“Estima-se que a linhagem BA.2 já seja dominante em Portugal, representando 58,2% das amostras positivas ao dia 28 de fevereiro”, avança o relatório do INSA sobre a diversidade genética do coronavírus que provoca a doença Covid-19.

Segundo o documento, esta linhagem, que partilha várias características genéticas com a BA.1, foi detetada pela primeira vez em Portugal em amostragens aleatórias por sequenciação na semana entre 27 de dezembro e 02 de janeiro.

A variante Ómicron, classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de preocupação, engloba várias linhagens identificadas pelo prefixo `BA´, entre as quais a BA.1 e a BA.2, que descendem da mesma linhagem ancestral (B.1.1.529) e apresentam um “excesso” de mutações na proteína `spike´, muitas das quais partilhadas.

De acordo com o INSA, a frequência da linhagem BA.2 “tem aumentado paulatinamente” desde que foi identificada em Portugal, uma circulação que se tem verificado em todas as regiões do país.

Quanto à BA.1, identificada pela primeira vez em novembro, a sua frequência relativa atingiu o máximo de 95,6% na semana entre 10 e 16 de janeiro e, desde então, tem registado uma tendência decrescente, estando agora com uma prevalência estimada de 41,8% das infeções.

Na sexta-feira, a diretora-geral da Saúde afirmou que ainda existe pouca informação no mundo sobre o impacto da linhagem BA.2 ao nível da transmissão e da doença grave, sendo necessário aguardar por mais estudos ao nível biológico, clínico e epidemiológico.

“Aparentemente será ainda um bocadinho mais transmissível e aparentemente poderá ser ligeiramente mais agressiva, mas ainda não há dados suficientes que nos permitem caracterizar, não só a sintomatologia, como impacto da infeção na doença grave”, referiu Graça Freitas.

A OMS avançou que “estudos preliminares sugerem que a BA.2 parece ser mais transmissível do que a BA.1”, mas a organização salienta que os dados do mundo real sobre a gravidade clínica na África do Sul, Reino Unido e Dinamarca, onde a imunidade da vacinação e de infeção natural é alta, indicam que “não houve diferença relatada na gravidade entre BA.2 e BA.1”.

Recentemente, o virologista Pedro Simas disse à Lusa que a “BA.2 é mais eficiente a transmitir-se na comunidade do que a antecedente”, mas considerou que esta linhagem resulta da “evolução normal dos coronavírus, com pequenas mudanças que os tornam mais competitivos”.

“O que vai acontecer é que a BA.2 vai preencher o nicho da BA.1, que era dominante em Portugal”, mas sem provocar, em princípio, uma grande vaga de infeções, estimou o especialista.

No âmbito da monitorização contínua da diversidade genética do SARS-CoV-2 que o INSA está a desenvolver, têm sido analisadas uma média de 523 sequências por semana desde o início de junho de 2021, provenientes de amostras colhidas aleatoriamente em laboratórios distribuídos pelos 18 distritos de Portugal continental e pelas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, abrangendo uma média de 136 concelhos por semana.

A Covid-19 provocou pelo menos 5.952.685 mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

LUSA/HN

Açores com dois óbitos e 382 novos casos nas últimas 24 horas

Açores com dois óbitos e 382 novos casos nas últimas 24 horas

O número de mortes na região desde o início da pandemia de Covid-19 subiu, assim, para 85, depois da morte de um homem de 73 anos de Rabo de Peixe no hospital do Divino Espírito Santo, em São Miguel, e de outro de 78 anos, da ilha Graciosa, internado no hospital de Santo Espírito, na ilha Terceira.

“Um homem de 73 anos de idade faleceu em São Miguel, no Hospital do Divino Espírito Santo, onde estava internado desde dia 09. Era residente em Rabo de Peixe, concelho da Ribeira Grande. Não estava vacinado”, descreve a Autoridade no boletim diário.

Aquela entidade acrescenta que “outro homem com 78 anos de idade faleceu na Terceira, no Hospital de Santo Espírito, onde estava internado desde dia 12”.

“Era residente na Freguesia da Luz, da Graciosa, concelho de Santa Cruz. Não estava vacinado”, acrescenta.

Entre as 27 pessoas que continuam hospitalizadas, duas estão em cuidados intensivos.

De acordo com a Autoridade de Saúde, há 15 doentes no Hospital do Divino Espírito Santo, em São Miguel (um em cuidados intensivos), seis no Hospital de Santo Espírito da Terceira e seis no Hospital da Horta, no Faial (um em cuidados intensivos).

Os Açores têm, atualmente, 4.691 casos positivos ativos, sendo 3.116 em São Miguel, 709 na Terceira, 269 no Pico, 230 no Faial, 157 em São Jorge, 134 na Graciosa, 31 nas Flores, 27 no Corvo e 18 em Santa Maria.

