Portugal registou quase 250 mil casos desde o fim da máscara com “aceleração drástica” nos últimos dias

Portugal registou quase 250 mil casos desde o fim da máscara com “aceleração drástica” nos últimos dias

Contabilizando os números diários da DGS, nos últimos vinte dias – desde que o uso de máscara deixou de ser obrigatório e até quarta-feira -, registaram-se 248.603 novas infeções, o que representa um aumento de 43,5% em relação aos 173.183 casos notificados no mesmo número de dias anteriores, ou seja, entre 02 e 21 de abril.

O matemático do Instituto Superior Técnico (IST) Henrique Oliveira disse à Lusa que estes dados demonstram uma recente “aceleração drástica” do número de casos, ao adiantar que a “janela de cinco dias” entre 07 e 11 de maio totaliza cerca de 90 mil infeções, quase o dobro das cerca de 49 mil registadas no período entre 17 e 21 de abril, ainda antes da eliminação do uso de máscara.

O número de casos registou um aumento significativo nos últimos três dias, passando a barreira dos 20 mil diários, com 20.486 na segunda-feira, 24.572 na terça-feira e 24.866 na quarta-feira.

Os mesmos dados indicam ainda que, desde que foi levantada a obrigatoriedade do uso da máscara, morreram 390 pessoas em Portugal, o que dá uma média de 19,5 óbitos diários por Covid-19 nos últimos vinte dias.

De acordo com os números da DGS, desde segunda-feira, registaram-se 81 mortes no país por Covid-19, 29 na segunda-feira, 27 na terça-feira e 25 na quarta-feira.

Na comparação dos períodos homólogos – entre 22 de abril e 11 de maio de 2021 e de 2022 -, os dados da autoridade de saúde mostram uma situação epidemiológica substancialmente diferente no país.

Nesse período de 2021, registaram-se 7.753 casos de infeção pelo SARS-CoV-2, menos 240.850 do que no mesmo período deste ano, e 42 mortes, menos 348 do que nos últimos vinte dias.

Henrique Oliveira, um dos autores do Indicador de Avaliação da Pandemia do IST e da Ordem dos Médicos, adiantou ainda que uma análise matemática à evolução das ondas pandémicas já registadas em Portugal indica que o intervalo temporal entre cada uma dessas vagas “é de exatamente 115 dias”.

“Isso tem-se verificado de forma muito regular. As autoridades devem contar com ciclos entre 110 e 120 dias de intervalo entre as ondas causadas pela Covid-19. Mais uma vez, esta lei empírica está a verificar-se”, tendo em conta que o país pode estar a caminho da sexta vaga da pandemia, afirmou o especialista.

De acordo com o último relatório do grupo de trabalho do IST que acompanha a evolução da pandemia, a incidência em média a sete dias aumentou de 8.763 para 14.267 casos desde 19 de abril, o que se deve “à retirada abrupta do uso de máscara em quase todos os contextos e à nova linhagem BA.5 da variante Ómicron que começa a instalar-se” no país.

Apesar do aumento de casos diários nas últimas semanas, o relatório da última sexta-feira da DGS e do Instituto Ricardo Jorge indicava que o número de pessoas com Covid-19 internadas nos cuidados intensivos dos hospitais do continente correspondia a 23,5% do valor crítico definido de 255 camas ocupadas.

O uso generalizado de máscaras deixou de ser obrigatório em 22 de abril, com exceção dos estabelecimentos de saúde, incluindo farmácias comunitárias, assim como nos lares de idosos, serviços de apoio domiciliário, unidades de cuidados continuados e transportes coletivos de passageiros.

LUSA/HN

Açores com 3.150 casos e um óbito na última semana

Açores com 3.150 casos e um óbito na última semana

Na atualização semanal da situação epidemiológica da região, a Autoridade de Saúde reporta um óbito associado à Covid-19, na ilha Terceira, e 25 doentes internados nos três hospitais da região (nenhum em cuidados intensivos).

Em comparação com o relatório anterior, divulgado no dia 29 de abril, há mais quatro doentes internados, tendo ocorrido um aumento nos hospitais da Horta (mais três) e da Terceira (mais quatro), a par de uma redução no hospital de Ponta Delgada (menos três).

