UE doa este ano mais de 200 milhões de doses de vacinas a países pobres

UE doa este ano mais de 200 milhões de doses de vacinas a países pobres

Em comunicado hoje divulgado, o executivo comunitário indica que “garantir o acesso a vacinas contra a covid-19 seguras e acessíveis em todo o mundo, nomeadamente para os países de baixo e médio rendimento, é uma prioridade para a UE”.

E dois meses depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se ter comprometido com pelo menos 100 milhões de doses até ao final de 2021 para esses países, a instituição vem hoje indicar que a UE, as instituições comunitárias e os 27 Estados-membros estão “no bom caminho para ultrapassar este objetivo inicial”.

Ao todo, são “mais de 200 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 previstas para serem partilhadas com os países que mais precisam delas, até ao final de 2021”, acrescenta a instituição.

O anúncio hoje realizado surge numa altura em que uma média de 53% da população adulta da UE já foi inoculada com duas doses de vacina contra a Covid-19, tendo a vacinação completa, enquanto 67,4% recebeu a primeira dose, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).

A ferramenta ‘online’ do ECDC para rastrear a vacinação da UE, que tem por base as notificações dos Estados-membros, revela ainda que 167 milhões de adultos europeus têm o esquema de vacinação concluído e 213 milhões receberam pelo menos uma dose.

Atualmente, estão aprovadas quatro vacinas anticovid-19 pelo regulador da UE: a Comirnaty (nome comercial da vacina Pfizer/BioNTech), Moderna, Vaxzevria (novo nome do fármaco da AstraZeneca) e Janssen (grupo Johnson & Johnson).

As doações agora anunciadas para os países de baixo e médio rendimento serão feitas ao abrigo do mecanismo COVAX (Acesso Global às Vacinas da Covid-19) até ao final deste ano.

Até agora, a COVAX já entregou 122 milhões de doses a 136 países.

Em paralelo, a UE lançou uma iniciativa para o fabrico e acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias de saúde em África, que visa criar condições para produção local destes fármacos, num apoio financeiro de mil milhões de euros do orçamento europeu e das instituições europeias de financiamento do desenvolvimento, tais como o Banco Europeu de Investimento.

Como exemplo, Bruxelas recorda que, este mês, a UE decidiu apoiar a criação de uma fábrica de vacinas pelo Instituto Pasteur no Dakar, capital do Senegal, que reduzirá a dependência da África em 99% das importações de vacinas e irá reforçar a futura resiliência pandémica no continente.

LUSA/HN

Moreira da Silva avisa que a crise climática “vai ser muito pior” que a pandemia

Moreira da Silva avisa que a crise climática “vai ser muito pior” que a pandemia

“Quando nos atrasamos na vacinação nos países mais pobres estamos a falhar do ponto de vista ético e moral e estamos a ser irracionais do ponto de vista económico porque não há recuperação da economia global enquanto não houver vacinação nos países em vias de desenvolvimento”, afirmou Jorge Moreira da Silva, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico.

“É altura de os líderes acelerarem a cooperação porque aquilo que nós fizermos nesta pandemia vai ser uma lição para a crise climática, que vai ser muito pior. Na crise climática não é possível distanciamento social, não vai ser possível teletrabalho nem ensino à distância. Vamos lidar com essas consequências em função daquilo que fizermos antes”, alertou.

Jorge Moreira da Silva participou hoje na 2.ª Conferência sobre a fragilidade dos Estados, organizada pelo Clube de Lisboa e pelo G7+.

O ex-ministro do Ambiente, Planeamento do Território e Energia do governo PSD/CDS-PP entre 2013 e 2015 disse ainda que a atual crise provocada ​​​pelo SARS Cov-2 ​​​​acentuou as desigualdades nos 57 países “num contexto de fragilidade” em que duas em cada cinco pessoas “são atiradas” para a pobreza extrema.

Os fluxos financeiros foram afetados, disse Moreira da Silva, sublinhando que o comércio externo caiu 8%, as remessas dos emigrantes caíram 20%, o investimento direto baixou 13% e o turismo “em pequenos países insulares” caiu 70%.

“A única coisa que aumentou foi a ajuda pública ao desenvolvimento, mas isso foi uma pequena gota num fluxo financeiro global que caiu de forma abrupta”, disse.