Quanto aos novos 382 casos, 154 dizem respeito à ilha de São Miguel, 106 à Terceira, 44 ao Pico, 44 ao Faial, 19 à Graciosa, oito ao Corvo, seis às Flores e um a Santa Maria, resultantes de 1.726 análises.

Na ilha de São Miguel, há 90 novas infeções por SARS-CoV-2 em Ponta Delgada, 24 na Ribeira Grande, 21 na Lagoa e 19 em Vila Franca do Campo.

Na Terceira, foram identificados 59 novos casos em Angra do Heroísmo e 47 na Praia da Vitória.

O Pico tem 24 novas infeções na Madalena, 15 nas Lajes e cinco em São Roque.

O Faial identificou 44 casos no concelho da Horta.

Na Graciosa, há 19 novas infeções em Santa Cruz.

As Flores têm quatro novos em Santa Cruz e dois nas Lajes.

Nas últimas 24 horas foram registadas 765 recuperações.

Desde 31 de dezembro de 2020 e até sexta-feira, 210.383 pessoas tinham nos Açores a vacinação primária completa (89,0% da população) e 116.269 tinham já recebido a dose de reforço (49,2%).

A vacinação pediátrica regista 6.551 inoculações referentes à 1.ª dose, o que corresponde a 38,5% de um universo de 17.033 crianças entre os cinco e os 11 anos.

Desde o início da pandemia de Covid-19, o arquipélago identificou 59.755 casos confirmados de infeção por SARS-CoV-2, registando 85 óbitos, 54.638 recuperações e 972.597 testes.

As autoridades regionais dos Açores e da Madeira divulgam diariamente os seus dados em relação à pandemia, que podem não coincidir com a informação divulgada no boletim da Direção-Geral da Saúde.

A Covid-19 provocou pelo menos 5.925.534 de mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 21.001 pessoas e foram contabilizados 3.251.302 casos de infeção, segundo a última atualização da Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

Brasil regista mais 73.808 casos e 753 mortes

Brasil regista mais 73.808 casos e 753 mortes

Desde o primeiro contágio, há dois anos, em 26 de fevereiro de 2020, e o primeiro óbito, em 12 de março do mesmo ano, ambos em São Paulo, o país passou a ter 28.744.050 casos confirmados e totaliza agora 648.913 óbitos, segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde.

A média diária de casos na última semana chegou a 82.352 e o número de óbitos a 719, ambos em queda moderada, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

O maior número diário de óbitos pela pandemia no Brasil foi registado em 08 de abril de 2021, com 4.249, mas o recorde de casos é mais recente, em 03 de fevereiro, quando foram registados 298.408 casos positivos, uma evolução atribuída à variante Ómicron.

Segundo o relatório, no país de 213 milhões de habitantes, 26.082.511 pessoas infetadas recuperaram do novo coronavírus SARS-CoV-2, o que representa 90,7% do total.

O Brasil, um dos três países do mundo mais afetados pela pandemia em números absolutos, além dos Estados Unidos da América e da Índia, regista uma taxa de mortalidade de 309 óbitos por 100 mil habitantes e uma incidência de 13.678 infetados na mesma proporção.

Desde o início da sua campanha de imunização, em janeiro de 2021, o país aplicou 371,9 milhões de vacinas, com 149,1 milhões de pessoas (72% da população) a receber a primeira e a segunda dose ou única, no caso da Janssen, para completar o ciclo de imunização.

A Covid-19 provocou pelo menos 5.925.534 de mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

O vírus surpreendente dos valores impensáveis

O vírus surpreendente dos valores impensáveis

Primeiro foram as dúvidas sobre a possibilidade de a doença, primeiro identificada na cidade chinesa de Wuhan, chegar sequer à Europa. Mas, no final de fevereiro de 2020, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admitiu um futuro com um milhão de pessoas infetadas, gerando tal apreensão que acabou por convocar uma conferência de imprensa para afastar “completamente” essa hipótese.

Mas um ano e meio depois Portugal atingia a marca de um milhão de infetados. E, quando os números indicavam que a pandemia abrandava, a marca dos dois milhões foi atingida num terço do tempo, em apenas cinco meses. E já este ano, em 22 dias, chegou-se aos três milhões.

A história do SARS-CoV-2 começou mo último dia de 2019, após relatos das autoridades de Wuhan sobre a deteção de 27 casos de uma pneumonia viral, que meses depois se espalhou por todos os cantos do mundo.