Entre 29 de abril e 05 de maio, foram detetados 3.150 novos casos de infeção por SARS-CoV-2 nos Açores (mais 643 do que na semana anterior), resultantes de 8.422 análises (mais 1.360).

São Miguel foi a ilha que registou mais casos (1.254), seguindo-se Terceira (995), Pico (319), Faial (233), São Jorge (159), Santa Maria (66), Flores (63), Graciosa (45) e Corvo (16).

O boletim da Autoridade de Saúde Regional dá conta de 2.495 recuperações (menos 90 do que na semana anterior).

A região tem agora 2.909 casos ativos de infeção (1.229 em São Miguel, 909 na Terceira, 237 em São Jorge, 204 no Pico, 193 no Faial, 45 nas Flores, 43 na Graciosa, 35 em Santa Maria e 14 no Corvo), o que representa um aumento de 661 casos, em comparação com a semana anterior.

Segundo a Autoridade de Saúde Regional já foram administradas nos Açores 553.518 doses da vacina contra a covid-19.

Têm vacinação primária completa na região 216.835 pessoas (91,7%) e já receberam a vacinação de reforço 123.636 pessoas (52,3%).

Das crianças entre os cinco e os 11 anos, há 6.962 (40,9%) com a primeira dose da vacina e 4.187 (24,6%) com vacinação completa.

Desde o início da pandemia, foram identificados nos Açores 84.527 casos de infeção pelo SARS-CoV-2, tendo ocorrido 81.157 recuperações e 109 óbitos.

LUSA/HN

Mortalidade está estável mas continua acima do limiar europeu

Mortalidade está estável mas continua acima do limiar europeu

Na segunda-feira, o país registava 28,8 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, um valor que continua a ser superior ao limiar de 20 óbitos definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), adianta o documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

Este indicador do ECDC de 20 mortes por um milhão de habitantes a 14 dias constitui uma das referências determinadas pelo Governo para o país passar para um nível sem restrições de controlo da pandemia.

Relativamente à pressão da pandemia sobre os serviços de saúde, os dados do INSA e da DGS indicam que o número de doentes com Covid-19 internados em cuidados intensivos corresponde a 23,5% do valor considerado crítico de 255 camas ocupadas nessas unidades, indicador que também apresenta uma tendência estável.

Segundo o relatório, os hospitais das regiões Centro e Norte são os que registam maior ocupação das unidades de cuidados intensivos, mas ainda com valores distantes dos respetivos níveis de alerta.

A DGS e o INSA referem também que a percentagem de testes positivos para o coronavírus SARS-CoV-2 foi de 21,8% entre 05 e 11 de abril, acima do limiar dos 4% e registando uma “inversão da tendência decrescente que se vinha a observar” neste indicador.

O relatório avança que as pessoas com um esquema vacinal completo contra a Covid-19 tiveram um risco de internamento duas a quatro vezes inferior do que as não vacinadas entre o total de infetados com o SARS-CoV-2 em fevereiro.

“Em março de 2022, na população com 80 e mais anos, a dose de reforço reduziu o risco de morte por Covid-19 em três vezes em relação a quem tem o esquema vacinal primário completo”, adianta ainda a autoridade de saúde.

A análise dos diferentes indicadores indica que Portugal regista uma “transmissibilidade muito elevada” do coronavírus SARS-CoV-2, mantendo a tendência decrescente.

“O sistema de saúde apresenta capacidade de acomodar um aumento de procura por doentes com Covid-19”, refere o documento, que aconselha a ser mantida a vigilância da situação epidemiológica no país, assim como as medidas de proteção individual nos grupos de maior risco e a vacinação de reforço.

A Covid-19 é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

LUSA/HN

Graça Freitas diz que uso da máscara deve manter-se nas escolas

Graça Freitas diz que uso da máscara deve manter-se nas escolas

“Nós aliviámos todas as medidas nas escolas para que os alunos e os docentes tenham uma atividade letiva o mais próximo possível da normalidade nas escolas neste momento”, sendo a máscara a “única medida que ainda resta”, disse Graça Freitas, em conferência de imprensa na Direção-Geral da Saúde, em Lisboa.