“Os nossos países, do norte, andam a falar de ‘bazuca’ e de ‘resiliência’ tendo mobilizado um total de 16 triliões de dólares para si próprios como estímulo financeiro. Mas a ajuda pública ao desenvolvimento aumentou oito mil milhões de dólares, duas vezes menos do que os países ricos usam para relançar as próprias economias”, disse Jorge Moreia da Silva.

“Nós ainda temos a Covax com falta de 2,8 mil milhões de dólares para vacinação”, alertou.

O ex-ministro do Ambiente disse ainda que, pela “primeira vez”, o “cidadão da rua” começou a perceber que, se não houver solidariedade com os países em vias de desenvolvimento, a crise pandémica e a crise social e a crise económica “não vão ser resolvidas”.

“Os cidadãos eleitores, os cidadãos consumidores e os contribuintes passaram a ter uma noção da interdependência” a nível global, assim como se notam mudanças “na arquitetura global”.

“A ‘arquitetura global’ está a mexer-se, percebe-se com a criação da Covax que, da noite para o dia, juntou quase 200 países”, destacou, referindo-se ainda aos “passos” do G20 sobre a suspensão do serviço da dívida aos países mais pobres.

“Esta noção de interdependência está a fazer como que os países mais ricos estejam a sair da zona de conforto e aperceberam-se que têm de ser mais ambiciosos em relação aos países mais fracos”, sublinhou.

No mesmo painel da conferência, que decorreu de forma remota, participaram Luís Amado, do Conselho de Supervisão da EDP, Xanana Gusmão, antigo Presidente e primeiro-ministro de Timor-Leste, e Wahidullah Waissi, embaixador do Afeganistão em Camberra, Austrália.

A conferência analisa os esforços nacionais que devem ser combinados com a cooperação internacional e solidariedade para uma luta bem-sucedida contra a pandemia.

O evento conta com 19 participantes de 13 países, incluindo atuais e ex-membros de governos, entidades multilaterais, academia, setor privado, meios de comunicação social e sociedade civil.

LUSA/HN

Amnistia Internacional adverte que compromisso do G7 com vacinas é “insuficiente”

Amnistia Internacional adverte que compromisso do G7 com vacinas é “insuficiente”

“É apenas uma gota no oceano. [Mil milhões de doses] nem sequer chegam para cobrir a população total da Índia, para não falar da população mundial”, referiu a secretária-geral da organização de defesa e promoção dos direitos humanos, Agnès Callamard, num comunicado em que a linguagem é bastante dura.

“Nem sequer de perto [é suficiente para as necessidades globais] nem tão pouco vai à raiz dos problemas. Não só não é ambicioso, como cheira a interesses próprios, sobretudo quando se considera os dados que sugerem que os países do G7 irão ter um excedente de 3.000 milhões de doses até ao final do ano”, acrescentou.

A secretária-geral da Amnistia Internacional, por outro lado, acusa os dirigentes das economias mais desenvolvidas de “optar por semi-medidas irrisórias e gestos insuficientes”, em vez de “enfrentar as obrigações internacionais isentando vacinas, testes e tratamentos de patentes e compartilhando tecnologia vital”.

Por tudo isso, Agnès Callamard pede aos dirigentes que “saiam do bolso das grandes farmacêuticas” e obtenham a isenção da patente para garantir que a capacidade e a tecnologia de produção de vacinas seja transferida para todos os fabricantes do mundo.

Os especialistas estimam em cerca de 11.000 milhões de doses a quantidade necessária para enfrentar a pandemia em todo o mundo.

Por seu lado, as organizações não-governamentais calcularam que, ao ritmo atual, os países pobres não receberão injeções suficientes até 2078 para vacinar as respetivas populações.

A pandemia de provocou, pelo menos, 3.775.362 mortos no mundo, resultantes de mais de 174,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

LUSA/HN

Antigos líderes mundiais juntos em apelo ao G7 para apoiar vacinas nos países pobres

Antigos líderes mundiais juntos em apelo ao G7 para apoiar vacinas nos países pobres

Gordon Brown, chefe do governo britânico entre 2007 e 2010, é um dos impulsionadores da iniciativa, na qual participam, entre outros, o também antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, a ex-Presidente da Irlanda Mary Robinson, o antigo secretário-geral da ONU Ban-ki Moon ou o antigo primeiro-ministro do Paquistão Shaukat Aziz.