Os primeiros dois casos em Portugal surgiram em 02 de março de 2020 e desde então houve cinco vagas sucessivas – resultando em mais de três milhões de infeções – do que se tornou na pandemia de Covid-19, quando as notícias iniciais de Wuhan informavam apenas que os pacientes, sete em estado grave, tinham febre e dificuldade em respirar e que todos os casos estavam relacionados com um mercado de animais vivos, não havendo sinal de contágio humano.

A informação não foi tida como relevante na Europa e a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciava que estava a monitorizar a situação, mas afastava restrições a viagens ou ao comércio.

No início de janeiro Graça Freitas dizia, baseando-se na OMS e quando se dava como certo que não se tratava de um vírus da gripe nem de um coronavírus, que a pneumonia viral estava circunscrita a Wuhan e que não se transmitia de pessoa para pessoa, sendo desnecessária qualquer “recomendação especial”.

Mas logo a seguir, em 09 de janeiro, a China anunciava ter identificado a doença como sendo provocada por um novo tipo de coronavírus, que passa de animais para seres humanos, e que causa infeções respiratórias que podiam ser transmitidas através da tosse, espirros ou contacto físico.

Possíveis casos da doença já tinham sido identificados também na Coreia do Sul e em 11 de janeiro morria o primeiro doente em Wuhan. Mas as autoridades diziam que tudo estava “sob controlo”.

O mesmo otimismo vinha da OMS, que em 13 de janeiro dizia que a doença não alastrara além do mercado de Wuhan, que foi encerrado, e que não havia outros casos no resto da China ou fora do país.

Ainda que logo no dia seguinte a OMS dissesse que todos os hospitais do mundo estavam a ser preparados para um novo vírus, a organização não emitiu alertas sobre visitas a Wuhan. Em Portugal a DGS recomendava cuidados redobrados para quem viajasse para a China, e Graça Freitas insistia que o surto estava contido e que era diminuta a possibilidade de o vírus chegar ao país.

Na mesma linha, o Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla original) sublinhava não haver uma “indicação clara e sustentada” de que o novo coronavírus se transmitisse entre pessoas.

A meio do mês, o Japão e a Coreia do Sul registaram casos da infeção, vários países asiáticos adotavam medidas e a China confirmava que a doença era transmissível entre humanos.

Apesar de o ECDC classificar como moderada a probabilidade de a doença chegar à Europa e apesar de a OMS não declarar uma emergência internacional, as autoridades chinesas isolavam Wuhan e outras cidades, cancelavam eventos, encerravam locais e construíam hospitais.

Graça Freitas disse em 24 de janeiro que os portugueses deviam estar atentos mas tranquilos e que o país tinha planos de contingência que garantiam a preparação necessária para detetar, diagnosticar e tratar eventuais casos. Nesse dia foram registados em França os três primeiros casos na Europa. Seguiram-se a Alemanha e a Itália.

No final de janeiro de 2020 a China falava já em “situação grave”, e a ministra da Saúde portuguesa, Marta Temido, garantia que os hospitais estavam preparados para uma situação tratada de forma “tranquila, mas rigorosa”.

Em 30 de janeiro, a OMS declarou a situação como emergência em saúde pública internacional, mas continuava a opor-se à restrição de viagens, trocas comerciais e limitações a movimentos de pessoas.

Um pouco por todo o mundo havia em fevereiro de 2020 esse otimismo, visível, por exemplo, quando o Japão negava “rotundamente” qualquer intenção de cancelar os jogos olímpicos, marcados para julho. Mas em Itália os casos proliferavam e no fim do mês lamentavam-se 29 mortes. Na China eram quase três mil.

Novos casos foram aparecendo em vários países da Europa, ainda que o ECDC tenha insistido que a situação estava controlada, e que a OMS só declarasse uma pandemia em 11 de março.

Na altura, nem o ECDC nem as autoridades nacionais recomendavam que se fechassem fronteiras, ou escolas, que, logo a seguir, viriam a ser encerradas.

Após dois anos, a pandemia chegou a provocar em Portugal mais de 60 mil infeções por dia e matou quase 21 mil pessoas, apesar de quase nove milhões terem beneficiado das vacinas entretanto desenvolvidas, o que se refletiu numa redução significativa de casos graves.

Há um ano, em 22 de fevereiro, o vice-almirante Gouveia e Melo, então coordenador da ‘taskforce’ de vacinação, dizia que a imunidade de grupo podia ser alcançada em agosto e em 21 de março, o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, dizia que a Europa podia alcançar a imunidade coletiva em 14 de julho, dois novos exemplos de otimismo não confirmado.

Em agosto de 2021 Portugal não alcançava a imunidade mas sim a marca de um milhão de infetados. E faltava ainda a variante Ómicron e faltavam ainda mais dois milhões de infetados.

LUSA/HN