O jogo do galo

5 de Abril 2021

O cromo desta semana ilustra bem a realidade portuguesa no que ao processo de decisão sobre medidas restritivas da liberdade visando reduzir a incidência de novas infeções pelo vírus SARS-CoV-2, vulgo covid 19., diz respeito

Estamos na era do R(t) (índice de transmissibilidade do vírus SARS-CoV-2) e a liberdade de cada um e da comunidade como um todo, depende da evolução deste índice, que paralisou, há alguns dias, no valor de 0,97. O que significa que cada infetado ativo infeta menos do que uma pessoa.

Sabe-se pela evidência vasta que já possuímos que quanto maior a liberdade dada aos portugueses para irem desanuviar, maior o R(t).

Saliente-se, a propósito, que o R(t), antes de na semana passada ter ficado congelado, vinha a subir há mais de um mês. Num só dia (na véspera de congelar) subiu 3 centésimas, o mesmo que falta para se atingir o temido 1, que de acordo com o Governo, aqui há alguns dias, era o ponto em que se devia dar um passo atrás e reconfinar. Será?

Sabemos que o aumento da incidência de novos casos não surge do dia para a noite. Depois de asneira feita, demora aí uns quinze dias para se notar. Foi assim na reabertura das escolas em Setembro, e foi também assim quando o Presidente da República resolveu armar-se em adivinho e apoiou o alivar das medidas por alturas do Natal e Ano Novo.

Como será agora?

Confesso que esta decisão de mandar as pessoas para as esplanadas (em mesas de 4) e de abrir o comércio, me assusta. E assusta porque me lembro das últimas vezes em que se desconfinou “às pinguinhas”. Quando se deu pela coisa, estavam as esplanadas e mesmo os interiores de restaurantes a abarrotar de gente ansiosa para gastar ou que anda a poupar com as moratórias. Um mês depois, tínhamos cá os alemães (sem os seus canhões) a dar apoio a um SNS a rebentar pelas costuras.

Um modo de atenuar o potencial perigo, até defendido pelo próprio Governo, era o de massificar as testagens. Só que António Costa, ou Marta Temido, não sei qual dos dois, há-de ter achado que era “fruta a mais” e implementaram a medida lançando o ónus do custo à população. Aqui na farmácia perto de minha casa vendem os tais testes rápidos. Caixas com 25 kits. A cento e sessenta e tal euros. Tá-se mesmo a ver. Com a malta cheia de dinheiro, vai ser uma corrida aos testes. Diferente fez o Governo Britânico, que oferece testagem gratuita a toda a população duas vezes por semana. Outra realidade, dirão. Já os custos de não se testar são semelhantes.

Espero estar enganado, mas isto não me cheira nada bem. Vai dar chatice, é a minha aposta. Mais: desta vez a culpa vai ser dos irresponsáveis que encheram as esplanadas sem tomar medidas de precaução. E dos miúdos do 3º ciclo, que também resolveram aproveitar a liberdade para espairecer com os amigos.

Certo é que até hoje nunca ganhei nada ao jogo, pelo que se se mantiver a tendência, vamos todos ficar bem e não haverá desgraça a acrescentar à já existente.

Oxalá!!!

HN/NR/MM

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