Antes da reunião desta semana dos líderes do G7 (sete países mais industrializados do mundo) na Cornualha, a organização “Save the Children” salientou num comunicado que são necessários 66.000 milhões de dólares (54.266 milhões de euros) para que as vacinas cheguem a todo o mundo.

A organização internacional exige que os países mais desenvolvidos (Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Canadá e Japão, e União Europeia) contribuam para essa despesa “de acordo com a dimensão das suas economias”.

“Que o G7 pague não é um ato de caridade, é uma forma de autoproteção, para deter a expansão da doença, evitar que (o vírus) sofra mutações e volte para nos ameaçar a todos”, disse Gordon Brown.

O antigo primeiro-ministro estimou que o financiamento necessário equivale a 35 cêntimos por cada pessoa do Reino Unido por semana.

“É um pequeno preço a pagar pelo melhor seguro do mundo”, disse Gordon Brown, acrescentando que “a poupança conseguida com a vacinação terá atingido nove mil milhões de dólares (7,4 mil milhões de euros) em 2025”.

A organização “Save the Children” sublinha que enquanto no Reino Unido mais de 75% dos adultos já receberam pelo menos uma dose da vacina contra o novo coronavírus, em grande parte da África subsariana o nível de pessoas que foram imunizadas não é superior a 2%.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou no sábado que vai apelar aos líderes do G7 para unirem esforços para ajudar a vacinar o mundo inteiro contra a Covid-19 até ao final de 2022.

“Apelo aos meus colegas líderes do G7 para que se unam para pôr fim a esta terrível pandemia e prometo que não permitiremos que a devastação provocada pelo coronavírus se repita”, afirmou o líder do executivo britânico.

Com o país a acolher a cimeira entre os dias 11 e 13 deste mês, Boris Johnson defendeu que o encontro – o primeiro após o surgimento da pandemia – é uma “oportunidade crucial” para aproveitar a experiência das democracias mais influentes do mundo para ultrapassar a pandemia e impulsionar a recuperação económica.

“Save the Children” é uma organização não governamental de defesa dos direitos da criança que tem sede em Londres.

LUSA/HN

Quatro grandes organizações internacionais pedem equidade nas vacinas

Quatro grandes organizações internacionais pedem equidade nas vacinas

O apelo comum, publicado hoje no diário norte-americano Washington Post e subscrito pelos líderes da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, alerta que as desigualdades facilitam o aparecimento de variantes do coronavírus, que por sua vez provocam novas vagas da pandemia nos países em desenvolvimento.

Segundo os especialistas, as desigualdades vacinais entre países ricos e pobres complicam e prolongam a pandemia, que já matou mais de 3,5 milhões de pessoas no mundo.

“É já abundantemente claro que não haverá uma recuperação vasta da pandemia de covid-19 sem que se ponha fim à crise sanitária. O acesso à vacinação é a chave para ambos”, escrevem os quatro responsáveis.

“Acabar com a pandemia é possível – e requer uma ação global agora”, sublinham a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o presidente do Banco Mundial, David Malpas, e a diretora geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala.

Nas vésperas da cimeira do G7, que decorre no Reino Unido este mês, os quatro responsáveis pedem aos líderes mundiais que acordem “uma estratégia mais bem coordenada, apoiada em novos financiamentos, para vacinar o planeta”, e que aceitem investir 50 mil milhões de dólares num plano anti-pandemia já apresentado pelo FMI.

A OMS, que em março classificou como “grotesca” a desigualdade vacinal, apelou no mês passado aos países que têm abundância de vacinas para que forneçam doses aos países menos equipados antes de começarem a vacinar crianças e adolescentes nos seus territórios.

O sistema Covax, apoiado pela ONU, foi criado para facilitar a partilha de vacinas com os países pobres, mas os países ricos assinaram contratos com as farmacêuticas e ficaram com a maioria das vacinas disponíveis.

Os países membros do G7 (EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, Alemanha, França e Itália), reunidos em Londres no mês passado, comprometeram-se a apoiar o sistema Covax, mas não anunciaram novos financiamentos, apesar dos apelos para que ajudem os países pobres.

LUSA/HN