Graça Freitas explicou que a utilização de máscara é segmentada em função do risco e da capacidade de as crianças suportarem o seu uso, lembrando que abaixo dos cinco anos não é recomendada e que, entre os 6 e os 9 anos é opcional, tendo que haver um adulto que supervisione.

“São só os mais velhos, a partir dos 10 anos, que tem a recomendação de utilizar máscara”, sublinhou na conferência de imprensa em que fez um balanço da situação epidemiológica e em que reforçou o apelo à adoção de medidas de proteção individual durante o período da Páscoa.

A diretora-geral da Saúde observou que as crianças e os jovens têm uma grande proteção imunitária, ou porque tiveram a doença (cerca de 51% entre os 6 e os 17 anos) ou porque estão vacinados, havendo ainda situações em que tinham uma dose ou duas doses da vacina e tiveram a doença.

Contudo, disse, “ainda há um grande número de suscetíveis nas escolas” e, apesar da covid-19 nas crianças ser “habitualmente ligeira, o facto é que elas são vetores de transmissão da doença.

“Estão muito juntas e a partir dessa propagação transmitirem ao seu seio familiar e à família alargada ou aos amigos mais vulneráveis”, vincou.

Por isso, é preciso “calibrar medidas”, apesar de terem incómodos, disse, reconhecendo que a questão da aprendizagem poderá ser uma barreira, mas retirá-la “é um risco ainda grande neste momento com a transmissibilidade que ainda existe”.

Questionada sobre o regresso de milhares de alunos finalistas depois de um período de férias pode fazer aumentar o número de casos, Graça Freitas afirmou: “É evidente que sim, pela lógica das coisas”.

Por isso, apelou aos jovens, que “já conseguiram ter o seu escape, a sua diversão e o relaxamento”, que agora no regresso continuem a usar a máscara, a cumprir o distanciamento físico, o arejamento dos espaços e fazer a higiene das mãos.

Se tiverem sintomas de Covid-19, devem fazer o teste e se tiverem contraído a doença devem ficar em casa.

Ainda sobre o uso da máscara, Graça Freitas disse que, mesmo quando deixar de ser obrigatória em locais fechados, vai manter a recomendação para que seja utilizada quando se vai ver “a avó, a mãe, a tia ou alguém doente ou alguém numa instituição”, bem como recomendar a sua utilização nos serviços de saúde, nos lares, onde estão pessoas muito vulneráveis.

Sobre a quarta dose da vacina, Graça Freitas disse a questão é saber quais as populações que mais beneficiam deste reforço e quanto será administrada.

“Quem nos vai dando essa indicação é exatamente a evolução da epidemia”, disse, explicando: “Se durante o verão não tivermos uma nova vaga, ponderamos a vacinação mais para a frente, perto da vaga do inverno”.

O Governo prolongou a situação de alerta devido à pandemia de Covid-19 até ao dia 22 de abril.

LUSA/HN

Infarmed diz que autotestes devem apresentar rotulagem e instruções em português

Infarmed diz que autotestes devem apresentar rotulagem e instruções em português

A 23 de dezembro do ano passado, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) informou que a título excecional seria permitida a distribuição de autotestes com rotulagem e instruções de utilização em língua estrangeira, desde que acompanhados da respetiva tradução da rotulagem e instruções de utilização para português.

Na altura, o Infarmed justificou a exceção com a maior disponibilidade de acesso da população a autotestes, atendendo à situação epidemiológica em dezembro.

“Considerando que a situação epidemiológica causada pela pandemia da doença Covid-19 tem verificado uma evolução positiva em Portugal, e que à data não existe evidência de constrangimentos no fornecimento do mercado nacional com autotestes para SARS-CoV-2, não se justifica manter a permissão de distribuição de autotestes com rotulagem e instruções de utilização em língua estrangeira, mesmo que acompanhados da respetiva tradução para língua portuguesa”, explica o Infarmed.

Assim, explica o Infarmed, os autotestes devem apresentar a rotulagem e as instruções de utilização redigidas em língua portuguesa, “uma vez que compreendem as informações necessárias para a correta e segura utilização do dispositivo”.

O Infarmed reitera que “a rotulagem e instruções de utilização de dispositivos médicos de diagnóstico ‘in vitro’ são da exclusiva responsabilidade do seu fabricante”.

LUSA/HN