Mais de 40% dos casos de abandono do uso das lentes de contacto ocorre nos primeiros três meses

Mais de 40% dos casos de abandono do uso das lentes de contacto ocorre nos primeiros três meses

A visão reduzida, o desconforto, os problemas de manuseamento e a falta de apoio são algumas das principais razões que levam ao abandono das lentes de contacto por parte de novos utilizadores.

De acordo com Vânia Figueiredo, Professional Customer Developer Manager Iberia da Alcon, “a adaptação da lente de contacto é um processo fundamental. Avaliar a superfície ocular e a forma como a lente interage com a mesma é o primeiro passo, no entanto, não se pode ignorar que esta adaptação terá um impacto direto no quotidiano do paciente, pelo que não basta considerar apenas a interação da lente com a superfície, é necessário ir mais longe.”

“Avaliar as sensações subjetivas do paciente em termos de manuseamento, conforto e qualidade visual, utilizando questionários específicos para o efeito, bem como as condições em que as vai utilizar. O ideal será que a lente de contacto a adaptar represente uma solução com compromisso entre saúde e satisfação para todas as horas de utilização e para todas as atividades que o paciente necessite”, acrescenta.

Os especialistas deixam alguns conselhos para o período de adaptação: lavagem das mãos antes de manusear, aplicar ou retirar as lentes; colocar as lentes por ordem “para que o processo se torne natural”; colocar as lentes antes e aplicar a maquilhagem e retirar antes de remover; colocar correctamente as lentes e piscar os olhos três vezes uma vez colocada a lente.

PR/HN/VC

Mais de 60 pessoas operadas às cataratas em Figueira de Castelo Rodrigo

Mais de 60 pessoas operadas às cataratas em Figueira de Castelo Rodrigo

Segundo a autarquia, o processo, iniciado em novembro de 2021, tem como objetivo primordial “a melhoria da saúde das pessoas com problemas de visão, dando-lhes mais qualidade de vida e independência no seu quotidiano”.

A iniciativa “Dar Visão ao Interior, Dar Visão a Figueira de Castelo Rodrigo”, é realizada sempre “em estreita colaboração com o Centro de Saúde de Figueira de Castelo Rodrigo, por forma a conseguir chegar a todos os casos que necessitem deste tipo de intervenções”.

“As operações são realizadas no dia em que os munícipes se deslocam à clínica, devidamente acompanhados por técnicos da Câmara Municipal, tendo, depois, uma consulta pós-operatório, aferindo o estado e evolução de cada paciente”, adianta a fonte em comunicado hoje enviado à agência Lusa.

O protocolo celebrado entre a autarquia e a Fundação Álvaro Carvalho “pretende operar doentes do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo com cataratas e a necessitar de intervenção cirúrgica, desde que cumpram os critérios de acesso”.

O município lembra que os critérios obedecem “a prioridades clínicas e sociais, aliviando e substituindo o Serviço Nacional de Saúde, que não consegue dar respostas em tempo útil a problemas relativos a esta especialidade médica”.

Em novembro de 2021, o município de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, anunciou que decidiu celebrar um protocolo com a Fundação Álvaro Carvalho, para permitir que os munícipes mais idosos realizem operações gratuitas às cataratas.

A celebração do protocolo com a Fundação Álvaro Carvalho foi aprovada pelo executivo municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, presidido por Carlos Condesso (PSD), com os votos contra dos dois vereadores eleitos pelo PS.

LUSA/HN

Especialistas avaliam impacto das MPS nos cinco sentidos dos doentes

Especialistas avaliam impacto das MPS nos cinco sentidos dos doentes

No encontro “MPS & Os 5 Sentidos”, integrado no 18º Simpósio Internacional da Sociedade Portuguesa de Doenças Metabólicas (SPDM), que decorreu no dia 7 de maio, vários especialistas discutiram as perturbações causadas pelas MPS.

As Mucopolissacaridoses são um grupo de doenças raras genéticas que podem ter forte impacto nos cinco sentidos. De acordo com os médicos, os problemas oculares como turvação da córnea e glaucoma, podem levar a um declínio progressivo da visão.

A deterioração da audição devido a infeções recorrentes do trato respiratório superior, otite crónica e acumulação de GAGs em diferentes níveis (cóclea, nervo auditivo e tronco encefálico), geralmente levam a um quadro condutivo de perda auditiva neurossensorial e mista.

