“Aprender a viver”: Uma história sobre o estigma e a rejeição social de pessoas com VIH em Espanha

1 de Outubro 2021

O estigma, nas suas diferentes manifestações, e a discriminação continuam a ser uma causa de sofrimento para as pessoas com VIH. Em Espanha, são diagnosticados anualmente mais de 3.500 novos casos de infeção pelo VIH e estima-se que 151.387 pessoas vivem com o VIH. Cerca de 13% por cento das pessoas que vivem com VIH não sabem que o têm porque o estigma influencia negativamente o seu diagnóstico.

A ViiV Healthcare, uma empresa farmacêutica inteiramente dedicada ao VIH, estreou o documentário “Aprender a viver” com o objetivo de sensibilizar e reduzir o estigma das pessoas que vivem com o VIH em Espanha. O documentário oferece o testemunho de três pessoas com VIH e conta com a colaboração do Grupo de Estudos SIDA da Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica (GeSIDA), da Sociedade Interdisciplinar Espanhola de SIDA (SEISIDA) e da Coordenadora Estatal de VIH e SIDA (CESIDA).

“Aprender a Viver” visa mostrar a realidade das pessoas com VIH. O estigma, nas suas diferentes manifestações, e a discriminação, continuam a ser razões de sofrimento para as pessoas com VIH e dois dos maiores obstáculos na resposta à infeção.

O estigma e a discriminação influenciam negativamente a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e a qualidade de vida das pessoas que vivem com VIH. Por outro lado, as pessoas com VIH continuam a sofrer tratamento discriminatório em áreas como a saúde, emprego e acesso a serviços sociais e jurídicos.

Nas palavras de Ander Duque, diretor de “Aprender a viver”, “dirigir este documentário permitiu-me ver com os meus próprios olhos a realidade das pessoas que vivem com o VIH e aprender mais sobre a infeção. É por isso que acredito que se trata de uma iniciativa que deve chegar a toda a população, a fim de provocar mudanças”. Ele concorda com José Fley, um dos protagonistas do documentário, que argumenta que “é necessário criar estes espaços que permitam a visibilidade das pessoas com VIH. Para a luta contra o estigma, é fundamental que sejamos ouvidos e que a nossa realidade seja compreendida”.

Maria José Fuster, diretora executiva da SEISIDA, acrescenta: “O pior efeito secundário do VIH é o estigma. O documentário inclui histórias de pessoas corajosas que transmitem a dignidade que as pessoas com VIH têm. No entanto, muitos vivem escondidos por medo de serem rejeitados. Devemos assegurar que todas as pessoas com VIH possam sair do armário para “mostrar a sua dignidade”. Alguém deixaria alguma vez um belo casaco no guarda-roupa? Não vamos deixar nenhum casaco no armário”.

A estreia online de “Aprender a viver” foi celebrada durante uma apresentação de gala realizada na sede da Academia Espanhola de Artes e Ciências Cinematográficas em Madrid.

Os protagonistas oferecem o seu testemunho e contam as suas experiências na primeira pessoa sem censura e sem medo. Falam de incerteza, aceitação, desafios, mas também de realizações ao longo do caminho. A sua situação reflete-se nos resultados do inquérito internacional publicado em 2018 que revela que, em Espanha, 28% da população não se sentiria à vontade para trabalhar com uma pessoa com VIH. Por sua vez, 55% dos inquiridos disseram que, se não tivessem um parceiro, sentiriam desconforto se namorassem uma pessoa com VIH. No entanto, está demonstrado que uma pessoa com VIH, com um tratamento eficaz e uma carga viral indetetável não transmite a infeção sexualmente.

Ricardo Moreno, CEO da ViiV Healthcare Espanha e Portugal, explica que “os avanços terapêuticos no tratamento do VIH melhoraram a qualidade de vida dos doentes, mas não reduziram a discriminação que enfrentam. Por esta razão, acreditamos que é essencial dar voz às pessoas com VIH, promovendo a informação e o conhecimento como o caminho para uma verdadeira integração social”.

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