Governo dos Açores diz que 97% da população de São Miguel vai ter médico de família

Governo dos Açores diz que 97% da população de São Miguel vai ter médico de família

A informação foi adiantada pelo secretário Regional de Saúde, Clélio Meneses, no plenário da Assembleia Legislativa dos Açores, que começou na terça-feira na cidade da Horta, ilha do Faial, no âmbito de uma proposta do PAN, aprovada com dois votos contra do BE, para a revisão do regime da prestação do trabalho médico extraordinário nos serviços de urgência e de atendimento permanente das unidades de Saúde de Ilha.

“A Unidade de Saúde de Ilha de São Miguel [USISM] ficará com 97% da população com médico de família. Neste momento, temos 20.911 pessoas sem médico de família. Quando o processo [de contratação] ficar concluído, haverá menos 16.289 pessoas sem médico de família”, afirmou o governante.

Clélio Meneses adiantou que, na USISM, vão ser contratados quatro médicos para substituir quatro profissionais que se reformam, continuando alguns a colaborar com o Serviço Regional de Saúde.

Além destes, vão ser ainda contratados mais oito médicos para aquela unidade e um total de 79 durante o atual ano, perfazendo os 124 profissionais, disse.

O secretário regional notou que o Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM contratou, com vínculo permanente ao Serviço Regional de Saúde, 45 médicos em 2021.

“Atualmente, temos 79 propostas de autorização para outros tantos médicos, o que dá um total 124 médicos contratados por este Governo”, frisou.

Quanto ao projeto de resolução do PAN, visa, segundo o seu deputado único, Pedro Neves, proporcionar condições para assegurar serviços de urgência, nomeadamente em ilhas sem hospital, através de uma majoração do pagamento de horas extraordinárias dos médicos.

Tanto o PAN como o secretário regional da Saúde disseram ser uma medida “transitória e excecional”.

O secretário regional reconheceu ser uma “questão complexa”, na qual o executivo de coligação PSD/CDS-PP/PPM tem “estado a trabalhar”.

O deputado socialista Tiago Lopes questionou o deputado do PAN sobre se foi o Governo Regional quem “inviabilizou o ponto 7 e 8” da versão inicial do documento, concluindo ter sido o executivo “quem não quis atribuir mais 1,5 pontos e mais cindo dias de férias” como compensação por horas extraordinárias.

Pedro Neves sublinhou que o documento era do PAN, reconhecendo o “compromisso” com o Governo ou com os partidos representados no parlamento regional, “sempre em benefício das pessoas”.

Alexandra Manes, do BE, disse que o diploma permite horas extraordinárias para lá do limite legal, sem “estabelecer um limite”.

“Se existe escassez de médicos, devem ser promovidas medidas para promover a sua fixação. O BE defende um regime de exclusividade facultativo. Não é atirando mais dinheiro para as horas extraordinárias que se resolve o problema”, observou.

Para a deputada do BE, o trabalho extraordinário “deve ser encarado como exceção e não como chamariz”.

“O que os médicos reivindicam é um melhor vencimento base”, afirmou.

Paulo Estêvão, do PPM, elogiou a “proposta muito objetiva” do PAN e a iniciativa legislativa “muito bem fundamentada”.

Pelo PSD, a deputada Salomé Matos reconheceu à proposta o “mérito de apresentar soluções para mitigar a motivação dos profissionais”, tendo em vista a “dificuldade em prestar cuidados médicos urgentes, sobretudo em ilhas sem hospital”.

“Esta proposta visa garantir o direito dos açorianos ao acesso a cuidados médicos”, defendeu.

Também Catarina Cabeceiras, do CDS-PP, disse que a proposta pode “não resolver os problemas todos, mas resolve alguma coisa”.

De acordo com a deputada, de São Jorge, naquela ilha “não há urgência sem trabalho extraordinário” dos médicos.

“Esta iniciativa não é ato isolado por parte do Governo [para fixar profissionais na região]. Já entrou em vigor o sistema de incentivos à fixação de médicos”, afirmou.

O deputado independente Carlos Furtado apoiou a proposta do PAN, alertando para uma eventual “caixa de Pandora” no que diz respeito a uma futura necessidade de “integrar outros profissionais de saúde nos atos médicos suplementares” e na eventual majoração das suas horas extraordinárias.

A proposta foi aprovada com os votos favoráveis do PAN (um deputado), da Iniciativa Liberal (um), do Chega (um), do deputado independente, dos 25 deputados do PS, dos 21 do PSD, dos três do CDS-PP e dos dois do PPM.

A Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados.

PSD, CDS-PP e PPM, que juntos representam 26 deputados, assinaram um acordo de governação.

A coligação assinou ainda um acordo de incidência parlamentar com o Chega e com o deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega) e o PSD um acordo com a IL.

LUSA/HN

Caso de nomeação familiar em hospital dos Açores deve ser “resolvido de imediato”

Caso de nomeação familiar em hospital dos Açores deve ser “resolvido de imediato”

“Não aprecio a situação e penso que assunto será resolvido como deve ser, com sentido ético e sem pôr em causa as qualidades profissionais da pessoa, que são obviamente reconhecidas”, afirmou o líder do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, em declarações aos jornalistas nas Capelas, na ilha de São Miguel.

O líder do Governo dos Açores lembrou, contudo, que a profissional foi nomeada por governos anteriores, socialistas.

“Não creio que seja aceitável e penso que este assunto será obviamente resolvido de imediato”, salientou o chefe do executivo açoriano.

Na sexta-feira, o BE/Açores solicitou a audição do administrador do Hospital do Santo Espírito da Terceira e do secretário Regional da Saúde sobre “mais um caso de nomeação de familiar para cargo dirigente”.

“O requerimento a solicitar a audição do responsável político pela Saúde [do Governo dos Açores] e do responsável pelo Hospital da Terceira foi enviado […] à Comissão de Assuntos Sociais com caráter de urgência”, lia-se num comunicado do BE.

Na nota era ainda referido que as audições foram solicitadas para que os responsáveis “prestem esclarecimentos” sobre “a nomeação da esposa do presidente do conselho de administração do Hospital do Santo Espírito da Ilha Terceira para o cargo de diretora do Departamento de Gestão de Utentes”.

O BE solicitou também ao Governo Regional, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, o envio de cópia da ata da reunião “em que foi decidida a nomeação da esposa do presidente do Conselho de Administração para diretora do Departamento de Gestão de Utentes”.

No comunicado, o BE/Açores recordou que “uma situação muito semelhante”, no Hospital de Ponta Delgada, já tinha sido denunciada o ano passado pelo partido.

“Já sob a tutela do atual Governo, foi nomeado para diversos cargos o marido da presidente do conselho de administração e foi nomeada para diretora de um serviço a mulher do diretor clínico do hospital”, acrescentou ainda o BE.

LUSA/HN

PS questiona Governo sobre “suspensão” do apoio médico noturno nos Paliativos de Ponta Delgada

PS questiona Governo sobre “suspensão” do apoio médico noturno nos Paliativos de Ponta Delgada

Numa nota de imprensa enviada às redações o partido considera “incompreensível” que “a 08 de abril, o diretor clínico do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES) tenha determinado a suspensão da prevenção médica de cuidados paliativos no período noturno”, o que se verifica desde segunda-feira, 11 de abril.

Segundo o PS/Açores, até agora, “os doentes que necessitassem recebiam apoio médico de Cuidados Paliativos 24 horas por dia”.

Mas, “com esta decisão, se surgir alguma descompensação na enfermaria ou nos doentes acompanhados em casa entre a meia-noite e as 08:30, estes pacientes serão obrigados a deslocarem-se às urgências e aguardar até às 08:30 por uma avaliação médica especializada”, aponta o PS.

O partido informa que o grupo parlamentar do PS na Assembleia Legislativa Regional “questionou, na quarta-feira o Governo Regional”, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, “através de requerimento”.

“Queremos saber quais os motivos que levaram ao fim deste serviço, essencial aos nossos doentes mais vulneráveis, que precisam de assistência 24 horas, o que inclui as noites”, defendeu o deputado do PS/Açores, Tiago Lopes, citado na nota de imprensa.

Os socialistas pretendem saber se o secretário regional da Saúde e Desporto foi “previamente informado desta decisão tomada em 08 de Abril” e se “concorda com esta alteração”.

Tiago Lopes recordou que, “ainda há seis meses”, o Conselho de Administração assumia que o seu compromisso era “manter o empenho na prestação de cuidados de excelência com a garantia de que todos poderão usufruir”.

“O HDES é a referência regional e destaca-se mesmo a nível nacional na prestação de cuidados de saúde. Naturalmente, isto aplica-se aos Cuidados Paliativos. Contudo, esta má decisão veio colocar em causa o acompanhamento contínuo de pessoas que precisam de ser assistidas 24 horas por dia, retirando-lhes dignidade e, eventualmente, colocando-as em perigo. O Grupo Parlamentar do Partido Socialista não pode tolerar e irá sempre denunciar estas situações”, sustentou ainda o deputado socialista.

LUSA/HN

Ilha de São Miguel sem romarias adia intercâmbio entre famílias e “retiro espiritual”

Ilha de São Miguel sem romarias adia intercâmbio entre famílias e “retiro espiritual”

“Sentimos uma tristeza muito grande. Em 2020, as romarias foram suspensas na terceira semana da Quaresma, devido à covid-19. Este ano, apesar do alívio das restrições, decidimos pela não realização as romarias, porque envolveria uma logística de preparação com uma antecedência entre três a quatro meses. E, naquele período, ainda existiam condicionalismos devido à pandemia”, afirmou o presidente da Associação Movimento de Romeiros de São Miguel, João Carlos Leite, em declarações à agência Lusa.

As romarias quaresmais de São Miguel, que mobilizam cerca de 2.500 homens, celebram este ano 500 anos, uma efeméride que fica também adiada para 2023.

João Carlos Leite explicou que foi votado por larga maioria, em assembleia geral, em novembro de 2021, e depois em janeiro, a não realização das romarias no formato tradicional, por causa da logística e da necessidade de garantir proteção, devido à instabilidade da Covid-19.

“Foi uma decisão um pouco precoce, mas a pandemia não permitiria preparar toda uma logística acentuada das romarias”, explicou à Lusa, lembrando que as romarias implicam uma mobilização de ranchos, famílias e o contacto com grande parte da população.

O presidente da associação justificou que, “atendendo à instabilidade da situação pandémica”, as habituais pernoitas dos romeiros em casas particulares seriam “difíceis”, e nos salões “também não seria fácil”.

Para muitas famílias, a “grande vivência da Quaresma é o acolhimento de romeiros”, observou.

“Há também muita tristeza entre os romeiros, porque as romarias são quase como um retiro espiritual”, assinalou.

De acordo com o responsável, alguns romeiros “estão tão ansiosos” por voltarem a percorrer as estradas de São Miguel “em oração e nesta caminhada de fé”, que “vão criando romarias e eventos virtuais”.

Os primeiros ranchos das tradicionais romarias da Quaresma em São Miguel saem todos os anos para a estrada no fim de semana a seguir à Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta-feira Santa.

Durante aquele período, os romeiros percorrem muitos quilómetros a pé durante uma semana, usando um xaile, um lenço, um saco para alimentos, um bordão e um terço, num percurso de oração, fé e reflexão, entoando cânticos e rezando.

Durante a semana em que estão na estrada, os romeiros dormem em casas particulares ou em salões paroquiais, devendo iniciar a caminhada antes do amanhecer e entrar nas localidades logo a seguir ao pôr do sol.

A média de elementos de cada grupo ronda os 50 homens e as romarias devem cumprir um percurso sempre com mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas de São Miguel.

Segundo o presidente da Associação Movimento de Romeiros de São Miguel, na maior ilha açoriana existem 53 ranchos.

Estas romarias quaresmais, segundo a tradição, tiveram origem na sequência de terramotos e erupções vulcânicas ocorridas no século XVI na ilha, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.

LUSA/HN

Hospital de Ponta Delgada reforça resposta de emergência devido à crise sísmica

Hospital de Ponta Delgada reforça resposta de emergência devido à crise sísmica

Numa nota informativa sobre a atividade do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), a maior unidade de saúde dos Açores explica que, com a ativação do Plano Regional de Proteção Civil, fez deslocar para a ilha uma primeira equipa de intervenção em situação de urgência.

“Esta equipa fez-se acompanhar de variado equipamento e material, que será cedido à Unidade de Saúde de Ilha de S. Jorge como reforço da prevenção, incluindo diversos medicamentos de intervenção rápida, maca de vácuo e ventiladores”, lê-se na nota.

Na passada semana, em 23 de março, a Proteção Civil dos Açores ativou o Plano Regional de Emergência devido à elevada atividade sísmica que se regista na ilha de São Jorge.

A maior unidade de saúde dos Açores adianta ainda, na sua nota, que o HDES “tem internamente tomado medidas de preparação para vários cenários, incluindo o aumento do stock de medicamentos, reporte diário das reservas de sangue, reporte bidiário do número de vagas e verificação dos equipamentos disponíveis para o doente crítico, entre outras”.

A ilha de São Jorge contabilizou mais de 14 mil sismos, mais de 200 dos quais sentidos pela população, desde o início da crise sísmica iniciada em 19 de março, segundo os dados oficiais.

A ilha está com o nível de alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0 significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.

LUSA/HN