No que toca ao olfato e paladar, estes podem ser prejudicados também devido à rinite crónica e à acumulação de GAGs ​​nos tecidos das vias aéreas superiores.

A compressão da medula espinhal cervical e/ou de nervos periféricos (síndromes do túnel do carpo e cubital), problemas das mãos e outras articulações como rigidez e/ou hipermobilidade e dor, podem prejudicar o toque e a função das mãos.

O aparecimento dos primeiros sintomas destas patologias pode ocorrer de forma muito variável, sendo frequentemente menos valorizados nos primeiros meses de vida. Os especialistas alertam que, à medida que o tempo passa e a doença progride, esses sinais e sintomas agravam-se, comprometendo a qualidade e a esperança de vida dos doentes.

Atendendo ao impacto das MPS na qualidade de vida dos doentes, os especialistas frisam que o diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para um melhor prognóstico

PR/HN/Vaishaly Camões

A saúde foi ao bairro (da Jamaica) e os moradores disseram “presente”

A saúde foi ao bairro (da Jamaica) e os moradores disseram “presente”

“Venho sempre e estou sempre nas formações também”, explicou a são-tomense, enquanto esperava que os profissionais de saúde fizessem o rastreio oral das suas três crianças.

O projeto Saúde no Bairro é desenvolvido pela Associação Vencer o Tempo e inclui, além da sensibilização para a procura de cuidados de saúde, a promoção de estilos de vida saudáveis e a literacia em saúde, a realização de rastreios do cancro do colo do útero, diabetes, visão, saúde oral e ainda de hepatites e doenças sexualmente transmissíveis.

O bairro de Vale de Chicharros, conhecido como bairro da Jamaica, no distrito de Setúbal, foi escolhido para receber o projeto apoiado financeiramente pela plataforma Bairros Saudáveis e desenvolvido em parceria com a Junta de Freguesia da Amora, do Hospital Garcia de Orta (Almada) e do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Almada-Seixal.

Concretizando a ideia de que “se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé”, o projeto leva aos moradores do Jamaica várias equipas de profissionais de saúde para rastrear doenças silenciosas e ao mesmo tempo conquistar quem lá vive para que se torne dono do seu destino em matéria de saúde.

As ações são vocacionadas para as mulheres, mas os homens e as crianças também são rastreados de cada vez que as equipas ali se deslocam.

E será assim até ao final de 2022, com rastreios, mas também com formações na Junta de Freguesia da Amora, que Oleutisa Ferreira nunca perde: as manhãs de sábados em que se realizam são reservadas para si.

“Aos sábados tenho folga do trabalho e deixo para trás tudo o que tenho para fazer em casa. É o dia para cuidar de mim. Tenho ido a todas, ajudou-me muito. Aprendi como me alimentar melhor e agora também já sei como cuidar da minha mama, como tratar da minha saúde”, disse.

Vanussa Coxi, da associação de moradores, acompanha este projeto com entusiasmo, conhece bem a realidade do bairro e em dia de rastreio está presente para abraçar quem se aproxima, incentivando à participação.

“Estes projetos são uma espécie de salvação. Os rastreios detetam os problemas e encaminham as pessoas, e só isso já é uma mais-valia”, explicou, em declarações à agência Lusa, defendendo que a iniciativa também contribui para combater o isolamento do bairro.

“Permite uma cumplicidade entre quem cá vem e quem cá vive”, frisou.

A vantagem dos rastreios no bairro, adiantou o presidente da junta de freguesia, é que tem outra afluência: “Sabemos a importância que tem para estes bairros onde muitas pessoas não têm médicos de família e passam um pouco ao lado destes rastreios”, disse Manuel Ferreira Araújo, adiantando que estes contactos permitem que, mesmo depois do realojamento previsto para breve para uma parte dos moradores, continuem a ser seguidos.

Na verdade, segundo a coordenadora de enfermagem do ACES Almada-Seixal, o que se pretende é que gradualmente as pessoas ganhem o hábito de procurar os serviços de saúde para prevenir doenças e não só em situação aguda. É um educar para a saúde.

“Cada vez mais o utente tem de tomar conta da sua saúde. A mais-valia de vir ao bairro é que são feitos rastreios em bloco, mas queremos que ganhem ferramentas para que procurem os recursos de acordo com as suas necessidades”, disse Susana Santos.

É este um dos propósitos do projeto-piloto da Associação Vencer o Tempo, presidida por Ivone Ferreira.

Desde o início do ano e no âmbito deste projeto a unidade móvel do ACES Almada-Seixal atendeu 63 pessoas, fez distribuição de material de contraceção e rastreios oportunistas de hipertensão e diabetes.

Uma outra equipa com enfermeiras do Hospital Garcia de Orta fez 65 rastreios de saúde visual. O mais jovem a ser rastreado tinha 11 anos e a mais velha 83.

Já no que respeita ao cancro do colo do útero, 12 mulheres foram rastreadas.

“Pretendemos que a mensagem de que os rastreios são fundamentais na prevenção das doenças possa passar de forma clara e eficaz”, explica a associação no enquadramento de um projeto que aposta na capacitação das mulheres para a tomada de decisão consciente e responsável quanto à sua saúde e das suas famílias.

De cada vez que o projeto vai ao Jamaica, mulheres, homens e crianças vão ao encontro dos profissionais de saúde, muito antes de tudo estar a postos para as consultas, e desta forma regular vão dizendo “presente” à iniciativa de criar um caminho para uma vida com saúde num dos bairros ilegais e com perigosas condições de habitabilidade e salubridade do concelho, onde vivem famílias portuguesas e imigrantes de São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Cabo Verde.

LUSA/HN

Especialistas pedem melhoria no acesso de cuidados de saúde da visão

Especialistas pedem melhoria no acesso de cuidados de saúde da visão

Representantes de entidades de Optometria de países como EUA, Brasil, Equador e Portugal discutiram na semana passada os principais problemas no que respeita ao acesso a cuidados para a saúde da visão e regulamentação da profissão de optometrista. O encontro online surgiu a propósito do Dia Mundial da Optometria.

“Portugal é o segundo país no Mundo com população mais envelhecida. Cerca de 7.4% da população apresenta deficiência visual e cegueira. Vamos, sem dúvida, enfrentar desafios muito significativos dado que a visão é afetada nomeadamente por questões patológicas com a evolução da idade”, adverte Raúl de Sousa, Presidente da (APLO), que falava no decorrer do webinar ”Cuidados Para a Saúde da Visão e Optometria no Mundo’.

Em representação do Brasil, Alexandre Classman, do Conselho Regional de Óptica e Optometria do Rio Grande do Sul, destacou o acesso deficitário que continua a caraterizar o país no que respeita a cuidados da visão. “Aqui, temos o SUS, que é o sistema de saúde gratuito onde 99.9% da atividade é exercida por oftalmologistas. Temos um longo caminho a percorrer. Tal como o que acontece em Portugal, também aqui uma pessoa demora entre dois a três anos para ter uma consulta o que faz com que algumas patologias fiquem pelo caminho cegando centenas de pessoas”.

Carlos Chacón, da Federação de Optometristas do Equador, afirmou que “é iminente que a profissão de optometrista ascenda ao primeiro nível de cuidados de saúde. Aqui, também não estamos integrados no sistema. É importante melhorar e ajustar a lei que existe [desde 1979] e torná-la mais abrangente”

Em representação da Associação Americana de Optometria, Robert Layman destacou que “na América não há um serviço nacional de saúde. A maioria das pessoas recorre a consultórios privados. O custo elevado de uma consulta é a principal barreira no acesso”, atestou o responsável. Os optometristas são a espinha dorsal da prestação de cuidados para a saúde da visão nos EUA. O acesso a cuidados para a saúde da visão é generalizado e altamente valorizado.

No seu discurso, o presidente da APLO, Raúl de Sousa, defendeu ainda que “Portugal não está preparado” para atingir os objetivos estipulados, para 2030, pela Organização Mundial da Saúde, no que concerne a aumentar em 40% a cobertura de erros refrativos e em 30% a cobertura de cirurgia da catarata”.

“Não há sensibilização dos próprios cidadãos. Apesar da prevalência elevadíssima e de constituírem os cuidados de saúde de especialidade mais frequentes nos seres humanos, não há uma estratégia nacional, não há planeamento da força de trabalho, nem integração dos cuidados, desde os cuidados de saúde primários até ao nível hospitalar. Não se entende como é que a Visão, sendo uma função tão importante, não mereça outro destaque”, disse o presidente da APLO.

PR/HN/Vaishaly Camões