Vesículas libertadas por células estaminais podem ser utilizadas no tratamento de lesões da espinal medula

30 de Junho 2020

Um estudo realizado pela Crioestaminal em animais demonstra que a utilização de vesículas derivadas de células estaminais da placenta pode promover a recuperação de lesões na espinal medula. Estima-se que mais de 27 milhões de doentes enfrentam consequências decorrentes deste tipo de lesões. 

A Crioestaminal explica que as células estaminais mesenquimais libertam vesículas, designadas exossomas, que contêm substâncias anti-inflamatórias, podendo servir como tratamento regenerativo.

“As vesículas foram obtidas a partir de células estaminais mesenquimais da membrana amniótica da placenta, colhida após o nascimento. Por forma a colocar estas vesículas no local da lesão, de modo a exercerem a sua função terapêutica, utilizou-se um gel de ácido hialurónico, designado Exo-pGel”, afirma a companhia.

O estudo foi realizado em modelo animal, sendo que a sua eficácia terapêutica foi testada em ratos com lesões na espinal medula. Durante a investigação, os ratos foram divididos em três grupos:  o grupo que recebeu apenas solução salina, o grupo que recebeu pGel (gel de ácido hialurónico sem exossomas) e o grupo de tratamento que recebeu Exo-pGel.

De acordo com os resultados, “contrariamente aos que receberam apenas solução salina, o grupo de animais que recebeu Exo-pGel demonstraram uma recuperação da função motora, que foi significativamente superior à observada nos que receberam apenas o gel, sem as vesículas “terapêuticas”.

A utilização do Exo-pGel revelou resultados promissores relativamente à recuperação da função motora em animais. No entanto, no estudo foi verificado que o efeito das vesículas “terapêuticas” difere quando é administrado através do gel ou por via intravenosa. Os resultados demonstram que “a utilização do gel levou a uma maior concentração das vesículas em torno do local da lesão, consistente com os melhores resultados terapêuticos que este grupo demonstrou, comparativamente ao grupo tratado por via intravenosa.”

A Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, Bruna Moreira, conclui que “no seu conjunto, estes resultados demonstram que a utilização de vesículas derivadas de células estaminais neonatais numa matriz de ácido hialurónico é capaz de promover a recuperação de lesões na espinal medula em modelo animal, representando uma estratégia promissora a testar em futuros ensaios clínicos”.

Estima-se que mais de 27 milhões de doentes enfrentam consequências decorrentes de uma lesão na espinal medula. Devido à limitada capacidade de regeneração do sistema nervoso central, as lesões na espinal medula podem ter consequências devastadoras, como paralisação e perda de sensação no corpo abaixo do local da lesão. Para além das limitações físicas, outras dimensões, como o estado psicológico, a vida social, familiar e profissional, são também afetadas.

PR/HN/Vaishaly Camões

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

ULS Almada-Seixal à apela à dádiva urgente de sangue

A Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS), no distrito de Setúbal, fez um apelo à comunidade no sentido da dádiva urgente de sangue, por ter as reservas do tipo sanguíneo O+ “em nível critico”.

Portugal, no documento “O Estado da Saúde Cardiovascular na União Europeia”: Baixa Mortalidade, mas Fatores de Risco Persistem

O relatório da OCDE “O Estado da Saúde Cardiovascular na UE”, tornado público hoje, analisa os padrões da doença na Europa. Portugal surge com uma mortalidade por doenças circulatórias das mais baixas do continente, um sucesso que se manteve mesmo durante a pandemia. No entanto, o país ainda enfrenta desafios significativos, como a gestão da diabetes, o consumo de álcool e a mortalidade prematura, especialmente entre os homens

Doenças cardiovasculares custam 282 mil milhões de euros à União Europeia

A União Europeia enfrenta um desafio significativo com as doenças cardiovasculares (DCV), que continuam a ser a principal causa de morte e incapacidade no território comunitário. Um relatório recentemente divulgado, antecedendo o lançamento do Plano Corações Seguros, revela que estas doenças são responsáveis por um terço de todas as mortes anuais na UE e afetam mais de 60 milhões de pessoas.

Universidade Católica Portuguesa lança curso pioneiro em Medicina do Sono Pediátrico

A Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa (FM-UCP) vai iniciar a primeira edição de um curso avançado dedicado ao estudo e prática clínica do sono na infância, uma formação pioneira em Portugal. O curso, que arranca a 16 de janeiro, será ministrado em formato b-learning e em inglês, com um carácter internacional.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights